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Juízes: Um homem com carisma mas sem caráter

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS

Referência: Juízes: 14: 1-20; 15: 1-20

 

INTRODUÇÃO

A história de Sansão é famosa por sua combinação explosiva de sexo, violência, morte e poder — exatamente o enredo de uma novela do horário nobre! Mas, se for lida como parte de uma narrativa completa do livro de Juízes, ela se mostrará no mínimo desconcertante e, provavelmente, perturbadora.

 

Enquanto a situação espiritual de Israel se agrava, parece que o cenário está sendo montado para um grande juiz/líder, talvez o mais importante de todos. O capítulo 13, com sua ANUNCIAÇÃO, prepara o leitor para a chegada de um libertador extraordinário e poderoso.

 

Em vez disso, conhecemos o personagem mais imperfeito e fraco do livro: um homem violento, impulsivo, libidinoso, mimado, infantil e egoísta. Mais perturbador ainda é que o "Espírito de Deus" parece ungir e usar seus ataques de nervos, ressentimento e orgulho.

 

I. FALTA DE INTEGRIDADE.

Sansão confiou na sua força exterior e esqueceu de cultivar a principal força de um homem; sua integridade interior. Por fora um herói, por dentro um fracote.  O que deturpou a integridade de Sansão.

 

1. Uma queda por mulheres filisteias.

Sansão já é adulto, e o Espírito do Senhor começa a trabalhar nele (13.25). Mas, no começo do capítulo 14 — assim como por toda a vida —, Sansão é movido por um impulso muito mais humano.

 

Um dia, ele "desceu a Timnate e viu ali uma jovem mulher filisteia" (v. 1). Quando voltou para casa, Sansão disse (literalmente) a seus pais: "Eu vi uma mulher em Timnate, uma das filhas dos filisteus. Trazei-a para que seja minha mulher" (v. 2).

 

Sem dúvida nenhuma, os pais se lembravam de que o anjo profetizou que Sansão libertaria os israelitas da opressão dos filisteus (isso não é coisa que se esqueça!).

 

Imaginem a angústia deles quando Sansão volta para casa e, em vez de lutar contra os inimigos de Israel, anuncia que quer se casar com uma mulher daquele povo! Os pais perguntam se não há uma mulher entre os parentes, ou pelo menos em Israel, com quem ele possa se casar, “para que vás tomar mulher entre os filisteus, aqueles incircuncisos?” (v. 3).

 

A palavra "incircunciso" é importante aqui. Circuncisão era um sinal de que a família tinha uma aliança ou um relacionamento pessoal com Deus, como parte de seu povo. O problema deles não era preconceito racial (Filho meu não se casa com filisteia nenhuma!), e sim o casamento com alguém fora da aliança com Deus.

 

A proibição divina (Êx 34.15,16) não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento interconfessional (p. ex., a esposa de Moisés, Zípora, não era israelita, mas ela reconhecia a aliança de Deus; v. Êx 4.24-26).

 

No entanto, Sansão não quer saber de conversa. "Tomai--me esta", ele insiste com grosseria; e completa: "Ela agrada aos meus olhos" (Jz 14.3). E esse tipo de abordagem e padrão moral que os israelitas adotam: fazer o que era mau aos olhos do Senhor, porque era certo aos próprios olhos (13.1; 17.6).

 

2. Uma falta de integridade pessoal.

Sansão é um líder que reflete a verdadeira condição espiritual de Israel, em vez do ideal de Deus para seu povo. Vemos aqui a nação de Israel retratada de forma resumida na vida de um homem. (Nos caps. 17-21, os mesmos impulsos e corrupção espiritual são descritos de forma mais ampla e mais horrível).

 

Em primeiro lugar, Sansão é impulsivo. Ele é totalmente sensual, no sentido mais básico da palavra. É controlado pelos sentidos — ele reage ao que sente a partir do que vê, sem ponderações ou considerações.

 

Ele vê — e, a seguir, ele toma. Essa impulsividade generalizada resulta em uma fraqueza específica que aparecerá mais tarde na história, ou seja, total falta de autocontrole sexual.

 

Em segundo lugar, Sansão é indócil,Ele desdenha dos conselhos e da autoridade dos pais. O livro de Provérbios explica de modo amplo como é soberbo e tolo aquele que se recusa a ouvir conselhos e a exortação de terceiros.

 

Dentro de seu contexto cultural, o orgulho de Sansão é ainda mais extremo. Hoje em dia, é mais comum os filhos contrariarem os pais. Todavia, esse não era o caso em Israel de antigamente. 

 

Na sociedade israelita, o pai era o chefe da família e, como tal, exercia controle [...] incluindo a escolha de esposas para os filhos (p. ex., Gn 24.4; 38.6). Era raríssimo um filho contradizer os desejos de seus pais nesse [...] aspecto (Gn 26.34,35), pois o grupo familiar constituía um clã e as preferências individuais se subordinavam a esse grupo.

 

3. Um Jugo desigual.

Precisamos contextualizar e analisar por que a Bíblia ordena que os crentes não entrem em casamentos desiguais.

 

O texto de Êxodo 34.15,16 manda que Israel não faça aliança "com os habitantes da terra" (ou seja, com aqueles que não conhecem o Senhor) nem tomem "para teus filhos mulheres entre as filhas deles".

 

Por quê? Porque essas uniões vinculativas, em âmbito nacional ou familiar, levariam os israelitas a se juntar às suas aliadas/esposas quando elas se "prostituíssem com os seus deuses" (v. 16).

 

Em 2Coríntios 6.14-16, o APÓSTOLO Paulo reitera esse principio para que os crentes não se unam em casamento com àqueles que não cultuam o Deus verdadeiro. A palavra "jugo" refere-se a qualquer tipo de uniões vinculativas.

 

Contudo, no mínimo se aplica ao casamento, que é o maior vínculo de todos os relacionamentos humanos. Em 2Coríntios, assim como em Êxodo, o motivo principal é que tais casamentos fragilizam a lealdade do crente a Deus — "Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos?, entra luz e trevas, entre Cristo e Belial" (v. 16).

 

Uma leitura superficial da afirmação de Paulo talvez faça o leitor concluir que a preocupação da Bíblia é que o cônjuge não crente tente converter o crente. Assim, muitas pessoas garantem: Isso não é problema para mim. Posso me casar com X porque ele/ela respeita totalmente a minha crença e nunca me impedirá de praticá-la.

 

É importante lembrar que o contexto desses textos é a idolatria, não as religiões formais. Idolatria é destronar Deus porque coisas boas se tornaram mais importantes que ele.

 

Caso seu cônjuge não partilhe de sua fé, você tentará se adaptar à situação e, assim, empurrará Deus para longe, deixando-o à margem de sua vida. Você tem um relacionamento íntimo com alguém que não entende o que deve ser a verdadeira mola mestra e motivação de absolutamente tudo o que você faz.

 

A reação natural a isso é tornar Deus menos importante em relação a tudo. Caso contrário, você só receberá olhares perplexos de seu cônjuge. Existirá uma pressão diária invisível para adorar outra coisa: o próprio cônjuge ou os ídolos que ele/ela traz para o casamento (provavelmente sem perceber).

 

Portanto, a Bíblia insiste em que crentes não se casem com não crentes. (Mas devemos lembrar que Paulo insiste em que o crente já casado com um incrédulo não se divorcie, mas busque ativamente a edificação de um bom casamento — 1Co 7.12-15.)

 

4. Uma passividade mundana.

Já se vê que Sansão não vai ser o juiz que esperávamos que ele fosse! O primeiro juiz, Otoniel, lutou contra os inimigos de Israel e, por isso, casou-se com Acsa, uma israelita virtuosa, fiel e confiável (Jz 1.12,13).

 

O último juiz, Sansão, vai à casa dos inimigos de Israel para casar com uma filisteia anônima que não conhece a Deus. É importante o fato de Sansão ter achado a mulher em Timnate — no recôndito do território israelita — e de ele ter passagem livre entre os filisteus.

 

Os filisteus se estabeleceram em Israel e viviam normalmente ali. Eles "dominavam" (13.1; 14.4) Israel, mas parece que a ocupação era totalmente pacífica, sem resistência alguma do povo de Deus. Tanto que Sansão não pensou duas vezes quando resolveu se casar com uma filisteia.

 

Isso nos mostra de imediato que falta algo nesse ciclo de Juízes. Israel não clama para se ver livre da opressão. Não há resistência à escravidão. Mais adiante na narrativa, os homens de Judá (que foram os primeiros a subir e lutar por sua terra, 1.2), simplesmente aceitam como realidade da vida que "os filisteus dominam sobre nós" (15.11).

 

Em resumo, a rendição de Israel aos filisteus é bem mais profunda e completa do que as escravidões anteriores. No passado, Israel gemeu e agonizou sob a ocupação das forças pagãs, porque o domínio era militar e político.

 

Mas agora parece que os israelitas não têm consciência nenhuma da escravidão, porque sua natureza é de acomodação culturale mundana. Os israelitas agora não choram e não lutam contra os "captores" porque adotaram completamente os valores, as filosofias e os padrões morais e os ídolos dos filisteus e se adaptaram a eles.

 

Da mesma forma que Sansão, os israelitas estavam ávidos por casamentos dentro da sociedade filisteia, provavelmente como uma forma de “progredir” naquela cultura. Os israelitas não tinham mais uma cultura própria, uma cultura baseada no serviço a Deus.

 

É difícil exagerar o perigo que Israel corria. Os israelitas estavam à beira da extinção. Dentro de poucas gerações, podiam estar completamente ASSIMILADOS à nação dos filisteus.

 

Não pode existir coexistência harmoniosa entre a igreja e o mundo, pois, quando não há conflito, é sinal de que o mundo já tomou conta da situação.

 

Eis dois exemplos que mostram como os esforços da igreja para evitar conflitos com o mundo foram ou são, na verdade, uma rendição ao mundo:

 

(a) O liberalismo e a busca de relevância intelectual. Na primeira metade do século 20, os protestantes históricos tomaram uma atitude bastante audaciosa no intuito de serem "relevantes" às pessoas modernas que não acreditavam no sobrenatural.

 

Rudolph Bultmann, importante teólogo da época, declarou: "Ninguém que usa tecnologia avançada pode acreditar no mundo antigo de espíritos e milagres". Imaginava-se que as pessoas esclarecidas acabariam perdendo completamente a crença no mundo sobrenatural.

 

Muitas igrejas entraram no projeto de "dessobrenaturalização" da mensagem cristã. A Bíblia não era mais vista como a revelação INFALÍVEL de Deus, e sim como uma coleção de histórias antigas inspiradoras e cheias de erros.

 

Os conceitos de "conversão" e "novo nascimento" foram descartados. Agora, "tornar-se cristão" era viver uma vida correta, de misericórdia e justiça. Isso deu fim ao "conflito" entre o cristianismo e aqueles que não acreditavam em milagres, na revelação divina da Bíblia ou na ressurreição física.

 

Mas, naturalmente, isso significava que o racionalismo científico era agora o verdadeiro "governante".As igrejas que, a bem da conveniência, podemos chamar de "liberais", atraem uma parte da cultura moderna que tem (pelo menos) três ídolos:

Ø  escolha e liberdade pessoal, a verdade subjetiva.

Ø  tolerância absoluta e rejeição da verdade exclusiva e da responsabilidade pessoal, removendo a ideia de pecado e castigo do evangelho.

Ø  competência profissional e status diante da sociedade.

 

Para atrair tal cultura e evitar conflitos, essas igrejas se adaptaram. Abraçaram éticas sexuais modernas, não aplicam disciplina eclesiástica, não pregam a Cristo como o único meio de salvação.

O ministério dessas igrejas é solidário e terapêutico, e ninguém jamais é avisado dos perigos do julgamento de Deus. A igreja é administrada por especialistas, e os leigos não são capacitados a ministrar.

Em geral, os conceitos populares da cultura moderna são adotados e promovidos. Se as igrejas pregassem castigo, responsabilidade e decência moral (como Jesus fez), haverá conflito com o mundo, e os liberais não querem o confronto.

(b) O conservadorismo e a busca de identidade. O oposto a liberalismo temos as igrejas mais "conservadoras" atraem aqueles que idolatram:

1) um passado dourado;

2) o núcleo familiar;

3) a própria raça e cultura tradicional;

4) Autoridade e respeitabilidade.

 

Enquanto a cultura liberal é relativista, a cultura conservadora é moralista e transforma a "bondade" e a respeitabilidade em ídolos. Vivem idealizando “os bons e velhos tempos”, e se orgulham da gloria do passado, embora esteja com presente arruinado e o futuro comprometido.

 

No Israel de Sansão, Deus havia decidido impedir que seu povo se tornasse mundano, parecido culturalmente e, portanto, extinto espiritualmente. Ele faria isso por meio de Sansão e apesar de Sansão. E haveria conflito!

 

II. DEUS AGINDO

 

1. Deus não age por meio do pecado

O que Deus faz quando seu povo não está apenas se acomodando ao mundo, mas também sendo assimilado por ele?

 

Juízes 14.4 é o versículo crucial na narrativa de Sansão, a chave para entendermos a história toda e a resposta para a pergunta anterior: "Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isso [o desejo veemente de Sansão de se casar com a filisteia] vinha do SENHOR, que buscava ocasião contra os filisteus..."

 

Deus usará a própria fraqueza de Sansão — sua confraternização com os filisteus, seu apetite sexual, seu temperamento vingativo e explosivo (que estudaremos logo a seguir) — para provocar um confronto entre os dois povos e para trazer sua disciplina sobre o próprio Sansão.

 

A fraqueza deSansão resulta em luta sangrenta, que provoca mais conflitos ainda e, por fim, a divisão tão desesperadamente necessária entre as duas nações.

A ideia de 14.4 é que a interligação do povo de Deus com o muno é tal que nem o Senhor consegue encontrar algo que os force a se separar. Portanto, ele usa as fraquezas de Sansão para gerar o relacionamento com essa mulher irresistível, relacionamento que irá criar tantos rancores e castigo sobre essa conduta pecaminosa.

 

Ao mesmo tempo que o destemperamento de Sansão quebra um principio divino, Deus usa isso para criar o conflito com o mundo e ao mesmo tempo isso vai culminar na disciplina de sansão.

 

No decorrer dessa história, observaremos as pessoas agindo conforme seu mau caráter. Todos são responsáveis por seus atos. Deus usa isso para que o seu povo não perca totalmente a identidade.

 

Embora as promessas de Deus sejam condicionais, ele continua comprometido integralmente com as promessas de sua aliança, apesar de seu povo ser muitas vezes infiéis.

 

Deus é fiel às suas promessas, mas ele não as cumpre apesar do pecado de seu povo, e nem mesmo por meio de seu pecado, isso seria uma blasfêmia. Deus castiga o comportamento pecaminoso dos israelitas e de Sansão, antes de libertá-los.

 

Encontramos o maior exemplo disso em Atos 2.23, quando Deus usa as escolhas perversas dos seres humanos para matar Jesus, redimindo dessa forma o mundo das escolhas voluntárias e perversas!

 

Embora aqueles que mataram Jesus estivessem agindo maldosamente, e eles seriam castigados por isso. Deus permitiu com que essa maldade cumprisse seus propósitos redentores.

 

Assim, por mais estranho que pareça, Deus, em sua misericórdia, usa a fraqueza dos israelitas para impedir que haja paz entre eles e os povos vizinhos. O povo de Deus (de hoje e de ontem) não tem de viver em paz com o mundo — pois a "amizade do mundo é inimizade contra Deus" (Tg 4.4).

 

Por quê? Porque, se formos iguais ao mundo, adoraremos os ídolos e abandonaremos o Senhor Deus; como Tiago afirma, seremos "adúlteros". É por sua grande misericórdia que Deus não permite que o mundo ame a verdadeira igreja durante muito tempo.

 

Isso nos obriga a reconhecer que não fazemos parte do mundo — que temos um Senhor e Salvador diferente — e a clamar pedindo que ele nos salve de nós mesmos e nos governe apesar de nós mesmos.

 

2. O leão, a aposta e a mulher

Sansão começa a menosprezar seu voto de consagração. Quando "um leão novo o atacou, rugindo [...] [ele] despedaçou o leão com as mãos vazias" (14.5,6).

 

Como nazireu, Sansão não podia tocar em um animal morto, portanto agora teria de rumar direto ao tabernáculo para se purificar. Mas ele está indo ver a mulher que deseja; é óbvio que a luxúria sobrepuja seus votos de consagração.

                                                                                                

Então, ele não contou nada aos pais (v. 6) e "desceu e falou com a mulher" (v. 7). Mais tarde, ele toca novamente em um animal morto e, dessa vez, leva seus pais a se tornarem impuros também, sem que soubessem disso (v. 8,9).

 

Sansão se prepara para casar (v. 10,11) e faz uma festa mundana, pois não queria ser como os moços daquela época. ELe até aposta com seus "companheiros" filisteus (v. 12-14), afirmando que eles não decifrarão sua charada e que ele ficará com os bens apostados.

 

Mas os filisteus ameaçam sua esposa (que está prometida a ele, embora o casamento ainda não tenha acontecido). Sansão, mais uma vez exibindo sua incapacidade de raciocinar direito ao deparar com uma mulher bonita, conta a resposta à esposa, que passa a informação adiante (v. 15-18).

 

E é agora que testemunhamos a violência vingativa de Sansão (v. 19). Como já sabemos, ele não controla seus instintos nem seu gênio forte. Sansão mata trinta filisteus, não para salvar Israel, mas, para se vingar e pagar uma dívida.

 

Como Sansão voltou para a casa dos pais, sua esposa "foi entregue a um dos amigos que havia sido seu companheiro" (v. 20) — isto é, a um filisteu. Sansão não tem como saber disso; então, "alguns dias depois [...] foi visitar sua mulher"(15.1).

 

Esperaríamos que Sansão, sempre levado pelas emoções, fosse aceitar a irmã mais nova e mais bonita (v. 2). Mas ninguém manda em Sansão! "De agora em diante, não serei culpado se fizer algum mal aos filisteus" (v. 3).

 

Impulsionado por essa raiva explosiva, ele incendiou as plantações dos filisteus (v. 4,5). Em retaliação à vingança de Sansão, os filisteus "atearam fogo nela [a esposa de Sansão] e em seu pai" (v. 6). Sansão, como seria de se esperar, não fica quieto —ele jura vingança (v. 7) e "massacra muitos deles" (v. 8).

 

Ninguém sai inteiro desse episódio. Sansão não se importa com o papel que Deus lhe deu e é brutalmente violento; mas os filisteus — um dos quais oferece duas de suas filhas a tal brutamonte e acaba sendo queimado vivo por seus compatriotas — não são nada melhores.

 

Sansão é parecido com os inimigos de Deus.Como já dissemos, é fácil olhar para outra cultura e notar que alguém do povo de Deus "se vendeu" a ela. Contudo, não estamos dispostos a questionar seriamente se fazemos a mesma coisa.

 

3. O Espírito do Senhor

Em tudo isso, porém, Deus está trabalhando. Como Sansão consegue matar um leão? "O Espírito do SENHOR veio sobre ele em poder" (14.6). Corno ele consegue matar trinta filisteus para roubar suas roupas? "O Espírito do SENHOR veio sobre ele em poder" (v. 19).

 

Deus dá poderes sobrenaturais a Sansão — a única coisa necessária (além dos defeitos de caráter do rapaz) para ele causar a divisão entre Israel e os filisteus de que seu povo necessita desesperadamente, embora não perceba. Deus começa a salvar seu povo ao separa-losdos ídolos e do mundo ao redor.

 

Mas como é que Deus pode usar pessoas tão falhas e fracas —pessoas iguais a Sansão — para realizar sua obra? Ele não deveria usar somente pessoas boas e fiéis? Não deveria usar somente pessoas que têm a sã doutrina e se comportam da maneira correta?

 

O problema com esse conceito é que ele põe Deus numa caixinha. Significa que Deus é limitado pelos seres humanos e só pode trabalhar quando as pessoas são boas e fazem escolhas bem feitas.

 

Significa que Deus não age pela graça nem toma a iniciativa de salvar, mas que trabalha em resposta às boas obras e fica esperando que os seres humanos o ajudem na salvação.

 

Os relatos de Juízes explicam como essa ideia "vá por água abaixo": Acima de tudo, trata-se de um livro sobre graça, misericórdia imerecida, como é o caso da Bíblia inteira [...]. Isso não significa desdenhar da precisão teológica ou fingir que nosso comportamento é de menor importância [...] (ainda sofreremos por nossos pecados).

 

 

 

 

Deus não usa as nossas falhas com base para o seu sucesso. Pois a vida de Sansão foi um fracasso.  E ele só pode cumprir sua missão quando se humilhou diante de Deus no dia da sua morte.

 

Assim nunca devemos dizer: 'Deus não pode ou jamais irá fazer... pois...', já demos o passo errado, ou cometemos tal pecado. Se houver arrependimento e mudança de vida Deus cumprirá seus propósitos.

 

A verdade impressionante é que Deus trabalha por meio de pecadores e usa situações sombrias para cumprir seus propósitos. Ele mantém suas fiéis promessas de abençoar seu povo nas circunstâncias sombrias e desastrosas da vida, assim como nos períodos em que tudo vai "bem".

 

Nem sempre nossos erros nos impedem de Deus nos usar, mas isto não quer dizer que ele está aprovando nossa conduta pecaminosa, ou que não nos castigará por eles.

 

4. Liderança sem paz

A violência aumenta gradativamente, retaliação após retaliação. Sem perdão e reconciliação, a história nos é conhecida, tanto na estrutura familiar quanto no âmbito nacional.

 

Cada ação produz uma reação, que gera sua própria reação, e o ciclo aparentemente inquebrável continua. Os filisteus, então, se armaram e acamparam em Judá, "para amarrar Sansão e retribuir-lhe o que nos fez" (Jz 15.10).

 

A tribo de Judá vive tão concentrada em manter a paz com os filisteus que não faz a mínima ideia de que Deus levantou um juiz para salvar Israel (v. 10)! E, quando descobre isso, manda três mil homens ir atrás do juiz e entregá-lo aos seus inimigos (v. 11,12)!

 

A tribo de Judá pode ser chamada de povo de Deus, mas sua preferência é viver em paz com o mundo e adorar seus ídolos, em vez de ter liberdade para adorar a Deus, eles preferem destruir o libertador a se arriscar num confronto com o mundo.Eles querem a paz do mundo.

 

Assim, os homens de Judá amarram seu próprio juiz (v. 13) e o entregam aos filisteus. No entanto, mais uma vez, "o Espírito do SENHOR se apossou dele".

 

Sansão arrebenta as cordas e, "achando uma queixada de jumento ainda fresca" de um animal morto, e agora Sansão quebra mais uma vez seus votos de consagração. ELe "aapanha e mata mil homens com ela" (v. 14,15), zombando deles quanto os matava (v. 16).

 

5. Oração sem quebrantamento.

Nessa altura, pela primeira vez, Sansão fala com Deus, que o escolheu e lhe deu poder. Mas sua oração não é humilde nem fiel: ele praticamente exige que Deus o ajude e reclama que ele não faz isso (v. 18).

 

O que mostra total cegueira de sua parte, pois foi o Espírito de Deus que o salvou do leão, da aposta perdida e, agora, de mil filisteus.

 

Sansão usa a força de Deus, mas não depende dele,a não ser em situações extremas (ele não falará com Deus novamente até o capítulo 16.28, quando está cego e preso).

 

Deus, porém, está trabalhando por meio de Sansão e providencia a água de que ele necessita (15.19). Reanimado, "Sansão foi juiz de Israel durante vinte anos" (v. 20, A21).

 

Sua liderança, contudo, não é parecida com a dos juízes anteriores. Ele não libertou Israel da opressão física e espiritual — essa ainda é a "época dos filisteus".

 

6. A verdade sob sobre dons e fruto.

Sansão é novamente revestido pelo Espírito de um modo notável — matar mil homens armados com uma queixada de jumento é um feito e tanto! Mas, se Sansão tem o Espírito de Deus, não deveria crescer em santidade? Como ele pode ser tão usado pelo Espírito e, mesmo assim, exibir tanta falta de paciência, humildade e autocontrole?

 

No entanto, a Bíblia sempre fez uma distinção que a maioria dos crentes desconhece. É possível ter os dons do Espírito, mas não produzir o fruto do Espírito. É possível ter carisma, mas não ter caráter.

 

Em 1Coríntios 12 e 14, Paulo ensina que os "dons" do Espírito são aptidões para ofazer; ou seja, habilidades de servir e ajudar, embora possam ser usadas também para outros fins. Já em Gálatas 5.22,23, o apóstolo ensina que o "fruto" do Espírito implica traços de caráter do ser — tais como paz, paciência, gentileza, autocontrole.

 

E, então, em 1Coríntios 13.1-3, ele afirma que é possível ter aptidões (ou dons) de ensino, profecia. Línguas, revelação, capacidade excepcional para liderar, mas não ter o fruto do amor, sem o qual os dons não valem "nada".

 

Portanto, encontraremos na Bíblia, aqui e ali, homens e mulheres — iguais a Sansão — que possuem dons maravilhosos, contudo parecem muito superficiais em santidade e caráter. E 1Corintios 13 nos adverte a estar atentos quanto a isso em nós mesmos.

 

Os dons do Espírito Santo podem agir em nós, e até poderosamente, de modo a ajudarmos as pessoas e liderarmos movimentos — embora nossa vida interior seja um desastre.

 

Na verdade, esse padrão é tão comum que pode existir um elo frequente entre vida exterior admirável e vida interior despedaçada. Algumas pessoas são dinâmicas e eficazes no ensino, no aconselhamento e na liderança, mas na vida privada são dadas à tentação, ao desânimo, à raiva e ao medo.

 

O que fazer sobre isso?

 

(a) É possível ter carisma, mas não ter caráter. Precisamos reconhecer a distinção bíblica entre dons e fruto. Algumas pessoas usam seus dons como “prova" e autojustificativa de que estão bem espiritualmente:

 

Vejam só as pessoas a quem sirvo e que vivem dizendo como sou importante para elas! Claro que Deus está satisfeito comigo.Entretanto, não devemos confundir a manifestação dos dons carismáticos com o crescimento do fruto.

 

O fruto é a "prova" do crescimento espiritual. Como sei se uma pessoa está bem, se ela tem um caráter sarado, se cresce em humildade e santidade.

 

(b) O melhor indicador de saúde espiritual é nossa vida de oração,e não nosso ativismo religioso.A vida de oração de uma pessoa, diz muito sobre ela. As orações devem ser afetuosas, agradáveis e consistentes. Devemos orar e aprender orando.

 

Muitos até oram, mas só fazem como Sansão; apenas como ultimo recurso, e somente por eles mesmos e por seus próprios desejos? Tiago diz que essas orações jamais serão respondidas, pois estamos pedindo mal.

 

(c) Temos de evitar o cristianismo do tipo "Cavaleiro Solitário".Comunhão íntima é o melhor jeito de garantir a integridade de nossa vida interior e exterior. Sansão é famoso por sua vida solitária. Ele sempre andou sozinho. Além de não ouvir conselhos, ele nunca trabalha com ninguém nem forma equipes.

 

Ele sozinho é uma equipe de demolição! Com essa atitude, nós nos promovemos na aparência exterior, enquanto o interior se desintegra, pois ninguém está perto o bastante para observar nossa vida espiritual ou para nos exortar, encorajar e desafiar nessa caminhada.

 

CONCLUSÃO:Sansão o pequeno sol, nunca brilhou, sua luz da integridade foi cada vez de apagando. Sansão vivia agindo por impulso, por não ter uma vida de oração e não aprender a depender de Deus em todas as coisas.

 

Sansão é um exemplo da tragédia de um homem consagrado a Deus, que tomou todas as decisões erradas e teve um fim trágico. Suas falhas de caráter o acompanharam a vida toda, ele nunca se deixou ser tratado.

 

Sansão é a maior manifestação física do enchimento do Espirito em um ser Humano, depois de Jesus. Embora o Espirito fosse residente, mas não era o presidente. Em nunca deixou o Espirito governar sua vida.

 

 

 

De: 26/01/2017
Por: Jairo Carvalho



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