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Juízes: Religião vazia

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS

 

Referência: Juízes: 17:1-13; 18: 1-31

 

INTRODUÇÃO:

De certa forma, o fim de Sansão é o fim da história de Juízes. Ele é o último juiz de Israel, e sua morte parece ser o último evento cronológico do livro. No fim da história, temos um juiz morto e um resgate bastante incompleto.

 

Mas ainda há quatro capítulos antes de Juízes terminar! Esses últimos capítulos fogem da estrutura da narrativa inicial. Os capítulos anteriores oferecem uma visão panorâmica da situação, ao dizer que o povo fazia "o que era mau aos olhos do SENHOR" (3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1).

 

Os capítulos finais oferecem uma visão detalhada da vida em Israel naquela época — os dois episódios (caps. 17-18 e 19-21) são um apêndice duplo do livro e equilibram a introdução dupla (1.1-2.5 e 2.6-3.6). As passagens intermediárias mostram que Deus resgatou Israel.

 

Aqui, porém, temos dois estudos de caso sobre a situação espiritual da qual Deus resgatou o seu povo. Essa é a razão de os últimos capítulos quase não mencionarem o Senhor Deus.

 

Eles descrevem o que acontecia quando os israelitas eram deixados por conta própria. Essa visão da humanidade sem Deus é tão sombria que esses capítulos raramente são estudados ou usados em sermões.

 

I. EVANGELHO SUPERFICIAL.

O tipo de religião que os Israelitas praticaram no tempo dos juízes, é um retrato fiél da espiritualidade moderna. Este tipo de evangelho é algo nocivo e enganoso, pois fecha a porta do reino de Deus e traz consequências trágicas para quem o pratica. Vejamos as características de evangelho superficial.

 

1. Geração sem substancia

Boa parte dos capítulos 17 e 18 gira em torno de Mica, um homem da "região montanhosa de Efraim" (17.1, A21). Micahavia roubado 1.100 moedas de prata de sua mãe, mas, ao ouvir as maldições que ela jogou contra o ladrão, Mica confessou o roubo (v. 2) e devolveu o dinheiro (v. 3).

 

Ele não era nem muito bom nem muito mau. Se fosse completamente mau, não teria devolvido o dinheiro. Mas, é claro, se fosse bom, não teria roubado o dinheiro! E, pelo jeito, ele devolveu o dinheiro rapidamente porque ouviu a mãe pronunciar maldições (v. 2), e ficou com a consciência pesada e não porque se arrependeu de seu pecado.

 

Temos aqui uma pessoa de caráter muito fraco, sem princípios. Mica é vazio — um homem sem muita substância. Essa é exatamente a essência desta sociedade pós-moderna,“vazia”, onde o peso da consciência substitui o arrependimento.

 

Então a mãe que é uma mãenaca, não tem firmeza alguma, que não disciplina seu filho, reverte a maldição e pede que o filho seja abençoado (v. 2). Ela é aparentemente benigna em perdoar!

 

Mas é muito rápida em declarar restauração! Ela não quer saber se houve arrependimento verdadeiro, se ele mudou de atitude, logo se não há fruto de arrependimento não deve haver perdão e não há reconciliação total.

 

Sem esse processo doloroso da disciplina, o mau comportamento não é desencorajado, pelo contrario ela incentiva o filho a agir ainda mais errado.

 

Porque Mica é mimado pela mão, ele não é desafiado a examinar seu coração e o motivo de ter roubado o dinheiro; não há reconhecimento sincero e humilde da necessidade de graça e transformação.

 

Pais extremamente críticos e punidores prejudicam os filhos, mas pais condescendentes, frouxos, fazem o mesmo, ou ainda pior. O comportamento da mãe revela por que Mica é do jeito que é. Os filhos refletem os pais em tudo. O comportamento dos pais, explica o jeito que os filhos são.

 

2.  Problema de imagem

A mãe de Mica é bastante ortodoxa ao invocar o nome do Senhor como fonte de bênçãos (v. 2). Essa família não cultua Dagom nem baalins nem imagens de Astarote nem outros deuses. Adoram a Deus em palavras.

 

Mas... quando o dinheiro foi devolvido, ela o dedicou "ao SENHOR", para que o filho fizesse "uma imagem esculpida e um ídolo de metal" (v. 3). Ela entrega duzentas moedas de prata a um ourives, que delas fez "uma imagem [...] e um ídolo".

 

E um gesto espantoso, que mostra desrespeito absoluto pelo segundo mandamento (Êx 20.4,5; Dt 4.15-17), em que Deus ordena que não se faça nenhum tipo de imagem sua. Ele não pode ser adorado em forma criada e moldada pelo homem.

 

Por que Deus ordena tal coisa? Porque qualquer imagem esculpida ou representação de Deus revelaria automaticamente parte da natureza de Deus, mas ocultaria outra parte. Por exemplo, Arão construiu um bezerro de ouro no deserto. O bezerro não era outro deus, e sim um jeito de adorar a Deus.

 

Contudo, embora o bezerro pudesse simbolizar o poder de Deus, não revelava sua justiça ou seu amor. Se você fizesse um retrato de Deus e tentasse adorá-lo, ele mostraria um Deus sorridente e amoroso ou impressionante e majestoso?

 

O retrato não expressaria toda a extensão da glória de Deus e, portanto, sua visão de Deus seria distorcida. Adorar a Deus por meio de imagens revela um espírito interior que não quer se submeter a Deus exatamente como ele é, mas que deseja escolher os atributos para criar um Deus que nos seja agradável.

 

Como sabemos, essa é a base de um antigo debate católico-protestante. Os protestantes sempre reclamaram que o uso que as igrejas católica e ortodoxa fazem de estátuas ou "ícones" na adoração (p. ex., reverenciar pinturas de Deus, de Cristo ou dos santos) é uma péssima ideia.

 

O motivo é que o retrato geralmente "sequestra" as emoções e leva-as em uma única direção, mostrando Deus em um único aspecto de seu ser.

 

No entanto, esse não é o problema principal. O verdadeiro problema na adoração por meio de imagens é o desejo de moldar e revisar Deus espiritualmente. Em linguagem moderna, é uma recusa em deixar Deus "ser ele mesmo" em nossa vida.

 

Filtramos (conscientemente ou não) as coisas sobre Deus que nosso coração não consegue aceitar. De certo modo, esse é o maior pecado de nossa época. Quantas vezes você ouviu alguém afirmar:

 

Não acredito num Deus assim. Para mim, Deus é...?Isso é adorar a Deus por intermédio da obra de nossas próprias mãos. E podemos fazer isso sem esculpir uma imagem material. Vejamos:

 

(a) O modo mais grave de fazermos isso é por meio da rejeição intelectual e consciente de uma parte da revelação de Deus nas Escrituras.Fazemos isso quando declaramos: Não dá mais para aceitar um Deus que faz isso... ou que proíbe aquilo...Ao usar a frase "não dá mais para", nós nos revestimos do famoso manto chamado progresso.

 

Na verdade, o que estamos afirmando é: O desagrado de nossa cultura por esse conceito significa que temos de abandoná-lo! Temos de ter um Deus que se amolde às sensibilidades de nossa cultura.

 

Isso significa que nós, tal como a família de Mica, estamos remodelando Deus para que ele se encaixe em nosso coração e em nossa sociedade em vez de permitir que ele remodele nosso coração e nossa sociedade.

 

(b) O segundo modo de adorarmos a Deus por nossas próprias obras é ignorando ou evitando psicologicamente os aspectos da revelação de Deus dos quais não gostamos.Por exemplo, Deus não está brincando quando nos manda partilhar nosso dinheiro, em vez de o gastarmos apenas com nós mesmos de forma desenfreada.

 

Contudo, evitamos até pensar nas implicações disso em nossa vida. Talvez saibamos que Deus leva a sério o perdão e a graça, mas somos críticos e duros de coração. Se for o caso, adoramos um Deus feitor de escravos, não um pastor de ovelhas.

 

(c) O terceiromodo de adorarmos a Deus dessa forma é SUBJETIVANDO todos os padrões morais.Por exemplo, cristãos professos podem desprezar a modéstia, dizendo que Deus não se importa com a forma como nos vestimos; e desconsiderar tudo o que a bíblia fala sobre pudor, modéstia e santidade.

 

Ou, um casal de namorados cristãos; acham que podem ter relação sexual um com o outro, embora não sejam marido e mulher. Por quê? Porque oraram (e isso é bom) e "sentiram paz sobre o assunto" (isso é irrelevante!).

 

Os dois ignoram os mandamentos objetivos quanto ao sexo e casamento dados por Deus em sua Palavra. É assim que Mica e família agem. Obedecem às leis de Deus até certo ponto e depois as distorcem ou fazem acréscimos para se comportarem como bem lhes aprouver.

 

Por que isso é um problema tão sério? Porque impossibilita um relacionamento verdadeiramente pessoal com Deus. Em um relacionamento pessoal com alguém de verdade, essa pessoa pode nos contradizer e irritar — e, assim, temos de lutar para crescer na intimidade.

 

Mas quando ignoramos (intelectual ou psicologicamente) os aspectos de Deus dos quais não gostamos, temos um Deus que nunca contradiz nossos desejos mais profundos nem diz "não" à nossa vontade.

 

Jamais lutamos com ele. Nunca permitimos que ele nos faça exigências. Podemos acabar adorando um Deus muito mais agradável, mas também inexistente e criado a nossa imagem. Esse conceito de Deus é vão.

 

3. Retendo uma parte

É impressionante que a mãe de Mica quebre o segundo mandamento para mostrar sua gratidão ao Senhor! Mas ela também é desonesta. Depois de prometer "minha prata" (17.3), a mulher entrega somente duzentas moedas para a confecção dos ídolos e retém novecentas para si (v. 4).

 

A mãe de Mica não coloca Deus em primeiro lugar, não lhe dá soberania em todas as áreas da vida. Ela se previne contra riscos — entrega parte de sua riqueza a Deus, contudo guarda a maior quantia para si.

 

E fácil usar a linguagem religiosa, afirmar ter Jesus como Senhor, mas lhe obedecer apenas em alguns "setores da vida" e agir como bem entendemos em outras áreas.

 

Ou então lhe obedecemos parcialmente em cada setor, retendo parte de nosso dinheiro (como aqui), tempo, emoções ou relacionamentos, como "apólice de seguro", caso Deus não "cumpra sua parte" do jeito que gostaríamos. Isso é hipocrisia total.

 

No entanto, quase sempre deixamos de analisar as implicações do evangelho em cadaárea da vida, Em Gálatas 2.14, Paulo confrontou Pedro (um apóstolo!) porque ele ainda permitia que sentimentos racistas e preconceitos controlassem alguns aspectos de sua vida.

 

Muitos cristãos professos agem como se não fossem cristãos no ambiente de trabalho, mas são tão desonestos ou implacáveis no gerenciamento de seus negócios como todos os outros mundanos.

 

É fácil "consagrar solenemente" toda a nossa vida a Deus nos domingos, mas entregar-lhe apenas nossos domingos. E o resto da semana, vivemos como queremos.

 

4. Religião caseira

Mica coloca os ídolos em um santuário em sua casa (Jz 17.5). Deus havia ordenado que houvesse um tabernáculo central ou templo, estabelecido ao redor da nuvem de glória, com sua presença majestosa (Êx 25.1-9).

 

Quando a nuvem de glória se movia, o tabernáculo se movia. Esse era o lugar onde os sacrifícios eram oferecidos, onde a adoração acontecia, onde o "éfode" ou colete sacerdotal era guardado, onde Deus respondia às perguntas do povo.

 

Deus não permitia que os israelitas adorassem em qualquer lugar que desejassem. Mica, porém, ergueu seu próprio santuário para adorar de acordo com sua conveniência. A religião de Israel se tornou uma preferência individual.

 

Além disso, Mica consagrou seu filho como sacerdote. Mais uma vez, isso contradiz a revelação MOSAICA de que somente os levitas poderiam ser sacerdotes. No entanto, Mica e sua mãe decidem elevar um membro da família ao sacerdócio.

 

Afinal, um santuário precisa de um sacerdote! Mais tarde, encontram um levita e trocam de sacerdote (Jz 17.7-12). Contudo a obediência aos mandamentos de Deus na maneira de tratá-lo e adorá-lo tornou-se um princípio secundário, e não central.

 

Basicamente, a fé do povo de Deus é uma fé revelada. Deus se revela em sua palavra, logo nós não o descobrimos por meio de raciocínio ou experiência. Em resumo, Deus manda: Adore-me como sou, não como você quer que eu seja; adore-me como o minha palavra orienta, e não como o seu coração deseja.

 

A família de Mica, assim como muitos cristãos, molda um Deus cuja adoração é conveniente. Segue os mandamentos que prefere e ignora totalmente os outros.

 

É isso o que acontece quando as pessoas fazem o que acham melhor (v. 6). Não é necessário que a rejeição a Deus seja consciente. Também não é necessário que paremos de buscar a Deus ou que cessemos todas as atividades religiosas. Aliás, o que não falta no capítulo 17 é atividade religiosa — um santuário em sua casa é sinal de grande piedade!

 

Mas isso é religião de acordo com os termos do mundo, de acordo com as preferências individuais. É uma religião que não tem nada a ver com Deus, sua verdade e sua vontade, e sim comigo, meus conceitos e minhas preferências.

 

É uma religião que busca controlar e domesticar o Senhor Deus, que tenta refazê-lo segundo uma imagem que nos agrada. É uma religião fácil ou excitante; mas não é uma religião que trará bênção ou libertação e nem tem poder para salvar ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

II. CONSEQUÊNCIAS DA SUPERFICIALIDADE.

Tudo o que um evangelho superficial e cheio de banalidades pode produzir é uma religião vazia. E as consequências desta superficialidades sãos trágicas. Vejamos.

 

1. O autoengano: Agora eu sei...(v.13)

No versículo 7, encontramos "um jovem levita, de Belém de Judá". Ele havia deixado sua cidade natal (onde deveria estar servindo ao povo como sacerdote) "em busca de outro lugar para morar" (v. 8).

 

Quando encontra Mica (v. 9), este vê uma oportunidade de tornar seu santuário caseiro ainda mais impressionante. O levita concorda em ficar ali como sacerdote (v. 10-12).

 

Exteriormente, o santuário de Mica está agora mais de acordo com as leis do culto divino estabelecidas na lei mosaica — os sacerdotes têm de ser levitas —, embora ele insista em rejeitar o princípio central dessa lei: o culto tem de ser conduzido conforme a palavra de Deus, e não segundo as ideias humanas.

 

O versículo 13 revela todo o objetivo dos esforços de Mica (e de sua mãe): "Agora sei que o SENHOR me tratará com bondade, pois esse levita se tornou meu sacerdote". O propósito de seus esforços religiosos é obter acesso a Deus a fim de conseguir o que deseja.

 

O verdadeiro objetivo da fé é dar a Deus acesso ao nosso coração de modo que ele nos leve a fazer sua vontade. O verdadeiro propósito da religião é levar o Senhor Deus a trabalhar por nós — o propósito da fé movida pelo evangelho é levar nosso coração a trabalhar para o Senhor Deus.

 

Mas por que vamos querer sinceramente que Deus governe nosso coração, de modo que trabalhemos para ele? Nunca faremos isso se o reduzirmos a uma imagem feita por homens, a uma projeção mental de nós mesmos ou a uma marionete que concorda com tudo o que já decidimos.

 

Jamais seríamos levados a servir um deus tão pequeno assim! Mas, quando temos a fé movida pelo evangelho, conhecemos o Deus verdadeiro, que, movido por seu imenso poder e amor, enviou seu Filho para morrer em nosso lugar.

 

E nos concedeu sua justiça; um Deus que enviou seu Espírito ao nosso coração para nos transformar na pessoa que ele planejou que fôssemos, usufruindo de suas bênçãos. Se conhecemosesse Deus, por que não querer servi-lo?

A tragédia da religião humana é que ela sempre reduz o Senhor Deus a alguém que é controlado, em lugar de ver Deus como aquele que está no controle e merece ser adorado de verdade e com todo o Senhor Deus, o nosso viver.

 

Quando diminuímos o Senhor Deus, só nos resta adorar um deus que não pode nosajudar, salvar ou abençoar — exatamente o que Mica está para descobrir.

 

2. Inquietação e desespero.

Mica viveu em uma época em que "não havia rei em Israel" (18.1). O autor do livro não usa a versão completa da parelha de frases encontrada em 17.6 e 21.25 — mas a implicação do uso dessa primeira parte da parelha é o acontecimento a seguir ser resultado de fazerem o que é correto aos seus próprios olhos.

 

"Naqueles dias [dias sem rei] [...] a tribo de Dã procurava lugar para se estabelecer" (18.1). Por que os danitas continuam sem terra para morar?

 

Porque, enquanto todas as outras tribos cumpriram parcialmente a ordem de Deus de lutar corajosamente e expulsar os cananeus da herança que lhes pertencia (veja p. 20-1), os descendentes de Dã fracassaram em sua obrigação militar e foram confinados "à região montanhosa" (1.34).

 

Antes mesmo que os danitas tomassem posse de sua terra, foram forçados a viver como seminômades nas montanhas, vagando por todos os lados. Agora, procuram um lugar onde se estabelecer a fim de plantar, cultivar e colher o próprio alimento.

 

A tribo de Dã é um retrato dos crentes mundanos, que vivem no meio do povo de Deus, mas não fazem parte dele. A tribo de dã não aparece na lista das tribos de Israel que estarão na glória celestial. (Ap 7.5-8).

 

Como tribo, os homens de Dã são exatamente iguais a Mica. Sofrem a maldição do desassossego e da alienação porque desobedeceram a Deus. Têm uma concepção idólatra de Deus e ignoram sua palavra.

 

Deus já lhes disse onde morar, mas a tribo andarilha encontra o santuário de Mica (Jz 18.2,3) e pede ao sacerdote levita que pergunte a Deus se a espionagem deles num território completamente diferente será bem-sucedida (v. 5).

 

Quando o levita pagão que trabalha em um santuário idólatra lhes garante que tudo dará certo (v. 6), eles saem e encontram uma terra fértil que conseguem tomar com a própria força, sem depender de Deus (v. 7-10).

 

Os danitas, que se recusam a obedecer a Deus e confiar nele, decidem que o seu "Deus" os abençoou(v. 10) e preparam-se para tomar a terra (v. 11,12).

 

No caminho, passam pela casa de Mica (v. 13). O que poderia ser melhor do que levar um santuário para o novo lar? Eles “sabem o que fazer” (v. 14) e pegam tudo o que torna o santuário de Mica "especial" (v. 15-18).

 

O levita os confronta, mas eles enfatizam que é "melhor que você sirva uma tribo de Israel do que apenas a família de um só homem" (v. 19). É uma promoção e tanto para um andarilho sem teto! Feliz da vida (v. 20), ele "se juntou aos homens".

 

Isso é ministério motivado pela autopromoção, pelo ganho.Na verdade, o levita ajuda apenas a si mesmo. Ele serve a quem lhe paga (17.10-12), diz o que as pessoas querem ouvir (18.6) e busca coisas mais espetaculares (v. 19,20). Suas decisões são totalmente impulsionadas pelo interesse próprio.

 

Entretanto, cada decisão o distancia mais do Senhor. Ele começou como levitana cidade de Belém de Judá, a tribo mais importante (e, claro, a cidade que era o centro dos planos de Deus).

 

Depois, mudou-se para a região montanhosa de Efraim, onde havia um santuário idólatra, e terminou em Laís, fora da terra que Deus havia dado a seu povo, trabalhando para uma tribo que nunca entraria no céu.

 

O levita, em sua própria vida e em seus próprios termos, chegou a alturas estonteantes, liderando o culto de uma tribo inteira do povo escolhido por Deus. Mas é um culto vazio, prestado unicamente ao deus da autopromoção.

 

3. A decepção é tudo o que sobra.

O culto dos danitas é igual ao realizado por Mica. Quando os soldados de Dã avançam rumoà terra onde decidiram se estabelecer, Mica e seus vizinhos os alcançam, prontos para lutar (v. 22,23).

 

Por quê? Porque osdanitas pegaram tudo o que pertencia a Mica. "Vocês estão levando embora os deuses que fiz e o meu sacerdote. O que me sobrou?" (v. 24). Tudo o que sobrou a Mica foi a decepção.

 

Tudo o que Mica possuía poderia ser tomado dele. E ele não tinha mais nada. Ele construiu sua vida religiosa — equipou seu santuário com um ídolo, um colete sacerdotal e umsacerdote levita — e achou que seria abençoado por isso (17.13).

 

Mas tudo em que havia confiado foi levado embora. E Mica não poderia reaver seus pertences — aqueles que se apoderaram de sua fonte de bênçãos eram "mais fortes do que ele, [e Mica] virou-se e voltou para casa" (18.26).

 

No final, a religião humana acaba sendo decepcionante. Tudo o que transformamos em nosso deus — dinheiro, poder, relacionamentos e até mesmo uma versão reduzida do Deus da Bíblia — não valerá nada. Tudo o que resta é a decepção.

 

A pessoa que transforma a carreira profissional em deus acaba descobrindo que seuitinerário da bênção foi bloqueado por alguém "mais forte" — mais capacitado, mais bem relacionado, mais "sortudo" —que ela.

 

A pessoa que transforma sua autoimagem em deus acaba descobrindo que o tempo é um inimigo invencível na luta por juventude e beleza. A morte destruirá todos os falsos deuses que transformamos em fontes de bênçãos.

 

Mica foi abençoado porque descobriu a superficialidade de seu deus antes de morrer, quando ainda não era tarde demais.

 

Essa história é um lembrete maravilhoso de que todos nós somos adoradores. Eis a pergunta realmente importante: quem ou o que é nossa fonte de significado, propósito e bênção?

 

O que nos faria lamentar, caso fosse tomado de nós: Você pegou o meu deus. O que me sobrou? Como é que vou viver agora? Não me restou nada.

 

Existe somente um Deus que jamais nos será tirado. Ele é Aquele de quem podemos dizer, como Pedro disse: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68).

 

Quando encontramos Jesus, encontramos bênção — mas só experimentamos sua bênção verdadeiramente quando lhe dizemos: Jesus, sem o senhor, o que me resta? O senhor é o meu tudo.

 

Temos de entender que não há outro lugar nessa vida para onde nos dirigirmos e que não há necessidade de buscarmos significado em outro lugar. Se sabemos que Jesus é basicamente tudo o que temos, descobrimos que ele é eternamente tudo de que precisamos.

 

4. Perda da próxima geração.

A tribo de Dã e seu novo sacerdote chegaram a Laís — "mataram todos ao fio da espada e incendiaram a cidade"(Jz 18.27). Depois de reconstruírem a cidade, "habitaram nela" (v. 28).

 

Embora tenham mudado o nome da cidade para Dã, ela continua sendo chamada Laís, pois não é parte da herança de Dã (v. 29). Essa é uma tribo descendente de Israel, o povo de Deus, mas que agora vive às margens da terra de Deus, não obedece à palavra de Deus e o adora de um modo estranho ao mandamento dele.

 

No entanto, há um último desdobramento deprimente na história. Até agora não sabemos o nome do levita. Mas sabemos que em Laís/Dã os ídolos foram preparados para a adoração "e Jônatas, filho de Gérson, neto [i. e., descendente] de Moisés, e seus filhos foram sacerdotes da tribo de Dã" (v. 30).

 

É chocante notar que o levita que abrirá mão de tudo, menos de seus interesses, é descendente de Moisés! Isso prova que "Deus não tem netos"— cada ser humano tem de ter um encontro pessoal com Deus.

Ninguém se torna parente de Deus por meio da árvore genealógica; nenhuma tribo (ou denominação religiosa ou igreja local) está ligada a Deus por um ancestral.

 

D. A.Carsonafirmou que uma primeira geração conhece o evangelho, a segunda pressupõe que conhece o evangelho e a terceira perde o evangelho. O melhor exemplo bíblico disso é a família de Moisés.

 

Jônatas e seus filhos ministram de maneira idólatra, adorando a Deus em palavras, mas não em verdade. Dã se transformará no lugar de adoração a ídolos quando a nação de Israel se dividir em dois povos (1Rs 12.26-30).

 

Mas não continuará assim para sempre. Eles foram sacerdotes "até a ida do povo para o cativeiro" (Jz 18.30, v. 2Rs 15,29). Assim como tomaram os ídolos de Mica, um dia Deus irá tomar a terra deles. A infidelidade dos pais agora, pode condenar as gerações futuras.

 

O que Dã (e Mica) deveria ter feito? Juízes 18.31 responde: “...durante todo o tempo, o santuário (a casa) de Deus esteve em Siló”. Deus tornou possível ao povo se aproximar dele, adorá-lo, conhecê-lo, viver com ele.

 

Aqui temos a origem do espirito do nosso tempo, onde os crentes não querem buscar a Deus, na casa de Deus, onde o seu povo se reuni, eles querem ser crentes em casa. São como os danitas, vivem a margem do evangelho.

 

O tabernáculo, era o local da presença de Deus entre seu povo, estava em Siló e deveria ser o ponto central da vida de Mica e da tribo de Dã.

 

O tabernáculo é uma figura de Cristo: "a Palavra se fez carne e habitou/taberculou entre nós" (Jo 1.14), e que habita na igreja que é seu corpo, cuja expressa visível é a igreja local.

 

Se não convergirmos nossa vida para Jesus como o meio de nos aproximarmos de Deus, adorá-lo, conhecê-lo e viver com ele e em comunhão com a igreja local, estamos convergindo-a para a religião humana, para um ídolo, para algo que não pode nos abençoar.

 

4. Pessoas sem coração.

Esses dois capítulos nos apresentam ótimos exemplos da BANALIDADE do mal. Em geral, o mal não nos transforma em pessoas incrivelmente malignas e violentas — isso seria marcante e nos deixaria em estado de alerta.

 

Ao contrário, o pecado geralmente nos torna vazios — respeitáveis e até encantadores externamente, mas, no íntimo, todos estão matando e morrendo em busca de poder, querendo "chegar lá".

 

Vivemos pisando uns nos outros, como Mica foi pisado pela tribo de Dã e pelo levita. Mas, afinal, ele roubou a própria mãe antes que os danitas aparecessem e roubassem o que era seu.

 

Este tipo de religião superficial produz aquilo que C. S. Lewis chamou de "pessoas sem coração", em seu livro: A abolição do homem (São Paulo: Martins Fontes, 2012). Podem ter nacionalidade (representada pela cabeça) ou sentimentos e impulsos viscerais (representados pelas entranhas), mas não têm coração.

 

Essas pessoas não fazem escolhas; são apenas levadas por seu desejo de poder e lucro, por seus medos e raiva. Cada um de nós corre o risco de ser igualmente BANAL, vazio e desinteressante, se insistir em "domesticar" Deus e torná-lo banal! Esse é o perigo do evangelho das banalidades.

 

Somente por meio da adoração ao Deus verdadeiro conseguimos escapar desse destino enfadonho e experimentar a bênção de nos achegarmos à casa de Deus, ao Senhor Jesus, àquele que tem as palavras de vida eterna.

 

Conclusão:

 

Perguntas para reflexão

1. Existe algo na maneira de Mica e de sua mãe tratarem um ao outro que o leva a questionar sua própria atitude para com seus pais ou filhos?

2. Que seções da Bíblia você gostaria que fossem diferentes? Você as ignora ou luta com elas?

3. Você corre ou poderia correr o perigo de esconder de Deus alguma área de sua vida? Você tem experimentado bênção verdadeira nessa área?

 

Perguntas para reflexão

1. De que modo o fato de se lembrar de quem é o verdadeiro Deus amoroso e poderoso molda sua vida?

2. Por que é profundamente libertador ter Jesus como "tudo" para nós? Como você poderá desfrutá-lo hoje?

3. Que diferença um coração movido pelo evangelho faz em seu modo de ver e tratar: a família, o chefe, os colegas de trabalho e os amigos?

 

 

De: 16/02/2017
Por: Jairo Carvalho



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