Conheça a História da Igreja

Ouça nossa Rádio

Bíblia online

biografias

dicas de leitura
Selecionamos alguns livros para aumentar seu conhecimento.

  • Banner
  • Banner

enquete
Você já leu a Bíblia inteira quantas vezes?
Escolha uma opção abaixo
Resultados Outras enquetes




Publicações Imprimir conteúdoIndicar página para alguém

Juízes: Quando o sucesso sobe a cabeça

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS

 

Referência: Juízes:8:1-35; 9: 1-57; 10: 1-5

INTRODUÇÃO: Hudson Taylor, missionário na China, escreveu: Todos os gigantes de Deus foram homens fracos que realizaram grandes feitos para Deus porque reconheciam que Deus era com eles. Mas parece que Gideão se esqueceu rápido dessa verdade.

Jonatas Eduardo disse que A soberba é a pior víbora do coração do homem. Muitos de nós não temos a ideia que o sucesso é o maior risco que podemos correr. Gideão é citado na galeria dos heróis da fé em Hebreus 11. Porém ele deixou que a necessidade de reconhecimento, e a busca de gloria o afastasse desse ideal.

Wiersbe disse que Gideão ganhou a guerra, mas perdeu a vitória.  O pastor escoceses Andrew Bonar, dá nos um bom conselho: “Permanecemos tão vigilantes, depois da batalha, quanto antes da batalha. Gideão começou bem e acabou mal. Agluem já disse que “Boa é a arte de começar, melhor ainda é a de terminar.

I.  GANHANDO A GUERRA, MAS PERDENDO A VITÓRIA.

No caso dos juízes anteriores, depois que Deus resgatava seu povo da opressão dos ídolos e dos inimigos, o único detalhe adicional mencionado é a duração da paz que os israelitas usufruíram sob a liderança daquele juiz em particular.

No caso de Gideão, a coisa não é tão simples. Em geral, Israel está em uma espiral descendente. E duas situações novas começam a ocorrer, no ministério de Gideão: o povo começa a "abandonar a fé" exatamente durante a sua liderança, e não depois, como aconteciam nos juízes anteriores; e existem profundas falhas na liderança de Gideão.

Assim, em vez de recapitular em apenas um versículo a liderança de Gideão após a vitória, o escritor de Juízes lhe dedica dois capítulos inteiros.

1.Esquecendo a lição de casa. Efraim era uma das tribos mais poderosas de Israel, e Gideão pediu que ela interceptasse os midianitas em fuga (7.24,25).

Contudo, a tribo de Efraim estava desgostosa com Gideão: "Por que não nos chamaste quando foste guerrear contra os midianitas?" (8.1).

A verdade é que talvez eles se negassem a marchar sob o comando de Gideão: Efraim era uma das tribos mais fortes nas áreas econômica e militar, e Gideão fazia parte da família mais pobre da tribo de Manasses (8.2) “Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?”

A crítica de Efraim foi resultado da frustração que a tribo sentiu por não participar dos louros da vitória. Ironicamente, essa atitude revela duas verdades:

Primeiramente,que Deus estava corretíssimo ao dizer que Israel queria se gloriar contra ele e se vangloriar na vitória; e, em segundo lugar, que Efraim não teria respeitado nem se submetido ao juiz escolhido por Deus.

A resposta de Gideão a Efraim é respeitosa e diplomática. Ele enfatiza que a tribo de Efraim é muito mais poderosa do que sua tribo (8.2) e que (ao contrário dele) eles já havia capturado e matado dois líderes midianitas (v. 3).

Deve ter sido difícil engolir o esnobismo e a crítica de Efraim, mas Gideão segura a língua— e, com o desejo de glória e louvor satisfeito, "acalmou-se a indignação deles contra Gideão" (v. 3).

Diante disso, temos vontade de elogiar Gideão por sua humildade e calma. Todavia, a seção seguinte mostra que não foi por ter essas qualidades que ele usou de tanta diplomacia para com Efraim.

Gideão via esquecer a lição de casa que Deus já o havia dado, para aprender a confiar, e saber que tudo depende de Deus, nada depende de nós.

2. Esquecendo-se de onde viemos.

Exausto, após perseguir os reis midianitas Zeba e Zalmuna (v. 5), Gideão pede que os cidadãos de Sucote alimentem seus homens, mas o pedido é negado (v. 6). Da mesma forma que Efraim, Sucote mostra total falta de gratidão por Gideão ter derrotado seus inimigos.

Em outras palavras, eles respondem: Vocês já pegaram esses reis midianitas? Não? Então não venham atrás de ajuda! Eles sabem que, se Gideão não conseguir pegar e matar seus líderes, os midianitas irão se reagrupar e retornar — e qualquer cidade que tenha ajudado Gideão será destruída.

A tribo de Efraim estava irritada porque Gideão não a chamou antes; Sucote gostaria de que ele tivesse aparecido um pouco mais tarde! Gideão e seus homens prosseguem a jornada e ouvem a mesma resposta de Peniel (v. 8).

A resposta de Gideão a Sucote e Peniel é bem diferente de sua resposta a Efraim: "Quando o SENHOR entregar Zeba e Zalmuna em minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto [...] Quando eu voltar triunfante, derrubarei esta torre" (v. 7,9).

Essa resposta mostra que Gideão tratou Efraim com diplomacia, não por falta de vontade de atacar, mas porque não tinha força para tanto.

Mostra que, apesar de Deus haver providenciado para que a vitória fosse um milagre tão grande que todos reconhecessem que ela viera de suas mãos e que não fora conquistada por Gideão, o próprio Gideão se esqueceu da "lição dos trezentos".

Ele acha que merece admiração e honra pelo que fez. A ira de Gideão contra Sucote e Peniel mostra que ele espera receber glórias por suas realizações(esquecendo-se de que foram, de fato, realizações de Deus).

Quando Sucote e Peniel não acreditam que Gideão consiga vencer Midiã, ele não lhes responde: Eu sei que é difícil acreditar que possamos vencê-los. Mas Deus, em sua graça, está nos usando para vencer a batalha.

Portanto, não confiem em minha força, mas na força de Deus. Em vez disso, ele responde: Vocês ousam duvidar de mim? Quando eu voltar; vocês vão conhecer a minha força. Vão aprender a me respeitar.

Assim, quando retornou, após derrotar com seus trezentos homens um exército ainda mais forte e após capturar Zeba e Zalmuna (v. 10-12), Gideão cumpriu sua ameaça.

Capturou um membro de seu próprio povo, Israel (v. 14), descobriu quem eram os anciãos(lideres de Sucote, lembrou-lhes o dia em que ((zombaram de mim" (v. 15) e, a seguir, "deu-lhes uma lição, punindo-os com espinhos e espinheiros do deserto" (v. 16). Em Peniel, a situação é pior — Gideão "derrubou a torre matou os homens da cidade" (v. 17).

Os versículos 18 e 19 acrescentam um detalhe à narrativa: Zeba e Zalmuna haviam matado os irmãos de Gideão, e a morte deles foi o que impulsionou Gideão a perseguir e prender os reis midianitas.

A perseguição cruel e incansável de Gideão não foi simplesmente motivada pelo desejo de completar a libertação do povo de Deus, mas também pelo desejo pessoal de vingança; e pela honra da própria família.

Foi por isso que Gideão ordenou a "Jéter, seu primogênito: Mata-os" (v. 20) — ele queria humilhar esses reis, fazendo-os morrer pelas mãos de um menino.

Gideão acaba executando pessoalmente os dois (v. 21) e, com suas mortes, a vitória é completa. A maneira pela qual ela foi alcançada, no entanto, indica que o futuro sob a liderança de Gideão não será marcado por paz de verdade.

3. O perigo de sermos corrompidos pelo sucesso.A necessidade que Gideão tem de ser respeitado e honrado pelo que fez. E seu ódio mortal e implacável quando não recebe o que acha que merece.

Revela que seu sucesso na batalha foi a pior coisa que lhe aconteceu. Ele ficou viciado em sucesso, dependente de seus triunfos, ele virou um colecionador de vitorias.

O recebimento de uma bênção pode ser acompanhado de um terrível perigo espiritual. O sucesso pode facilmente nos levar a esquecermos da graça de Deus, pois nosso coração deseja ardentemente acreditar que podemos nos ajudar ou salvar a nós mesmos.

A vitória dada por Deus pode facilmente ser usada para confirmar que, na verdade, conquistamos a bênção por nós mesmos e devemos receber louvor e glória pelo sucesso alcançado.

Por exemplo, imagine que um homem se esforce muito em seu trabalho porque tem de provar seu valor por meio do seu sucesso financeiro. Qual a pior coisa que lhe pode acontecer? A resposta óbvia é: fracasso profissional.

Claro que quem baseia sua felicidade e identidade no trabalho ficará devastado pelo fracasso profissional. Mas, pelo menos, talvez assim ele deixe de idolatrar o sucesso profissional.

Talvez descubra que posição social e dinheiro jamais farão dele um homem plenamente realizado. Nada disso! A pior coisa que pode lhe acontecer é o sucesso profissional.

O sucesso apenas confirmará sua crença de que pode ser bem-sucedido sozinho e pode controlar a sua própria vida. E assim será mais escravo do sucesso e do dinheiro do que se tivesse fracassado.

Será tomado pelo orgulho e achará que é superior aos outros. Exigirá consideração,reconhecimento, bajulação e reverência de todo mundo.

Em Juízes 7.15, quando Gideão reconheceu a própria fraqueza e entendeu que a vitória só viria pela graça, ele adorou e honrou a Deus. Até onde sabemos, essa foi a última vez que Gideão fez isso.

Agora, ele adora o sucesso e a glória pessoal que ele lhe trará. Gideão se esqueceucompletamente de quem o chamou, equipou, confortou com segurança e, por fim, venceu a batalha para ele.

Nós também nos esquecemos facilmente; de que tudo que diz respeito à salvação e que todas as nossas boas obras são dons da graça, e não de nosso próprio sucesso.

Nos esquecemos de que "pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se orgulhe.

“Pois fomos feitos por ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, previamente preparadas por Deus para que andássemos nelas" (Ef 2.8-10)

Quando fracassamos, não podemos esquecer que somos salvos pela graça, que devemos depender inteiramente da graça de Deus. Mas temos de lembrar muito mais disso e nos tornar ainda mais humildes, quando somos bem-sucedidos.Dificilmente há quebrantamento em nós quando somos bem sucedidos.

4. A realeza da hipocrisia. Israel, então, pede que Gideão seja rei: "Reina sobre nós, tu, teu filho e o filho de teu filho, pois nos livraste" (Jz 8.22).

Assim como Gideão, os israelitas também se esqueceram de quem concedeu a vitória sobre Midiã. Gideão, você derrotou Midiã, então tem de ser nosso rei, é assim que pensaram.

Israel quer abandonar o método que Deus usa para dirigir seu povo. O Senhor unge um juiz para lidar com a crise do momento e levar o povo a viver debaixo de seu governo. Mas, se Gideão responder "aceito", Israel terá um rei indicado por seres humanos, e o reinado passará a outros automaticamente.

Gideão consegue DISCERNIR o motivo por trás do pedido dos israelitas — querem ser governados por um homem, e não por Deus (v. 23). Se tivessem um rei, não precisariam buscar salvação em Deus e esperar que ele lhes mandasse um salvador.

Na verdade, o desejo de ter um rei é outro esforço de salvar a si mesmos. Gideão recusa o pedido do povo: "Nem eu nem meu filho reinaremos sobre vós, mas o SENHOR reinará sobre vós" (v. 23). Os israelitas não precisam de um rei a quem obedecer; precisam obedecer ao Rei que já têm!

Na verdade, o versículo 23 é a última vez em que Gideão se lembra de quem Deus é e de quem ele é. Irônica e tragicamente, Gideão contradiz o que acabou de dizer.

Ele se recusou a ser rei de Israel porque essa posição e honra pertencem somente a Deus, mas, logo a seguir, Gideão se apropria da honra que cabe a um rei.

Ele pede recompensa financeira pela libertação do povo (v. 24) e fica muito rico (v. 25,26) e "Gideão fez com esse ouro um colete sacerdotal e o pôs na sua cidade, em Ofra..." (Jz 8.27).

5. O colete sacerdotal do reconhecimento.O que está acontecendo aqui? Esse tipo de colete era usado pelo SUMO SACERDOTE no tabernáculo, a tenda onde Deus vivia entre seu povo e que nessa altura estava em Siló (18.31).

Na parte da frente do colete encontravam-se o Urim e o Tumim — duas pedras usadas para receber a resposta "sim" ou "não" de Deus (é possível que funcionassem como moedas, sendo lançadas no ar; é provável que duas caras significassem "sim", duas coroas, "não", e um de cada, "sem resposta").

O colete designava o lugar da verdadeira habitação de Deus e era um modo de discernir a vontade de Deus em tempos de crise. Ao fazer uma cópia do colete sacerdotal, Gideão estabelece sua cidade como lugar rival de adoração.

É um modo de incentivar as pessoas a buscar seus conselhos, a ver sua cidade como o lugar onde Deus pode ser encontrado. Gideão usou Deus para consolidar sua posição, em vez de colocar sua posição a serviço de Deus e ser usado por ele.

Qual é o resultado disso? O versículo 27 diz: "Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração". Estava subentendido que o juiz deveria afastar o povo da infidelidade ao Deus verdadeiro. Gideão levou o povo à infidelidade.

É apenas nessa altura que descobrimos que "durante a vida de Gideão, a terra teve paz durante quarenta anos" (v. 28). Mas já sabemos que é uma paz ilegítima. É paz sem adoração sincera e paz sem obediência verdadeira.

E Gideão continua a agir cada vez mais como se fosse rei. Suas relações familiares são de quem almeja ser rei.  Ele teve setenta filhos com muitas esposas e um filho com uma CONCUBINA (v. 29-31).

Ele até mesmo deu a seu filho ilegítimo o nome de "Abimeleque" (v. 31), que significa Meu pai é rei! O que Gideão rejeitou com palavras o que agora ele vive na prática.

Mas isso tudo acontece poucos versículos depois de Gideão rejeitar a monarquia porque "o SENHOR reinará sobre vós"! Como é que Gideão rejeita ser rei porque sabe que Deus é o Rei e depois age como se fosse um rei?

Simplesmente porque ele tinha conhecimento apenas intelectual de algo que não havia chegado ao seu coração.

Tinha um conhecimento somente mental da doutrina da graça e do governo de Deus e conseguia dar respostas certas em algumas situações. Entretanto, seu coração não havia entendido claramente como essa verdade funcionava em todos os aspectos da vida.

Havia um abismo profundo e crescente entre o que Gideão sabia a respeito de Deus em sua mente, os motivos de seu coração e as ações de suas mãos.

O erro de Gideão foi não praticar as verdades que ele conhecia — o que Paulo chamou (literalmente) em Gálatas 2.14 de fracasso de não "andar de modo digno do evangelho".

C. H. Spurgeon, pregador do século 19, advertiu os cristãos mais novos: "Não abrace o ministério só para salvar sua alma". Spurgeon sabia como é fácil usar a posição de líder da igreja para conquistar influência e honra para nós mesmos, e não para servir e honrar a Deus.

Claro que, como Gideão, continuamos afirmando que Deus é Rei, mas queremos que as pessoas nos procurem em busca de conselhos, orientações, respostas, salvação. Temos a necessidade de ser necessários. Fazemos um colete sacerdotal e passamos a usá-lo. Tão sutil. Tão mortal.

Como é maravilhoso contemplar aquele de quem todos os juízes são sombras e observar como ele usou sua posição. Ao contrário de Gideão, ele tinha todo o direito de exigir que lhe servíssemos como Rei. Ao contrário de Gideão, ele é o tabernáculo, a habitação suprema de Deus na terra.

No entanto, Jesus resistiu à tentação de governar com poder sobre as nações (Lc 4.5-8), porque "não veio para ser servido, mas para servir e para dar a vida em resgate de muitos" (Mc 10.45). Ele nos resgatou de nos vangloriarmos do sucesso, bem como de nossas respostas autodepreciativas ao fracasso.

Ele usou sua condição de Filho de Deus para nos libertar da necessidade de reconhecimento e do ressentimento, quando não somos reconhecidos.Ao contrário do colete sacerdotal, temos aqui aquele a quem devemos nos achegar em adoração.

II.  O ÚTERO DA MALDADE.

Alguém já disse que quem planta um pensamento colhe um ato, quem planta um ato colhe um habito, quem planta um habito colhe um caráter, e quem planta um caráter colhe um destino. Esta foi uma verdade na vida de Gideão.

1. Criando nossos próprios demônios.Até o capítulo 8 de Juízes, observamos uma sequência bem conhecida de eventos. Pecado, opressão, clamor, escolha de um juiz, vitória, paz. Agora, porém, há um desvio total da sequência. Deparamos com um episódio horroroso na história de Israel.

Abimeleque é o filho que Gideão teve com sua concubina, a qual morava em Siquém (8.31). Isso significa que Abimeleque era excluído da família. Ao contrário dos outros setenta filhos de Gideão, ele era ilegítimo e discriminado pelos irmãos. Não estava entre os herdeiros de Gideão.

A necessidade de reconhecimento de Gideão, foi o útero onde foi gerado os atos de violência mais cruéis do livro de Juízes. O sucesso corrompeu o coração de Gideão, e seu filho Abimeleque foi de tal forma influenciado, que ele se tornou um monstro insaciável.

No decorrer dessa história, iremos deparar com um homem que, em seu próprio entendimento, não receberá nada da vida; tudo o que quiser terá que conquistar sozinho. Um homem absolutamente determinado a agarrar tudo o que puder.

2. Tomando tudo a força.Todos os outros líderes mencionados em Juízes são chamados por Deus sem que tenham interesse no cargo. Abimeleque se apodera da liderança por si mesmo, ele usurpa o ministério.

Ele procura os irmãos de sua mãe em Siquém (Jz 9.1) e lembra-os de que é filho de Gideão, uma espécie de rei, e parente deles (v. 2).

Normalmente os lideres que usurpam o ministério, tem uma capacidade fora do comum de influenciar e argumentar, assim era Abimeleque, (8.3) “o coração deles se inclinou a seguir Abimeleque”.

Ele argumenta: Não é melhor ter apenas um governante? Não seria bom garantir que esse governante seja um de nós? Não seria bom se eu fosse o rei de vocês?

Os cidadãos de Siquém concordam (v. 3). "E deram a Abimeleque setenta siclos de prata, tirados do templo de Baal-Berite, com os quais contratou alguns homens ociosos e vadios, que o seguiram" (v. 4).

Sua elevação ao poder é facilitada não pela obediência a Deus, mas por recursos provenientes de um deus falso. E seu governo seria estabelecido sobre o sangue de seus setenta meios-irmãos, que ele mata a sangue frio "sobre uma rocha" (v. 5). Gideão matou compatriotas; agora seu filho Abimeleque assassina a própria família.

Em Juízes, os outros líderes governam com base em alguma revelação de Deus. Mas, nesse caso, autoridade não é questão de exercer juízo ou libertar, e sim um exercício de força bruta.

Ao contrário de seu pai, Abimeleque não disfarça a pretensão de ser rei (v. 6) nem finge governar em obediência a Deus.

Temos aqui uma excelente lição sobre escolha de líderes. Somos facilmente impressionados por qualidades que são insignificantes para Deus. Mesmo assim, podemos ser facilmente convencidos por argumentos PRAGMÁTICOS.

Deus não valoriza popularidade, senso de humor, diplomas, carisma e coisas do tipo. Ele busca homens que se apeguem à verdade, queiram liderar corretamente suas famílias, sejam pacientes e tenham autocontrole (1Tm 3.1-7; Tt 1.6-9).

Deus não está em busca de homens refinados, cultos, que tem influencia na sociedade, bem-vestidos, equivalentes modernos de Abimeleque, escolhidos por motivos errados e qualidades erradas.

3. Os espinhos da vaidade.Um meio-irmão consegue escapar: Jotão. O nome Abimeleque significa “Meu pai é rei” e Jotão significa Yahweh (ou seja, o Senhor) é perfeito/irrepreensível.

Portanto, quando Jotão apela aos cidadãos de Siquém, acontece uma batalha por seus corações e mentes — uma batalha entre o poder humano autoconfiante de (Abimeleque) e a dependência de Deus e adoração a ele (Jotão).

A história que Jotão conta em Juízes 9.8-14 tem o objetivo de mostrar como a coroação de Abimeleque é ridícula. Oliveiras (v. 8,9), figueiras (v. 10,11) e videiras (v. 12,13) eram árvores valiosas e produziam as colheitas mais importantes da agricultura israelita.

Mas nenhuma delas quer ser rei. "Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem e reina sobre nós" (v. 14).

Os espinheiros não eram valorizados de forma nenhuma. Eram baixos e espessos demais para fazer boa sombra e proteger do calor, e muitas vezes pegavam fogo, que se espalhava pela folhagem ao redor e destruía árvores valiosas. Jesus comparou os espinhos à vaidade e a cobiça(Lc 8.14).

O espinheiro enfatiza isso quando concorda em ser rei (v. 15) e faz a extraordinária e vaidosa afirmação (pois não cresce mais de 30 ou 60 cm do chão);mas diz arrogantemente; que todas as outras árvores podem "vir e se refugiar debaixo da minha sombra".

O que Jotão quer mostrar? Juízes (9:16-20) respondem. Basicamente, ele diz: Se vocês foram justos com a família de Gideão ao fazer de Abimeleque seu rei (e, convenhamos, não foram; mas, se foram), que sejam grandemente abençoados no governo do rei Abimeleque.

Mas, se não foram (e, convenhamos, não foram), então espero que vocês e ele recebam o que merecem — que vocês sejam queimados por ele, e ele queimado por vocês.

4. O fogo da vingança do espinheiro. Sem dúvida nenhuma, o que vem a seguir é um fogo devorador. Os cidadãos de Siquém já haviam provado que mudam de ideia e partido facilmente, e quando "Gaal, filho de Ebede," se mudou para a cidade, "confiaram nele" (v. 26). 

Normalmente quem segue uma liderança que usurpa o ministério sem ser chamado por Deus, tem a mesma índole dos seus fundadores. São ministérios cheios de espinheiro que machucam as pessoas e acaba pegando fogo. Esses pastores são obreiros de Abimeleque.

É bastante irônico o fato de Gaal cultuar no templo do deus que havia custeado a campanha de Abimeleque (v. 27, cf. v. 4) e usar os mesmos argumentos que Abimeleque usou (v. 28,29, cf. v. 2).

Abimeleque, ao contrário dos siquemitas, é extremamente fiel — à sua própria causa. Seu pai, Gideão, acabou sendo dominado pela vingança e por uma sede de glória da qual se achava merecedor. O filho herda isso do pai e leva essa loucura a patamares mais altos.

Abimeleque luta contra Gaal (v. 30-41), toma Siquém (v. 42-44) e então "captura e mata o povo que ali estava" (v. 45). O lugar onde Abraão, Josué e todo o povo de Israel cultuaram o Senhor acaba devastado, coberto de sal a fim de que não produza mais alimentos (v. 45).

Mais de mil siquemitas se refugiam na torre do templo (9:46), porém a sede de vingança de Abimeleque não é saciada. Ele manda seus homens queimarem a torre (9: 48,49). "Assim morreram todos os que estavam na torre de Siquém, cerca de mil homens e mulheres" (9: 49).

Pelo jeito, a cidade de Tebez vai ter o mesmo destino (v. 50-52). No entanto, quando Abimeleque "se aproximava da entrada da torre para incendiá-la, uma mulher jogou uma PEDRA DE MOINHO na cabeça dele, e lhe rachou o crânio" (v. 53).

Gravemente ferido, Abimeleque (sempre pensando em sua reputação) pede que seu escudeiro acabe com sua vida para ninguém dizer que ele foi morto por uma mulher (v. 54). Gente que busca reconhecimento vivesempre preocupada com sua reputação e não com seu caráter.

5. A presença do julgamento divino. Entre os capítulos 8.34 e 10.6, Deus não é mencionado nem uma vez por seu nome pessoal da aliança, o Senhor.

Esse é o retrato de uma sociedade e de um governante que querem tirar Deus de cena completamente, onde ele não é adorado nem levado em consideração.

Será que Deus se ausentou? Enquanto os siquemitas usam dinheiro de ídolo para financiar um massacre dos próprios irmãos por Abimeleque e que abre um caminho sangrento pela terra de Israel,

Deus parece ausente. Enquanto Jotão estava morando em Beer "por temer seu irmão Abimeleque" (9.21), ninguém, em sã consciência, o condenaria por pensar que sua maldição nos versículos 16-20 fora um equívoco.

A morte dos siquemitas e até mesmo de Abimeleque, no final do capítulo 9, é resultado de contenda e vingança e de uma tacada de sorte de uma mulher. Deus só parece ausente.

No entanto, nos versículos 23,24 e 56,57, o narrador levanta as cortinas dos acontecimentos humanos e nos permite vislumbrar o que Deus estava fazendo. "Deus enviou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém [...] para que a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal e o sangue derramado deles fossem vingados" (v. 23,24).

Depois que Abimeleque morre, o narrador comenta: "Assim Deus retribuiu a Abimeleque o mal que havia feito a seu pai. [...] Deus também retribuiu aos homens de Siquém todo o mal que fizeram" (Jz9: 56,57).

Talvez Deus estivesse calado, mas não ausente. No que parecia o curso normal dos eventos, ele estava aplicando sua justiça. Não houve relâmpagos vindos do céu... mas houve justiça.

Paulo diz em Romanos 1.18: "Pois a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens, que impedem a verdade pela sua injustiça". O julgamento de Deus não está reservado somente para o futuro; é uma realidade do presente.

Esse evento horroroso de Juízes nos ensina três verdades sobre o julgamento presente de Deus:

(a) Ele vem despercebido. As pessoas daquela época não viram o espírito enviado por Deus a fim de usar o mal que havia no coração dos siquemitas para a realização de seus justos propósitos.

Nos nossos dias, não temos nenhum narrador divinamente inspirado que levante a cortina para que vejamos onde, quando e como Deus está julgando os seres humanos. Sabemos que isso está acontecendo.

Não devemos nos esquecer, Deus ainda está punindo as pessoas por seus pecados, se não forem arrependidos e abandonados. Este ou aquele evento que pode estar acontecendo com você pode ser a aplicação do juízo divino sobre sua vida em particular. Isto deveria nos causar temor.

(b) Ele vem após um tempo de espera. Houve um espaço de três anos entre a advertência de Jotão sobre o castigo de Deus e a aplicação do castigo (v.22,23), três anos nos quais Abimeleque reinou, deixando a impressão de que o crime compensa e de que o pecado não receberá agora uma justa medida.

O maior engano das pessoas é pensar que pelo fato de Deus não punir os seus pecados na horar em que são praticados, é por que eles não serão punidos. O moinho de Deus, moi bem devagar, mais moi fino. “terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

(c) Ele é consequência do pecado. Siquém foi destruída por causa de sua deslealdade. Seu maior pecado causou sua ruína. Abimeleque foi destruído porque desejou manter sua posição social a qualquer custo.

Ele não precisava atacar Tebez. Seu maior pecado foi também sua destruição. Em seu julgamento, Deus usa a rebelião humana contra os rebeldes.

6. Graça além do terror. Sob o reinado de Abimeleque, Israel se desvirtua cada vez mais. Contudo, a história continuaria "depois de Abimeleque" (Jz 10.1). "Tolá [...] levantou-se para libertar Israel..." (v. 1). Ele "liderou Israel vinte e três anos..." (v. 2).

Essa é a mesma linguagem usada em referência a Débora, um dos melhores juízes de Israel. Deus levantou alguém que libertou e guiou os israelitas da mesma forma que ela. Depois de Tolá, houve mais 22 anos de paz sob a liderança de Jair (v. 3).

Isso é pura graça de Deus.Os israelitas haviam abandonado o Senhor completamente. Preferiram ser liderados por alguém fora da vontade de Deus, um homem que usurpou a liderança, alguém que não foi nomeado pela vontade divina, mas por sua própria força e astucia.

Israel chega ao fundo do poço e sequer chora de arrependimento, mas Deus envia Tolá e Jair como os juízes libertadores que os israelitas não pediram. Quando Deus levanta obreiros segundo a sua vontade o povo vive em paz.

No entanto, ao contrário da época dos outros juízes, nenhum inimigo é mencionado (3.31). Tolá se levantou para salvar Israel de quem? A resposta se encontra no capítulo 9! Tolá liberta a nação de Israel de si mesma.

Acima de tudo, o povo de Deus precisa de um líder que nos salve de nós mesmos; das deficiências e ambições de nosso coração e das divisões e lutas entre nós.

Eu sou o meu maior problema. A pessoa mais difícil de lidar é aquela que vemos refletida no espelho. Nosso maior problema não são os outros, mas nós mesmos.

É sempre bom lembrar que o maior problema da igreja é a própria igreja! Quando perguntaram para Dwight Moody qual era o maior problema da obra, ele respondeu: "O maior problema da obra são os obreiros".

Ao encontrarmos igrejas cuja liderança é fiel e humilde, igrejas que vivem a unidade do evangelho, que usufruem, buscam e compartilham paz com justiça e amor, nós, diferentemente de Gideão e Abimeleque, devemos agradecer ao Deus que, em sua graça, enviou o Espírito Santo para transformar nosso coração e restaurar nossos relacionamentos.

CONCLUSÃO: Precisamos aprender a lidar com nosso sucesso, seja ele em qualquer área da nossa vida; mas principalmente no ministério. Gideão, foi considerado um herói da fé, mas Deus não deixa de revelar as falhas do seu caráter.  Porque Deus faz isto com todos os homens da Escritura:

Para reforçar a verdade de que o Filho de Deus se identificou com os pecadores a quem veio salvar.

Gideão foi fraco e repreensível. Isso prova que Deus nos escolhe não pelos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos.

Mas, antes de ficarmos mais chocados com os defeitos de Gideão e Abimeleque, olhemos para nós mesmos. Somos indignos. Somos pecadores. Somos culpados. Nosso coração é desesperadamente corrupto.

Por que Deus nos escolheu? Por que ele nos amou? Por que ele não poupou o seu próprio Filho, antes por todos nós o entregou, para morrer em nosso lugar? A resposta é: Por causa de sua graça, que é maior do que o nosso pecar!

 

De: 16/01/2017
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2018 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
Usuários online 2 online Visitantes 199103 Visitas