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Juízes: O milagre da consagraçao

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS

Referência: Juízes: 12: 8-15; 13: 1-25

 

INTRODUÇÃO

Sansão é o último dos líderes escolhidos por Deus em Juízes. Ele é famoso pelo acontecimento que provocou sua decadência e, ao mesmo tempo, abriu caminho para seu gesto mais grandioso: a cena em que Dalila, sua esposa, lhe corta os cabelos. Contudo, sua história é mais valiosa ainda.

 

Em Sansão, testemunhamos os fracassos do povo de Deus entre a época de Josué e da monarquia instalada por Deus (e, na verdade, qualquer outra época entre o Éden e a NOVA JERUSALÉM); mas, em Sansão, temos também alusões maravilhosas ao Juiz e Salvador perfeito que está por vir. Essas alusões começaram antes mesmo de Sansão nascer.

 

I. A CONSAGRAÇÃO VERSUS O MUNDO.

O próprio Deus vai dar uma criança para Manoá e sua esposa, mas pede que seu filho seja consagrado a Deus.

 

1. O mundanismo: suas falhas e fracassos.

A passagem de Juízes 12.8-15 fala sobre os últimos juízes "não cíclicos". Assim como todos os juízes maiores ficaram longe de Otoniel, o juiz maior ideal, e ofereceram ao povo uma paz enfraquecida, esses juízes menores estão longe do juiz menor ideal, Sangar (3.31).  Todos eles amaram o mundo.

 

Ibsãamou tanto o mundo; que ele usou seu cargo de juiz; para colocar o poder nas mãos de sua família por meio de alianças matrimoniais (12.9) “tinha trinta filhos e trinta filha que casou fora, e trouxe de fora para seus filhos”. Suas filhas foram procurar maridos fora do povo de Deus, e ele incentivou o casamento misto.

 

Depois da liderança de Elom (v. 11), os quarenta filhos e trinta netos de Abdom (v. 14) mostram que ele vivia uma vida mundana como sefosse um rei, possuindo até um harém (como foi o caso de Gideão — 8.29-31).

 

Seus filhos eram os mauricinhos da época. O fato de seus filhos montarem jumentos (considerado o corcel/camaro dos monarcas, v. 1Rs 1.38,39; Zc 9.9) reforça a ideia de que ele tenta estabelecer uma dinastia.

 

As falhas e os fracassos desses juízes revelam que eles foram influenciados pelo mundanismo. Por isso nenhum deles entra para a história por ter livrado Israel. O mundanismo torna o povo de Deus desprovido de graça e poder.

 

2. O subjetivismo: Mau aos olhos de quem?

No início do último ciclo, como de costume, "os israelitas fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR", e o resultado é conhecido: Deus os entregou nas mãos dos inimigos, neste caso, os filisteus (13.1).

A frase "fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR" é frequente em Juízes (2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6) — e aparece pela última vez aqui, no capítulo 13. Na verdade, porém, outra frase que diz a mesma coisa, mas de forma diferente aparece duas vezes na conclusão repetida de Juízes:

 

"Naqueles dias [...] cada um fazia o que parecia direito aos seus próprios olhos" (17.6; 21.25, ESV; em geral, as outras versões desfazem o paralelo ao traduzir a frase final por "fazia o que lhe parecia certo").

 

O autor do livro está enfatizando que muitas coisas que os israelitas faziam não eram más "aos seus olhos". Ou seja, na percepção deles, quase todas ou todas as suas atitudes eram perfeitamente aceitáveis.

 

Ninguém pensava: Voufazer isso, mesmo sabendo que está errado. Mas "aos olhos de Deus" o comportamento deles era mau.Aprendemos, então, duas lições sobre o pecado.

 

(a) A primeira lição trata da definição de pecado.A expressão "aos olhos do Senhor", em contraste com "aos nossos próprios olhos", ensina que pecado não é, em última instância, desrespeitar nossa consciência, nossos PADRÕES MORAIS ou os padrões sociais, e, sim, desrespeitar a vontade de Deus para nós.

 

É claro que essa perspectiva destoa do pensamento moderno. Ouve-se em praticamente todos os meios de comunicação que "só você pode decidir o que é certo e errado para sua vida". Em outras palavras, "meus próprios olhos" — meus sentimentos e perspectivas — são os únicos critérios para determinar o certo e o errado.

 

Contudo, o bom senso contradiz esse pensamento, mesmo sem nos valermos da Bíblia. Se o mal é apenas determinado por nossos próprios olhos, como poderíamos dizer que os nazistas erraram ao exterminarem judeus?

 

Aos próprios olhos, eles estavam fazendo um favor à humanidade, ou até mesmo aplicando justiça a "erros" que, segundo imaginavam, foram cometidos no passado.

 

No entanto, quando admitimos que "nossos próprios olhos" não são suficientes para definir pecado, então, os olhos de quem são suficientes? O mal é definido pelo que é errado aos olhos dos especialistas? Ou aos olhos da maioria das pessoas? Esses conceitos também não evitam holocaustos.

 

A resposta da Bíblia é a correta. Pecado é definido como desprezo ao nosso relacionamento com Deus, como desprezo à vontade de Deus para nós. O que Deus vê como pecado é pecado, independentemente do que sentimos ou acreditamos, do que os especialistas dizem ou daquilo com o que a sociedade concorda.

 

(b) Segunda lição: essas frases revelam a armadilha do pecado. Elas nos fazem ver como enganamos a nós mesmos com muita facilidade. Os israelitas tinham justificativas psicológicas e culturais que davam apoio ao pecado, vivendo em uma espécie de "negação em grupo".

 

Aos seus próprios "olhos" ou na percepção deles, não havia nada de errado na maneira como agiam. Havia no íntimo um conhecimento reprimido de que estavam longe de Deus, de que rejeitavam sua vontade (Rm 1.18).

 

Mas no âmbito da consciência, porém, não sentiam culpa nenhuma e tinham muitas explicações para o estilo de vida que abraçaram.

 

Não sabemos quais eram as justificativas, mas precisamos nos lembrar de que o âmago do pecado deles (e do nosso) é a idolatria, e os ídolos nem sempre são coisas ruins, mas coisas boas que se transformaram na esperança e nos objetivos supremos.

 

A linha divisória entre trabalhar com afinco e transformar o trabalho em ídolo ou entre amar sua família e torná-la um ídolo é bastante tênue.As pessoas que cometem esses pecados, acham que estão fazendo a coisa certa.

 

E o ídolo é enganoso por natureza. Ele nos convence de que estamos sendo sensíveis, cuidadosos e sábios ao trabalhar tanto — até afirma que não somos egoístas —, quando, de fato, estamos pondo o trabalho no lugar de Deus em nosso coração. Assim fazemos com todas as áreas da nossa vida.

 

E assim, estamos fazendo o que é mau diante dos únicos olhos que realmente importam no universo. Isso deve nos impelir a uma autoavaliação cuidadosa e constante, por meio do estudo da Bíblia e de prestação de contas a outras pessoas, pois dificilmente temos capacidade de identificar nossos ídolos.

 

Vivemos descobrindo maneiras de justificar nossos pecados de materialismo, preocupação, amargura ou orgulho. Eles não parecem ruins "aos nossos olhos". Thomas Brooks, escritor puritano do século 17, explicou muito bem: "Satanás reveste o pecado com as cores da virtude".

 

3. Consagração: separação do mundo.

Em Juízes 13.2,3, conhecemos Manoá, um homem da tribo de Dã, e sua esposa (cujo nome não sabemos, mas que é a heroína desse capítulo). E "o anjo do SENHOR apareceu à mulher" (v. 3) —Aqui Deus iniciou a libertação de seu povo.

 

Sansão é o único juiz a ser escolhido antes de nascer, ou antes até de ser concebido. A esposa de Manoá "era estéril, nunca lhe dera filhos" (v. 2). "Mas", diz o anjo do Senhor, "você [...] engravidará e terá um filho" (v. 3).

 

Ela não deve beber vinho nem comer nada impuro (v. 4), nem cortar o cabelo do filho, porque o menino "será nazireu, separado para Deus desde o ventre da mãe. E começará a libertar Israel das mãos dos filisteus" (v. 5).

 

O voto nazireu a que o anjo se refere é encontrado em Números 6.1-21 e continha três estipulações básicas. O nazireu não podia cortar o cabelo enquanto o voto durasse; não podia beber nenhum produto da videira, alcoólico ou não; e não podia tocar em nenhum cadáver.

 

O voto nazireu tinha o propósito de pedir ajuda especial de Deus em uma situação crucial. Era sinal de que a pessoa estava voltada para Deus com muita intensidade e concentração.

 

Não cortar o cabelo e abster-se do fruto da videira mostrava que a pessoa estava "treinando" para alcançar um objetivo.

 

Não tocar em um cadáver significava que a pessoa adotara as regras estritas do cerimonial de purificação dos sacerdotes, os quais eram proibidos de tocar qualquer coisa morta por trabalharem diariamente na casa de Deus (o tabernáculo, nesse pontoda história). Portanto, um nazireu vivia constantemente na presença de Deus.

 

Como Números 6 deixa claro, o voto nazireu era voluntário e por tempo determinado.

Contudo, Sansão nasceria nazireu a despeito de sua vontade (seus pais fariam o voto por ele) e permaneceria nazireu pelo resto da vida.

 

Sua mãe não poderia beber vinho nem comer alimento impuro, pois o voto nazireu tinha início imediato — quando Sansão ainda estava em seu ventre!

 

Tudo o que ela comesse e bebesse, Sansão também comeria e beberia. Deus colocou Sansão debaixo dessa "regra" antes mesmo de ele nascer. Sansão seria "consagrado a Deus desde o [e antes do] nascimento" (Jz 13.5).

 

4. Deus salva dos nossos pecados.

Esse nascimento especial nos direciona, é claro, ao nascimento mais especial de todos os tempos, que aconteceria mais demil anos depois. Mas a concepção de Sansão não deve nos lembrar apenas da concepção de Jesus.

 

Muitas vezes Deus trabalha no mundo por meio de uma criança cuja existência, humanamente falando, de uma criança seria impossível.

 

Isaque, o filho que Deus cuja existência prometeu a Abrão e por meio seria impossível. de quem o mundo seria abençoado (Gn 12.1-3), nasceu de Sara — mulher que era estéril (11.30; 21.1-3).

 

Samuel, que seria usado por Deus para ungir os dois primeiros reis que ele escolheria para seu povo, nasceu de Ana, uma mulher que era incapaz de gerar filhos (1Sm 1.5-7,19,20). João Batista, que anunciaria a vinda do Senhor, nasceu de Isabel, que "era estéril, e [...] de idade avançada" (Lc 1.7).

 

A gravidez de Maria foi impossível por uma razão diferente: ela era virgem (Lc1.26,27,34). Em termos de milagre, o nascimento de Jesus quebra paradigmas; para o nascimento de todos os outros bebês, o poder de Deus abriu o ventre das mulheres para que concebessem naturalmente, mas Deus fez Maria engravidar sem a participação de um pai humano.

 

Em todos os casos, exceto no de Ana, Deus enviou um anjo para fazer a promessa de gravidez. Cada nascimento foi algo que a mãe não tinha capacidade humana de realizar.

 

Deus estava mostrando que o cumprimento de suas promessas de salvação estava fora do alcance de qualquer ser humano; que ele é o único que "dá vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem, como se já existissem"(Rrn 4.17, A21).

 

Os nascimentos de Sansão, Isaque, Samuel e João têm duas diferenças importantes em relação ao nascimento de Jesus. Primeira: os outros nascimentos aconteceram à sombra da desonra.

 

Nos tempos antigos e deveria ser nos nossos dias, a fertilidade da mulher deve ser parte vital de sua honra e dignidade. As mulheres israelitas, lembrando-se de que Deus prometera a Eva que um salvador iria nascer, derrotar o Diabo e desfazer os efeitos do pecado, ansiavam participar — potencialmente — do cumprimento dessa promessa.

 

Assim sendo, a mulher estéril vivia sob uma nuvem de vergonha e com um sentimento de desilusão (este sentimento ainda profundamente sentido hoje por muitas mulheres que não podem ter filhos).

 

Em sua misericórdia, Deus retirou o infortúnio e a vergonha e da desilusão das mulheres mencionadas e cobriu-as de honra e alegria.

 

No entanto, o nascimento de Jesus trouxe desonra à mãe e ao filho. Não nos esqueçamos de que nosso Salvador nasceu em meio a escândalo e suspeitas.

 

Enquanto os outros "salvadores" foram honrados e glorificados para realizarem suas tarefas, Jesus perdeu toda honra e glória para realizar sua obra.

 

Outra diferença é que a salvação oferecida por Sansão seria incompleta. Ele apenas iria "começar a libertar Israel [...] dos filisteus" (Jz 13.5). Sansão é o último juiz, mas ele aponta para além de si mesmo — além do livro de Juízes —, para aquele que completaria a vitória sobre os filisteus: o rei Davi, escolhido por Deus e ungido por Samuel (1Sm 16.1-13).

 

E a salvação vinda pelas mãos de Davi também foi incompleta, pois ele libertou Israel dos inimigos, mas não venceu o pecado de seu próprio coração e, muito menos, do coração do povo.Somente Jesus oferece a salvação completa — nesse sentido, ele foi o único a terminar a obra.

 

Como o anjo disse a José, noivo de Maria: "... ele salvará seu povo dos seus pecados" (Mt 1.21). Sansão aponta para Davi e, além deste, para o Davi mais notável ainda — Jesus Cristo.

 

II.  EDUCAÇÃO E CARÁTER.

Este texto da Escritura ensina uma lição precisa para todos os pais. A maneira como educamos nossos filhos, vai influenciar tudo mais na sua vida. Como influenciar o caráter do nossos filhos.

 

1.Viva uma fé que produza obediência.

Sara riu, incrédula, ao ouvir que ficaria grávida apesar de ser estéril (Gn 18.9-15). Quando o anjo disse ao pai de João Batista que ele teria um filho, o homem não acreditou (Lc 1.13-20).

 

A mãe de Sansão, porém, mostrou fé absoluta na capacidade do Senhor de realizar o impossível: "Então a mulher entrou e contou tudo ao marido: Um homem de Deus veio falar comigo; seu semblante era como o de um anjo de Deus, sua aparência era temível [...] ele [...] me disse: Tu engravidarás e terás um filho..." (Jz 13.6,7, A21).

 

Ela creu na palavra de Deus, entregue por meio de seu mensageiro, da mesma forma que outra mulher acreditaria, mil e duzentos anos mais tarde: "Cumpra-se em mim a tua palavra" (Lc 1,38, A21).

 

Além de crer, a mãe de Sansão obedeceu à palavra de Deus. Ela consentiu em aplicar a si mesma o padrão de comportamento nazireu (Jz 13.7) para ter um filho que fosse usado no serviço de Deus; da mesma forma, outra mulher se colocariatotalmente à disposição de Deus mil e duzentos anos depois: "Aqui está a serva do Senhor" (Lc 1.38).

 

A esposa de Manoá e Maria acreditaram que Deus faria o que planejou e prometeu e obedeceram ao plano dele, dispostas a pagar o preço (para a mãe de Sansão, adesão ao voto nazireu; para a mãe de Jesus, vergonha e desonra). Isso é fé. Nada influencia tanto uma criança como o exemplo de fé dos pais.

 

2. Ensine algo melhor do que regras

O pai de Sansão também exibe fé. Ele pede que Deus mande novamente "o homem [...] que enviaste" (Jz 13.8). Por quê? Para que lhes ensine o que fazer "ao menino que vai nascer". Alguns acham que esse pedido revela falta de fé em Deus.

 

Todavia, Manoá acredita mesmo que a promessa será cumprida — que vão ter um filho. Ele não pede um sinal que comprove que terão um filho; ele quer saber como devem criar o menino.

 

Deus, com toda boa vontade, manda o anjo retornar (v. 9). Ele aparece novamente à esposa; dessa vez, ela chama o marido (v. 10,11) para que ele seja mais específico em suas perguntas sobre a criação do filho (v. 12).

 

No entanto, o anjo não lhes deu mais informações. O menino seria um escolhido, e a esposa de Manoá deveria “cumprir tudo o que lhe ordenei” (v. 13); o anjo não dita mais regra nenhuma.

 

Manoá — sem perceber que fala com um anjo celeste, e não com um profeta humano (v. 16) — oferece comida ao mensageiro (v. 15). Talvez haja um componente pagão aqui, porque, naquela cultura, o ato de alimentar alguém (deus ou pessoa) significava que o alimentado tinha responsabilidade com quem o alimentou.

 

Da mesma forma, saber o nome de uma pessoa (v. 17) era conhecer seu caráter; criava-se um vínculo, com responsabilidades de ambas as partes. Manoá continua tentando levar o anjo a estabelecer as regras para a criação do filho!

 

Isso explica por que o anjo se recusa a comer com ele (v. 16; em outras ocasiões, os anjos aceitaram comer com homens, p. ex., Gn 18.1-8) e por que responde à pergunta sobre seu nome com outra pergunta (Jz 13.18). Ele não deve nada a Manoá, e não lhe dará as instruções que ele acha que precisa ter.

 

Por que, então, o anjo retornou, se não tinha mais instruções? Manoá orou pedindo ajuda, e, pelo jeito, esta lhe foi recusada. Na verdade, porém, Manoárecebeu a ajuda de que precisava, mas não do modo que havia pedido. Manoá queria saber "quais eram as regras para a vida e o trabalho do menino" (v. 12); ele queria mais regulamentações.

 

Em vez disso, Deus revela a Manoá quem ele é. Como já observamos, provavelmente o anjo do Senhor é o Filho de Deus (veja p. 79-80); e seu nome, ele afirma, "está além do entendimento" (v. 18) — é maravilhoso demais para a compreensão humana.

 

Isso direciona Manoá para a glória de Deus. Então, o próprio "SENHOR fez maravilhas [...] ao subir a chama do altar para o céu, o anjo do SENHOR subiu com ela" (v. 19,20). De forma indelével, ele imprime sua grandeza na memória do casal.

 

Manoá finalmente "compreendeu que era o anjo do SENHOR. E disse à sua mulher: Certamente morreremos, pois vimos a Deus" (v. 21,22). Ele conhece a história de seu povo o bastante para entender que ninguém vê o rosto de Deus e continua vivo (Êx 33.20).

 

Mas, enquanto Manoá entra em pânico, a esposa permanece calma. "Se o SENHOR quisesse nos matar, não teria aceitado" nossos sacrifícios, nem teria "nos mostrado todas essas coisas,.," (Jz 13.23).

 

É claro que eles não morreram! Por sinal, isso lembra que fé não é ausência de ponderação, mas é ponderar e agir com base nas promessas e na palavra de Deus.

 

Deus não se aproximou do casal para matá-lo, embora fossem seres humanos pecadores. Nisso, Deus lhes mostra sua bondade.

 

Portanto, em resposta à pergunta sobre a criação do filho que ele lhes dará como parte de seu plano — como o menino viverá de acordo com a vontade do Senhor —, Deus responde: Conhecer a mim e ao meu caráter é muito mais importante do que receber instruções.

 

Nenhum conjunto de regras neste mundo poderá orientar vocês nas inúmeras decisões e escolhas que terão de fazer para seu filho. Somente o conhecimento profundo de quem eu sou poderá oferecer a direção de que vocês precisam.

 

Como veremos, a vida de Sansão — assim como as tentativas de Manoá de manipular o anjo — revela que seus pais fracassaram bastante em sua criação e não lhe mostraram nem explicaram o caráter de Deus. Contudo, a mensagem de Deus para eles é a mesma para todos nós.

 

Achamos que precisamos de regras, mas precisamos mesmo é conhecer o Senhor. Deus não nos dá, nem dará, um manual para cada curva e contracurva, cada dúvida e decisão em nossa vida. Ele nos dá algo muito melhor — manual — ele dá a si mesmo.

 

3. Não tente amoldar, mas sim transformar.

É importante nos alongarmos um pouco aqui. Em geral, os pais diminuem o número de instruções à medida que os filhos crescem. Quando o filho é pequeno, temos de segui-lo por todos os cantos, orientando:

 

Não toque nisso e cuidado por onde anda!As crianças não sabem que não devem pôr o dedinho na tomada; não sabem que não devem comer terra. Elas devem se conformar às ordens dos pais.

 

Quanto mais os filhos crescem, mais esperamos que eles incorporem nossos valores, maneira de pensar e sabedoria ao coração, de modo que não necessitem de instruções minuciosas o tempo inteiro.

 

Para levar os filhos à maturidade, os pais têmde migrar cada vez mais das regras externas para os motivos e princípios internos da sabedoriabiblica.

 

Da mesma forma, os cristãos do Novo Testamento recebem bem menos regras e regulamentações do que os crentes do Antigo Testamento. No Antigo Testamento, quase tudo o que se podia vestir, comer e fazer era prescrito.

 

E ainda havia o Urim e o Tumim no colete sacerdotal, que respondiam sim ou não às perguntas feitas diretamente a Deus! Quanta orientação e, consequentemente, certeza os israelitas podiam ter!

 

Muitos cristãos consideram que esse é um nível mais avançado de orientação do que o que temos hoje. E como Manoá, gostaríamos de ter um número substancialmente maior de regulamentações.

 

Mas isso é confundir regras externas com relacionamento maduro. Paulo ensina que os cristãos não devem ser "amoldados", mas "transformados pela renovação da vossa mente" (Rm 12.2).

 

Não basta receber um monte de orientações, mas, por meio do Espírito Santo, devemos receber o próprio Deus e nos deleitamos em conhecer "a mente de Cristo" (1Co 2.16).

 

Ao contemplar a redenção na cruz e a ressurreição triunfal de Cristo, enxergamos o caráter de Deus com muito mais clareza do que os maiores heróis do Antigo Testamento conseguiram enxergar.

 

Não precisamos conhecer Deus por intermédio de seus padrões exteriores quando podemos conhecê-lo por intermédio do Espírito Santo. Não podemos nos esquecer da lição ensinada a Manoá!

 

4. O peso do nome é igual ao peso do caráter.

Mesmo antes de Sansão nascer ele recebe um nome! Ele nasceu para brilhar na presença de Deus. Ele era promessa de Deus. Então, "a mulher deu à luz um filho, a quem chamou Sansão" (Jz 13.24), que significa "pequeno sol".

 

Como o sol era um dos deuses dos cananeus, esse é mais um indício de que Israel, embora não tivesse rejeitado diretamente o Senhor Deus, havia mesclado a adoração descomprometida a ele coma adoração aos ídolos de outras nações.

 

É preocupante; como pode os pais de um futuro juiz de Israel — um precursor do Filho de Deus — dar um nome de um deus pagão, na verdade, eles o estavam chamando de "filho do Sol". Este caráter deturpado dos pais vai sobressair no filho.

 

Deus acaba de fazer promessas maravilhosas para esta família. Deus recebe os seus sacrifícios, responde suas orações e age com graça, com eles, mas decidem agir de maneira mundana, dando um nome para realçar a grandeza do filho e não a grandeza do Deus que fez a promessa.

 

Mesmo assim, Deus continua trabalhando em favor de seu povo fraco e falho e por intermédio dele. À medida que cresce, Sansão é abençoado por Deus (v. 24), e o Espírito do Senhor começa a trabalhar nele (v. 25).

 

Esse é um rapaz concebido de modo milagroso, escolhido por Deus, separado para servi-lo, abençoado por ele e moldado por seu Espírito. Sansão tem todas as vantagens espirituais.

 

Ele é o último juiz do livro de Juízes, a última grande esperança de Israel. Esperamos ver como ele resgatará e governará o povo de Deus, em obediência a Deus.

 

E ficaremos decepcionados em todos os aspectos. As falhas de Sansão, tanto quanto seu nascimento, nos lembrarão de que o povo de Deus precisa de um Libertador melhor e maior.

 

CONCLUSÃO:vamos refletir:

 

1.  Sua vida reflete a verdade de que os olhos de Deus são mais importantes do que os seus olhos?

 

2. Que outras coisas, além de Deus, ocupam mais seus pensamentos, lhe trazem mais alegrias e merecem mais sua atenção? Como essas coisas poderiam se transformar em ídolos para você? Se isto é um ídolo ele está tomando conta de sua vida.

 

3. Deus "dá vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem, como se já existissem" (Rm 4.17). Em que aspecto da vida ou em que hora do dia você mais precisa mergulhar nessa verdade?

 

4. Nossa obediência é diferente quando agimos com fé nas promessas de Deus, em vez de por obrigação.

 

5. Com toda sinceridade, em que áreas da vida você gostaria de receber demais Deus.

 

6.  Você não está usufruindo totalmente de seu relacionamento com o Deus vivo 

De: 26/01/2017
Por: Jairo Carvalho

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