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Juízes: A força na fraqueza

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS

 

Referência: Juízes16: 1- 31

 

INTRODUÇÃO: Sansão, escolhido por Deus para ser juiz e salvador de seu povo, matou até agora mais de mil filisteus apenas por vingança, mas sem iniciar a caminhada de Israel à liberdade e à obediência ao Senhor.

 

Todos os seus gestos contra os filisteus foram em beneficio próprio, tentativas de se livrar do tumulto que causou quando decidiu ir à cidade de Timnate, onde "viu uma jovem mulher [...] filisteia" (Jz 14.1).

 

Porém, no final do capítulo 15, Sansão já escapou das garras dos filisteus e lidera Israel há vinte anos. Um dia, "Sansão foi a Gaza" — que não era uma cidade filisteia qualquer, mas a capital do país — e "viu ali uma prostituta" (16.1). Sansão não aprendeu nada! Embora sua força física vá libertá-lo mais uma vez de sua queda por mulheres, a próxima encrenca será a última de sua vida, da qual não sairá ileso.

 

I. A SÍNDROME DO PECADO.

 

1. O padrão pecaminoso continua.

Os versículos 1-3 fazem ligação entre o passado (14.1-15.20) e o futuro (16.4-31). Eles são típicos do padrão de vida de Sansão — atraído a uma situação extremamente perigosa devido à sua queda por mulheres.

 

Um juiz de Israel passar a noite com uma prostituta filisteia (v. 1), correndo o risco de ser rodeado por inimigos (v. 2), não é apenas desobediência, é tolice pura. O pecado cegou Sansão.

 

As circunstâncias também mostram que o padrão vai se agravando — sua imprudência (ir à capital), sua compulsãosexual (dormir com uma prostituta) e o poder da armadilha (cercado por guardas, em uma cidade murada, v. 2,3), tudo isso é mais do que ele fez nos dois capítulos anteriores.

 

Como qualquer padrão de vício ou compulsão, o ciclo aumenta em vigor e poder. E a força física exigida para se libertar é mais impressionante ainda — arrancar as portas da cidade e carregá-las por mais de sessenta quilômetros até um monte perto de Hebrom, como Sansão faz no versículo 3, é um feito extraordinário!

 

Já sabemos que Sansão não aprende. Contamos com mais imprudência e perigo, e mais um ato espetacular de força sobrenatural, e é o que veremos...

 

2. O pecado por trás do sucesso

Quanto mais Deus abençoava Sansão, dando-lhe força para combater os inimigos, mais ele se sentia confiante em sua própria invulnerabilidade e mais irresponsável era o seu comportamento. Ou seja, o coração de Sansão, assim como muito de nós; usa as bênçãos divinas como razão para se esquecer de Deus.

 

Como observamos no ciclo de Gideão (p. 101), embora a adversidade seja difícil para nós, espiritualmente, o sucesso é ainda mais difícil. O sucesso pode ser a pior coisa que nos acontece, pois trás maiores perigos, que as dificuldades e tribulações.

 

John Flavel, ministro do Puritanismo, explicou bem: "Ganhos externos estão ligados a perdas internas"; ao contrário disso, "ganhos internos" — crescimento em humildade, autocontrole, sabedoria — estão geralmente ligados a "perdas externas" nas finanças, na carreira profissional e em relacionamentos desfeitos e nas doenças.

 

Já começamos a ver como o pecado e a graça trabalham em duas bases completamente diferentes. Na graça, Deus usa até mesmo nossos fracassos e fraquezas para nos beneficiar, mas, no pecado, usamos até as dádivas e forças divinas contra Deus.

 

Nosso coração pecador descobre maneiras de usar as bênçãos de Deus para arruinar nossa vida. Paulo fala sobre isso em Romanos 1 quando diz que a pior coisa que Deuspode fazer é nos dar o que desejamos — sucesso! As pessoas mais bem-sucedidas do mundo geralmente são as que vivem mais longe de Deus.

 

Por quê? Assim como Sansão compreendeu erroneamente a bênção de Deus pensando: Jamais serei derrotado, então posso viver como quero, as pessoas bem-sucedidas compreende erroneamente da bênção de Deus: Eu me dei bem na vida porque fui inteligente e astuto. Eu me basto!

 

3. O perfil do pecado:Por que, Dalila? E por que, Sansão?

O perfil comportamental de Sansão e Dalila, ajuda-nos a entender porque algumas pessoas fazem o que fazem e porque algumas tragédias acontecem.

 

"Depois disso, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque" — território filisteu — "chamada Dalila" (Jz 16.4). Em hebraico, o nome "Dalila" tem o mesmo som da palavra usada para "a noite". Nos versículos 1-3, a palavra "noite" é mencionada quatro vezes, e agora Sansão está deitado na cama "da dama noite". E essa será a sua derrota.

 

Os líderes filisteus abordam Dalila e lhe prometem dinheiro: "se puder atraí-lo para que mostre o segredo de sua grande força" (v. 5). E "então Dalila disse a Sansão..." (v. 6). O que leva Dalila a trair o namorado? Duas coisas. Ganância é a razão óbvia, porém há algo mais sério.

 

As pessoas que procuraram Dalila eram "governantes dos filisteus" (v. 5). Não se trata agora de um bando de filisteus querendo se vingar de Sansão por algum incidente.Trata-se dos chefes da nação filisteia inteira, e isso significa que agora Sansão é visto como ameaça nacional.

 

Para Dalila, significa que, se ela lhes entregar Sansão, será a heroína da nação. Assim, a riqueza, o poder e a fama e a influência que lhe oferecem é muito grande. Ela estaria garantida pelo resto da vida.

 

A primeira pergunta de Dalila é tão óbvia que chega a ser ridícula. Ela pergunta como ele poderia ser amarrado esubjugado (v. 6). Certamente, Sansão deve ter ficado, no mínimo, com a pulga atrás da orelha — mas ele não vai embora.

 

Em vez disso, ele mente, dizendo que, se for amarrado com sete cordas úmidas, ficará "fraco [...] como qualquer outro homem" (v. 7). Dalila amarra Sansão (v. 8), esconde alguns homens no quarto, e grita: "Sansão, os filisteus estão te atacando!"... e observa enquanto ele arrebenta as cordas (v. 9).

 

4. A dependência pecaminosa.

"Então Dalila disse a Sansão..." (v. 10). Essa é uma frase impressionante — Sansão continua lá, conversando com a mulher! Por que ele faz esse jogo perigoso? Seus motivos são mais obscuros que os de Dalila.

 

Sansão era motivado pelo excesso de confiança e atração pelo perigo. Talvez ele fosse viciado em perigo tanto quanto era viciado em mulheres. O perigo o deixava "nas alturas", porque sempre representou aplausos e fama para ele. Conforme o versículo 9, ele não pode ter nenhuma dúvida quanto às intenções de Dalila.

 

Sansão estavano estágio de "negação" típico das síndromes de dependência clássicas. Ele precisava tanto dos favores sexuais e da adoração de Dalila que estava cego quanto às intenções da mulher. Ela reclamou duas vezes: "zombaste de mim" (v. 10,13), e duas vezes ele mentiu em resposta (v. 11,13).

 

Mas, quando ela disse: "Como você pode dizer que me ama, se não confia em mim?" (v. 15), e repetiu a reclamação (v. 16), "ele lhe revelou tudo" (v. 17).

 

Por quê? Porque essa é uma ameaça mais clara ao relacionamento deles: Se você realmente me amasse, confiaria em mim. Se não me contar o segredo, você provará que não me ama — e o namoro acaba aqui!

 

E só então que ele revela a verdade. Isso mostra que Sansão não aguentaria decepcionar Dalila, mesmo sabendo que ela planeja acabar com ele. Essa é uma situação típica dos relacionamentos destrutivos.

 

4. Os relacionamentos destrutivos.

Há uma síndrome, ou seja, (reunião de sinais, sintomas, indicações) dos relacionamentos destrutivos, a pessoa tá vendo o perigo que corre, mas não foge, até que uma tragédia acontece. Ele vê todos os sinais indicando que vai dar errado, mas ela fecha os olhos para a verdade.

 

Sansão e Dalila é um exemplo de pessoas que usam uma à outra em vez de servir uma à outra. Dizem uma à outra: Estou com você por amor, mas o que querem mesmo dizer é: Estou com você por conveniência.

 

Certamente havia muita paixão e romance entre Sansão e Dalila — mas tudo era feito com o objetivo de autopromoção, e não de altruísmo para o crescimento do outro.

 

Sansão usou Dalila para o seu prazer sexual e (provavelmente) pela emoção do perigo. Dalila usou Sansão para conquistar riqueza e fama. Foi um caso óbvio de receber em vez de dar, de ambas as partes.

 

Existem, todavia, formas menos óbvias desse tipo de abordagem nos relacionamentos. Por exemplo: É normal os homens fazerem pouco caso de excelentes mulheres que não são bonitas. Por causa autopromoção, ele quer aquela mulher bela e sensual, e acaba sempre escolhendo mal e acaba em um relacionamento destrutivo.

 

É normal as mulheres fazerem pouco caso de homens excelentes, mas que não têm uma profissão bem remunerada, ou que não tem o biótipo de galã de novela. Por causa da síndrome de negação ela acaba entrando no relacionamento destrutivo.

 

Os relacionamentos que causam nosso sofrimento é sempre marcado por essa perspectiva: Desde o início, buscamos alguém que ajude a melhorar nossa autoimagem e/ou a conquistar a vida que desejamos. Isso é sinal claro de um fim muito triste.

 

Outra forma menos óbvia é a síndrome do ajudante.Em um relacionamento, muitas vezes uma pessoa é carente e vive se metendo em problemas, e a outra é o conselheiro resgatador.

 

Como a pessoa carente usa o resgatador é evidente. Menos evidente é o fato de que o resgatador também usa a pessoa carente. O resgatador precisa do carente para lhe dar senso de valor e/ou de superioridade moral. Ele precisa se sentir necessário.

 

C. S. Lewis em seu livro “os quatro amores” diz: O amor carente clama... por causa de nossa pobreza; o amor abnegado anseia servir... O amor carente diz sobre umamulher: "Não posso viver sem ela"; o amor abnegado anseia fazê-la feliz sem esperar nada em troca. 

 

Não podemos amar alguém completamente enquanto não amarmos a Deus completamente. Um homem ou uma mulher completa é aquela que ama inteiramente a Deus.

 

C.S.Lewis está dizendo que, a menos que se tenha alguma experiência do amor de Deus, o qual supre as nossas mais profundas necessidades, sempre tenderemos a usar outras pessoas para nos escorar ou validar nossa existência.

 

A não ser que tenhamos esse tipo de relacionamento com Deus, até mesmo o mais apaixonado dos “Eu amo” você significará, na verdade: Preciso de você para me sentir como se eu valesse alguma coisa.

 

A vida interior e os motivos de Sansão revelam essa falta de amor a Deus que deve servir de alerta a todos nós. Sem esse amor, faremos — e é só o que podemos fazer — a mesma coisa em nossos relacionamentos (embora geralmente não de modo tão óbvio e dramático!).

 

5. O pecado drenaa força: Sua força desapareceu (v. 19).

Dalila, agora conhecedora da verdade, manda chamar seus chefes (v. 18). Sansão tem a cabeça rapada enquanto dorme; "e sua força desapareceu" (v. 19). O que acontece no versículo 20 é estranho. Sansão sabe que contou a verdade a Dalila, e, "acordando do sono", deve ter percebido que estava sem a cabeleira.

 

Mesmo assim, ele disse: "Sairei e me livrarei como das outras vezes", pois "não sabia que o SENHOR havia se retirado dele". Sansão pressupõe que sua força permanece, mesmo que o cabelo tenha ido.

 

E por que seria diferente? Sansão vinha quebrando seu voto de consagração ao longo do tempo. Quebrou-o ao tocar um corpo morto e ao dar um "banquete" (14.10 — que era, na verdade, "uma festa com bebedeira").

 

A frase importante aqui é "sairei [...] como das outras vezes" (16.20). Observamos que não importa como ou quantas vezes ele tenha profanado a lei de Deus, ou quanto tempo ele viveu no pecado; Deus sempre lhe mantivera a força. O que mudou agora?

 

É muito estranho que Sansão não tenha ido embora depois de contar a verdade a Dalila (v. 17). Em vez disso, ele vai "dormir no seu colo" (v. 19). Por quê? Porque ele realmente não acreditava que seu cabelo ou voto de consagração fosse a fonte de toda a sua força.

 

Sansão passou a acreditar que sua força era simplesmente sua; que não importava o que ele fizesse ou como vivesse, seria forte para sempre. Seu autoengano não era apenas psicológico, mas teológico.

 

Sansão não conseguia ver como ele deveria ser dependente da graça de Deus. Ele passou a ver sua força como um direito inalienável, e não como uma dádiva da misericórdia de Deus.

 

Os filisteus achavam que a força de Sansão era mágica (por isso acreditaram nas mentiras sobre cordas úmidas, cordas novas e cabelo trançado). O poder mágico depende de condições externas e manipulação exata.

 

Se uma poção do amor exige três pitadas de olhos de salamandra moídos, duas pitadas não vão funcionar. E quando "acertamos" na dose, a mágica simplesmente acontece. Mágica é questão de seguir os passos ao pé da letra, o que aperta um "botão" sobrenatural, e o poder vem automaticamente.

 

De fato, Sansão tinha a mesma perspectiva mágica de sua força — exceto por achar que o poder vinha automaticamente, apesar das regras de consagração. Os filisteus pensavam: Ele deve fazer alguma coisa para se manter forte. Sansão pensava: Não tenho de fazer nada para me manter forte. Eu me basto!

 

No entanto, o poder de Deus é diferente. Ele depende das condições interiores, de um relacionamento de coração. Não existe poder divino sem discipulado. Jesus enviou seus discípulos no poder do Espírito Santo (At 1.8).

 

 

 

6. Poder ou mágica.

Que poder é esse? O poder de saber que Jesus prometeu: "... estou convosco..." (Mt 28.20, A21). Estar "com" alguém é uma expressão SEMITA para relacionamento. Então, o que realmente importa não é que o cabelo de Sansão foi cortado, mas que "o SENHOR havia se retirado dele" (Jz 16.20).

 

Deus deixou Sansão à mercê da própria força (isto é, fraqueza), pois ele veio abandonando sua aliança e seu relacionamento com ele.

 

Um limite foi extrapolado: quando o amor de Dalila se tornou mais importante para Sansão do que o amor de Deus. Deus então vai reivindicar a espiritualidade de Sansão, tornando-o fraco na adversidade, em vez de forte e poderoso.  A força de Deus — da qual Sansão se achava dono — lhe foi retirada.

 

O poder de Deus flui do compromisso de amar e servir a Deus, mas ainda depende de Deus. Ele vai trabalhar em nossa vida quando seguimos os seus mandamentos.

 

O fato de Deus não retirar a força de Sansão no primeiro momento em que ele começou a pecar, deu a ele a falsa sensação de que o pecado não impede a Deus de nos abençoar.

 

 

O poder divino não é adquirido externamente simplesmente porque eu obedecendo a regras de Deus ou dos outros, pois podemos fazer isso sem nenhuma motivação correta, como era o caso da carta a igreja de Efésios, que deixou o primeiro amor, embora tinha uma conduta impecável.

 

 

O poder de Deus, não depende de ritos ou uma técnica específica. Ele é produto de um relacionamento intimo com o Senhor Jesus.

 

Podemos achar que não acreditamos em mágica. Porém, é fácil acreditar em mágica com um verniz cristão. Por que achamos que Deus vai nos abençoar mesmo vivendo no pecado? Às vezes, achamos que ele simplesmente fará isso — eleabençoou no passado a Sansão e nos abençoará no presente.

 

Tornamo-nos complacentes com Sansão, mas nos esquecemos do fim triste que ele teve por não levar Deus a sério. Outras vezes, achamos que ele nos abençoará apenas se dermos os passos certos, se seguirmos a receita correta.

 

Estudamos a Bíblia, oramos, vamos à igreja, vivemos corretamente, afim desimplesmente sermos abençoados e fortalecidos por Deus. Fazemos tudo de maneira mecânica, sem pensar no relacionamento pessoal com ele.

 

Mas nossos deveres cristãos (assim como nossa força espiritual) têm defluir do relacionamento correto com Deus, em vez de ser uma tentativa de simplesmente alcançar um favor e uma bênção dele.

 

II. GRAÇA MAIOR QUE O PECADO.

 

"O SENHOR havia se retirado dele" (v. 20). Agora ele era mesmo "fraco e [...] como qualquer outro homem" (v. 7,11,13,17). Ele é capturado, cegado e algemado (v. 21). O homem que havia queimado as plantações dos filisteus (15.4,5) agora é obrigado a moer os cereais (16.21). Pela primeira vez no livro de Juízes, o juiz de Deus é derrotado.

 

1. Graça aos pecadores.

Por que deixar o cabelo crescer novamente?"Mas o cabelo da sua cabeça começou a crescer de novo, depois de rapado" (v. 22). Claro que cresceu! Cabelo tem dessas coisas! Por que, então, registrar o fato?

 

A questão é porque os filisteus deixaram o cabelo dele crescer novamente. Eles não eram cegos a ponto de não perceber que o cabelo de Sansão estava ficando comprido novamente, então devem ter concluído que, uma vez tosquiado, Sansão não era mais nazireu.

 

O voto nazireu (Nm 6.1-21) colocava o homem em um estado de "consagração" por período determinado. Uma vez que a cabeça era raspada, o período de consagração terminava (v. 18).

 

Visto que a força de Sansão fluía de sua dedicação ao Senhor por meio de seus votos, é lógico concluir que seu poder havia acabado.

 

No entanto, a displicência dos carrascos de Sansão em deixar seu cabelo crescer revela um conceito superficial de Deus. A força de Sansão não brotou dos votos que ele fez, mas do Deus a quem ele fez os votos. A questão não são os votos que fazemos, mas a quem fazemos os votos.

 

Os filisteus desconheciam totalmente o Deus: que realiza o inesperado (Eúde), cuja força se aperfeiçoa na fraqueza (Gideão) e que jamais quebra sua palavra. Esse Deus havia dito que Sansão seria nazireu "até o dia da sua morte" (13.7).

 

Ele abandonara seu servo apenas temporariamente. A promessa seria cumprida, quando Sansão retornasse a Deus. Existe graça copiosa ao pior dos pecadores. "Se somos infiéis, ele permanece fiel; pois não pode negar a si mesmo"(2Tm 2.13).

 

O Deus da Bíblia, porém, é o Deus da graça, fiel a nós mesmo quando somos infiéis a ele. Ele não está preso ou limitado aos nossos votos de consagração.

 

O crescimento do cabelo de Sansão não deve nos levar a concluir: Oba, ele tem cabelo de novo e voltará a ser forte, pois sua força está na cabeleira.

 

Os filisteus acham que a força de Sansão acabou porque seus votos foram quebrados.Não entendem que a obra e o poder são de Deus, e não nos votos de consagração. Os votos de consagração deve ser fruto de um relacionamento amoroso e não uma obrigação superficial.

 

2. Yahweh versus Dagom

Afinal, a verdadeira competição não é entre Sansão e os filisteus, mas entre Yahweh ("o SENHOR") e Dagom, o falso deus dos filisteus. Quem é mais poderoso? A quem Israel deveria servir?

 

O tempo todo, Deus está buscando "ocasião contra os filisteus; pois naquela época eles dominavam Israel" (Jz 14.4); mas esse domínio tem a ver tanto com idolatria espiritual quanto com a opressão física. Acima de tudo, Deus livra seu povo da idolatria, e não apenas dos inimigos.

 

Mas parece que Dagom venceu. "Então os governantes dos filisteus se ajuntaram" para proclamar a aparente verdade: "Nosso deus nos entregou Sansão, nosso inimigo, nas nossas mãos" (16.23).

 

O templo de Dagom é o cenário (como deixa claro a menção às colunas, no versículo 26). O povo celebra e louva Dagom (v. 24); o libertador fracassado de Deus é trazido para "nos divertir" (v. 25).Aquele que nasceu para libertar o povo de Deus, era motivo de festa no arraial do inimigo.

 

Sansão, porém, ainda não está acabado. Ele pede para "apalpar as colunas em que se apoia o templo, para que me encoste nelas" (v. 26). Uma multidão de pessoas, incluindo "todos os governantes dos filisteus", e a estátua de seu deus, encontravam-se debaixo do teto sustentado por aquelas colunas; uns três mil homens e mulheres se encontravam na galeria (v. 27).

 

O palco está montado; e, pela segunda vez em toda a sua vida, até onde sabemos, Sansão orou.E agora ele ora com humildade. No passado, ele sempre achava que seria forte, e usou sua força para salvar a sua própria vida (14.5,6,19; 15.3-5,13-17; 16.3,8,12,14). Outrora, ele se enganara (16.20,21).

 

Agora, pela primeira vez, cego e fraco, ele simplesmente pede: "O Soberano SENHOR, lembra-te de mim! O Deus, eu te suplico, dá-me forças só mais uma vez e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos!" (v. 28).

 

Ele se arrepende e ora e sua força retorna. Porque, quem sabe pela primeira vez, ele exercita fé. Alguns comentaristas afirmam que o pedido do versículo 28 é só um pedido de vingança — e é verdade que não há menção do resgate de Israel, apenas de vingança pelos olhos de Sansão.

 

Mas, contrariando esse argumento, observamos, primeiramente, uma inusitada atitude de humildade. Sansão reconhece que o Deus de Israel é soberano; não nos esqueçamos de que Sansão está no templo do deus com cujos seguidores ele dividiu a cama durante toda a sua vida adulta.

 

Mais ainda, Sansão reconhece não só que Deus é o seu Deus (elohini), mas também que é o Deus (Yahweh) salvador, relacional, que firma aliança com seu povo, Israel.

 

Esse é um Sansão bem diferente daquele que se achava dono de "sua" força e que exigiu que Deus lhe desse água sem nem lhe agradecer pelo seu poder (15.18).

 

Em segundo lugar, o texto de Hebreus 11.32-34 menciona que Sansão era um homem de fé, e certamente essa é a única ocasião da narrativa em que podemos afirmar que Sansão mostrou fé!

 

A referência de Hebreus 11.34 é muito interessante: "... da fraqueza tiraram força...". Essa é uma percepção maravilhosa. Sansão foi humilhado até o pó e enxergou sua fraqueza.

 

Portanto, seu último pedido está bem distante de suas exibições anteriores de força. Em Juízes 16.28, primeiro Sansão pede: "... Lembra-te de mim...", que é um pedido humilde de atenção. Ele sabe que pode ser facilmente esquecido e que Deus tem todo o direito de ignorá-lo, por causa dos seus pecados.

 

Segundo, ele pede: "... dá-me forças só mais uma vez...". Aqui (finalmente) ele reconhece que depende da graça de Deus. A verdadeira tentação de Sansão foi ter sempre acreditado que somos abençoados por Deus em virtude de alguma coisa especial e meritória em nós.

 

Foi achar, com toda complacência, que temos direito ao que ele nos dá pela graça e que podemos fazer uso disso como bem entendermos. Como é a letra equivocada da musica “é direito nosso”.

 

Esse, e não Dalila foi o verdadeiro e principal pecado de Sansão! É fácil esquecer que tudo o que realizamos só acontece por causa da graça de Deus e que a graça de Deus nos é dada especificamente para fazermos o que lhe agrada e ser usada a serviço do seu povo.

 

3. Sansão e Jesus

Sansão — assim como nós — não sabe se Deus responderá a sua oração quando se posiciona entre as colunas centrais do templo. Seu cabelo cresceu, mas, como nós sabemos (e agora Sansão), sua força não é mágica nem automática.

 

Com uma oração final: "Que eu morra com os filisteus!" (v. 30), Sansão "empurrou-as com toda a força" — ficamos em suspense — "e o templo caiu sobre os governantes e sobre todo o povo que ali estava. Assim, Sansão matou mais gente em sua morte do que em toda a sua vida".

 

O momento mais importante da vida de Sansão foi sua morte. O evento de sua vida em que demonstrou mais fidelidade foi o modo como morreu. O que ele nasceu para fazer ele só fez na sua morte.

 

O episódio mais triunfal de sua vida foi sua morte, pois, finalmente, e no gesto derradeiro, Sansão cumpre a tarefa de começar a resgatar o povo de Deus, conforme Deus explicara à sua mãe quando o anjo anunciou seu nascimento miraculoso (13.5).

 

A morte de Sansão é muito diferente da morte do Senhor Jesus, em dois aspectos importantes. Primeiro, Sansão está no templo de. Dagom por causa de sua incapacidade de viver sob o senhorio de Deus e para a sua glória. Sua derrota é resultado de sua desobediência.

 

O Senhor Jesus viveu sempre para a glória de seu Pai e morreu por causa da desobediência de outros — nossa desobediência. Segundo, a morte de Sansão cumpriu o papel limitado para o qual Deus o escolheu — "começar a libertar Israel" (13.5). A morte de Jesus conquistou a libertação "de uma vez por todas", foi um resgate definitivo (v. 1Pe 3.18; Hb 10.10).

 

No entanto, de diversas maneiras o fim de Sansão é uma figura, uma sombra da morte de Jesus. Analisar a morte de Sansão nos permite entender mais profundamente o significado da cruz e adorar aquele que morreu por nós.

 

Primeiro, Sansão e Jesus foram traídos por alguém que se dizia amigo — Dalila e Judas. (Judas, claro, não era tão íntimo de Jesus quanto Dalila era de Sansão, mas aquele a quem Judas traiu era imensamente mais puro e merecedor de lealdade que Sansão.)

 

Ambos foram entregues a opressores estrangeiros. Ambos foram torturados, amarrados e expostos à zombaria pública. Ambos receberam pedidos para realizar um ato espetacular (embora Jesus, ao contrário de Sansão, tenha se recusado). Ambos morreram com os braços estendidos.

 

Sansão e Jesus pareceram completamente derrotados por seus inimigos, mas os dois esmagaram os inimigos ao morrer Sansão, os filisteus e Dagom; Jesus, o inimigo por excelência, Satanás. Quando Sansão derrubou o templo na cabeça de Dagom e seus seguidores, o poder espiritual e o triunfo aparente de Dagom foram revertidos.

 

Sansão causou alienação permanente entre as culturas, de modo que Israel se tornou uma nação distinta, não mais inconsciente e inevitavelmente sob o poder dos filisteus.

 

Na cruz, Jesus reduziu a nada o poder de Satanás, desarmando-o completamente (Cl 2.15). Como a cruz conquistou isso? Ela eliminou o castigo por nossa idolatria — a morte — de maneira que Satanás não fosse mais bem-sucedido em sua perseguição ao povo de Deus.

 

Também eliminou a força do pecado em nossa vida, permitindo que o Espírito viva em nós e destrua o engodo dos ídolos em nosso coração.

 

Os dois foram salvadores solitários. Otoniel e Eúde reuniram todos os israelitas para lutar contra os opressores (3.10,27); Débora e Baraque convocaram duas tribos (4.10); Gideão levou apenas trezentos homens consigo.

 

À época de Sansão, o pecado já havia assolado o povo de Deus de tal forma que ninguém (inclusive o próprio Sansão, por quase toda a vida) se dispôs a lutar pela libertação de Israel (15.9-13). Da mesma forma que o Senhor Jesus faria, Sansão realizou sua obra de libertação sozinho, sem que ninguém o procurasse nem pedisse para ajudá-lo na tarefa.

 

Deus havia mostrado que poderia libertar Israel com um exército de voluntários; também havia mostrado que poderia salvar com apenas trezentos [...]. Mas, quando o Espírito de Deus se apoderou de Sansão, o Senhor mostrou que não precisava nem de trezentos. Elepoderiasalvar com apenasumapessoa.

 

CONCLUSÃO: Em resumo, em Sansão, mais do que em qualquer outro juiz, temos um exemplo de "derrota vitoriosa". Rejeitado, espancado, acorrentado, absolutamente sozinho e morto debaixo de uma avalanche de inimigos, Sansão triunfou. Deus libertou seu povo por meio de uma derrota vitoriosa de um único salvador.

 

"[A narrativa sobre Sansão] começa com um homem forte que se mostra fraco e termina com um homem fraco que se mostra mais forte do que nunca"

 

Isso é o evangelho!Jesus se tomou fraco para ser forte. Mas há, obviamente, uma última diferença entre Sansão e Cristo, diferença crucial. A liderança de Sansão terminou com o seu sepultamento (16.31). Sua história chegou ao fim.

 

Com o sepultamento deJesus, porém, de várias maneiras a história só havia começado. Ele governa além do túmulo, e não apenas antes dele. Aquele que se tornou fraco para salvar governará em força e poder por toda a eternidade.

 

Tornar-se cristão e continuar sendo cristão segue o mesmo modelo - tornar-se fraco para ser forte.Somente as pessoas que admitem ser injustas recebem a justiça de Cristo.

 

Somente as pessoas que reconhecem que sua vida e força Ihes pertencemunicamente por causa da graça não vivem nas garras do medo, do tédio e do desânimo.

 

Somente as pessoas que reconhecem a própria fraqueza e misérias conhecem a força interior dada por Deus, a força que nos leva a evitar as armadilhas da Vida de Sansão: orgulho,Iuxúria, raiva, vingança e complacência.

 

 

De: 16/02/2017
Por: Jairo Carvalho



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