Conheça a História da Igreja

Ouça nossa Rádio

Bíblia online

biografias

dicas de leitura
Selecionamos alguns livros para aumentar seu conhecimento.

  • Banner
  • Banner

enquete
Você já leu a Bíblia inteira quantas vezes?
Escolha uma opção abaixo
Resultados Outras enquetes




Publicações Imprimir conteúdoIndicar página para alguém

Gálatas - Vivam pelo evangelho

 

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas 6: 6-18

 

INTRODUÇÃO: As palavras finais de Paulo podem, à primeira vista, parecer uma série de declarações desconexas, mas na verdade ele está fazendo duas coisas ao mesmo tempo em que anuncia sua despedida.

 

Os versículos 6-10 são uma advertência final sobre semear e colher, e os versículos 11-18, um convite final para nos voltar para a Cruz de Cristo.

 

A advertência e o convite de Paulo são basicamente a mesma mensagem, aquela que dá sustentação a cada linha da carta: vivam pelo evangelho

 

Esta porção da epistola é uma espécie de sumario do significado do livro inteiro. Paulo faz agora um contraste entre o verdadeiro evangelho e o falso, entre os verdadeiros Ministros de Cristo e os falsos, entre aqueles que vivem em função do louvor dos homens ou viver para a gloria de Deus.

 

I. SEMEANDO E COLHENDO.

 

1. O Pastor-mestre e o membro-aluno.

A primeira instrução de Paulo nesse trecho tanto olha para trás, para a porção anterior da carta, quanto para a frente, para a advertência que ele tem a fazer.

 

Nos versículos 4,5, Paulo disse que todo indivíduo é inteiramente responsável diante de Deus por responder com obediência às oportunidades a ele oferecidas por Deus. Não há como repassar essa responsabilidade.

 

Agora, no entanto, Paulo deseja certificar-se de que essa declaração não seja entendida como uma promoção de algum tipo de INDIVIDUALISMO radical.

 

A fim de evitar o AUTOENGANO, todos nós devemos e necessitamos nos submeter a mestres que se submetem, por sua vez, a outros mestres.

 

Todo cristão deve se enquadrar na descrição daquele "que está sendo instruído na palavra" (v. 6). O termo grego para "o que está sendo instruído" é katechoumenos; aquele que é CATEQUIZADO.

 

Isso mostra como era e ainda hoje é importante oferecer aos novos convertidos e a todos os crentes um corpo de doutrina cristã (catecismo), ministrado por um "instrutor", que no nosso caso é o Pastor e o ensino derivado do seu pastorado.

 

Paulo espera que todo cristão receba o ensino do evangelho e seja discipulado e também ensina que se deve repartir "todas as coisas boas com aquele que o instrui" (v. 6). Koinoneo significa "repartir, compartilhar" ou " ter companheirismo".

 

Isto não pode ser interpretado irresponsavelmente simplesmente como uma afirmação de que aluno e professor devem cumprir a tarefa da instrução como plenos parceiros. Embora seja verdade que aluno não é um fantoche passivo, nem o professor, um ditador autoritário.

 

Mas é certo que a expressão "todas as {coisas boas=agatós}" se refira ao apoio financeiro, pois está de acordo com todo o ensino Paulino, sobre o sustento pastoral.

 

Tanto o membro-APRENDIZ quanto o Pastor-MESTRE se beneficiam se houver apoio para o instrutor realizar seu trabalho em tempo integral.

 

À luz dessa ideia, a palavra KOINONEO torna-se ainda mais rica, pois o salário do pastor-mestre cristão não deve ser visto simplesmente como um pagamento.

 

Antes, trata-se de uma relação de "COMPANHEIRISMO". Como os obreiros compartilham os dons espirituais que Deus lhes deu com o aluno, também os alunos compartilham os dons financeiros dados por Deus com o obreiro-professor.

 

Portanto, deveríamos dar com GENEROSIDADE às equipes ministeriais de nossas igrejas. Não como "consumidores" que vão a uma igreja e se limitam a saqueá-la de seus benefícios, sem CONTRIBUIR FINANCEIRAMENTE de maneira significativa com ela.

 

Mas essa contribuição precisa se fazer acompanhar da atitude e da motivação correta. O magistério cristão não é só mais um serviço a ser pago, mas uma irmandade rica, um compartilhamento mútuo das dádivas divinas.

 

Paulo dá imediata sequência à ideia de apoiar aqueles que nos ensinam a verdade do evangelho com a advertência: "Não vos enganeis" (v. 7). De certa forma, esse é o tema da epístola inteira de Gálatas!

 

Presume-se que muitos daqueles cristãos tivessem sido CATEQUIZADOS pelo próprio Paulo; agora corria grande perigo de serem enganados pelos falsos mestres; obreiros que se opuseram ao ministério e ao ensino de Paulo.

 

Paulo argumenta que os tais mestres não mantêm uma relação de "companheirismo" com os gálatas; antes, usam-nos para conquistar honra e aprovação para si próprios (4.17); a motivação deles no ministério erra errada.

 

Paulo ensinando o relacionamento apropriado mestre/discípulo no versículo 6, ele introduz esse apelo final para RESISTIR AOS FALSOS E INADEQUADOS OBREIROS-MESTRES. "Não vos enganeis" é o início do climax, o último apelo de Paulo para se apegarem à verdade.

 

 

 

 

 

2. Colher o que você semeia

Em seguida, Paulo faz uma advertência severa. Alguns a têm chamado de "lei do grande retorno".

 

Paulo usa uma das experiências mais familiares na história da humanidade: o processo agrícola da semeadura e colheita. "Tudo o que o homem semear, isso também colherá" (v. 7).

 

Na agricultura ou na jardinagem, esse é um princípio absoluto, e Paulo parece querer que consideremos ao menos dois aspectos dele.

 

Primeiro, o que quer que você semeie, será o que colherá. Se lançar sementes de tomate à terra, não obterá milho, não importa o quando deseje que o milho cresça!

 

Segundo, o que quer que você semeie, você haverá de colher. Mesmo que a semente fique no solo sem produzir nenhum efeito aparente por longo tempo, ela brotará. Não é a ceifa que determina a colheita, mas a semeadura.

 

Essa lei do retorno é tão irrefreável no campo moral e espiritual quanto no da agricultura. "Deus não se deixa zombar" (v. 7), ou seja, não se pode tratá-lo com leviandade. "Quem semeia para a sua carne, da carne colherá ruína" (v. 8).

 

Isso não quer dizer que Deus esteja sentado no céu a procura de alguém contra quem se vingar em razão de quaisquer menosprezos ou insultos.

 

A imagem da semeadura/colheita indica que o processo de consequências morais é muito mais natural e orgânico do que isso. A referência de Paulo à agricultura natural indica que o universo moral tem processos.

 

O pecado contra Deus cria tensões no tecido do universo moral/espiritual, assim como comer alimentos gordurosos cria tensões no tecido físico do seu coração. Se espalhar mal sua semente, você colherá uma produção ruim (e pobre).

 

Se comer alimentos gordos, você colherá um coração pobre (e a morte prematura). Se ceder à sua carne, você colherá o colapso e a ruína espiritual.

 

Para deixar mais clara a ideia, a palavra "ruína" também pode ser traduzida por "corrupção" ou "desintegração". Paulo está dizendo que o pecado faz as coisas se desintegrarem.

 

A ruína que colhemos vem da ruptura do "tecido" do universo moral, da mesma forma como determinado comportamento tem o poder de romper o tecido e a coesão físicos. Existem inúmeras maneiras pelas quais a semeadura para satisfazer a carne e colher ruína.

 

O livro inteiro de Provérbios é resumido por Gálatas 6.7,8! Semear desonestidade rompe o tecido dos relacionamentos e cria a ruína da solidão. Semear inveja e ciúmes rompe o tecido da satisfação e cria a ruína da amargura. E assim por diante, para sempre.

 

O que quer que semeie, você colherá — o pecado sempre gera ruína, nunca alegria e vida. O que quer que você semeie, colherá — os pecados voltarão para ficar; é impossível manter longe as consequências.

 

3. Semeando mal.

Mas a advertência de Paulo aqui deve ser interpretada à luz de todo o restante da carta. Ele quer dizer algo muito específico quando fala de semear "para a sua carne" (v. 8).

 

Ele já mostrou que a carne, sarx, é a parte do nosso coração que deseja manter o controle da nossa vida, agindo como uma espécie de salvador e senhor próprios resistente ao evangelho da graça e buscando continuamente fazer por merecer nossa própria justiça.

 

Ao longo de toda a epístola, Paulo indicou que os cristãos podem resvalar para algum tipo de escravidão do pecado, o que acontece muitas vezes. DURANTE ESSE PERÍODO DE TEMPO OU NESSA ÁREA DA VIDA, ELES PODEM TAMBÉM PERDER O CONTATO COM O EVANGELHO.

 

Paulo também advertiu que, se o evangelho é rejeitado e é adotada formal e completamente a justiça pelas obras, a escravidão e a destruição também serão completas.

 

Se, como cristãos, falhamos em aplicar o evangelho e vivemos "na carne", tentando fazer por merecer nossa salvação por outros meios, deparamos com uma perda da coerência, da alegria e da força na nossa vida.

 

E se alguém rejeita o evangelho e vive só para a carne, buscando e servindo alguma outra coisa que não Cristo como seu salvador, então esse alguém colherá ruína eterna, em vez de vida eterna.

 

A advertência é dura, mas a promessa é maravilhosa. "Quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna" (v. 8).

 

Se vivermos pelo Espírito, desfrutaremos da aprovação, da certeza, da satisfação e da alegria da vida cristã agora e saberemos que ela continuará além da morte.

 

4. Semeando bem a todos.

Sendo assim, como podemos ser alguém que "semeia para o Espírito" (v. 8)? Obedecendo a Deus pela alegre gratidão que vem de conhecer nosso status como seus filhos.

 

Ao agirmos assim, os ídolos que controlavam nossa vida são desautorizados e ficamos livres para viver para Deus.

 

Dia após dia, semear para o Espírito requer que "não nos cansemos de fazer o bem" (v. 9). Há sempre uma defasagem entre semear e colher.

 

No caso de novos agricultores e jardineiros em especial, é certo que experimentarão muita ansiedade, de olho na semente adormecida durante semanas e mais semanas, com a sensação de que ela jamais irá brotar. Mas ela sempre brota no final.

 

Paulo advertiu os pecadores de que, embora por muito tempo seu pecado pareça não os ter encontrado, em algum momento ele o fará. Agora ele quer encorajar aqueles que vivem para Cristo. Quem pratica o bem um dia verá os frutos e benefícios.

 

Paulo está encorajando os crentes a não desanimarem porque, assim como os jardineiros inexperientes poderiam deixar de regar e cortar fora a erva daninha em seu desânimo por causa do lento desenvolvimento da semente, também os cristãos poderiam deixar de PERSEVERAR em seu serviço e ministério.

 

A falta de acompanhamento no ministério consegue impedir a "colheita", como acontece na jardinagem.

 

Em que consiste a semeadura do "fazer o bem"? É fazer "o bem a todos, principalmente aos da família da fé" (v. 10). Isso é amplo e abrangente em sua simplicidade.

 

Paulo mostra o que a vida cristã; não é somente feita de reuniões ou programas evangelísticos, mas também é fazer o bem à pessoa que está na sua frente, conforme exija a ocasião.

 

A expressão “façamos o bem” mostra que devemos dar aos outros o que quer que o amor venha a “discernir” como uma NECESSIDADE EMERGENCIAL, pois não vamos conseguir suprir todas as necessidades dos outros.

 

Devemos compartilhar o evangelho e EVANGELIZAR, pois esse é o maior bem que podemos compartilhar com os outros. Contudo, esse "façamos" indica que não devemos nos restringir somente ao EVANGELISMO e ao discipulado.

 

Precisamos amar em ações, tanto quanto em palavras. Devemos lhes dar toda ajuda necessária para suprir qualquer CARÊNCIA EMERGENCIAL que estiver ao nosso alcance minimizar, seja material, social ou espiritual.

 

Essa pequena frase mostra que o SERVIÇO CRISTÃO engloba ajudar aqueles que precisam; tanto quanto explicar para alguém como entregar sua vida a Cristo.

 

Esse amor deve ser direcionado "a todos" (v. 10). Para não nos sentirmos sufocados e pressionados, Paulo acrescenta que vamos ajudar no que podemos. "enquanto temos oportunidade (v.10)”.

 

Ele não está ensinando que temos que vender tudo o que temos, a fim de tentar ajudar o máximo de pessoas possível, e nem está advogando a IDEIA LUNÁTICA de que se os crentes se amarem eles vão resolver o problema da fome da pobreza no mundo.

 

5. Semeando na família da fé.

Devemos olhar à nossa volta e ver onde estamos e quem está perto. Acima de tudo, no entanto, esse amor é para ser dado “aos da família da fé” (v. 10); uma expressão maravilhosa que mostra que todos os cristãos são uma família.

 

Os cristãos são todos irmãos e irmãs na casa de Deus (4.5). Temos de fazer o bem EXAUSTIVAMENTE àqueles que participam da mesma irmandade conosco.

 

Esse é o estilo de vida a partir do qual, "se não desistirmos, colheremos no tempo certo” (v. 9).

 

Viver o evangelho requer um número tremendo de sacrifícios.

 

Vamos prender o nosso coração a laços emocionais com pessoas instáveis, que vai nos causar grande dor e agonia, e que nunca vão reconhecer o nosso amor por elas; e que se não fosse o evangelho, nós evitaríamos nos envolver com esse tipo de pessoa.

 

Vamos precisar sacrificar o nosso dinheiro, pois vamos ofertar com grande generosidade para indivíduos, ministérios e causas. OS CUSTOS SÃO ALTOS, mas as recompensas são tão grandes, e o valor da colheita é maior do que o custo da semente!

 

Teremos satisfação profunda de ver vidas sendo transformadas (Mt 9.37). Nos alegraremos de ver famílias e comunidades, até cidades, transformando-se pelo poder do evangelho.  

 

Veremos pessoas cujos fardos ajudamos a suportar se tornarem sustentadoras de fardos alheios, vidas transformadas que começam a transformar outras vidas.

 

Mas precisamos perceber que existem colheitas mais profundas acontecendo mesmo quando não conhecemos ou não vemos grande sucesso exterior. Descobriremos nosso próprio caráter passando por mudanças profundas através do serviço cristão.

 

Nossa consciência será limpa e nosso coração feliz. Desenvolveremos um caráter menos egoísta e mais satisfeito, que nos fará bem quando estivermos debaixo de pressão.

 

Talvez não colhamos rápido e talvez não vejamos tudo que colhemos; mas podemos saber que há uma grande colheita para aqueles que semeiam para o Espírito.

 

 

 

 

II. A CRUZ DE CRISTO.

 

1. Uma ênfase.

Agora Paulo toma a pena do seu escriba. Pois esta não é um tratado teológico, mas, sim, a carta de um Pastor que tem amor profundo para com suas ovelhas.

 

Paulo pega a pena(caneta) do seus escriba e ele mesmo vai escrever as ultimas palavras dando ênfase as suas ultimas palavras. E como se ele escrevesse usando em letras garrafais, em negrito, e sublinhado para chamar atenção dos crentes.

 

Ele faz o seu último apelo, seu último convite para que os gálatas mantenham a confiança no evangelho para a salvação e o vivenciem dia após dia. E ele resolve escrever "de próprio punho" (v. 11).

 

Paulo quer convencê-los de que o verdadeiro cristianismo é uma questão de transformação interior, não simplesmente de observância exterior.

 

Quem vive dando ênfase na aparência exterior é porque a motivação é o ORGULHO LEGALISTA. Eles "desejam ostentação exterior" (v. 12).

 

A pregação do evangelho é terrivelmente ofensiva para o coração humano (5.11,12). As pessoas consideram um insulto alguém lhes dizer que elas são FRACAS E PECADORAS demais para fazer qualquer coisa capaz de contribuir para a própria salvação.

 

O evangelho é ofensivo para pessoas de MENTE LIBERAL, que o acusam de intolerância por ele declarar que o único modo de ser salvo é pela cruz.

 

Ele é ofensivo para pessoas de MENTE CONSERVADORA, por declarar que, sem a cruz, as pessoas "boas" estão em apuros tanto quanto as "más".

 

O evangelho é ofensivo porque a cruz se levanta contra todo plano de autossalvação. O mundo gosta de "religião" e "moralidade"; “desempenho” e acha que a RELIGIÃO MORALISTA é uma coisa boa para a sociedade.

 

A pregação do moralismo legalista pregava o LOUVOR DOS HOMENS, RELEVÂNCIA e ACEITAÇÃO: se vocês se circundarem, vocês serão aceitos pelo mundo, vocês não serão perseguidos, não sofrerão o desprezo e nem serão taxados como crentes irrelevantes para a cultura.

 

Porque o mundo fica ofendido com a cruz, porque ela representa a vergonha e o ultraje. De modo que os indivíduos que amam a cruz são “perseguidos” (v. 12). A cruz é ofensiva por natureza!

 

E só conseguimos entender docilidade da cruz se primeiro soubermos lidar com seu ultraje e vergonha. Para quem compreende a cruz, ou ela é o maior bem da sua vida ou lhe é repulsiva. Se não for nem uma coisa nem outra, ela não foi compreendida.

 

O falso salvador que os judaizantes adoram é a APROVAÇÃO dos homens. A busca de aprovação é sempre o que está por trás de todo o ensino legalista.

 

Eles têm uma única razão para ensinar o que ensinam: "somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo" (v. 12).

 

Tudo o que querem é se orgulhar (v. 13). Uma igreja com um sistema legalista, poderá investir todo o seu esforço para investir em grande obras sociais, ter o melhor sistema educacional, usar os melhores métodos, mas por traz de tudo isso, estão escondendo O VENENO DO LEGALISMO.

 

Eles praticam a religião da busca de relevância; da fama, prestígio e honra que pode lhes proporcionar uma existência sem o incomodo da perseguição. Na verdade a verdadeira motivação é a busca da autossalvação, sem a cruz de Cristo.

 

Em consequência dessa preocupação com as APARÊNCIAS e com a ACEITAÇÃO pelo mundo, os falsos mestres oferecem uma religião voltada, acima de tudo, para os aspectos exteriores e para comportamentos (circuncisão e lei cerimonial, guarda do sábado, comida judaica, costumes judaicos), em vez de uma transformação interior do coração, das motivações e do caráter.

 

O evangelho acontece de dentro para fora: a transformação interior do coração leva a nova motivação e novo comportamento. O legalismo ao contrário, age de fora para fora: focados no comportamento, jamais lidando com o coração, permanecendo sempre superficiais.

 

Paulo de novo faz a crítica mais reveladora a esse tipo de religião: "Nem mesmo esses que se circuncidam guardam a lei" (v. 13). O legalismo bíblico não pode funcionar em seus próprios termos.

 

Se de fato estudarmos a lei e analisarmos o que ela ordena, veremos que é impossível nos salvarmos obedecendo a isso.

 

Uma religião baseada na EXTERIORIDADE e no COMPORTAMENTO como forma de salvação pode instigar o orgulho e produzir popularidade, mas não pode dar a vida eterna que promete.

 

2. De que você se orgulha?

Em última análise, diz Paulo, o cerne da sua religião é aquilo de que você se orgulha. No fundo, qual o motivo pelo qual você pensa estar em um relacionamento adequado com Deus?

 

Se a cruz é só uma ajuda, mas você tem de completar sua salvação com boas obras, na verdade são as suas obras que fazem a diferença entre você rumar para o céu ou não.

 

Portanto, você se orgulha da sua carne (v. 13), dos seus próprios esforços. Que mensagem mais atraente: ser capaz de se autoparabenizar por ter reservado para si um lugar no céu!

 

Todavia, se você compreendeu o evangelho, depositou todo o seu "orgulho" aos pés da cruz; você tem uma nova IDENTIDADE, nova AUTOIMAGEM, que não é baseada na sua dignidade ou importância, mas na de Cristo.

Toda falsa religião induz a que nos orgulhemos de alguma coisa a nosso respeito. O evangelho, a que nos orgulhemos da cruz de Jesus.

 

Isso significa que nossa identidade em Jesus é confiante e segura-- orgulhamo-nos mesmo! —, mas, ao mesmo tempo, humilde, por basear-se em um senso profundo de nossos erros e miséria.

 

Portanto, o evangelho pode bem ser resumido em uma frase notável: "Longe de mim orgulhar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo" (v. 14).

 

Sou salvo exclusiva e completamente em razão da obra de Cristo, não da minha. Ele reservou um lugar para mim no céu, o qual me concede de graça. "Longe de mim orgulhar-me" — não tomo para mim crédito nenhum por minha posição com Deus — "a não ser na cruz"; o que Cristo fez é agora algo de que me orgulho.

 

Orgulhar-se é EXULTAR com alegria por algo em que também se tem alto nível de confiança. Saber que você é salvo só pela obra de Cristo produz uma alegre confiança digna de orgulho; não a autoconfiança, mas a confiança em Cristo.

 

E se de fato só me orgulho em Cristo, acontece uma reviravolta surpreendente em minha vida. O mundo está morto para mim. O cristão não precisa dar importância ao que o mundo pensa dele. O mundo deixou de ter quaisquer reivindicações sobre nós.

 

Paulo declara aos cristãos que nada do que existe no mundo agora tem qualquer poder sobre eles. O mundo não pode mais comanda-lo.

 

Não estamos mais comprometidos com nenhum de seus conceitos, critérios, normas e demandas. Fomos desconectados do mundo por meio da cruz de Cristo.

 

O evangelho destrói seu poder. Por quê? Não há nada no mundo em que eu posso colocar minha JUSTIÇAou SALVAÇÃOou de que me ORGULHE, então não há nada no mundo que me controle — não há nada que eu precise ter.

 

Portanto, ele conclui com o que já disse lá atrás, em 5.6: "Nem a circuncisão nem a incircuncisão são coisa alguma, mas, sim, o ser nova criação" (6.15).

 

O que importa não é se a pessoa foi circuncidada ou não, mas se ela nasceu de novo. John Stott diz que os judaizantes, eram obcecados por estatísticas eclesiásticas. Eles idolatravam números. Eles se gabavam de tantas circuncisões eram feitas durante o ano.

 

Ao saírem da igreja dos gálatas, eles diriam veja, quantas pessoas foram circuncidadas; eram exatamente como algumas igrejas que se gabam de terem tanto batismo no ano. O que importa não é o numero de batismos, mas se as pessoas nasceram de novo.

 

Em razão do evangelho do Cristo crucificado, diz Paulo, não me sinto inferior a ninguém nem intimidado por ninguém — a circuncisão não significa nada. E, em razão do evangelho, não me sinto superior a ninguém nem desprezo ninguém — a incircuncisão não significa nada.

 

Tudo que importa é o “andar em novidade de vida” (v. 15) por intermédio de Cristo crucificado. O que realmente importa é o nosso crescimento em santidade que é fruto do novo nascimento.

 

O evangelho cria nova motivação para a obediência: o amor grato que se origina de uma visão de fé do que Cristo fez. Essa nova motivação nos renova de dentro para fora. E um novo nascimento, uma transformação sobrenatural do caráter, uma nova criação.

 

Portanto, os versículos 14,15 resumem o que significa confiar no que Cristo fez, em vez de no que estou fazendo. Paulo diz: O evangelho muda aquilo de que fundamentalmente me orgulho, transforma toda a base da minha identidade.

 

Nada no mundo inteiro tem qualquer poder sobre mim; sou livre, afinal, para viver no mundo sem ser contaminado por ele.

 

Não preciso me sentir inferior nem superior a ninguém e estou sendo reconstruído, transformado em algo e alguém completamente novos.

 

3. Uma vida de paz

Paulo chama o viver pelo evangelho de "norma" (v. 16) — um modo de vida, um a regra e um alicerce para tudo.

 

Todo aquele que estabelecer o evangelho de Cristo como sua "norma", diz ele, encontrará "paz e misericórdia". E será membro do verdadeiro "ISRAEL DE DEUS". Os cristãos são todos filhos de Abraão, herdeiros da promessa que Deus fez a ele.

 

Paulo conclui salientando o fato: "trago no corpo as marcas do sofrimento de Jesus" (v. 17). Que sofrimentos são esses?  São as suas cicatrizes deixadas pela tortura, pela prisão e pelas surras recebidas por causa de Cristo.

 

Os pregadores do evangelho falso, popular, da autossalvação, não tinham nada disso porque o mundo amava ouvir sua mensagem. O que pregavam agradavam as pessoas, era “CULTURALMENTE RELEVANTE” e agradava os que viviam na carne.

 

Mas Paulo é um ministro verdadeiro, um apóstolo verdadeiro, como ele argumentou nos capítulos 1 e 2. Não duvidem de mim, diz ele. Tenho as marcas reais da autoridade apostólica — não grandiosidade nem riqueza, mas sinais de sofrimento e fraqueza.

 

E então ele se despede. Mas, até nesse momento, Paulo lembra os gálatas da mensagem de sua carta. "A graça do nosso Senhor Jesus Cristo" (v. 18) é a porta de entrada para a vida cristã, o caminho para nela continuar e tudo de que sempre necessitaremos ao longo dela.

 

Começamos pela graça, sendo justificados pela fé no que Cristo fez. Prosseguimos pela graça, não por nada que fazemos.

 

O evangelho da graça é o que os gálatas precisam conhecer e amar no seu "espírito". Não se trata de um conjunto de verdades abstratas, mas de um modo de vida. Uma vida de profunda realização e segurança, eterna no porvir.

 

CONCLUSÃO:Uma palavra pastoral.

O verso 15 é o resumo de toda a carta aos Gálatas: porque em Cristo nem a circuncisão e nem a incircuncisão tem valor algum, mas sim o ser nova criatura.

 

Nós podemos identificar com precisão todos os desvios teológicos e morais da igreja pós-moderna, e ser uma igreja ORTODOXA em todas as verdades da Escritura.

 

Podemos ter os maiores e melhores projetos evangelísticos, investir em missões, investir no ministério infantil, investir pesado em famílias, ter as melhores programações jovens, investir pesado na musica da igreja. Podemos estar envolvido no movimento de crescimento de Igrejas, e termos a maior igreja do Estado, podemos batizar milhares e muito mais.

 

Mas o que importa mesmo. A única coisa que conta é se temos andado em novidade de vida.

 

Uma lição eu tenho aprendido, quem foca nas outras coisas, não terá muito INTERESSE na novidade de vida, pois ela está aos pés da cruz, e a gloria da cruz, é o ultraje, a vergonha, a perseguição, a humilhação, AS MARCAS DE CRISTO.

 

Edwards disse que a única coisa que demonstra que uma igreja obtendo resultados, é se ela está crescendo em santidade, se os crentes andam em novidade de vida.

 

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII

De: 09/10/2017
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2017 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
Usuários online 1 online Visitantes 197667 Visitas