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Gálatas: Relacionamentos do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

RELACIONAMENTOS DO EVANGELHO

 

Gálatas: 5: 26; 6: 1-5

 

Introdução: Que diferença o evangelho faz em seus relacionamentos? De que maneira ele afeta o modo como você se vê em relação àqueles que o cercam? E como você vê os outros em relação a si mesmo?

 

Essa é uma passagem muito curta, mas cheia de princípios práticos para o relacionamento com outras pessoas. O evangelho cria uma AUTOIMAGEM inteiramente nova que não se baseia em comparações com os outros.

 

Nossa AUTOIMAGEM vai influenciar na maneira como nos relacionamos com nós mesmos e com os outros.

 

Só o evangelho faz com que não nos sintamos nem AUTOCONFIANTES demais nem INFERIORIZADOS, e tão OUSADOS quanto HUMILDES. Isso funciona em relacionamentos com todo mundo.

 

Em vez de nos compararmos com aqueles que estão "acima" ou "abaixo", olhamos apenas para nossa própria responsabilidade de tomar o que temos e somos e oferecê-lo a Deus em um sacrifício de gratidão pelo que Cristo fez.

 

I. AUTOIMAGEM CAÍDA.

 

O pecado produziu uma falsa autoimagem, o ser humano vive enganado, sobre quem ele é e como ele deve se relacionar com os outros. Vejamos como são os relacionamentos da natureza caída.

 

1. Fome de honra. (5.26) “não sejais cobiçosos de vanglórias”.

 

Paulo acaba de encorajar os crentes a andar "sob a direção do Espírito" (5.25). Como vimos no último capítulo, isso envolve uma crucificação interna e diária dos nossos SUPERDESEJOS pecaminosos e a adoração sincera de Cristo todos os dias, de modo que o fruto do Espírito cresça em nosso CARÁTER.

 

Agora Paulo quer mostrar de que modo o fato de acompanhar o ritmo do Espírito transformará nossos relacionamentos. No fundo, isso significa "não nos tornemos [ou, em alguns casos, deixemos de ser!] orgulhosos" (v. 26).

 

A palavra grega traduzida aqui como "orgulhosos" é kenodoxoi, que significa literalmente "vangloriosos" ou "vazios de honra".

 

Portanto, o ORGULHO é uma insegurança profunda, uma percepção de ausência de honra e glória, levando à necessidade de provar nosso valor para nós mesmos e para as demais pessoas.

 

Isso, por sua vez, fixa nossa mente em viver nos comparando com os outros. Quando parecemos melhor do que alguém em algum aspecto, nossa "fome de honra" se infla e faz com que nos sintamos ótimos.

 

Quando parecemos inferiores a alguém, sentimo-nos desolados e angustiados pela mesma razão. Além disso, a "fome de honra" ou a necessidade de AUTOAFIRMAÇÃO pode nos tornar muito competitivos. Isso descreve o estado natural do nosso coração sem o evangelho.

 

Se formos orgulhosos, estaremos "provocando-nos uns aos outros e tendo inveja uns dos outros" (v. 26). "Provocar" — prokaleo — é sinal de competitividade, tendo o sentido de desafiar alguém para uma disputa.

 

"Inveja" significa querer algo que pertence por direito a outra pessoa ou querer que essa pessoa não tenha tal coisa.

 

2. Provocando ou invejando (5.26) “provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros”

 

Paulo não está apenas descrevendo quem é hostil (provocador) àqueles que o inveja Ele está falando de duas maneiras ou posturas diferentes de se relacionar com os outros.

 

"Provocativa" é a postura de alguém que está certo de sua superioridade e menospreza alguém que ele entende que é mais fraco.

 

"Invejosa" é a postura de quem tem consciência da própria inferioridade e se sente olhando "para cima", para alguém que, na sua opinião, ocupa posição superior à sua.

 

Assim, Paulo está dizendo que tanto a SUPERIORIDADE quanto a INFERIORIDADE são pura manifestação de soberba. Isso é impressionante e profundo. Tanto a pessoa que se sente superior quanto a que se sente inferior estão cheias de si mesmas.

 

Em ambos os casos, você concentra todas as suas forças em como o outro faz com que você se sinta ou pareça, em vez de em como você faz com que o outro se pareça ou sinta.

 

3. Busca de autovalorização.

 

Outra maneira de explicar isso é em termos de justiça pelas obras, o que estabelece uma ponte entre o versículo 26 e o tema subjacente da carta: a necessidade de viver em conformidade com o evangelho e não retroceder à vida pelas obras.

 

Tanto a pessoa que se sente "SUPERIOR" quanto a que se sente "INFERIOR" estão tentando adquirir valor por meio da COMPETIÇÃO, às custas dos outros.

 

Ambas querem adquirir uma IDENTIDADE pela derrota e superação de outros. Ambas querem ser orgulhosas e superiores.

 

A única diferença entre a pessoa arrogante e aquela dotada de BAIXA AUTOESTIMA é que a pessoa INFERIOR perdeu no jogo, desespera-se e inveja os que ela vê como "vencedores".

 

A pessoa SUPERIOR, por outro lado, sente como se tivesse vencido momentaneamente e se compara sem parar com os outros para se certificar de que continua vencendo.

 

Claro, grande parte do tempo estamos tanto PROVOCANDO em uma área da nossa vida quanto INVEJANDO em outra.

 

Portanto, embora a provocação e a inveja pareçam opostos exatos, são duas formas de orgulho, são pura manifestação de soberba da nossa AUTOIMAGEM CAÍDA. Como C. S. Lewis salientou, humildade não é pensar menos de si mesmo: é pensar em si mesmo cada vez menos.

 

A AUTOFLAGELAÇÃO e a BAIXA AUTOESTIMA não são marcas da humildade do evangelho. São apenas uma rejeição do evangelho, tanto quanto o orgulho e a confiança no próprio eu!

 

Ou seja, tanto o complexo de SUPERIORIDADE quanto o de INFERIORIDADE são, na raiz, frutos da insegurança e da BUSCA DE AUTOVALORIZAÇÃO.

 

Não passam de dois resultados diferentes do nosso desejo de conquistar glória para nós mesmos, de sentir que valemos a pena como pessoase que temos méritos.

 

O versículo 26 está dizendo, basicamente: Não permita que sua fome de honra o leve nem a desprezar nem a invejar as pessoas.

 

Ainda que possamos muito bem ter uma mistura das duas posturas, a maioria de nós tende naturalmente ou a provocar ou a invejar, como resultado do nosso orgulho. Como analisar em qual dos dois me enquadro? Perguntando:

 

- Tenho a tendência de me expandir ou de me fechar feito um caramujo?

- Tenho a tendência de iniciar discussões com as pessoas ou evito totalmente o confronto?

- Tenho a tendência de me dar muito bem com indivíduos e grupos ou na maioria das vezes fico constrangido e intimidado perto de determinadas classes de pessoas?

- Quando criticado, fico muito bravo e crítico e simplesmente revido o ataque? Ou me sinto bastante desencorajado e na defensiva, dando um monte de desculpas ou desisto da conversa?

- Quando sou repreendido, ficou profundamente irritado, com a forma como a pessoa me repreendeu e não com minha conduta inadequada.

- Quando confrontado, vivo me justificando, ou me depreciando.

- Costumo pensar Nunca, jamais faria o que essa pessoa fez?

- Ou costumo olhar para a pessoa e dizer: Nunca, jamais atingirei o nível de realização dessa pessoa?

 

4. Uma autoimagem baseada no evangelho

 

O Espírito opera em nós para aplicar o evangelho à nossa AUTOPERCEPÇÃO e visão dos outros. Ele cria uma AUTOIMAGEM toda nova, a qual não se baseia em comparações com as demais pessoas.

 

Só o evangelho faz com que não nos sintamos nem AUTOCONFIANTES demais nem INFERIORIZADOS, e também nos faz tão ousados quanto humildes. Isso funciona em relacionamentos com todo mundo.

 

O evangelho é a única coisa que trata do orgulho, da vanglória.A intensidade com que ainda me esforço para garantir funcionalmente meu valor por meio do DESEMPENHO (i.e., ainda operando na justificação pelas obras) é a mesma intensidade com que demonstrarei superioridade ou inferioridade.

 

Por quê? Porque, se sou salvo por minhas obras, posso ou ser confiante, mas não humilde (superior, por ainda sentir que estou "vencendo"), ou humilde, mas não confiante (e vou me sentir inferior e invejoso, por sentir que estou perdendo).

 

Separado do evangelho, serei forçado a ser superior ou inferior, ou a oscilar entre uma coisa e outra, ou a ser de um jeito com algumas pessoas e de outro jeito com outras. Estou o tempo todo preso entre esses dois modos de ser; devido à natureza caída de minha autoimagem.

 

Mas o evangelho cria uma nova AUTOIMAGEM, como vimos antes. Ele me humilha diante de todo o mundo, dizendo-me que sou um pecador salvo só pela graça.

 

Mas também me encoraja diante de todo o mundo, dizendo-me que sou amado e honrado pelos únicos olhos do universo que de fato contam. Portanto, o evangelho me dá uma ousadia e uma humildade capazes de coexistir e de crescer juntas.

 

Falando em termos práticos, você tem de usar o evangelho pregando-o a si mesmo todos os momentos, e em todas as situações em que esteja vivendo para poder experimentar o andar em novidade de vida.

 

Por exemplo, caso você se posicione sempre na DEFENSIVA para com as pessoas, deve usar o evangelho nesse exato momento, dizendo a si mesmo: O que você pensa de mim não é o que importa. A aprovação de Jesus Cristo, não a sua, é minha JUSTIÇA, minha IDENTIDADE, meu VALOR.

 

Caso, porém, perceba que está MENOSPREZANDO alguém, você precisa se lembrar do evangelho: O que eu penso a meu respeito não importa. Sou só um pecador; tanto quanto essa pessoa, não há nada de bom em mim, e, tanto eu como ela, não merecemos o amor de Cristo por nós.

Quando nos sentimos orgulhosos — superiores ou inferiores —, precisamos fincar as raízes de NOSSA GLÓRIA, de nosso SENSO DE VALOR, naquilo que somos em Cristo e por intermédio dele.

 

Temos de meditar na Escritura e orar pedindo ao Espírito que nos ajude a aplicar às nossas emoções a verdade de 3.26: Sou um filho de Deus — portanto, posso sentir-me seguro — pela fé em Cristo Jesus — portanto, devo ser humilde.

 

5. O orgulho nos relacionamentos.

 

No capítulo 5, Paulo expôs DOIS ERROS, ambos os quais se opõem ao evangelho:

 

(a) Moralismo- perder a liberdade buscando a salvação por meio do cumprimento das regras legalistas.

 

(b) hedonismo. Abusar da liberdade pela rejeição absoluta das regras, pois o foco é o prazer e a autossatisfação.

 

Quando se trata de relacionamentos, o ORGULHO MORALISTA se revela na necessidade que ele tem da APROVAÇÃO ALHEIA ou de que os outros confiem nele.

 

Ele precisa da aprovação ou da confiança alheia para mostrar seu desempenho, e que está se saindo suficientemente bem.

 

Mas isso significa que seu papel nos relacionamentos é essencialmente egoísta — os outros existem para validá-lo, para provar-lhe a justiça, para lhe dar o valor que ele merece.

 

O ORGULHO HEDONISTA, porém, se mostra na FALTA DE COMPROMISSO. Ele precisa dos outros pelo prazer e pela satisfação que outros podem lhe oferecer; assim que o relacionamento implica em maior sacrifício, o hedonista cai fora. Os relacionamentos dele são para servir a si próprio, para seu próprio deleite.

 

Por exemplo, quando o assunto é o relacionamento com pais, o MORALISTA ou fica tão preocupado em agradá-los que não consegue viver sem pensar neles o tempo todo, ou fica tão bravo com eles por controlarem ou negligenciarem sua vida que não consegue tampouco viver sem pensar neles.

 

Se você é HEDONISTA, isso significa que você não se relaciona com eles em absoluto, exceto quando lhe interessa ou quando lhe for conveniente.

 

O evangelho nos liberta da necessidade moralista de encontrar salvação no fato de agradar ou rejeitar nossos pais; ele nos diz que temos um Pai perfeito. E desafia a recusa do hedonista em pensar nos pais, porque somos obrigados a amá-los e obedecê-los.

 

 

Vejamos outro exemplo, nos relacionamentos sexuais. O moralista tende a ver o sexo como algo sujo, ou pelo menos como um impulso perigoso, que o tempo todo leva a pecar.

 

A CONSCIÊNCIA APREENSIVA DO MORALISTA o levará ou a evitar ou rejeitar por completo a experiência sexual ou vai desenvolver uma necessidade mal direcionada e desastrosa de vivenciá-lo.

 

Tudo isso provêm de um VÁCUO de glória interior, que busca fazer do sexo um modo de preencher o vazio.

 

Já o HEDONISTA enxerga o sexo como mero apetite biológico e físico. E provável que tenha uma relação menos COMPLICADA e problemática com o sexo.

 

No entanto ele também desiste do profundo anseio do seu coração de se unir pelo sexo com alguém que seja completa, incondicional e permanentemente verdadeiro com ele. Assim, a satisfação profunda sempre lhe será ilusória.

 

Mas o evangelho nos mostra que o sexo faz parte da boa criação de Deus. E a sexualidade deve refletir o AUTOSSACRIFÍCIO de Cristo. Ele se entregou por inteiro. Logo, não devemos buscar intimidade sexual antes de nos sentirmos completos, pois isto não nos trará realização.

 

Por isso devemos nos entregar a intimidade sexo, legalmente, socialmente e pessoalmente — ou seja, por inteiro.

 

O sexo só deve acontecer no relacionamento do compromisso absoluto e permanente do casamento.Por meio da transformação de Cristo em nós, esse ideal é algo alcançável, embora nossos casamentos sempre incluam dois pecadores.

 

II. A AUTOIMAGEM DO CRISTÃO.

 

Paulo explica como o evangelho muda nossa autoimagem e como isso influencia diretamente em todos os nossos relacionamentos, seja conosco mesmos e com os outros.

 

1. Ajudando nossos irmãos

 

"Orgulhar-se" — buscar nossa própria glória nos relacionamentos — quer dizer que, por mais perto que estejamos de alguém, a maneira de tratarmos tal pessoa será sempre marcada pelo egoísmo. O evangelho destrói isso, capacitando-nos a viver como "irmãos" (6.1).

 

Irmãos (e irmãs) conseguem se encorajar na vida cristã. "Se alguém for surpreendido em algum pecado" (v. 1), a superioridade orgulhosa nos levará a menosprezar essa pessoa, a nos alegrarmos por não sermos como ela e a nos sentirmos justos em nós mesmos.

 

Apontar para o pecado alheio nada mais será que sublinhar como parecemos bons em comparação.

 

A INFERIORIDADE ORGULHOSA fará que invejemos a vida que o outro está levando, por mais pecaminosa que seja.

 

Ou vamos ansiar tanto a APROVAÇÃO desta pessoa, que não seremos capazes de ver e apontar o fracasso dessas pessoas em viver de conformidade com o evangelho.

 

O que um "irmão", que é filho de Deus, fará? Paulo adverte que não devemos ignorar a situação ao depararmos com alguém "surpreendido" em algum pecado.

 

Isso não quer dizer que vamos viver confrontando as pessoas por “qualquer erro ou falhas”, e nem vamos fazer isso de “qualquer jeito”, confrontando; todo mundo que virmos pecando ou errando em alguma coisa.

 

A Escritura diz que "O amor cobre um grande número de pecados" (1Pe 4.8), então não devemos ser “rápidos” “em criticar” e falar às pessoas sobre suas falhas (veja também 1Co 13.5,7).

 

Como também não devemos ignorar alguém "SURPREENDIDO", apanhado em algum pecado. Neste caso não devemos ser ansiosos em criticar  e nem receosos em confrontar. Se errarmos nisso, seremos injustos na exortação.

 

2. O confronto com o fruto do Espirito.  “vós que sois espirituais”.

 

Aceitaremos nossa responsabilidade de ajudar como irmãos cheios do Espírito. Paulo se dirige “a vos, que sois espirituais” (v. 1), ou seja, àqueles que "andam pelo Espírito" (5.16,25).

 

Ele não se refere a um grupo superespiritual de cristãos de elite; fala a cristãos comuns: Se vocês seguirem os desejos do Espírito, agirão assim. Quem confronta precisa evidenciar os frutos do Espirito.

 

Essa responsabilidade pertence a absolutamente todos que estejam tentando levar uma vida cristã verdadeira. Tem muita gente confrontando o pecado na vida dos outros, mas sendo complacente com o pecado na sua própria vida.

 

3. Restaurar com o espirito de humildade.

 

Qual é o objetivo da exortação? "Restaurar essa pessoa com espírito de humildade" (v. 1). O termo grego traduzido como "restaurar" é katartizdo. Esse era o termo usado para pôr no lugar um osso deslocado.

 

Um osso que se desloca provoca dor extrema porque não está mantendo o relacionamento natural, para o qual foi projetado, com as demais partes do corpo.

É inevitável que o ato de pôr um osso no lugar produza dor, mas é a dor da cura. Significa que devemos confrontar, mesmo quando for doloroso, mas nosso confronto deve ter como objetivo instigar a mudança de vida e de coração.

 

Todavia, o "irmão" confrontará "com espírito de humildade". Paulo diz que essa gentileza só lhe sobrevirá se você cuidar de si mesmo, para não ser tentado também (v. 1).

 

Um conselho difícil, mas prático. Um dos momentos em que mais seremos tentados a pecar, pela nossa AUTOJUSTIÇA é quando confrontamos os outros. Corremos o risco de ser provocativos ou invejosos na motivação.

 

Fazer por “ORGULHO MORALISTA”, a necessidade de aprovação alheia, “REPREENSÃO LEGALISTA”, necessidade de vindicar nossa autojustiça; ou “ORGULHO HEDONISTA”, pelo mero prazer de exortar, de ser visto como espiritual.

 

Não conseguiremos ser piedosos ao confrontar alguém sem nos considerarmos incapazes de pecado similar ou igual. Se nos sentirmos acima da pessoa, nosso ar de superioridade ficará evidente e acabaremos destruindo, em vez de restaurar.

 

4. Levar os fardos uns dos outros. (v.2). “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”

 

Confrontar alguém surpreendido em pecado é uma forma de "[levar] os fardos uns dos outros" (v. 2), embora, claro, não seja a única.

 

No versículo 2, Paulo junta uma abordagem centrada no outro — que substitui o orgulho à medida que o Espírito firma as raízes do nosso senso de valor em Cristo — com a OBEDIÊNCIA À LEI MOTIVADA PELO EVANGELHO, que esboçamos no capítulo 5.

 

Os irmãos que são espirituais (6.1) levarão "os fardos uns dos outros", e assim estarão "cumprindo a lei de Cristo" (v. 2).

 

O versículo 2, portanto, espelha 5.13,14: "Sede servos uns dos outros pelo amor. Pois toda a lei se resume numa só ordenança, a saber: Amarás ao próximo como a ti mesmo". A lei de Cristo é a lei que se resume como o amor ao próximo.

 

Por que a lei do amor ao próximo seria chamada de lei de Cristo? Porque Cristo é o exemplo máximo e insuperável desse tipo de amor. Devemos amar os outros como Cristo nos amou (Jo 13.34; Ef 4.32).

 

Embora toda a lei do Antigo Testamento pudesse ser resumida na ordem para amar, são a vida e a morte de Cristo que se tornam a corporificação suprema do que esse amor deveria ser.

 

Ao olharmos para sua vida e atitude, assim como para todas as suas interações, temos, de certa forma, uma "lei", um modelo surpreendente do tipo de vida que deveríamos levar.

 

Colocar 6.2 e 5.13,14 lado a lado nos mostra que ser "servos uns dos outros pelo amor" significa levar "os fardos uns dos outros". Isso traz o elevado conceito do amor de volta à terra. Não devemos deixar que as pessoas carreguem seus fardos sozinhas.

 

Tais "fardos" podem ser uma simples responsabilidade, como ajudar a criar um filho ou ajudar a reformar a casa. Ou então enfrentar uma dificuldade, um problema com alguém.

 

Ao caracterizar RESPONSABILIDADES e PROBLEMAS da vida como "fardos", Paulo ensina de maneira muito vívida e prática como o cristão se relaciona com os outros.

 

Você não pode ajudar a carregar um fardo a menos que se aproxime bastante da pessoa que o está carregando, que se coloque em sua pele e aplique sua própria força debaixo desse fardo, de modo que o peso dele seja distribuído entre vocês dois, aliviando quem você se dispôs a ajudar.

 

Da mesma forma, o cristão deve ouvir e entender, assumindo, física, emocional e espiritualmente, parte do fardo da outra pessoa.

 

É provável que Paulo esteja dando mais um golpe nos "judaizantes", os falsos mestres que tentavam fazer com que os gálatas se sujeitassem ao “julgo” lei de Moisés (At 15.20).

 

Paulo aconselha aos gálatas que, em vez de se colocarem debaixo do fardo do cumprimento da lei, deveriam levar os fardos uns dos outros — e essa, em última análise, é a maneira de cumprir a lei!

 

"Lei de Cristo" significa moldar nossa vida inteira ao exemplo de Cristo, motivados por grata alegria. É a vida centrada em UMA PESSOA em vez de em UM CÓDIGO. Pesa sobre nós outro tipo de obrigação, diferente do anterior.

 

Agora suportamos os fardos dos outros porque Cristo suportou o nosso. O versículo 2 poderia ser resumido assim: Suportem os fardos dos outros e, ao fazer isso, sigam os passos de Cristo, que suportou os de vocês.

 

5. O autoconhecimento do evangelho. (v.3,4)

 

No entanto, não conseguiremos suportar os fardos uns dos outros a menos que tenhamos UMA VISÃO APROPRIADA DE NÓS MESMOS, baseada no evangelho. Os versículos 3-5 são, em essência, uma discussão curiosa sobre humildade e orgulho.

 

O versículo 3 começa com "pois"; ou seja, se você cometer o erro delineado aqui, não será capaz de levar o fardo de ninguém, como manda o versículo 2.

 

Portanto, "se alguém pensa ser importante, não sendo nada" (v. 3), com certeza se considera em posição elevada demais para ter coração de servo, para olhar à sua volta, notar os fardos alheios e ajudar as pessoas a carregá-los.

 

Trata-se de uma advertência dura, e não deveríamos RELATIVIZAR a declaração de Paulo de que não somos "NADA". Naturalmente, o cristão vive cheio de esperança e confiança, mas isso em razão de Cristo.

 

Como o próprio Jesus disse: "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5). É necessário ter a humildade centrada em Cristo para suportar os fardos alheios.

 

Entretanto, existe um "ORGULHO SOMENTE EM SI MESMO" legítimo que o cristão pode ter (v. 4). De nos avaliar de forma correta, como realmente Deus nos avalia.

 

Ele é completamente diferente do orgulho prepotente da superioridade ou da inferioridade, que faz de nós e da nossa glória o cenário das nossas motivações e atos.

 

O orgulho moralista ou hedonista leva o cristão a se comparar com os outros (v. 4), num convite para se sentir prepotente ou digno de alguma coisa.

 

Por um lado, podemos realmente não ser muito amorosos, mas, se estivermos rodeados de pessoas EGOÍSTAS, teremos grande orgulho em nosso amor relativo e não buscaremos crescer em amor sincero.

 

Por outro lado, podemos estar vivendo segundo nossas capacidades dadas por Deus, mas, como estamos rodeados de pessoas muito talentosas, ficaremos grandemente desencorajados e não apreciaremos o que Deus nos tem feito e dado.

 

Deveríamos, em vez disso, avaliar o nosso "PRÓPRIO PROCEDIMENTO" (v. 4). Isso quer dizer que precisamos verificar nossas oportunidades (dons e carências, conforme Deus os tem permitido) e nossas reações a elas. Deveríamos nos medir, de certa forma, segundo nós mesmos, na medida em que Deus nos mede.

                                                                                    

6. Leve seu próprio fardo (v.5) “Porque cada qual levará a sua própria carga”.

 

Relacionar o versículo 5 com o 4 ajuda a explicar uma aparente contradição nesse trecho. Como nos seria possível levar "os fardos uns dos outros" (v. 2) quando "cada um carregará o seu próprio fardo" (v. 5)?

 

A resposta está no fato de que existem DOIS TIPOS DE FARDO aqui. O termo grego traduzido como "fardos" no versículo 2 é um “grande peso”, mas, no versículo 5, o termo também traduzido como "fardo" é diferente e se refere a uma espécie de MOCHILA.

 

O versículo 5 fala que Deus tem dado a cada um de nós um conjunto diferente de DIFICULDADES e OPORTUNIDADES, de FRAQUEZAS e de DONS. Esse é o "fardo" que nos pertence — nossa responsabilidade diante de Deus.

 

Portanto, não devemos nos comparar com os outros. Em vez disso, temos de olhar para nossas provações e deveres particulares e reagir a eles em obediência.

 

Se encararmos a vida dessa maneira, julgaremos nosso dia a dia tendo como padrão quem temos sido e quem poderíamos ter sido.

 

Quando virmos progresso, tiraremos dele o orgulho legítimo, sejamos ou não melhores ou piores do que outra pessoa qualquer.

 

Não nos compararemos com alguém que fez menos do que nós (para experimentar o orgulho pretensioso) ou com alguém que fez mais (para sentir desespero ou inveja pretensiosos).

 

Deus nos tem dado um fardo (mochila) diferente para carregar e com o qual podemos servi-lo. Nossa tarefa é carregar o nosso fardo individual, não o de mais ninguém, de modo a agradar a Deus.

 

Se encararmos a vida dessa maneira, seremos tardios em julgar os outros também. E nem vamos cometer o erro de assumir a vida de ninguém, pois cada um é responsável diante de Deus pelo seu fardo.

 

Por exemplo, se virmos alguém impaciente, pensaremos: Não sei que pressões essa pessoa está enfrentando, nem com que nível de autocontrole emocional ela começou. Na verdade, talvez esteja sendo mais obediente a Deus do que eu hoje!

 

Com humildade e gentileza, devemos ajudar os outros em suas tarefas e problemas, com todos os seus fardos.

 

Mas: Há um fardo que não podemos compartilhar e que é nossa responsabilidade para com Deus no dia do julgamento. Naquele dia, você não poderá carregar minha mochila, nem eu a sua.

 

Conclusão: você tem a tendência de ser provocativo ou invejoso? Como seu orgulho se revela em seus relacionamentos?

 

Como o fato de ter uma autoimagem baseada no evangelho pode mudar sua maneira de ver a si mesmo e aos outros? Quando você mais necessita pregar o evangelho para si próprio?

 

Há um pecado habitual do qual você precisa, com toda piedade, ajudar um irmão a se recuperar? Você está disposto a ouvir as pessoas que querem restaurar você?

 

Que oportunidades Deus lhe tem dado de carregar os fardos dos outros? Você não pode esquecer que você responderá pelo seu próprio fardo, e não pela maneira como viveu sua vida comparada com a dos outros?

 

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII

De: 09/10/2017
Por: Jairo Carvalho

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