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Gálatas: O ministério do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas: 4: 8-20

 

INTRODUÇÃO:Esses versículos nos apresentam dois contrastes. Um deles, entre a fé do evangelho e as religiões do mundo (v. 8-11), expressa uma das percepções mais importantes e notáveis do livro inteiro.

 

O outro é entre o ministério do evangelho e o ministério do mundo (v. 12-20) e nos dá esclarecimentos sobre como o evangelho afeta de modo prático nossos relacionamentos com as pessoas.

 

É importante que entendamos esses contrastes e aprendamos a enxergá-los em nossa vida e ao nosso redor. Paulo "teme"(v. 11) e fica "perplexo" (v. 20) ao ver os gálatas fracassarem nesse sentido.

 

I. MINISTÉRIO IMPELIDO PELA IDOLATRIA

 

1. A idolatria da religião bíblica (4:8-11).

Muitos cristãos gálatas tinham adorado nos templos dedicados à adoração de ídolos pagãos e adotado o estilo de vida licencioso e imoral que acompanhava essas religiões.

 

A menos que paremos e pensemos um pouco, os versículos 8-11 parecem uma advertência aos gálatas para não voltarem ao mesmo tipo e estilo de adoração que faziam aos ídolos pagãos.

 

Afinal de contas, antes de conhecerem a Deus, eles costumavam "servir aos que por natureza não são deuses" (v. 8). Agora, Paulo diz: "como podeis voltar para esses princípios elementares E...] aos quais de novo quereis servir?" (v. 9).

 

Então nos lembramos de que todo o propósito de Gálatas consiste na advertência de não adotar um legalismo bíblico. Os falsos mestres não estavam encorajando os cristãos gentios a ignorar a lei de Deus, como faziam em seus dias de pagãos.

 

Antes, eles os estimulavam a adotar toda a lei mosaica do Antigo Testamento, a fim de serem justificados e agradarem a Deus (2.14-16).

 

Em vista disso, Paulo está dizendo que fazer por merecer a própria salvação por meio da moralidade bíblica meticulosa e da religião é escravidão a ídolos tanto quanto o paganismo declarado com todas as suas práticas imorais!

No fim, a religiosidade, a falsa piedade está tão perdida e escravizada quanto o paganismo. Por quê?

 

Ambos tentam ser seu próprio salvador e senhor, mas de maneiras diferentes. Ambos se baseiam nos “rudimentos do mundo” ou "princípios elementares do mundo" (v. 3) — stoichea tou cosmou, os "princípios" do versículo 9, que Paulo qualifica como "fracos e pobres".

 

O que a expressão significa? Com frequência essas palavras em grego antigo se referiam aos elementos do mundo material e visível que compõem a natureza: fogo, água, ar e terra.

 

Também costumavam aludir à crença pagã de que forças espirituais ou deuses estavam por trás desses elementos, através dos quais controlavam a vida e o destino das pessoas.

 

Esses seres precisavam ser adorados e apaziguados. Por isso os agricultores sacrificavam a um deus do tempo, os amantes ao deus da beleza física, e assim por diante.

 

Em 1Coríntios 8.4 e 10.19, Paulo declara com coragem que não há nenhum deus, a não ser o Deus verdadeiro. Zeus, Apolo e Poseidon não existem. Contudo, logo em seguida ele acrescenta: "Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios" (1Co 10.20).

 

E adverte os gálatas de que correm o risco de voltar a ser escravizados por essas coisas que "por natureza não são deuses" (Gl 4.8).

 

Por quê? Porque, embora os "deuses" não existam como tal, podemos nos tornar sujeitos à escravização pelas forças espirituais malignas se adorarmos qualquer outra coisa que não Jesus Cristo.

 

O princípio básico do mundo é que precisamos nos salvar. Adoraremos o que considerarmos necessário para nos realizar, para nos dar "vida", para nos tornar plenos.

 

Paulo, no entanto, está dizendo que qualquer "coisa" básica — pessoas, dinheiro, sexo, trabalho, cultura, viagens, montanhas e assim por diante — podem ser adorados, tratados como deuses e tornar-se a base de nossa religião.

 

E que seremos escravizados por seja lá o que for que adoremos. Isto vai ocupar o lugar do Deus verdadeiro.

 

Por exemplo, se depositarmos nossa maior esperança em adquirir riquezas, seremos controlados e escravizados. Estaremos inteiramente debaixo do poder do dinheiro. Se não conseguirmos ganhá-lo, ficaremos desolados.

 

E, mesmo se juntarmos "o suficiente", o sentimento será de decepção e de querer buscar mais;. Se tratarmos as coisas que não são deuses como se fossem, seremos seus escravos espirituais, emocionais, relacionais.

 

E fazemos isso com todas as coisas. Até mesmo com nossas férias, descanso e o conforto.

 

A Escritura considera “todo expediente” que usamos para nos sentir melhor ou satisfeitos; de outra forma que não seja unicamente em Deus; como: “SALVADORES ALTERNATIVOS”, ou “FUNCIONAIS”; e tudo isso é tentar alcançar a salvação pelas obras e por isso somos escravizados por esses falsos deuses?

 

Temos um número infinito de diferentes maneiras dentre as quais podemos escolher para merecermos nossa salvação através das obras, mesmo que não tenhamos consciência disso e mesmo que não estejamos considerando que estamos tentando adquirir a salvação pelos nossos próprios méritos ou esforços.

 

Mas, seja qual for nossa opção — conquistas, estudo, trabalho, férias, moralidade, religião ou o serviço em prol de nossa família —, ela será convertida por nós em um salvador, portanto, um "deus".

 

A justiça pelas obras sempre cria ídolos; acontece, porém, que os falsos salvadores por ela produzidos — que poder ser a frequência à igreja, o ministério em benefício do próximo, — são coisas que, via de regra, jamais pensaríamos como ídolos.

 

Precisamos sentir a força da ênfase de Paulo na "escravização". Se alguma coisa que não seja Jesus for requisito para nos sentirmos felizes ou dignos, isso se converterá em nosso deus. Sem o evangelho, só podemos estar debaixo da escravidão a um ídolo.

 

O exemplo perfeito disso é o relato de Jesus em Lucas 15 sobre os dois irmãos. Certo pai tinha um filho imoral, mais novo, PRÓDIGO, e um filho mais velho muito correto. Ambos desejavam não o pai, mas o controle da sua riqueza.

 

Ambos viviam INDIFERENTES ao coração do pai. No fim da história, contudo, o filho imoral se arrepende e vai ao encontro do pai, enquanto o correto permanece do lado de fora, com raiva.

 

A bem da verdade, a idolatria e a escravidão da religião são mais perigosas do que as da irreligião, ainda que menos óbvias. A pessoa irreligiosa sabe que está distante de Deus, mas a religiosa, não.

 

Por isso, Paulo "teme" pelos gálatas. Eles estavam adotando a guarda de "dias, meses, tempos e anos" (v. 10) — estavam observando religiosamente (no sentido literal da palavra) todas as festividades e cerimônias do Antigo Testamento.

 

E essa nova escravidão a esses "não deuses" seria pior do que a antiga. Não saberiam que estavam distantes do Pai; pois abandonaram o verdadeiro evangelho.

 

2. A certeza de ser “conhecido”

É fácil deixar passar despercebido, mas Paulo indica aos gálatas, no versículo 9, o retorno a uma relação sadia com o Pai.

 

Ele faz uma comparação entre ser escravo de um ídolo/ deus impessoal e inexistente (v. 8) e conhecer relacionalmente o verdadeiro Deus. Mas, em seguida, parece se corrigir: “agora, porém, que já conheceis a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por ele” (v. 9).

 

Paulo não está dizendo que os gálatas não conhecem a Deus. Todo o mundo que tem a vida eterna conhece a Deus (Jo 17.3), e o apóstolo não questiona se haviam sido revestidos de Cristo (Gl 3.27).

 

A expressão "ou melhor" significa "mais importante que isso". Paulo está dizendo: Como vocês podem voltar para os ídolos se já conhecem a Deus e, mais importante que isso, são conhecidos por ele?

 

O que faz de alguém um cristão não é tanto o fato de conhecer a Deus, mas de ser conhecido por ele. "Conhecer" na Bíblia significa mais do que a ciência intelectual. Conhecer alguém é estabelecer relacionamento pessoal com a pessoa.

 

Portanto, diz Paulo, não é tanto seu afeto e amor por Deus, mas, sim, o afeto e amor dele por você que faz de você um cristão. Em 1Coríntios 8.3, ele afirma que qualquer um que ame a Deus o faz porque Deus o conhece.

 

Ou seja, Deus derramou seu amor sobre nós em Jesus. O conhecimento que temos de Deus aumenta e diminui de acordo com várias coisas. Mas o conhecimento que Deus tem de nós é absolutamente determinado e sólido ele não muda.

 

Por que isso serve de antídoto para a idolatria? Porque, Cristãos que não têm certeza de serem amados e aceitos por Deus em Jesus, independentemente de suas realizações espirituais; acreditam que podem fazer algo para serem aceitos e mais amados por Deus.

 

Essa insegurança é demonstrada pelo orgulho que é marcada por atitudes defensivas: o desejo insaciável de AUTOACEITAÇÃO E AUTOAFIRMAÇÃO da própria retidão; e pela voraz censura dos outros, através da maledicência e a discriminação dos outros.

 

Essas pessoas estão agarradas desesperadamente a autojustiça, mas na verdade sua insegurança básica brota da soberba, inveja, ciúmes, insubmissão, e outros pecados.

 

Ou seja, nossa insegurança quanto a sermos ou não aceitos por Deus é a razão pela qual fabricamos ídolos.

 

Olhamos para o conhecimento que temos dele (muito variável e limitado), e não para o conhecimento que ele tem de nós em Cristo. Aflitos e inseguros  tentamos consolidar uma AUTOIMAGEM POSITIVA nós mesmos, com o uso de nossos ídolos.

 

Paulo lembra que o evangelho mostra que não precisamos nos fazer belos ou dignos para sermos amados por Deus; ele já nos conhece como pecadores, deus não se impressiona em nada com nossas realizações.

 

Por isso, não precisamos criar um ídolo a partir da “NECESSIDADE APROVAÇÃO ALHEIA”; ou mesmo de nossa própria aprovação. O que acabo de dizer encontra-se em 1Coríntios 4.3,4.

 

Nesse texto, Paulo não só afirma que não se importa com a avaliação dos outros a respeito de sua pessoa e do seu ministério, e que nem tampouco se interessa por sua própria avaliação de si mesmo. Antes, tudo que conta é a avaliação que Deus faz dele, e como Deus o julga.

 

A carta aos gálatas inteira tem a ver com o fato de que, em Jesus Cristo, o juízo de Deus é de que estamos justificados; somos considerados por Deus completamente perfeitos e justos.

 

Assim, quando colocamos Gálatas ao lado de 1Coríntios 4, vemos que a visão de Paulo de si mesmo consiste em dizer: Como Deus me conhece e vê Cristo quando olha para mim, não me importo com o que você pensa a meu respeito, nem mesmo com o que eu penso.

 

O grande fundamento da certeza cristã não é quanto do nosso coração está voltado para Deus, ou quanto eu amo a Deus, mas quão inabalável é o coração dele voltado para nós.

 

Se começarmos a entender que somos "conhecidos por Deus", não buscaremos amparar nossa AUTOIMAGEM em nossas obras, nem comparecermos diante dele baseados nelas. Não adoraremos nenhum ídolo — amaremos a Deus, àquele que nos conhece.

 

Como nos apropriamos dessa verdade? Hudson Taylor, missionário do século 19 na China, tinha um pedaço de papel que ele mudava de lugar todos os dias em sua agenda, de modo que, quaisquer que fossem os seus demais compromissos para aquele dia, sempre lesse isso:

 

Senhor Jesus, faça-se para mim uma realidade viva. Mais presente para a aguçada visão da fé do que parecem meus objetos exteriores. Mais querido, mais intimamente próximo até do que o mais doce laço terreno.

 

Se conhecemos Jesus e sabemos que ele nos conhece, desfrutaremos dele e empurraremos para longe os ídolos controladores.

 

II. MINISTÉRIO IMPELIDO PELO EVANGELHO.

 

1. O ministério do evangelho. (4:12-20).

Paulo foi um homem que se entregou ao ministério. Embora os dois primeiros capítulos autobiográficos da carta que escreveu aos gálatas se refiram a um período anterior a sua ida à Galácia, em 4.12-20 temos uma ideia de como ele plantou uma igreja naquele lugar.

 

Ao tratar desse assunto, Paulo se volta para o passado, para o tempo em que seu ministério do evangelho florescia na Galácia e o relacionamento entre ele e os jovens cristãos dali era sadio.

 

Ou seja, há muita coisa aqui para aprendermos sobre o ministério do evangelho e os relacionamentos no cenário em que nos encontramos hoje.

 

Primeiro, o ministério do evangelho é culturalmente flexível: "me tornei como vós" (v. 12). O ministério impulsionado pelo evangelho é flexível e adaptável em relação a tudo, desde que o evangelho seja preservado.

 

Ele não se deixa prender por particularidades culturais e de costumes. Seus líderes podem chegar e viver de verdade entre o povo que estão buscando alcançar, adotando seus costumes e amando-os.

 

Uma das marcas registradas da mentalidade legalista, seguidora da justificação pelas obras, é sua inflexibilidade e obsessão pelos detalhes.

 

Paulo é o modelo de alguém que se aproxima de verdade e entra na vida daqueles a quem procura alcançar, como Cristo fez em sua ENCARNAÇÃO. Paulo não só os conhecia pessoalmente como viveu com eles, comeu com eles, brincou com eles, conversou e caminhou com eles.

 

Aprendeu a conhecer-lhes o mundo dos gálatas e a viver nele de forma a apreciá-lo, mesmo não sendo o seu mundo já que era judeu.

 

Entrou tanto quanto pôde nos questionamentos e problemas daquelas pessoas, em suas esperanças, receios e sensibilidades, e CONTEXTUALIZOU VIDA, discurso e mensagem a elas, sem, é claro, alterar o conteúdo evangelho em si.

 

Segundo, o ministério do evangelho é transparente: "que vos torneis como eu" (v. 12). Paulo era tão aberto acerca de seu próprio coração e tão coerente em sua vida, que conseguia convidar os gálatas a imitá-lo.

 

Nossas palavras não são suficientes (e talvez nem sejam o mais importante) para convencer os outros sobre a verdade de Cristo.

 

As pessoas têm de olhar dentro do nosso coração e vida, avaliar como lidamos com os problemas, com a decepção e as interrupções, como conduzimos nossos relacionamentos, como nos sentimos e agimos, de modo a conseguir ver se Cristo é real e de que maneira o evangelho afeta o dia a dia de uma vida humana.

 

Via de regra, encontramos fé principalmente por meio de relacionamentos com cristãos alegres, imperfeitos, mas sinceros, não por meio de argumentos, informações e livros.

 

Terceiro, o ministério do evangelho procura oportunidades na adversidade. O evangelho usa os nossos Problemas e os transformam em possibilidades. "Foi por causa de uma enfermidade física", ele lembra os gálatas, "que vos anunciei o evangelho pela primeira vez" (v. 13).

 

Isso deve significar, é bem provável, que ele esteve na Galácia ou em razão de um desvio do itinerário traçado ou de um atraso na agenda. De um jeito ou de outro, ele não planejava pregar-lhes o evangelho. Mas a enfermidade fez com que isso acontecesse.

 

2. Deus e o sofrimento

Aqui cabe uma pequena digressão, pois estamos sendo confrontados com uma das partes mais desafiadoras e perturbadoras do ensino cristão: que Deus admite o sofrimento e as dificuldades do mundo na vida dos cristãos.

 

Romanos 8.28 faz questão de dizer que "Deus faz com que todas as coisas [agradáveis e dolorosas] concorram para o bem daqueles que o amam".

 

Neste caso, centenas de vidas foram transformadas porque Deus permitiu que uma dolorosa enfermidade se abatesse sobre Paulo. Aqui também temos um exemplo de como Deus frustrou planos bem traçados a fim de proporcionar um bem enorme, embora em meio a sofrimento.

 

Deus não promete abençoar os cristãos afastando o sofrimento, mas através do sofrimento. Jesus sofreu não para que pudéssemos não sofrer, mas para que em nosso sofrimento nos tornássemos como ele.

 

Deus usa o sofrimento para promover o bem. Às vezes isso envolve circunstâncias — a enfermidade de Paulo lhe trouxe muitos novos amigos e um ministério bem-sucedido na Galácia —, outras vezes o "bem" que Deus opera é em nosso caráter.

 

Em 2Coríntios 12.7-10, Paulo fala sobre um grande, anônimo e doloroso "espinho" que Deus não removeria, apesar de suas repetidas orações.

 

Mas ele diz que o "espinho" tinha o bem como intuito, porque o mantivera humilde (v. 7: "para que eu não me tornasse arrogante") e o fortalecera (v. 9: "a fim de que o poder de Cristo repouse sobre mim").

 

A dor implacável e o senso de fraqueza (qualquer que seja a causa) levaram Paulo à dependência mais profunda e à visão da suficiência da graça (v. 9: "a minha graça te é suficiente").

 

Esse também é um excelente lembrete de que o ministério não acontece em estrita conformidade com o plano humano. Paulo não incluíra a Galácia em suas sessões de PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, mas Deus o conduzira até ali.

 

Ora, não podemos deduzir desse texto que o planejamento estratégico é errado; Paulo não se arrependeu nem parou de traçar planos para as suas viagens missionárias! Vemos, por exemplo, que ele continuou a ter como alvo, para alcançar uma região, a maior cidade de cada uma delas.

 

Devemos usar nossa sabedoria para fazer planos. Temos de ser mordomos de nosso tempo e recursos e planejar usá-los de tal forma que pareçam produzir os melhores frutos. Mas o trecho em análise ensina que devemos ser bem descontraídos e deixar Deus editar nossos planos à vontade.

 

Quando iniciamos um estudo bíblico visando a determinadas pessoas, é possível que encontremos um grupo completamente diferente sendo alcançado.

 

Ao divulgar um evento, podemos acabar descobrindo que a maioria das pessoas cujas vidas foram transformadas veio por alguma estranha coincidência ou por influência de uma conversa casual muito remota com um estranho, e assim por diante.

 

A maioria de nós é capaz de apresentar ilustrações pessoais de como Deus operou em nossa vida ou na vida de outros ao nosso redor por meio de erros, "desastres", problemas e planos frustrados, com frequência muito mais do que por meio de nossos atos e metas deliberados.

 

3. A verdade um inimigo?

Os gálatas haviam recebido Paulo com grande afeto. Teria sido muito fácil tratá-lo com desprezo e rejeição, talvez porque sua enfermidade o desfigurasse. Em vez disso, eles o acolheram "como se eu fosse um anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus" (v. 14).

 

Mas agora temos uma grande reviravolta. A alegria e satisfação que costumavam sentir por ele se fora: "Onde está aquela vossa alegria?" (v. 15).

 

Os gálatas começavam a enxergar em Paulo um agente hostil. Quando ele diz "Será que me tornei vosso inimigo?" (v. 16), insinua que eles estavam começando a tratá-lo como um inimigo.

 

Aconteceram hostilidades devido às doutrinas da fé e das boas obras apresentadas na carta. Como Paulo lhes dissera "a verdade", a amizade deles esfriou drasticamente, ao ponto dos crentes tratarem-no como se fosse um inimigo.

 

Paulo faz uma abordagem pastoral nos versículos 12-16; para lhes mostrar que, embora ele não tivesse alterado sua mensagem ou ministério, a reação da igreja para com ele mudou.

 

Pois agora estavam sob a influência de ministros que tinham uma mensagem muito diferente da dele, por terem objetivos e recursos muito diferentes.

 

4. O zelo idolatra.

O objetivo dos falsos mestres é "para que mostreis interesse pessoal por eles" (v. 17). A NVI traz "a fim de que vocês também mostrem zelo por eles".

 

A expressão "zelo por eles" tenta expressar uma palavra que, no sentido literal, significa "desenvolver" ou "inchar".

 

Ela é mais bem traduzida como: Eles são lisonjeiros e os tratam como se vocês tivessem grande importância, para que assim os lisonjeiem e tratem como se tivessem também grande importância.

 

Um ministério impelido pelo evangelho não precisa ter FÃS EMOCIONALMENTE dependentes dos líderes. Busca simplesmente agradar a Deus, confiante na salvação pela fé.

 

Os falsos mestres, por sua vez, estão ministrando não porque tenham certeza da salvação, mas a fim de se certificarem da própria salvação e conquistá-la.

 

Assim como convidam os gálatas a fazer por merecer sua salvação através de obras, também estão fazendo por merecer a própria salvação através de obras — a salvação pelo ministério produzindo:

 

(a) Servidão emocional:Isso quer dizer que precisam, no nível das emoções, ter quem precise deles emocionalmente. Necessitam que seus convertidos e seus discípulos vivam envolvidos por todos os lados com seus lideres, obedecendo-lhes e adorando-os.

 

São lideres mal resolvidos, que precisam AUTO-ASSEGURAREM de que assim são crentes bons e grandiosos, abençoados de fato e favorecidos por Deus, pois as pessoas são dependentes deles.

 

Esse objetivo afeta os recursos que usam. Querem "que vocês também mostrem zelo por eles" (v. 17).

 

Isso é o mesmo que dizer: Eles falam o que vocês querem ouvir; fazem cócegas em seus ouvidos, patrocinando a satisfação dos desejos escusos que vocês acalentam, a fim de conquistar sua lealdade.

Não há nada errado com o ZELO em si; o que determina se ele é bom ou ruim é se há "boas intenções". Os falsos mestres querem ser edificados pela edificação dos gálatas — não no evangelho, mas no orgulho e na justiça própria.

 

Um líder pode se embrenhar, em jejuns prolongados, e praticas devocionais rígidas, em longo tempo de oração, não para se humilhar diante de Deus, mas para receber poder de Deus, a fim de ministrar aos outros, e com isso serem reconhecidos, visto como super-espirituais, e atrair pessoas a si mesmos.

 

5. O zelo do evangelho (v.19)

O objetivo de Paulo está no versículo 19: ele se sente agoniado "até que Cristo seja formado em vós". Paulo no versículo 12 diz, para que "vos torneis como eu", ele só está sendo um exemplo para os gálatas, a fim de que sejam transformados à imagem de Cristo.

 

Agora Paulo não diz "como eu", mas "vos torneis como eu". Não está tentando arrebanhar fãs, mas conseguir pessoas que sigam Cristo como ele. Não quer que as pessoas se tornem dependentes dele, mas de Cristo.

 

Por isso, Paulo usa a imagem do trabalho aqui. Como uma mãe, ele trabalha com "dores de parto" por seus discípulos. A mãe em trabalho de parto fica desesperada para que seu filho saia e viva sua independência!

 

O filho se desenvolve dentro da mãe. A mãe deve sofrer a fim de dar vida ao filho, mas isso não significa que ela queira que o filho permaneça em seu ventre. Trata-se de uma imagem extraordinária do ministério sadio, fundamentado no evangelho.

 

Os falsos mestres desejam seguidores que os glorifiquem; Paulo quer parceiros que glorifiquem a Deus. E isso direciona os meios ao seu objetivo. Diferente de seus oponentes, Paulo não diz aos gálatas o que gostariam de ouvir.

 

Paulo fala “a verdade” (v. 16) e é desprezado por isso. Adoraria poder ser afirmativo e gentil, ele até queria ter a oportunidade de "mudar o tom da minha voz" (v. 20), a fim de agradar os Gálatas, como fazia os falsos mestres.

 

Mas prefere apresentar o evangelho como ele é, do que receber louvor dos homens. Afinal de contas, é o evangelho que leva as pessoas à dependência de Cristo, é o evangelho que vai moldar o caráter das pessoas à semelhança de Cristo e isto resulta no louvor a Cristo.

 

O evangelho nos liberta da NECESSIDADE DA APROVAÇÃO HUMANA E DA IDOLATRIA DA ADMIRAÇÃO DOS OUTROS, de modo que podemos confrontar as pessoas em seus pecados, e isto vai irritar as pessoas que amamos, mas isto é o melhor para elas.

 

Embora nem sempre funcione; as pessoas não suportam serem confrontadas em seus pecados, elas não querem ser contrariadas em sua vontade e em seus conceitos, mas esse é O ÚNICO “TIPO DE COMUNICAÇÃO” que transforma de fato as pessoas.

 

Se você ama alguém de maneira tão egoísta que não consegue correr o risco de se expor à sua raiva, jamais lhe dirá a verdade que ela precisa ouvir.

 

Se, por outro lado, dizemos a uma pessoa a verdade que ela necessita ouvir; com firmeza, mas e sem a angústia de quem ama, sem lagrimas nos olhos; elas não nos darão ouvidos.

 

Se, no entanto, ao falar a verdade, seu discurso embora duro, for acompanhado do verdadeiro amor, há grande probabilidade de que ele penetre o coração das pessoas e as cure.

 

CONCLUSÃO: O ministério fundamentado no evangelho é marcado pela sinceridade amorosa, não pela distorção dos fatos, e nem pela preocupação com a imagem e nem pela adulação.

 

Esse tipo de ministério do evangelho é oneroso para o ministro sincero. Nem sempre é fácil para quem está recebendo a ministração. Mas baseia-se na verdade, aponta para Cristo e vale a pena, por toda a eternidade.

 

Faríamos bem em imitar Paulo no modo como ministramos uns aos outros e no amor e gratidão que demonstramos àqueles que nos amam o suficiente para ministrar a nós como Paulo fez aos gálatas. Mesmo doente, não deixou de pregar o evangelho.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 31/05/2017
Por: Jairo Carvalho



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