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Gálatas: O evangelho para fracassados

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas: 4:21-31

 

INTRODUÇÃO: Esses versículos são explosivos. Concluem os temas que Paulo vem destacando desde a metade do capítulo 2. A ideia que ele defende aqui é não apenas que o evangelho converte qualquer um em filho de Deus, mas que os mais orgulhosos, os que se acham corretos e religiosamente "aptos" costumam ser os que ficam de fora da família de Deus. O evangelho subverte os valores do mundo.

 

I. O RELACIONAMENTO COM A LEI.

 

1. Quatro tipos de pessoas.

Paulo agora se dirige a "vós, que quereis ficar debaixo da lei" (v. 21). Ele olha bem nos olhos (por assim dizer) dos gálatas cristãos que se deixaram convencer da necessidade de acrescentar o próprio desempenho ao de Cristo se quisessem ser aceitáveis a Deus.

 

Como vimos anteriormente, Paulo não se refere à obediência à lei aqui. Estar "debaixo da lei" significa depender da lei para se apresentar diante de Deus. Portanto, essa é uma mensagem que desafiaria o povo religioso de modo particular.

 

Há muito disso hoje. Não são os judeus ou os judaizantes aqueles para quem Paulo está escrevendo, mas para as pessoas cuja religião é LEGALISTA e baseada no próprio esforço humano, que imaginam que o caminho para Deus passa pela unicamente pela observância de determinadas regras.

 

São indivíduos que transformam o evangelho em lei e supõe que o relacionamento com Deus depende de uma obediência restrita a regulamentos, tradições e cerimonias. São até crentes professos, mas vivem escravizados por esses preceitos.

 

Há quatro formas das pessoas se relacionarem com a LEI. Ou seja, existem quatro tipos de pessoas no mundo:

 

(a) As que obedecem a lei e dela dependem.Essas pessoas estão debaixo da lei e costumam ser rigorosas, presunçosas, moralistas e superiores e dão uma extremada ênfase na aparência, para eles a autoimagem é tudo.

 

Por fora, têm grande certeza de que se acertaram com Deus, mas, no fundo, no intimo experimentam grande insegurança, uma vez que ninguém pode ter plena certeza de viver à altura do padrão exigido.

 

Isso as deixa melindrosas; sensíveis à crítica e arrasadas, e decepcionadas quando suas orações não são respondidas ou quando enfrentam as dificuldades.

Nesse tipo se incluem membros de outras religiões, mas estou pensando basicamente nas pessoas que vão à igreja. Esses crentes têm muito em comum com os FARISEUS da época de Jesus. São crentes FARISEUS.

(b) As que desobedecem à lei e dela dependem. São as pessoas dotadas de uma consciência religiosa de forte justificação pelas obras, mas que não vivem de maneira coerente com isso, elas falam uma coisa e fazem outra. Pregam uma coisa e vive outra totalmente diferente.

 

Embora sejam mais humildes e tolerantes com os outros do que os "fariseus" anteriores, são crentes que vivem sempre assolados pela culpa, sujeitos a oscilações de humor; e às vezes são bastante receosos ou indiferentes aos assuntos religiosos.

 

Alguns são membros de igreja e alguns podem até ir à igreja, neste grupo se encaixam perfeitamente a maioria dos DESIGREJADOS, que permanecem sempre na periferia, são cheios de suspeitas, desconfiam das instituições, são superficiais devido à sua baixa autoestima. São CRENTES NOMINAIS.

 

(c) As que desobedecem à lei e dela não dependem. São as que descartaram o conceito de lei de Deus. São intelectualmente seculares ou RELATIVISTAS, LIBERAIS. Eles têm uma espiritualidade muito vaga e fútil.

 

Não gostam de regras e preceitos, são SUBJETIVISTAS; ou seja; andam segundo os seus próprios padrões de verdade. Escolhem a maior parte dos próprios padrões morais e depois insistem em afirmar que os cumprem.

 

Mas Paulo, em Romanos 1.18-20, diz que, no nível do subconsciente, elas sabem que existe um Deus a quem deveriam obedecer. Tais pessoas costumam ser “aparentemente” mais felizes e tolerantes do que as de qualquer um dos grupos anteriores.

 

No entanto, entre elas há sempre um forte sentimento de justiça própria liberal. Fazem por merecer a própria salvação sentindo-se superiores aos outros. Esse é só um tipo menos óbvio de justiça própria. Normalmente são CRENTES MUNDANOS.

 

(d) As que obedecem à lei e dela não dependem.Há cristãos que compreendem o evangelho e vivem da liberdade que ele proporciona. Eles obedecem à lei de Deus, mas não dependem dela para serem JUSTIFICADOS.

 

Obedecem à lei de Deus pela grata alegria resultante do conhecimento de sua condição de filhos e são livres do medo e do egoísmo que os falsos ídolos geram no coração das pessoas.

 

Por isso não são intolerantes com as pessoas como são os FARIZEUS, não vivem medindo as pessoas pela aparência, e entendem que foram alvos da graça, que agora devem tratar os outros com esta mesma graça.

 

São movidos pela verdadeira confiança no evangelho e tomados pelo amor abnegado, pelas pessoas, diferente dos crentes NOMINAIS. São movidos pelo temor de Deus, e amam a SANTIDADE, e não vivem como o mundo; por isso são totalmente diferentes dos crentes MUNDANOS E LIBERAIS.

 

Na verdade os três primeiros grupos, lutam para ser como os praticantes do tipo 4, mais devido aos seus PRECONCEITOS desenvolvem uma falsa piedade e na proporção que fazem isso, são cada vez mais espiritualmente pobres e cegos.

 

2. Debaixo da lei? Ouçam a lei! (v.21) “Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?”

A questão no versículo 21 mostra a contradição dos que se propõe a confiar na lei; Paulo mostrar aos que confiam que essa posição destrói a própria natureza da lei.

 

Eles querem ficar debaixo da lei, mas se eles dessem ouvidos a lei, eles não haveriam de querer estar!  Paulo está dizendo que: A mesma lei que vocês dizem que seguem os contradiz.

 

Ela mesma condena o condena o tipo de confiança que vocês tem nela. Ela diz:  eu não JUSTIFICO a ninguém, eu os condeno. A lei foi dada não para salvar, mas para mostrar a necessidade de um salvador.

 

Paulo recorre à história de Agar e Sara, para explicar claramente essa verdade extraordinária da Escritura. Parece que essa historia havia sido citada também pelos pastores que se apuam ao ensino de Paulo; dizendo para os gálatas: Vocês não são filhos de Abraão de verdade, a menos que obedeçam a toda a lei de Moisés.

 

Paulo vira o jogo contra eles lembrando-os de que "Abraão teve dois filhos, UM DA ESCRAVA, OUTRO DA LIVRE" (v. 22). Portanto, há duas maneiras de ser parente de Abraão, uma certa e a outra errada. Uma livre e outra na escravidão.

 

É um argumento brilhante. A questão básica dos falsos mestres era: Sim, é bom que vocês creiam em Cristo, mas terão de obedecer à lei inteira para que possam ser considerados filhos de Abraão.

 

A ideia básica defendida por Paulo é: No momento em que CRERAM EM CRISTO, vocês foram feitos filhos de Abraão, herdeiros de todas as promessas de Deus! E no momento em que começam a se considerar obrigados a obedecer à lei inteira, não são filhos de Abraão de jeito nenhum! Vocês são escravos.

 

3. Aprendendo com Agar. (vv.22,23)

Abraão teve dois filhos, Ismael e Isaque, de duas mulheres diferentes. Eles nasceram em circunstâncias muito diversas, essa informação é crucial para entender a tese que Paulo está defendendo.

 

Deus prometera fornecer um herdeiro a Abraão que viveria na terra que ele lhe haveria de mostrar (Gn 12.1-4; 15.4,5). Acontece que Abraão estava velho, sua mulher, Sara, era estéril, e ele vivera nessa terra mais de uma década sem filhos.

 

Por isso, Sara sugeriu que o marido dormisse com a serva dela, Agar, para que pudessem "ter filhos por meio dela" (Gn 16.1,2). Abraão concordou, Agar concebeu (v. 4) e Ismael nasceu (v. 15).

 

Passados 14 ANOS, quando Abraão já contava CEM ANOS, teve outro filho, dessa vez da ESPOSA ESTÉRIL. (Gn 21.1-3) diz "O SENHOR [...] fez-lhe como havia prometido. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice. [...] Abraão pôs o nome de Isaque no filho que lhe nasceu, que Sara lhe tinha dado".

 

Observe a repetição que a Escritura faz em (Gn. 21.3) do nome "Sara"; ele quer deixar muito claro para nós que Isaque é o filho de Sara, a mulher estéril, sem filhos!

 

Paulo resume as diferenças entre os dois nascimentos ao afirmar em:  (Gl 4.23). "O que era filho da escrava nasceu “SEGUNDO A CARNE”, mas o que era da livre, mediante uma promessa".

 

Abraão tinha consciência de que teria um filho que seria seu herdeiro e perpetuador da linhagem responsável por trazer a salvação ao mundo. Mas como esse filho haveria de nascer?

 

Sara era estéril e muito velha, com mais de 90 anos; com o ventre amortecido, seria necessário um ato extraordinário, sobrenatural, de Deus para um filho chegar dessa forma.

No entanto, a serva Agar era jovem; bonita, saudável e fértil. Pelos costumes da época, seria perfeitamente legal ter um filho por seu intermédio (mesmo que não estivesse de acordo com a vontade de Deus; veja Gn 2.24).

 

Abraão resolveu não contar com os atos sobrenaturais de Deus para conseguir seu filho, ele colocou sua confiança em seus próprios méritos.  Por isso, decidiu ter um filho mediante realização humana, mostrando que era capaz de ter um filho com Agar, que foi fruto da incredulidade de Abraão; nasceu “segundo a carne”, sem a ajuda de Deus.

 

4. A inversão controversa (vv.24, 25)

Os judeus sabiam que eram filhos de Abraão, descendentes dele por meio de Isaque e herdeiros das promessas de Deus. Seus antepassados tinham recebido a lei de Deus no monte Sinai; sua nação girava em torno de Jerusalém e do templo.

 

Aqueles Pastores que se opunham ao ensino de Paulo andavam dizendo aos cristãos gálatas gentios que para serem verdadeiros filhos de Abraão, herdeiros das promessas, eles precisavam viver como os judeus.

 

As palavras de Paulo nos versículos 24,25 são incendiárias! Observe a que ele associa Agar: "Essas mulheres simbolizam duas alianças. Uma é a ALIANÇA DO MONTE SINAI, QUE DÁ À LUZ FILHOS PARA A ESCRAVIDÃO: esta é Agar. Agar representa o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, pois é escrava com seus filhos".

 

Paulo afirma com muita clareza que Agar e seu filho, Ismael, representam a aliança da lei do Sinai e a cidade terrena de Jerusalém, a qual, em termos genéricos, consiste de pessoas que não compreenderam o evangelho de Cristo e que vivem uma religião legalista, como é judaísmo. Essas pessoas encontram-se em escravidão (v. 25), pois estão debaixo da lei.

 

Paulo estabelece ligação entre várias coisas ao mesmo tempo: a aliança do Sinai ou da lei; a presente Jerusalém; Agar; e todos que fazem da lei o meio de justificação perante Deus e o princípio essencial da vida.

 

Essa tem sido a ideia defendida por Paulo ao longo dos capítulos 3 e 4. No entanto, de maneira brilhante e com grande dramaticidade, ele volta a apresentá-la agora por meio de um elo surpreendente com Agar e Sara.

 

Paulo desejava que quem estava dando ouvidos aos Pastores que se opunham ao seu ensino, para que sentisse a plena força de sua percepção de que Agar, não Sara, "corresponde à Jerusalém atual" (v. 25), ou seja a servidão da lei.

 

Dormindo com Agar, Abraão escolheu confiar em suas próprias capacidades. Optara por "trabalhar", como seu “próprio esforço” e ganhar seu filho. Ele agiu por fé, mas a fé que depositava em si mesmo, como seu próprio "SALVADOR ALTERNATIVO".

 

Com Agar o resultado imediato foi dor, ruina e desastre! Sara encheu-se de um ciúme terrível de Agar e a família foi arruinada por divisão e tristeza (Gn 16.4-14; 21.8-21). Isso não surpreende, uma vez que a Bíblia invariavelmente condena a POLIGAMIA e o costume de ter CONCUBINAS.

 

Como sabemos, mesmo que Deus tenha cuidado de Agar e Ismael, (Gn. 16.7-12; 21.17,18); Ele nunca disse que sua promessa se cumpriria através desse filho de Abraão: a proposta de AUTOSSALVAÇÃO de Abraão fracassou.

 

No decorrer da história, brigas e guerras entre os descendentes de Isaque e Ismael se sucederam. Por tradição, Ismael é o pai dos povos árabes; por isso, Paulo se refere ao "monte Sinai na Arábia" (v. 25): pessoas que se fiam na lei ("monte Sinai"), que estão fora do povo de Deus ("Arábia"). Mas Isaque foi o pai dos judeus.

 

Abraão não dependeu da graça de Deus proveniente de sua ação sobrenatural na história, mas confiou na própria capacidade. Quando não descansamos em Deus e, em vez disso, buscamos fazer o papel de nosso próprio salvador, o resultado é destruição e desintegração espiritual, psicológica e relacional.

 

Embora os oponentes de Paulo se considerassem, com orgulho, descendentes de Abraão por meio de Sara e Isaque, Paulo afirma que, espiritualmente, descendiam da escrava, dos gentios, dos reprovados.

 

O coração deles e a maneira como abordam Deus são comparáveis a Abraão com Agar, e o fruto de suas vidas, era só mais ESCRAVIDÃO! Apesar de serem parentes de Sara, mas espiritualmente na alma e no coração eles são como o povo que desprezam a Deus.

 

Eles estavam confiando na própria capacidade, em vez de na graça sobrenatural de Deus. Disto aprendemos uma lição: As pessoas mais religiosas podem ser as mais distantes da liberdade.

 

 

 

 

 

II.  O EVANGELHO: GRAÇA COM A ESTÉRIL.

 

1. Uma alegoria do evangelho (v.24).

Paulo usa a história de Abraão, Agar e Sara apenas como uma ALEGORIA. Algumas pessoas ficam incomodadas por Agar (na história real, uma vítima inocente) representar algo negativo em Gálatas 4, ao passo que Sara (na história real, uma colaboradora incrédula de Abraão) representa algo positivo.

 

Precisamos nos lembrar, contudo, que o próprio Paulo ressalta: "isso é uma alegoria" (v. 24). Em outras palavras, embora devamos ler o relato como uma história verídica e com ele aprender lições teológicas e morais, não é o que Paulo está fazendo aqui.

 

Ele considera essa história uma ilustração muito boa e simbólica da graça e das obras. Não que tenha deixado de considerá-la um fato histórico. Apenas quer usá-la como ilustração, de uma verdade bíblica. Como vimos, quer usá-la para virar o jogo contra seus oponentes.

 

Nesse sentido restrito, figurado, o filho de Agar representa a busca da salvação pelas obras, e Sara, a dependência da salvação pela graça divina.

 

De fato, trata-se de uma analogia interessante. Evangelho é não tentar alcançar uma justiça que nossas capacidades podem desenvolver. Antes, devemos receber a justificação por meio de atos sobrenaturais de Deus na história — o nascimento miraculoso de Cristo, sua morte que levou consigo o pecado e sua ressurreição que venceu a morte.

 

Precisamos depender de Deus, como Abraão acabou mais tarde aprendendo que precisava da obra milagrosa de Deus para lhe prover um filho e herdeiro.

 

Assim como Abraão teve de mudar o foco de sua fé — tirando-o do esforço próprio e colocando-o na obra sobrenatural de Deus—, os cristãos gálatas precisavam voltar os olhos para a obra de Cristo, desviando-os dos esforços próprios no sentido de guardar a lei.

 

Portanto, Sara, a mulher "livre", cujo filho "nasceu [...] mediante uma promessa" (v. 23), nada tem a ver com a Jerusalém terrena, que rejeitou a graça, mas com "a Jerusalém do alto [que] é livre".

 

No sentido em que “SIMBOLIZA” aqueles que aprenderam a abrir mão das tentativas de alcançar a salvação e a deixar que Deus os salve, ela "é a nossa mãe" (v. 26). A "cidade-mãe" era o lugar onde o indivíduo se sentia em casa, um cidadão, com direitos.

 

Portanto, Sara = céu = mãe dos cristãos. O céu, neste exato momento, é nosso lar, ao qual pertencem os cristãos.

 

2. Graça para com a estéril (v.27)

Paulo agora demonstra que o evangelho da "graça para com a estéril" não surge apenas de sua proposta de leitura figurada da história de Agar e Sara; trata-se do evangelho que permeia as Escrituras do Antigo Testamento.

 

Por isso, ele cita Isaías 54.1 no versículo 27: "Os filhos da abandonada/desprezada/solitária são mais numerosos do que os da que tem marido".

 

No contexto original, essa palavra profética fora dirigida aos exilados judeus na Babilônia, por volta de 1200 anos depois da época de Abraão e 600 anos antes da de Paulo. Os israelitas remanescentes achavam que sua vida como nação chegara ao fim, que jamais voltariam para casa nem teriam um país próprio outra vez.

 

Estavam fracassados, frágeis e impotentes (o Exílio era um castigo), enquanto outras nações pareciam fortes, prosperas e hábeis. Mas Deus lhes diz por intermédio de Isaías:

 

Agora que vocês estão impotentes, verão que é na vida dos fracos que minha graça opera! O forte vive ocupado demais confiando em si mesmo. Tornarei vocês numerosos e grandes.

 

A profecia de Isaías se reporta a Gênesis 16; quando Deus olha para duas mulheres, uma jovem, bela e fértil, a outra estéril e velha e desprezada, e escolhe salvar o mundo através da estéril.

 

Por intermédio da família dessa mulher desprezada; chegaria OUTRO FILHO IMPROVÁVEL, nascido de outra mulher sem expectativa nenhuma de engravidar. Não porque fosse estéril, mas porque era virgem. Através desse Filho, todos os povos do mundo seriam abençoados, como Deus prometera a Abraão e Sara. Assim opera a graça de Deus.

 

Agora Paulo toma a mesma história que Isaías usou e lhe dá uma aplicação ainda mais completa e maravilhosa.

Os gálatas estão sendo "massacrados", falando no sentido espiritual, pelos falsos mestres. Vocês fracassaram não guardando a lei, não se esforçando para agradar a Deus.

 

Paulo então vira o jogo e consola os gálatas de maneira poderosa. Vocês são filhos da "mulher estéril" e não da “escrava”.

 

Se a salvação é pelos nossos próprios méritos, então só a "fértil" pode ter "filhos"; só os moralmente aptos e fortes, só as pessoas de boa família, os que têm uma ficha limpa têm condições de ser espiritualmente frutíferos, usufruir do amor e alegria de Deus e transformar a vida de outros.

 

Se o evangelho é verdadeiro, não importa quem você é ou foi. Você pode ser um pária espiritual e moral, tão à margem de tudo quanto a mulher velha e estéril na antiguidade.

 

Não interessa! A graça de Deus pode fazer com que você dê fruto, do tipo que permanece. O evangelho diz: Graça não é só para as férteis como Agar, mas para as Saras estéreis. Se existe futuro para “a Sara”; FRACASSADA E DESPREZADA, existe para qualquer um que crer em Cristo!

 

Na verdade, a questão é ainda mais profunda, pois Paulo está dizendo que o evangelho da graça é, em especial, para a estéril, para a incapaz. A capaz é a "fértil"; os bem-sucedidos, os que acham que podem conseguir sem Deus, razão pela qual rejeitam consciente ou inconscientemente o evangelho da graça.

 

Paulo assevera o que Jesus fala na PARÁBOLA dos dois irmãos, o pródigo e o mais velho, em Lucas 15. O evangelho nos mostra que o "forte", moral, bom, religioso e dono da verdade, no fim das contas, é o escravo; e o prodigo que se arrepende e encontra a liberdade.

 

3. O evangelho para fracassados e desiludido

“Sara a estéril”; é um enorme encorajamento para quem se vê como um fracassado, desprezado. Na época em que ela viveu, o valor de uma mulher consistia quase só em sua capacidade de gerar filhos. Claro, a Bíblia não era conivente com isso.

 

Na verdade, essa passagem destrói por completo o terrível erro cometido por tantas sociedades. Culturas da antiguidade diziam à mulher que seu valor e "justiça" estavam em sua capacidade de produzir filhos e que, se não pudesse tê-los, sua vida era inútil para a tribo.

 

Até certo ponto, inclusive em nossa sociedade, mulheres solteiras ou sem filhos muitas vezes se sentem bastante estigmatizadas e inúteis, alvo da sugestão sem palavras de que fracassaram de alguma forma.

 

Todavia, a Bíblia nos mostra aqui que não deveríamos fazer dos filhos nossa vida e valorização, tanto quanto acontece com a carreira profissional, o dinheiro, o poder ou a aprovação social.

 

O evangelho proclama que quem tem mais descobrirá a ruína de suas falsas estratégias de VALOR PRÓPRIO — e que a estéril, o pobre, o marginalizado podem ser mais frutíferos, ricos e poderosos que todos os demais. Têm a chance de produzir grande fruto, se começarem a viver o evangelho e servir aos outros.

 

O pastor Timothy Keller, conta de uma igreja no EUA, cujos membros, em sua maioria, são negros, que foi fundada a mais de 80 anos atrás por uma senhora alemã moradora de Manhattan.

 

Ela era uma cristã dedicada e, por meio do seu estudo bíblico, duas mulheres afro-americanas se entregaram a Cristo. Elas então lhe pediram para começar um ministério onde moravam com o intuito de alcançar seus amigos.

 

Na época, a senhora alemã estava comprometida, e seu noivo era bastante contrário à sua dedicação a tal ministério. Ameaçou cancelar o casamento, se ela continuasse com aquilo.

 

Enquanto ela se torturava entre o chamado que sentia da parte de Deus e o desejo de se casar, e se deparou com Isaías 54.1: "A desamparada tem mais filhos do que a casada".

 

Assim, seguiu o chamado de Deus, ficou sem o noivo e a nova igreja nasceu, hoje conhecida como Bethel Gospel. Ela teve e tem muito mais filhos espirituais do que quaisquer filhos físicos que seu casamento perdido teria gerado. Esse é só um exemplo do princípio.

 

A religião e a filosofia como um todo dizem que Deus e a salvação estão restritos apenas a quem é bom. Esta é uma mensagem exclusivista. Acontece que o evangelho também é exclusivista. Ele diz que Deus e a salvação estão restritos apenas a quem não é bom.

 

Mas o evangelho é de uma exclusividade muito mais inclusiva! Qualquer um pode pertencer a Deus através do evangelho, independentemente de história e de passado, independentemente de quem tem sido ou do que tem feito ou de quão frágil é.

 

A religião da obediência às regras é para o nobre, o capaz, o moral, o forte, mas o evangelho é para qualquer um. Jesus na verdade disse que aquele que se acha ser: o capaz, o moral e o forte, via de regra, estão mais distantes do reino do que os moralmente fracassados e os fracos de espírito.

 

Essa é a mensagem da parábola menos conhecida de Jesus sobre dois filhos, que ele conta para "os principais sacerdotes e os líderes religiosos" (Mt 21.23). Um ouve do pai que vá trabalhar na vinha, se recusa e mais tarde muda de ideia (v. 28,29).

 

O outro diz que vai, mas na verdade não chega nem perto da vinha (v. 30). E o primeiro filho, não o segundo, que de fato fez o que o pai queria.

 

O que Jesus quer dizer com isso? "Os publicamos e as prostitutas estão entrando antes de vós no reino de Deus" (v. 31). Por quê? Porque vós "não crestes [...] nem [...] reconsiderastes" (v. 32).

 

Por isso todo mundo, do mais religioso ao mais irreligioso, necessita do evangelho da graça. Gente religiosa está rejeitando Jesus como salvador porque todas as suas obras religiosas são esforços para merecer o favor de Deus.

 

Seu salvador é o conjunto de suas PRÓPRIAS REALIZAÇÕES; Jesus pode ser no máximo um bom exemplo ou alguém que ajuda, mas não o Salvador.

 

As pessoas não religiosas também adoram algo. Todos nós necessitamos de um senso de mérito ou valor, todos nós estamos lutando desesperadamente atrás de reconhecimento.

 

Assim, todo mundo tem a fé de um adorador em coisas das quais extrai esse valor.Mas essas coisas nos controlam; enquanto as buscamos nos desiludem, se as encontramos elas nos desolam; e se as perdemos e o que resta é só frustação.

 

Ou seja, em nosso estado natural, os motivos, tanto para servir quanto para rejeitar a Deus, são idênticos. Estamos sempre procuramos manter nossa independência de Deus, não aceitando a realidade de que somos miseráveis pecadores.

 

E inconscientemente ou conscientemente agimos de tal maneira que estamos a todo instante, rejeitando o fato de que necessitamos ser salvos inteiramente pela graça.

Em vez disso, constantemente buscando fazer por merecer nosso próprio valor. Somos "Ismael"; e todo Ismael está sempre em escravidão. É a isso que a autodepêndencia, autoaceitação e a autoafirmação sempre leva: A ESCRAVIDÃO. SÓ OS "ISAQUES" — "FILHOS DA PROMESSA" (V. 28) — VIVEM EM LIBERDADE.

 

4. Como os Ismaéis tratam os Isaques (v.29).

Há mais uma surpresa nesses versículos. Paulo extrai uma lição final de Ismael e Isaque: "o que nasceu segunda a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também agora" (v. 29, veja Gn 21.8,9). Assim como foi na igreja da Galácia do primeiro século; "assim também acontece agora".

 

Paulo está declarando, sem rodeios, que os filhos da escrava — os que buscam a salvação através da obediência à lei; sempre perseguirão os filhos da mulher livre, os que desfrutam da salvação pela graça. Os Ismaéis sempre perseguirão os Isaques.

 

Por que acontece isso? Porque o evangelho é mais ameaçador para os que são religiosos do que para os que não têm religião alguma. Os religiosos são muito melindrosos e inquietos e irritados acerca de sua posição com Deus.

 

A insegurança dos que “andam segundo a carne”, os torna hostis ao evangelho verdadeiro, e que não tolera a herança dados aos filhos da promessa.

 

Uma das maneiras de sabermos se somos filhos da escrava (Hagar), ou da livre (sara),  é o fato de é o fato de não odiarmos nem hostilizarmos quem é diferente de nós.

 

Este é um teste para sabermos se estamos baseando nossa autoimagem, autoafirmação na justificação pelas obras é observando as perseguições que promovemos!

 

Ismael riu, ou seja ridicularizou de Isaque e o desprezou. O Senhor Jesus sofreu a oposição mais amarga dos líderes religiosos e foi condenado por sua própria nação.

 

Na Galácia, a perseguição não era física, mas nem por isso menos perigosa; os Pasotores-mestres confiantes na lei dentro da igreja destruíam a liberdade do evangelho.

 

Gálatas 4:29 diz “assim é também agora. A perseguição da verdadeira igreja nem sempre é patrocinada pelo mundo, como são chamados os estranhos, mas por nossos meios-irmãos, por pessoas religiosas, por cristãos que vivem um cristianismo mundano, nominal e superficial, pelos primeiros três grupos que vimos no inicio.

 

CONCLUSÃO: Os maiores inimigos da fé evangélica hoje não são os descrentes, mas a igreja nominal, o sistema corrupto, a hierarquia clerical. Isaque sempre será objeto de zombaria e perseguição por parte de Ismael.

 

O legalismo é o caminho mais fácil que o homem encontra para ser religioso, mas ele é mortal, pois escraviza o homem. 

 

Precisamos aprender a nos relacionar corretamente com as normas, com os preceitos, com os mandamentos, com os meios de graça, com a leitura devocional, com os jejuns, com tudo o mais. 

 

Devemos lembrar que o legalismo não significa determinar padrões, significa idolatrar esses padrões e pensar que somos espirituais porque lhes obedecemos. E ai podemos julgar os outros com base nisso. Se agirmos assim seremos hipócritas.

 

Precisamos mandar embora da nossa vida Hagar e Isamel, mãe e filho, embora vai ser doloroso, mas é um único modo de Isaque HERDAR A PROMESSA. Depois devemos ter o cuidado de não permitir que Hagar e Ismael, volte. Se isto acontecer devemos lança-los fora.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 31/05/2017
Por: Jairo Carvalho



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