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Gálatas: O caráter do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Gálatas: 5: 16-25

 

INTRODUÇÃO: Na religiosidade legalista, a motivação para uma vida moral se baseia no medo e na culpa. No cristianismo fundamentado no evangelho, a motivação é uma dinâmica de amor, como vimos no último capítulo (5.6,14).

 

Agora, Paulo explicita como crescemos em caráter por meio dessa nova dinâmica. E sua manchete é: CRESCEMOS À MEDIDA QUE LUTAMOS.

 

I. ANDANDO NA CARNE. 

 

1. A luta das duas naturezas.

Existem duas naturezas em operação em todo cristão: o Espírito e a carne (v. 16). A qualquer momento da nossa vida, "andamos" por uma e não "satisfazemos" a outra. Paulo, claro, incentiva os gálatas a "andar pelo Espírito".

 

A palavra "Carne" traduz o termo grego sarx, interpretado em algumas versões bíblicas como "natureza humana".

 

A carne, no Novo Testamento, quando oposta ao Espírito, não se refere à nossa natureza física em oposição à nossa natureza espiritual, mas ao aspecto do nosso ser como um todo que anseia pelo pecado, em oposição ao aspecto que anseia por Deus.

 

Sarx é nosso coração pecaminoso. Ou antes, a parte ou o aspecto do nosso coração que ainda não foi renovado pelo Espírito.

 

Em oposição a ou "contra" (v. 17) a carne está o Espírito. À primeira vista, pode parecer que essa é uma batalha entre algo dentro de nós (nossa sarx) e algo fora de nós (o Espírito Santo).

 

Mas, como Paulo fala de ambos os lados como geradores de qualidades de caráter dentro de nós e devido a sua menção a dois tipos de "desejos", fica claro que esse conflito ocorre em nosso interior.

 

É mais exato pensar no "Espírito" como o “coração cristão regenerado”, feito novo pelo Espírito Santo. Nossa natureza pecaminosa estava lá, governando sozinha e sem sofrer oposição, antes de sermos cristãos.

 

O Espírito, contudo, entrou SOBRENATURALMENTE quando nos tornamos cristãos e começou a “RENOVAÇÃO” que consiste agora em nossa "nova natureza". Por isso, em Efésios 4.22-24, Paulo se refere a essa oposição sarx versus o Espírito como a competição entre o "velho homem" e o "novo homem".

 

Qual é exatamente a natureza dessa luta (v. 17)? Trata-se de uma batalha entre os "desejos" do Espírito Santo e os da sarx/carne. No original, Paulo chama os "desejos da carne" de epithumia.

 

Em versões mais antigas, essa palavra era traduzida por "concupiscência", o que levava o leitor a pensar em desejo sexual. Em traduções modernas, a palavra é traduzida por "desejos" apenas; mas isso talvez ajude menos ainda.

 

Em sentido literal, epithumia designa um "superdesejo", um "desejo excessivo", um IMPULSO E ANSEIO QUE A TUDO CONTROLA. Isso é crucial. O principal problema que nosso coração tem não é tanto o de desejar coisas ruins, mas nossos “superdesejos” por coisas boas.

 

Quando uma coisa boa se converte em nosso "deus", ela cria "superdesejos" (veja Ef 2.3; 1Pe 2.11; 1Jo 2.16). Paulo diz que os desejos pecaminosos se tornam coisas profundas que nos dirigem e controlam. O pecado cria em nós o sentimento de que precisamos ter isso, ou aquilo, ou aquilo outro.

 

A "idolatria" é o termo característico e resumido do Antigo Testamento para nossa tendência a nos afastarmos de Deus, então "desejos" (epithumia) é o termo característico e resumido do Novo Testamento para o mesmo movimento [...].

 

O Novo Testamento funde o conceito de idolatria e de desejos excessivos que governam a vida [...] para falar de concupiscência, cobiça, anseio e exigência gananciosa (Ef 5.5; Cl 3.5).

 

Uma das declarações mais curiosas aqui é quando Paulo diz, no versículo 17, em sentido literal: "A carne superdeseja contra o Espírito, e o Espírito contra a carne". Observe que ele na verdade não diz que o Espírito "superdeseja" (como poderia o Espírito desejar demais alguma coisa?).

 

No entanto, a construção indica que o Espírito tem paixões e anseios também, no mínimo tão fortes quanto os da carne! Pelo que o Espírito anseia? Jesus ensina que o Espírito Santo virá ao mundo para glorificá-lo (Jo 16.14).

 

Portanto, enquanto nossa carne glorifica, adora e anseia por todos os tipos de coisas, condições e pessoas criadas, O ESPÍRITO GLORIFICA, ADORA E ANSEIA POR JESUS. Ele fala da beleza e da grandeza de Cristo.

 

O Espírito, então, anseia por nos mostrar a Cristo e nos CONFORMAR com Cristo. Em última análise, isso é o que os cristãos também querem.

 

2. Fazendo o que não queremos (v.17).

É fácil não perceber, mas Paulo faz uma declaração extremamente reveladora quando diz que o Espírito e a carne "se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis" (Gl 5.17).

 

A passagem é paralela a Romanos 7.22,23, quando ele diz que "no que diz respeito ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus", contudo, descobre que existe "nos membros do meu corpo outra lei guerreando contra a lei da minha mente".

 

Viver do jeito do Espírito é o que mais desejamos; todavia, nossa natureza pecaminosa continua a gerar desejos alternativos e concorrentes, os quais experimentamos e aos quais podemos ceder, mas que agora contradizem nosso amor e objetivos mais eternos.

 

A pessoa NASCIDA DE NOVO tem tanto desejos pecaminosos quanto divinos, mas “devemos querer” de verdade o que nosso coração regenerado pelo Espírito DESEJA.

 

Essa declaração está carregada de esperança e afirmação. Mesmo quando resvalamos para o pecado, podemos repetir com Paulo: Esse não é meu verdadeiro eu; isso não é o que eu desejo de verdade. Eu quero Deus e sua vontade.

 

3. Entendendo como a carne funciona (v.16-18).

Há um PARALELISMO impressionante entre os versículos 16 e 18. Devemos ANDAR pelo Espírito e ser GUIADOS pelo Espírito, em vez de optar por satisfazer a carne ou estar debaixo da lei.

 

Para Paulo, essas duas coisas ou estão intimamente relacionadas ou são apenas maneiras diferentes de falar da mesma coisa. Isso não só nos diz algo sobre os atos da carne, mas também sobre suas motivações; não só que ela desobedece a Deus, mas por que deseja fazê-lo.

 

Carne é aquilo em nosso interior que deseja ser nosso próprio salvador e senhor. O coração da carne funciona "debaixo da lei"; ele rejeita o dom gratuito da justiça e da salvação de Cristo e continua a buscar a “versão própria” de ambas as coisas.

 

Portanto, o pecado por baixo de todos os pecados e o motivo da nossa desobediência é sempre a falta de confiança na graça e bondade de Deus e um desejo de proteger e guardar nossa própria vida por intermédio da autossalvação.

 

À luz disso, vemos que as duas naturezas de que Paulo fala são na verdade dois SISTEMAS MOTIVACIONAIS semi-intactos em nosso interior. Um deles é centrado em um objetivo que a imaginação considera belo e desejável.

 

Esse objetivo gera o que percebemos como "NECESSIDADES" e fabrica "IMPULSOS" para obtê-las. A carne é, na verdade, nosso antigo sistema motivacional — com objetivos próprios e, portanto, necessidades e impulsos próprios — de certa forma ainda intacto.

 

Ela se concentra em algum objeto bom em si mesmo, mas que transforma em ídolo por meio do qual buscamos nossa salvação ("posso ter valor se for amado... se tiver uma boa carreira profissional... se meus filhos me amarem"), e que acaba criando superdesejos por esse ídolo.

4. O que a carne opera (v.19-21)

Os versículos 19-21 listam "as obras da carne" (v. 19). Observe que essas obras não são somente ações; as atitudes, desejos, sentimentos e comportamentos, e conversação; também funcionam como superdesejos da nossa natureza pecaminosa.

 

Em primeiro lugar as obras da carne na ÁREA DA SEXUALIDADE (v.19).

(a) "imoralidade" (porneia),ou seja, a relação sexual entre pessoas que não são casadas uma com a outra; pornografia.

(b) "impureza" (akatharsia),i.e., práticas e relacionamentos sexuais não naturais, e "indecência"

(c) “lascívia” (aselgia),i.e., sexualidade descontrolada, falta de modéstia.

 

Em segundo lugar as obras da carne na ÁREA DA RELIGIÃO (v.20):

(a) "idolatria" (eidololatria). Amor a qualquer coisa ou pessoa mais que a Deus.

(b) “feitiçaria" (pharmakeia).Como aqui a idolatria aparece em conjunto com a feitiçaria, não diz respeito à prática muito ampla e abrangente de converter coisas boas, como uma carreira profissional, em um deus (como em Ef 5.5 e Cl 3.5).

 

Antes, Paulo se refere a práticas religiosas ocultas e pagãs muito específicas. A primeira palavra se relaciona a fornecer um substituto inadequado para Deus, e a segunda, a falsificar a obra do Espírito.

 

Em terceiro lugar as obras da carne na ÁREA DOS RELACIONAMENTOS (v.20.21)

 

(i) Quatro delas são ATITUDES DESTRUTIVAS:

 

(a) "ambição egoísta" (eritheia), ou seja, a competitividade, uma motivação voltada para a busca do eu;

(b) "inveja" (phthonoi), a cobiça, o desejo do que os outros têm;

(c) "ciúmes" (zelos), o zelo e a energia que vêm de um ego faminto;

(d) "rivalidade" (echthrai),designando a hostilidade, uma atitude antagônica.

 

(ii) Quatro são os resultados dessas ATITUDES NOS RELACIONAMENTOS:

 

(a) "inimizades" (eris),ser polêmico ou gostar de provocar brigas;

(b) "ira" (thumoi), explosões de raiva;

(c) "discórdias" (dichostaiai),divisões entre pessoas (ao que a ira conduz);

(d) "partidarismo" (aireseis), grupos partidários e rivais permanentes.

 

(iii) Por fim, duas palavras que se referem ao ABUSO DE SUBSTÂNCIAS:

(a) "bebedeiras"

(b) "orgias/glutonarias".Essas duas palavras estão conectadas. As orgias não são sexuais, mas de bebedices. Uma das obras da carne é o vício em substâncias e comportamentos que criam o prazer.

 

Paulo dirige uma advertência severa para os que “PRATICAM” essas coisas, pois "não herdarão o reino de Deus" (v. 21). Ele faz alusão à prática habitual, em vez de aos lapsos ocasionais que os crentes podem cometer, mas a pratica será imediatamente interrompida pelo de arrependimento. O FRUTO e a EVIDENCIA do arrependimento é a cessação da pratica.

 

Se alguém se entregar continuamente à carne sem lutar intensamente contra ela significa demonstrar que o Filho não o redimiu e que o Espírito não o renovou.Paulo não está procurando destruir a “SEGURANÇA CRISTÔ aqui, mas tem como alvo banir a complacência com pecado.

 

Outra maneira de dividir essa lista em categorias é observando que alguns pecados são característicos de pessoas religiosas (ambição egoísta, inveja, ciúme, partidarismo), enquanto outros são mais característicos de pessoas não religiosas (imoralidade, bebedeira).

 

A lista nos mostra que Deus não faz o tipo de distinção que costumamos fazer, considerando o sexo e a bebida mais pecaminosos do que o ciúme e a ambição.

 

Ela destrói a tendência que as pessoas naturalmente não religiosas têm de rotular como "piores" as falhas da sarx de pessoas religiosas, e a das pessoas religiosas de considerar as obras da carne das pessoas não religiosas como inaceitáveis.

 

Somos muito melhores em observar as obras da carne na vida dos outros, do que em lutar contra as nossas concupiscências que a todo o momento quer nos assaltar.

 

 

II. ANDANDO NO ESPIRITO.

Sermos "guiados pelo Espírito" (v. 18) é transformar-nos e sermos transformados na pessoa que desejamos ser. O desenvolvimento do caráter como o de Cristo, quando fomentado pelo Espírito, é libertador, pois ele nos faz chegar mais perto de nos tornarmos as pessoas que fomos feitos para ser e que nosso coração renovado pelo Espírito deseja que sejamos.

 

1. Entendendo o "fruto" do Espirito.

Paulo sempre escolhe suas imagens com grande cuidado. E é muito revelador que ele fale em "obras da carne" (v. 19), mas depois mude para "fruto do Espírito" (v. 22). O termo isolado "fruto" nos transporta para o mundo da agricultura e nos revela quatro fatos sobre como o Espírito opera.

 

Primeiro, o crescimento cristão é gradual. Tanto quanto o crescimento de um nabo ou de uma batata. Ninguém consegue ver o crescimento botânico — só se pode medi-lo depois de algum tempo.

 

O fruto do Espírito pode estar se desenvolvendo na vida de um cristão sem que ele se dê conta disso, até que um problema ou dificuldade apareçam e ele pense: Alguns anos atrás, eu jamais seria tão paciente ou teria tanto autocontrole para enfrentar essa situação.

Isso mostra que o fruto do Espírito estava crescendo o tempo todo, pouco a pouco, sem ser notado de forma muito silenciosa.

 

Segundo, o crescimento do fruto do Espírito é inevitável. Haverá crescimento. Conta-se a história de um homem que, ao morrer, foi enterrado sob uma lápide de mármore. Ninguém sabe como, mas o fato é que uma semente de carvalho entrou em seu túmulo. Com o tempo, gradualmente e sem ser notada, a semente cresceu.

 

Por fim, partiu o mármore da lápide, tal o seu poder. Uma pequenina semente contra o mármore? Se você não souber nada sobre o crescimento das coisas, você apostará no mármore! Mas, claro, o dinheiro seria melhor aplicado apostando na semente.

 

Se alguém tem o Espírito dentro de si — se é cristão — o fruto crescerá. Não importa como seja a vida do cristão, o fruto do Espírito brotará. É inevitável. Isso nos serve de incentivo quando pensamos no quanto nossa carne parece o mármore, mas também é um desafio.

 

Obriga-nos a perguntar, se somos cristãos há alguns anos: Há frutos crescendo em minha vida? Somos salvos pela fé, não por darmos fruto; mas não somos salvos pela fé infrutífera.

 

Uma pessoa salva pela fé será alguém em quem o “fruto do Espírito” cresce. Ele é o resultado visível da regeneração.

 

Terceiro, o fruto do Espírito tem raízes internas. Isso nada tem a ver com TRAÇOS da PERSONALIDADE e CARACTERÍSTICAS, mas com uma transformação muito mais profunda.

 

Pense na macieira. As maçãs dão vida à árvore? Não! Se você amarrasse maçãs aos galhos de uma árvore morta, isso não lhe daria vida! As maçãs não dão vida; elas são sinal de que a árvore está viva. Mas é a vida que produz o fruto, não o contrário.

 

Temos a tendência de ver os DONS como sinal da obra do Espírito em alguém. Mas a Bíblia nunca faz isso. Judas e o rei Saul FORAM USADOS pelo Espírito para profetizar, realizar milagres e assim por diante, mas não tinham raízes profundas, os pecados sufocaram a semente do evangelho e ela morreu.

 

Ser de fato conduzido pelo Espírito é desenvolver "o fruto do Espírito" (v. 22). DONS “podem ou não operar” a partir de um coração transformado pela graça, mas o desenvolvimento do FRUTO do Espírito somente pode acontecer em um filho de Deus.

 

O único teste de que o Espírito realmente passou a habitar em você como filho de Deus é o desenvolvimento do fruto do Espírito. A primeira parte desse fruto, que Paulo menciona aqui, é o "amor".

 

E, como ele diz em outra ocasião, a uma igreja que “superdesejava” dons espirituais particulares: "Mesmo que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivesse amor, seria como o metal que soa [...] eu nada seria [...] nada disso me traria benefício algum" (1Co 13.1-3).

 

Quarto, o crescimento cristão é simétrico. Paulo faz uso deliberado da palavra "fruto" no singular para descrever toda uma lista de qualidades que crescem na pessoa cheia do Espírito.  

 

Com isso, aprendemos um ponto muito importante para a compreensão e o discernimento do fruto do Espírito.

 

O fruto verdadeiro sempre cresce em conjunto. Ele é um só. Jonathan Edwards explica isso da seguinte forma: "Existe uma harmonia perfeita entre todas as graças do cristianismo".

 

Isto é, uma parte do fruto do Espírito não cresce sem que todas as outras partes também cresçam igualmente. Caso isso não aconteça, haverá uma ANOMALIA, produzindo um comportamento DESIQUILIBRADO E IRRACIONAL.

 

Quinto, a diferença entre o fruto e nosso temperamento. Quando olhamos para a lista dos frutos podemos ERRONEAMENTEobservar que somos naturalmente mais fortes em alguns do que em outros.

 

Mas esses pontos fortes não dependem do Espírito Santo, para que qualquer pessoa possa tê-los. Esses traços da nossa personalidade devem-se a CONSTRUÇÃO DO TEMPERAMENTO NATURAL.

 

Todos nós temos características produzidas pela química cerebral e/ou pelo treinamento precoce; ou pelo nosso autointeresse natural (p.ex. aprendemos a exibir determinado TRAÇO (mecanismo de defesa) a fim de lidar com alguma questão ou situação que tivemos de enfrentar).

 

Por exemplo, algumas pessoas têm temperamento gentil e diplomático (amabilidade). Mas o sinal de que isso não se deve à obra do Espírito Santo é que tais pessoais, via de regra, não são ousadas ou corajosas (fidelidade), e por isso nunca exorta ou confronta firmemente o erro dos outros.

 

Em razão do que Paulo diz sobre a UNIDADE DO FRUTO, esse tipo de amabilidade não é a humildade espiritual real, mas apenas DOCILIDADE TEMPERAMENTAL, que faz parte dos traços da personalidade.

 

João ensina "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso" (1Jo 4.20). Observe que ele não diz Se um homem ama a Deus, mas não ama seu irmão, falta-lhe equilíbrio. Não, ele o chama de mentiroso.

 

Porque o verdadeiro amor a Deus (amor) sempre se faz acompanhar naturalmente do amor pelos outros (bondade). Se não estiverem ambos presentes, nenhum deles estará lá em absoluto.

Existem muitos, muitos casos desse tipo. Algumas pessoas parecem felizes e cheias de vida (alegria) e têm facilidade para conhecer novas pessoas, mas são bem pouco dignas de confiança e não conseguem preservar as amizades (fidelidade).

 

Isso não é ter alegria real, mas apenas ser extrovertido por natureza. Algumas pessoas parecem imperturbáveis e tranquilas (em paz), mas não são bondosas nem amáveis.

 

Essa não é a paz real, mas INDIFERENÇA e talvez CINISMO COMPORTAMENTAL. Tais características ajudam você a atravessar as dificuldades da vida sem se ferir continuamente, mas tira a SENSIBILIDADE e as tornam MENOS ACESSÍVEL.

 

2. As partes do fruto.

Vale a pena examinar de perto cada aspecto do FRUTO SINGULAR do Espírito (v. 22,23):

 

(a) Ágape = amor. Significa servir uma pessoa para o bem dela e por seu valor intrínseco, não pelo que ela pode nos proporcionar. Seu oposto é o medo: autoproteção e abusar das pessoas.

 

Sua falsificação (IMITAÇÃO FALSA) é o AFETO EGOÍSTA, em que você é atraído por alguém e o trata bem devido ao modo como essa pessoa faz você se sentir acerca de si mesmo.

 

(b) Chara = alegria. É o deleite em Deus pela pura beleza e valor de quem ele é.

 

Seu oposto é a desesperança ou o desespero, e sua falsificação, o entusiasmo baseado na experiência de bênçãos, não do Abençoador, provocando oscilações de humor conforme as circunstâncias.

 

(c) Irene = paz.Significando a confiança e o descanso na sabedoria e no controle de Deus, em vez de em nós próprios.

 

Substitui a ansiedade e a preocupação. A versão falsa da paz é a indiferença, a apatia e a falta de interesse.

 

(d) Makrothumia = paciência. Acapacidade de enfrentar problemas sem perder a cabeça ou partir para o ataque a torto e a direito.

 

Seu oposto é o ressentimento contra Deus e contra os outros. Sua falsificação são o cinismo e a falta de cuidado: Isso é pequeno demais para eu me importar. A impaciência e o desamor.

 

(e) Chrestotes = benignidade.A capacidade de servir ao próximo de maneira prática e de modo a me tornar sensível, proveniente de uma profunda segurança interior.

 

 

 

Seu oposto é a inveja, que me torna incapaz de me regozijar na alegria alheia. E sua alternativa falsificada são as boas obras manipuladoras, ao fazer o bem ao próximo de modo que possa me gloriar e sentir que sou "bom o bastante" para os outros ou para Deus.

 

(f) Agathosune = bondade, integridade;ser a mesma pessoa em qualquer situação, em vez de um impostor ou hipócrita, é ser o que parece ser.

 

Não é o mesmo que ser sempre verdadeiro, mas nem sempre amoroso, livrar-se do peso no peito apenas para se sentir bem ou parecer melhor.

 

(g) Pistis = fidelidade, lealdade, coragem, ser plenamente confiável e fiel à própria palavra. Seu oposto é ser oportunista, amigo só nos bons momentos.

 

Sua falsificação é ser amoroso, mas não verdadeiro, de modo que você nunca está disposto a ser confrontado ou desafio a mudar de vida.

 

(h) Prautas = amabilidade, humildade, abnegação. O oposto é ser superior ou voltado para o próprio interior. Humildade não é o mesmo que inferioridade.

 

(i) Egkrateia = domínio próprio,a capacidade de colocar o importante acima do urgente, em vez de ser sempre impulsivo ou descontrolado.

 

A falsificação levemente surpreendente é a força de vontade baseada no orgulho, a necessidade de se sentir no controle.

 

Quando examinamos de perto o fruto do Espírito e compreendemos que um aspecto dele não pode ser contemplado isoladamente de qualquer um dos outros, entendemos que necessitamos crescer no fruto do Espírito muito mais do que pensamos.

 

Quando paramos de considerar nossos dons como um sinal de que somos como Cristo, e deixamos de encarar nossos pontos fortes naturais como sinal de que somos como Cristo.

 

Então começamos a desafiar a nós mesmos a olhar para a natureza, unidade e definições do Espírito, temos um senso muito mais profundo do quanto essas coisas nos faltam.

 

3. Desenvolvendo o fruto do Espírito

Como, então, o fruto do Espírito pode fincar raiz em nosso coração e ser produzido em nossa vida? Paulo fornece a resposta de imediato.

 

Primeiro, precisamos lembrar que somos "de Cristo Jesus" (v. 24).Tudo que édele énosso. Nossa aprovação e acolhida pelo Pai não depende do nosso caráter ou das nossas ações, mas dele.

 

Somos livres para reconhecer onde cedemos terreno para a sarx em nossa vida; livres para confessar onde não temos buscado acompanhar o Espírito; livres para perceber onde confundimos nossos dons ou caráter natural com o fruto do Espírito.

 

Segundo, por pertencermos a Cristo, crucificamos "a carne juntamente com suas paixões e desejos"(v. 24, literalmente, "superdesejos"). "Crucificar a carne" é, na verdade, a identificação da motivação que nos leva a pecar e o desmantelamento dos ídolos.

 

Significa pôr fim ao poder governar e de atrair que os ídolos têm sobre nossa vida, resistindo-os e impedindo-os de agitar e inflamar nossos pensamentos e desejos.

 

Crucificar a sarx(carne) tem a ver com estrangular o pecado no nível MOTIVACIONAL, em vez de apenas nos colocarmos contra o pecado no nível COMPORTAMENTAL. Não basta simplesmente tentar mudar o comportamento, temos que atacar a motivação que nos leva a agir desta ou daquela forma.

 

Transformações reais em nossa vida não podem ser levadas adiante sem discernirmos nossos ídolos e os desejos provenientes de nossa natureza pecaminosa individual.

 

Temos de nos perguntar não apenas O QUE fazemos errado, mas POR QUE fazemos errado.Desobedecemos a Deus para conseguir algo, porque assim nos dizem nossos sentimentos, que precisamos ter algo.

 

Esse é um "superdesejo". Precisamos ter por quê? Porque é uma forma pela qual tentamos permanecer "debaixo da lei", a procura de méritos, justiça, valor. É algo que acreditamos que nos autenticará.

 

Crucificar a carne é dizer: Senhor, meu coração “pensa que preciso” ter esse determinado “ITEM” ou não terei valor nenhum.  E Senhor isso na verdade é minha carne procurando um SALVADOR ALTERNATIVO.

 

Mas pensar e sentir e viver desse jeito é esquecermos o que significamos para Deus, e como ele nos vê em Cristo. Pelo Espírito Santo, devemos refletir sobre amor de Deus por nós, até que “ISSO” perca seu poder de atração sobre a nossa alma.

 

Vale a pena observar rapidamente O que a crucificação da carne não significa:

 

(a) Paulo não está dizendo: Seja duro consigo mesmo, em especial com o seu corpo.

Embora devemos ser radicais na mortificação do pecado em nossa vida. Isto por si só não nos ajudará muito se não for com a motivação correta.

 

Por exemplo, uma velha tradição manda abrir mão de algo (carne, ou outra coisa) durante a QUARESMA. Em geral isso significa recusar-se a satisfazer algumas necessidades de descanso, conforto ou prazer, como forma de redimir uma conduta pecaminosa, ou de purificação. Esse é um erro grave.

 

É evidente, pela lista das obras da carne (v. 19-21), que muitos deles não têm nada a ver com o corpo (e.g., ambição, ciúme, inveja). Logo o “ASCETISMO”, a negação do prazer não os afeta.

 

(b) Além disso, Paulo tampouco está ensinando: Basta dizer "não" para o pecado.Nossa carne deseja viver debaixo da lei de alguma forma. Por instinto, ela quer descobrir uma forma de autossalvação.

 

Apenas dizer "não", sem examinar os “motivos” por baixo do comportamento errado, pode na verdade ser parte de uma “NOVA FORMA DE BUSCAR” a justiça própria, quando estamos procuramos nos “JUSTIFICAR” dizendo "NÃO" a atitudes e atos pecaminosos. Esse é um “não” simplesmente legalista.

 

Os gálatas estavam prestes a simplesmente dizer "não" a muitas coisas, mas de uma maneira que, Paulo os advertia, acabaria por deixá-los "separados de Cristo" (v. 4).

 

(c) Por fim, Paulo não está falando de um PROCESSO PASSIVO. O cristão pode dizer: "já estou crucificado com Cristo" (2.19), como se esse fosse um “FEITO” realizado por nós; estamos livres da condenação do pecado, como se já tivéssemos pago a penalidade nós mesmos, com nossa própria morte.  Ou seja, como se eu não tivesse que fazer absolutamente nada para evitar uma conduta pecaminosa.

 

A morte de Cristo foi a nossa morte. Mas a passagem de 5.24 fala de uma crucificação contínua, onde a cada dia, nós mesmos submetemos nossa carne quando matamos a velha natureza dentro de nós.

 

Portanto, terceiro, precisamos andar "sob a direção do Espírito" (v. 25). Trata-se de um processo positivo (não do simples abrir mão de coisas), de um processo ativo (que nós fazemos) e de algo mais do que simples obediência (embora não seja menos do que simples obediência).

 

O Espírito é uma pessoa viva, que glorifica e enaltece a obra de Jesus. Uma vez que encontremos especificamente as falsas crenças particulares da nossa carne, que geram os "superdesejos" e nos levam a pecar, devemos substituí-las por Cristo.

 

Esse não é apenas um exercício intelectual. Devemos cultuar a Cristo, com a ajuda do Espírito Santo, adorando-o até nosso coração considerá-lo mais belo do que o objetivo que sentíamos que tínhamos de alcançar.

 

Fazendo isso, decretaremos a morte da nossa velha natureza carnal, abrindo espaço para o fruto do Espírito se desenvolver; e descobriremos esse desenvolvimento do fruto, transformando-nos mais e mais na pessoa que ansiamos ser e que Deus deseja que sejamos.

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 01/06/2017
Por: Jairo Carvalho

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