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Gálatas: bondade e benignidade

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Fruto do Espirito V – CHRESTOTES e AGATHOSUNE

 

Referência: Gálatas 5.22.

 

Introdução: Com a graça de Deus vamos expor mais dois frutos do Espirito, benignidade e bondade.

 

Na mente de Paulo e da cultura do primeiro século, estas palavras não significavam a mesma coisa, como se costuma superficialmente entender na língua portuguesa. Elas têm significados mais amplos do que estamos acostumados ou pensamos que significa.

 

I. CHRESTOTES - A Benignidade Divina

 

A quinta virtude no fruto do Espírito é chrestotes. Alguma versões traduzem por "bondade", ao passo que a TB, ARC, ARA, BJ. traduzem por "benignidade." A BLH usa como "ternuara," e "gentileza", “doçura”. Em 2 Co 6.6; Ef 2.7; Cl 3.12; Tt 3.4 a tradução em português é geralmente "benignidade", com "bondade" como outra alternativa.

 

Os eruditos dizem que chrestotes: "é uma bela palavra para a expressão de uma bela graça". A Vulgata traduz a palavra por bonitas, que é bondade ou generosidade, ou por benignitas, de onde provém o adjetivo benigno.

 

Plummer, comentando 2 Co 6.6, diz que chrêstotês nos homens é ;"a gentileza simpática ou doçura de gênio que deixa os outros à vontade e recua diante da ideia de provocar dor".

 

Esta palavra chegou ao vocabulário cristão com uma história importante; vejamos:

 

1. O uso que os gregos faziam de chrestotes. O imperador Marco Aurélio a usa para descrever os deuses. Fala da benignidade com que os deuses tem glorificado os homem (Meditações 8.34).

 

Fala do dever do homem de perdoar o pecador e o néscio, e diz que isto é um dever porque os deuses são chrêstoi, são benignos, porque eles também perdoam ao pecador (Meditações 8.11).

 

Os filósofos pagãos cantavam os louvores da virtude da benignidade. Marco Aurélio estipula que "a benignidade é irresistível, quando é sincera e não é um sorriso fingido ou uma máscara colocada".

 

Os gregos diziam que um homem perde a própria essência da VARONILIDADE, a qualidade distintiva que faz dele um homem, quando perdeu sua BENIGNIDADE e sua FIDELIDADE.

 

Diziam que conhecemos a moeda e sabemos a quem uma moeda pertence pela impressão(inscrisção) existente nela; e depois diz que sabemos que o homem pertence a Deus quando tem em si o carimbo da mansidão, da generosidade, da paciência e da afeição.

2. O uso de chrestotes no mundo veterotestamentário. Até mesmo os filósofos pagãos definem que é a benignidade que torna o homem semelhante a Deus.

 

No AT chrêstos (bom, benigno) e chrestotes (benignidade) são usados mais comumente a respeito de Deus do que qualquer outra pessoa.

 

É uma revelação que traz regozijo o fato de descobrirmos que, quando nossas versões bíblicas chamam Deus de bom, repetidas vezes o significado não é tanto a BONDADE MORAL, mas sim a BENIGNIDADE.

 

Muitas vezes, quando olhamos para o AT, achamos que Deus é (bom) chrêstos  e bondade é chrêstotês. Frequentemente o salmista canta: "Rendei graças ao SENHOR, porque ele é benigno, porque a sua misericórdia dura para sempre" (S1106.1; 107.1; 136.1; Jr 40.11).

 

O que comove o coração do salmista não é a bondade moral de Deus, mas a Sua pura benignidade.

 

O salmista entende que seu único direito aos dons de Deus e sua única esperança de perdão, acham-se no fato de que Deus é BENIGNO; sua oração é para que Deus o ouça e para que lhe seja misericordioso porque Ele é benigno (Si 69.16; 86.3; 100.5; 109.21).

 

O salmista ora: "Lembre-te de mim segundo a tua misericórdia, por causa da tua benignidade, ó SENHOR" (S1 25.7).

 

Os sacerdotes e os levitas cantam seu louvor a Deus porque Sua benignidade (misericórdia) e glória estão para sempre em todo Israel (Ed 5.61).

 

A bondade de Deus não é uma SANTIDADE MORAL que provoca no homem um recuo aterrorizado; é uma benignidade que o atrai a Ele com amor.

 

O AT vê esta benignidade de Deus expressa de certas maneiras.

 

(a) A benignidade de Deus é expressa na natureza. "Também o SENHOR dará benignidade," diz o salmista, "e a nossa terra produzirá o seu fruto" (Sl 85.12). Deus abençoará a coroa do ano por causa da Sua benignidade (Sl 64.11).

 

Quando Deus abre a Sua mão, os homens ficam satisfeitos com a benignidade (Sl 104.28). A liberalidade e a generosidade da natureza é a expressão da benignidade de Deus.

 

(b) A benignidade de Deus expressa-se nos eventos da história. O salmista divulgará a memória da benignidade de Deus (Sl 145.7). Dá graças a Deus por aquilo que Deus tem feito; porque o nome de Deus é bom, benigno, diante dos santos (S1 52.9).

(c) A benignidade de Deus expressa-se até mesmo nos julgamentos divinos. O salmista ora: "Afasta de mim o opróbrio, que temo, porque os teus juízos são benignos" (S1 119.39).

 

Se os julgamentos de Deus fossem apenas MORALMENTE BONS, logo, não sobraria nada senão o medo; mas os juízos de Deus são benignos, e nisto temos a nossa esperança.

 

(d) A benignidade de Deus expressa-se na instrução divina. "Tu és benigno," diz o salmista a Deus, "na Tua benignidade, portanto, ensina-me os teus decretos" (Sl 119.65-68).

 

Deus é reto e benigno, e por essa mesma razão, instruirá os pecadores a respeito do caminho (Sl 25.8). A benignidade de Deus expressa-se na revelação da Sua vontade e santidade diante dos homens através das Escrituras.

 

(e) A benignidade vem de maneira muito especial para certas pessoas.

 

Vem para os que se sentem aflitos. O Senhor é benigno para com aqueles que se refugiam no dia da sua angústia (Na 1.7).

 

Vem para os que são pobres, para aqueles que conhecem muito bem a sua própria incapacidade e insuficiência. Deus na Sua benignidade preparou para os pobres (Sl 68.10).

 

A benignidade vem para aqueles que esperam e confiam em Deus.O apelo do Salmista é no sentido de que os homens provem e vejam que Deus é benigno, e que a alegria vem ao homem que coloca nEle a sua esperança (Sl 34.8).

 

Vem para aqueles que o reverenciam e temem. Há grande benignidade RESERVADA para os que temem a Deus (Sl 31.19).

 

Vem para aqueles que esperam em Deus. O Senhor é benigno para com os que esperam nEle (Sl 145.9).

 

(f) Portanto, não é surpreendente que o fato de possuir este tipo de benignidade, Ele exija do homem ser benigno, e que negligenciá-la traz a condenação divina.

 

A lamentação do salmista é por não haver ninguém que pratique a benignidade, e por não haver ninguém que é benigno, nem sequer uma só pessoa (Sl 53.3). A tragédia da vida é que não há ninguém que pratique a benignidade (Sl 13.1, 3).

 

O homem bom e benigno é aquele que se compadece e empresta (Sl 112.5). Importar-se com os outros faz parte da própria essência da vida virtuosa; ser bom é ser benigno, e ser benigno é ser bom.

 

(h) Finalmente, no que diz respeito ao AT, podemos notar que a palavra chrêstos pode descrever algo muito precioso.

 

Em Ezequiel é usada duas vezes para descrever pedras preciosas (Ez 27.22; 28.13); e que pode descrever algo que é bom e útil, porque em Jeremias é usada para descrever figos bons em contraste com frutos podres (Jr 24.2, 4, 5). A benignidade é algo valioso, proveitoso e saudável.

 

3. Agora voltemo-nos para as ocorrências das palavras no NT.

 

(a) O NT também fala da benignidade e da longanimidade de Deus(Rm 2.4), e Paulo fala do perigo de desprezarmos as grandezas da benignidade, da longanimidade e paciência de Deus, visa conduzir(levar) o homem ao arrependimento (Rm 2.4).

 

Na realidade, deve ser assim: a própria benignidade de Deus é a dinâmica da bondade cristã. Pelo fato de que os homens tiveram a experiência de que o Senhor é benigno, dando um tempo para os homens se arrependerem de seus pecados.

 

O apostolo Pedro diz que, se já experimentamos que Deus é benigno, devemos,  agora mesmo  devemos deixar de lado todas as coisas pecaminosas (1 Pe 2.1-3).

 

Nunca deve-se considerar que a benignidade de Deus oferece oportunidade para continuarmos na pratica do pecado; é uma coisa terrível alguém procurar tirar dela proveito indevido.

 

Paulo diz em Romanos 11.22; “Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado”

 

A benignidade de Deus não é algo sentimental e negligente, porque juntamente com ela está a severidade de Deus (Rm. 11.22). Em Deus há uma combinação de bondade e severidade, amor e ira.

 

Os homens são indesculpáveis diante de Deus, pois mesmo sendo ingratos e maus, todos eles desfrutam da beniguinidade de Deus, pois é impossível viver no mundo, sem desfrutar, das generosidades divina; ( a vida, a luz do sol, o oxigênio) Paulo prega para os filósofos em Atenas (At 17)  “é ele quem nos dá todas as coisas”.

 

Não há um ser humano que não tem dívida para com esta benignidade porque ela é outorgada de modo universal, não de conformidade com o merecimento dos homens, mas segundo a liberalidade de Deus em dar.

 

A benignidade de Deus tem um poder salvífico. É a benignidade de Deus, nosso Salvador (Tt 3.4). É uma benignidade que perdoa os pecados do passado e que, mediante o Espírito Santo, fortalece os homens para a benignidade no futuro. Não somente perdoa o pecador; também transforma-o em um homem bom.

 

É por isso que a benignidade de Deus para conosco é exemplificada e demonstrada, acima de tudo, em Jesus Cristo (Ef 2.7).

 

A vinda de Jesus Cristo é o ato supremo da benignidade de Deus, e em Jesus Cristo esta virtude é encarnada no ser humano.

 

(b) Assim como no AT, também no NT a benignidade é uma característica da vida virtuosa. Paulo cita o salmista, dizendo que a tragédia da vida é que não há quem faça o bem, não há quem seja benigno (Rm 3.12).

 

O perigo da vida é que as más companhias corrompem os bons costumes que o cristão sempre deve ter (1 Co 15.33). Esta benignidade é uma das coisas que o cristão deve vestir como parte da vestimenta da vida cristã (Cl 3.12).

 

É com esta benignidade que os cristãos devem perdoar uns aos outros, e este perdão segue o modelo que nós mesmos recebemos de Deus. "Antes sede uns para com os outros benignos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou" (Ef 4.32).

 

Até mesmo as virtudes cristãs mais rigorosas perdem seu valor se esta benignidade não estiver presente na vida do crente (2 Co 6.6).

 

Ainda restam mais duas ocorrências da palavra no NT, que faltam ser estudadas, e que têm mais para acrescentar ao quadro desta palavra.

 

Primeiro Em Lc 5.29 chrêstos é usado para o vinho que se envelheceu e amadureceu. Significando que a dureza, aspereza e amargura foram banidas pela benignidade cristã, e a graciosidade madura do amor cristão permanece.

 

Segundo em Mt 11.30 Jesus diz: "Meu jugo é suave." Ali, chrêstos pode significar BEM-ADAPTADO. O serviço de Cristo não é autoritariamente imposto sobre um homem; não age como um capataz de escravos; é algo benigno, e a tarefa que Cristo dá a um homem lhe é feita SOB MEDIDA.

 

A benignidade cristã é bela e amável, e o seu encanto provém do fato de que ela significa tratar os outros do modo que Deus nos tratou.

 

II. AGATHOSUNE - A Bondade Magnânima

A dificuldade com a sexta virtude no fruto do Espírito é definir mais exatamente o que ela significa, pois “bondade” é um termo amplo e geral.

1. Definindo o termo agathosune. A dificuldade com a palavra é que seu significado depende do contexto e da esfera em que se acha a excelência específica que é descrita.

Podemos dizer, por exemplo: "Aquele é um bom animal." Se o animal for criado para o abate e usado como alimento, a bondade consiste na carne e gordura do corpo dele.

Se o animal for conservado para a reprodução, seu valor estará no seu pedigree. Se o animal for para a corrida, sua bondade se achará nos seus músculos treinados e no fato de não ter carne excessiva.

Geralmente dizemos que o homem é bom em alguma coisa; definimos a esfera em que a bondade opera.

Alguém pode ser bom nos idiomas e ruim na matemática; pode ser bom nos esportes e ruim nos estudos acadêmicos; pode ser bom no seu trabalho e ruim como marido e pai. Pode ser bom de caráter, mas ruim de saúde.

"Bondade", em si mesmo, é um termo bem geral, e devemos procurar definir mais de perto a esfera em que Paulo está usando esta palavra.

Lighfoot enfatiza, que há mais atividade em agathôsunê do que em chrestotes. Chrêstotês é uma qualidade do coração e da emoção; agathesune é uma qualidade da conduta e ação.

Ele escreve: "Chrêstotês é agathôsunê em potencial, e agathôsunê é chrêstotês energizante." Podemos dizer que: agathôsunê é chrêstotês em ação, ou seja, a bondade é a benignidade em ação.

Jerônimo (sec IV, vulgata latina) dizia que há uma qualidade de benignidade graciosa e atraente em chrêstotês, ao passo que em agathôsunê pode haver muito mais RIGOR e AUSTERIDADE.

Em chrêstotês, a benignidade é ressaltada; em agathosune o JULGAMENTO MORAL é enfatizado.

Agathosune (bondade) pode muito bem ser demonstrada no ZELO pela bondade e verdade, na repreensão, correção e disciplina.

Jesus demonstrou agathôsunê (bondade) quando expulsou os compradores e os vendedores do Templo a chicotadas. (Mt 21.13) e quando pronunciou Suas ameaças e condenações contra os escribas e fariseus (Mt 23).

Mas demonstrou chrestotes (benignidade) quando tratou com mansidão o arrependimento no coração da mulher que era pecadora e que ungiu os Seus pés (Lc 7.37-50), bem como a mulher adultera (João 8); e de igual forma tratou com agthosune; BONDADE AUSTERA; aos seus acusadores, quando chicoteou a consciência deles: “quem não tem pecado atira a primeira pedra”.

 

2. Entendendo agathosune no Antigo Testamento.

Agathosune é acentuada pelo fato de não ser uma palavra comum. Não ocorre nunca no grego secular. Na LXX ocorre cerca de treze vezes, e no NT há somente três outras ocorrências da palavra.

Vamos procurar definir o significado deste substantivo examinando o adjetivo correspondente agathos (bom); que descreve aquilo que é excelente em qualquer esfera, vejamos.

a) No AT agathôsunê pode significar bondade em geral.O salmista descrevendo o perverso: "Tu amas mais o mal que o bem", e  "Preferes mentir a falar retamente" (Sl 52.3). Neste caso, agathôsunê é simplesmente um termo geral para "bondade" em contraste com "maldade."

(b) No AT pode significar prosperidade na vida. "No dia da prosperidade," diz o Pregador, "viva alegremente" (Ec 7.15). Não há vantagem numa vida bem-sucedida se o homem não recebe nenhuma alegria com a sua prosperidade (Ec 6.3).

Com seu profundo pessimismo o Pregador diz que até mesmo se um homem vivesse dois mil anos, não gozaria o bem (Ec 6.6). "Boa e bela coisa é," diz ele, "comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho" (Ec 5.17).

Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador desenfreado pode destruir muitas coisas boas, ou seja: pode desfazer muita prosperidade (Ec 9.18).

Ec 5.10(11) “Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem."  Ou seja; Quanto mais o homem ganha, mais pessoas há para gastar."

O sentido de prosperidade em agathosune (bondade), é devido a natureza doadora e generosa de quem é bom(prospero)

(c) No AT pode ter a idéia de benefício. "Para quem trabalho eu," diz o Pregador, "se nego à minha alma os bens da vida?" (Ec 4.8). A ideia é: Por que me privo dos benefícios que poderia desfrutar?

As palavras finais do livro de Neemias são: "Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem" (Ne 13.31). A bondade é um deleite tanto para quem recebe como para quem dá.

(d) No At pode ter a ideia de generosidade. A acusação de Neemias contra o povo é: "Pois eles no seu reino, e na muita abundância de bens [lit. bondade] que lhes deste" (Ne 9.35).

Diz a respeito das pessoas que entraram na Terra Prometida: "Comeram e se fartaram e engordaram, e viveram em delícias, pela tua grande bondade" (Ne 9.25). Regalavam-se, poderíamos dizer, na generosidade de Deus.

Agathôsunê, portanto, tem a ideia de generosidade, especificamente a generosidade de Deus.

e) O uso no neotestamentário. As evidências neo-testamentárias desta palavra são escassas. Nada mais podemos fazer a não ser registrar as três ocorrências dela fora desta passagem. Em 2 Ts 2.17 Paulo ora em prol do seu povo no sentido de que Deus cumpra para com ela toda boa palavra [lit.].

Em Ef 5.9 Paulo diz que o fruto do Espírito consiste em toda a bondade, e justiça, e verdade.

Em Rm 15.14, ele escreve a respeito dos cristãos de Roma: "E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros."

3. O sentido hermenêutico de agathosune.

A melhor maneira de chegar ao significado desta palavra será comparando-a com duas outras; com uma delas forma um paralelo estreito, e da outra é a antítese, ou seja o oposto.

(a) O paralelo entre bondade e justiça. A palavra agathos frequentemente ocorre junto com a palavra dikaios, e agathôsunê várias vezes está em associação com a palavra dikaiosunê. Dikaios significa justo e dikaiosunê significa justiça.

Os gregos definiam o justo como o homem que dá aos deuses e aos homens o que lhes é devido. Os escritores gregos, exatamente nesta base, definem, comparam e contrastam dikaiosuné e agathôsunê.

A justiça, dizem eles, é a qualidade que dá ao homem o que lhe é devido; a benignidade é a qualidade que pretende fazer muito mais do que isto, e que deseja dar ao homem tudo quanto visa o seu benefício e ajuda.

O homem que é justo cumpre a sua obrigação segundo a lei; o homem que é benigno vai muito além.

Neste ponto temos uma aplicação interessante. Os gnósticos diziam que o Deus do AT é dikaios, justo, ao passo que o Deus do NT é agathos, generoso e benigno. Embora o entendimento esteja errado, pois é um único Deus; mas falando de modo geral, no AT há o retrato de um Deus que pôs em operação a lei moral, e de quem cada um recebe de acordo com os seus merecimentos.

Falando de modo geral, no NT o retrato é de um Deus que lida com os homens, não segundo a lei, mas segundo a graça, e que lhes dá, não aquilo que merecem, mas aquilo que Seu amor dá gratuitamente, sem merecimento.

Deus é tanto agathos quanto dikaios: agathos por oferecer perdão ao pecador arrependido, dikaios porque julgará retamente os impenitentes.  

A grande característica de agathôsunê é a generosidade que dá ao homem aquilo que nunca poderia ter merecido. Isto quer dizer que a ideia primária de agathôsunê é a GENEROSIDADE.

Na justiça, não há espaço real para compaixão e misericórdia. Na benignidade estão presentes a compaixão e a misericórdia porque ela é a GENEROSIDADE IMERECIDA.

(b) A antítese de aghathos.A palavra com o significado oposto de agathos é ponêros. Ponêros é uma palavra para maligno ou mau. Deus faz nascer Seu sol sobre maus (ponêros) e bons (agathos) (Mt 5.45).

No Édem os homens adquiriram o conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9, 17). Ho Ponêros, o Maligno, é um dos títulos mais comuns para Satanás (Mt 6.13; Ef 6.16; 1 Jo 2.14).

Mas ponêros tem um sentido especial. Ele é ressaltado especificamente na Parábola dos Trabalhadores na Vinha. No fim do dia, todos os trabalhadores receberam o mesmo pagamento, e aqueles que tinham cumprido um horário mais longo queixaram-se.

O proprietário da vinha respondeu: "Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus (ponêros) os teus olhos porque eu sou bom (agathos)?" (Mt 20.15).

Você está com rancor porque eu sou generoso? A BV traduz: "Você se zanga porque eu sou bondoso?" Claramente naquela passagem poneros(mau) significa avarento, mesquinho, rancoroso, e agathos significa magnânimo, generoso, bondoso.

É possível que ponêros tenha o mesmo significado em duas outras passagens do NT. Em Mt 6.23 Jesus diz: "Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas".

O que bem possivelmente significa: "Se você for avarento, mesquinho e destituído de generosidade, sua vida inteira será sombras e escuridão".

Jesus alista entre os pecados do espírito o olhar maldoso, e mais uma vez pode significar um olhar mesquinho, ciumento, não-generoso.

O sábio Salomão diz "Não comas o pão, do mesquinho (ponêros)" (Pv 23.6) "O homem avarento (ponêros) corre atrás das riquezas" (Pv 28.22).

CONCLUSÃO: concluindo a exposição, que citar dois exemplos claros deste sentido em Deuteronômio.

O primeiro refere-se O homem mais mimado e delicado na sua criação tem um olhar maldoso (ponêros) para com sua esposa, irmãos e amigos, ou seja: no seu desejo pelo luxo é mesquinho para com eles no tocante a tudo quanto precisa dar-lhes (Dt 28.54).

Segundo os regulamentos em Deuteronômio, no ANO DA REMISSÃO, todo sétimo ano, todas as dívidas eram canceladas e tudo voltava à "estaca zero".

Em tais circunstâncias era muito natural e até mesmo prudente que o homem MESQUINHO e AVARENTO se recusasse a emprestar alguma coisa quando estava perto o Ano da Remissão, temendo nunca receber seu dinheiro de volta, pois as dívidas seriam canceladas.

É estipulado, portanto, que o homem não deve ter um olhar maldoso (ponêros) contra seu irmão pobre, ao ponto de não lhe dar nada. Isto quer dizer que o homem não deve ser tão mesquinho ao ponto de não emprestar aos pobres em tal ocasião (Dt 15.9).

De modo claro, ponêros freqüentemente significa avarento, mesquinho, ganancioso, e, portanto, agathos significará bondoso, generoso, liberal, magnânimo.

O homem agathos não é como o dikaios, que dá ao outro somente aquilo que ele merece; nem mais nem menos, ele é generoso para dar o que nunca foi merecido.

 

O homem agathos não é como o ponêros (avarento, mesquinho) que ressente-se por causa daquilo que deve dar; é generoso, de mãos e coração abertos. Agathõsunè é a generosidade que brota do coração benigno, transformado pelo poder regenerador do Espirito Santo.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 30/08/2017
Por: Jairo Carvalho



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