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Gálatas: as obras da carne

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas 5:19.

 

Introdução: Depois que expomos as primeiras quatro obras da carne: Adultério (moucheia), prostituição (pornéia), impurezas (akatharsia) e lascívia (aselgeia).

 

Agora veremos os pecados de onde está toda a gênise das obras da carne, A idolatria (eidololatria), Feitiçarias (Farmakeia) e começaremos as obras da carne ligadas aos relacionamentos. Nesta área está os nossos pecados mais sérios e reincidentes.

 

Vejamos a continuação das obras da carne.

 

1. EIDOLOLATRIA: Idolatria (v.20).

 

Idolatria (1495) ( eidololatreia de eidolon = ídolo + latreia = serviço, adoração, culto) ARC, ARA, BJ, BV; idolatria; o culto aos falsos deuses; NLH: a adoração de ídolos.

 

Embora o homem seja incrivelmente religioso. Mas pela natureza das coisas, a adoração aos ídolos parece difícil de ser entendida pela mente moderna do homem ocidental.

 

É difícil compreender como qualquer homem poderia considerar com reverência um pedaço de madeira, pedra ou metal, por mais bela que seja a forma em que é esculpido, e por mais dispendiosa que seja a sua ornamentação.

 

Torna-se ainda mais difícil en­tender quando nos lembramos que muitos ídolos antigos eram tudo, menos belos. Por exemplo, a imagem de Artemis ou Diana no famoso templo em Éfeso era urna figura negra, achatada, desajeitada, coberta de muitos seios, e totalmente destituída de beleza.

 

O fato é que no início ninguém adorava o ídolo. Este tinha duas fun­ções. Visava LOCALIZAR e VISUALIZAR o deus que representava. Originalmente, nunca houve intenção de que o ídolo fosse adorado.

 

Seu propósito era fa­cilitar ao homem a adoração do deus a quem o ídolo representava, dando-lhe algo visível localizado num determinado lugar. Mas, uma vez que isto foi feito, era quase inevitável que o homem passasse a adorar o ídolo em lugar do deus a quem representava.

 

Citemos como exemplo o desenvolvi­mento do CULTO AO IMPERADOR NO IMPÉRIO ROMANO. Começou como ex­pressão de gratidão pela segurança, pela integridade física, pela justiça e pela boa ordem que Roma trouxera aos homens.

 

Roma varreu dos mares os piratas, e das estradas os bandidos. Trouxe a justiça imparcial para subs­tituir o capricho dos tiranos. Os homens ficaram tão gratos a Roma pelo seu braço forte e pela sua justiça imparcial que havia reis que “legaram” seus países a Roma ao morrerem.

 

A partir desta gratidão surgiu a adoração à DEUSA ROMA, O ESPÍRITO DE ROMA; e esta adoração existia há mais de um século antes de a adoração ao Imperador, propriamente dita, ter surgido.

 

Mas os homens desejam algo para ver, e Roma e o espírito de Roma fo­ram, por assim dizer, encarnados no imperador.

 

E assim, a adoração veio a ser transferida ao próprio imperador, fenômeno este que inicialmente deixava os imperadores romanos encabulados, procurando acabar com ele.

 

Mas para aqueles que estavam nas periferias do Império, o Impera­dor não passava de um nome, de modo que a sua estátua era erigida, e a adoração era transferida à estátua.

 

Em primeiro lugar, o espírito invisí­vel de Roma; depois, o imperador visível; e finalmente, a estátua presen­te — foi este o curso do desenvolvimento.

 

E aqui está o primeiro erro básico da adoração aos ídolos — a ado­ração aos ídolos é a adoração do objeto criado ao invés da adoração do Criador de todas as coisas. É exatamente isto que Paulo viu no seu esboço da GÊNESE da idolatria.Romanos 1:20-32

 

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis”.

 

“Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram”.

 

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis”.

 

“Por isso Deus os entregou à IMPUREZA SEXUAL, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, E ADORARAM E SERVIRAM A COISAS E SERES CRIADOS, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém”.

 

Por causa disso Deus os entregou a PAIXÕES VERGONHOSAS. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza.

 

“Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão’.

“Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma DISPOSIÇÃO MENTAL REPROVÁVEL, para praticarem o que não deviam”.

 

Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia.

 

São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis.

 

“Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas MERECEM A MORTE, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.” (NVI)

 

A idolatria existe, porque, basicamente, ela é a adoração das coisas ao invés da adoração a Deus.  É a extrema ADMIRAÇÃO ou REVERÊNCIA para algo que não seja Deus.

 

Pode-se dizer que o deus da pessoa, sem dúvida alguma, é aquilo a que ela dedica a maior parte do seu tempo, sua mente, suas emoções, seus bens e seus talentos; é aquilo a que ela se entrega.É o objetivo, pelo qual ele se move e vive.

 

Qualquer busca de satisfação e conforto que não seja unicamente em Deus, tudo aquilo em que colocamos nossa confiança e segurança; toda a confiança em nós mesmo nas coisas mais simples.

 

Toda a necessidade e busca de reconhecimento, AUTOAFIRMAÇÃO, AUTOACEITAÇÃO, AUTOAPRECIAÇÃO, o temor dos homens, tudo se torna UM SUBSTITUTO para o verdadeiro Deus.

 

E nós fazemos isto todos os dias. O nosso coração é uma FABRICA DE ÍDOLOS, e todos os dias fabricamos novos ídolos, e nem sequer damos conta disso. Deus criou os homens e os homens criaram seus deuses.

 

Em tempos recentes tem entrado em nossa língua uma expressão nova: "a posição de STATUS". O sinal de sta­tus é aquilo que o homem deseja como prova e garantia externa de que alcançou certo grau de sucesso.

 

O sinal de status pode ser uma casa em certo bairro da cidade, algum tipo de móvel ou eletrodoméstico, eletrônicos ou celulares, coisas que são cobiçadas por muitos, mas possuídos por poucos.

 

Pode-se dizer com muita verdade que o sinal de status é o ídolo do homem, porque dedica-se total­mente à sua obtenção.

 

Sempre quando algum objeto ou pessoas no mundo começa a ocupar o lugar principal em nosso coração, mente e intenção, esse obje­to torna-se um “ídolo”, porque tomou o lugar que pertence a Deus.

 

É interessante e relevante o fato de que a idolatria é alistada ime­diatamente depois do grupo de palavras que descrevem os pecados sexuais.  Tanto no mundo antigo, como no hoje; a idolatria e a imoralidade sexual estão estrei­tamente ligadas.

 

O escritor apócrifo da Sabedoria de Salomão, diz: "A ideia de fa­zer ídolos foi a origem da fornicação, sua descoberta corrompeu a vida" (Sab. 14.12, BJ).

 

De onde vem esta associação? Podemos ver esta conexão no AT. Emerge de modo vívido, impres­sionante e dramático na poesia do segundo capítulo de Oséias.

 

A mãe, ou seja: Israel, disse: "Irei atrás de meus amantes, que me dão o meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas."

 

Então, a voz de Deus continua: "Ela, pois, não soube que eu é que lhe dei o grão, e o vinho, e o óleo" (Os 2.5, 8). Na Palestina, no antigo culto pré-Israelita, os baalins eram deuses da fertilidade. Eram os deuses das forças por trás do crescimento da ceifa.

 

Eram eles que davam o trigo, o vinho e o óleo. Israel voltou-se para eles, e, visto que Israel era a noiva de Deus, podia-se dizer que estava adulterando com deuses estranhos.

 

Logo, o adul­tério veio a ser o símbolo da apostasia, pois a apostasia era a infidelidade mediante a qual Israel se desviou de Deus, que era seu verdadeiro marido, para procurar um marido entre os deuses falsos.

 

Ora, conforme já notamos, entre todos os poderes de crescimento, o do sexo é o mais vívido, o mais vital e o mais poderoso.

 

Tendo em vista este fato, o ato sexual veio a ser um ato de adoração e de glorificação aos deuses; e, portanto, equipar os santuários antigos com prostitutas sagradas tornou-se um costume e as relações sexuais com elas vieram a ser um tipo de ato de adoração do poder da força da vida.

 

O poder de atração que uma adoração deste tipo exerce sobre a parte mais baixa da natureza humana é algo muito forte.

 

O homem natural preferiria isto muito mais às rigorosas austeridades da adoração verdadeira. Achava-se nisto o perigo terrível do culto de Baal contra o qual os profetas pleitea­vam e bradavam.

 

A tragédia da idolatria é dupla. Nela, os homens adoram as coisas criadas ao invés do Criador de todas as coisas, e nela os homens usa­m como adoração um ato, belo em si mesmo, de tal maneira que se torna em pecado.

 

 

Com um só golpe, a idolatria destruiu a adoração verdadeira e a “pureza sexual” que é a mais sublime adoração.

 

Hebreus 13.4 diz “Venerado (Gr Timios= algo de valor excepcional) ,  seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à PROSTITUIÇÃO (pornéia = imoralidade), e aos ADÚLTEROS (gr moucheia), Deus os julgará”.

 

Veja Paulo, entre tantas coisas que este verso ensina, condenando o sexo antes e fora do casamento. A imoralidade sexual é um ídolo poderoso na atualidade, tudo é controlado por ela, veja a mídia, as propagandas, a moda, a exploração da sensualidade fermina.

                                                   

Os ídolos da religião são poderosos e exercem uma atração fatal sobre nós. Ele se manifesta na FALSA PIEDADE, no LEGALISMO, na AUTOCOMPAIXÃO, na AUTODEVOÇÃO, até mesmo os MEIOS DE GRAÇA, como a oração e a leitura bíblica, podemos transformar em idolos.

 

No Novo Testamento O MUNDANISMO é um ídolo poderoso que tem atraído a igreja. Tiago (4.4) diz que a amizade com o mundo é (gr. moucheia) adultério espiritual.

 

2. FARMAKEIA: Feitiçaria, ocultismo, drogas.

 

ARC, ARA, BJ, BLH, BV: “feitiçaria(s)”; “magia”. ocultismo. “superstição”. “drogas”. A palavra farmakeia seguiu um processo de degeneração no significado. Farmakon é uma droga, e farmakeia é o uso de drogas.

 

Há três etapas no significado da palavra. Vejamos essas etapas:

 

a)Farmakeia é usada como uma palavra médica sem o menor mau sentido. Os gregos usavam diferentes tipos de tratamento médico; a cauteri­zação, a incisão, o uso de drogas. Platão dizia que as doenças não perigosas, não deviam ser tratadas com o uso de drogas.  (Platão: Timeu 89 B).

 

A esta altura farmakeia é simplesmente uma palavra médica para uso medicinal das drogas. Daí vem a palavra para farmácia ou Drogaria.

 

(b) A palavra passa, então, a denotar o abuso das drogas, ou seja: o uso de drogas para envenenar e não para curar. Assim, lemos acerca da lei a respeito do envenenamento ou overdose, como conhecemos hoje.  (Platão: Leis 933 B), e Demóstenes acu­sa um homem mau de envenenamento e de todos os tipos de vilezas (De­móstenes 40.57).

 

Este é o começo do mau sentido da palavra. Aqui ela começa a designar aqueles que fazem usos das drogas, e que acabam se viciando. O uso de drogas é algo muito antigo.

 

O problema das drogas tem sua origem na idolatria do coração, é a busca da satisfação em Substâncias ALUCINOGÉNICAS, e não em Deus. Toda dependência química tem sua origem na idolatria. O ídolo gera PISCO-DEPENDÊNCIA.

(c) Por fim, a palavra assume o significado da feitiçaria e bruxaria.É usada, por exemplo, repetidas vezes para os feiticeiros e mágicos egíp­cios que competiam com Moisés quando Faraó não queria deixar Israel ir (Éx 7.11, 22; 8.18; Sab. 7.12; 18.13).

 

A magia, bruxaria e feitiçaria são pecados por causa dos quais Isaías prediz a destruição da Babilônia pela ira de Deus (Is 47.9, 12).

 

A palavra completou um círculo inteiro. A par­tir do significado de uma droga que CURA, depois o uso ALUCINOGÊNICO, e veio a significar um envolvimento maligno na bruxaria E FEITIÇARIA.

 

Em Roma, havia regulamentos que proibia a danificação das colheitas mediante a feitiçaria. Muitas tentativas eram feitas no sentido de lesar inimi­gos e obter vantagens particulares por meios sobrenaturais, de tal ma­neira que a magia era exibida como prática realmente generalizada.

 

Não são poucas as inscrições em túmu­los para homenagear as pessoas cuja morte, segundo se declarava, tinha si­do provocada pela magia.  Poções de amor eram comuns; a ASTROLOGIA – HORÓSCOPOS - grassava numa tentativa de se ver o futuro.

 

O mau olhado era universalmente temido. Ele era especialmen­te fatal para as crianças. Medo de gato preto de passar debaixo de escadas.Acreditavam que erapossível guardar-se contra os males por meio do uso de talismãs.

 

Por estra­nho que pareça, o talismã consistia num modelo pequeno de falo pendu­rado no pescoço. Os amuletos de proteção também eram visto nos jar­dins e nas lareiras. O mundo antigo estava repleto de práticas mágicas.

 

Em Atos 19.19 lemos a respeito dos peritos nas ciências mágicas em Éfeso que queimaram os seus livros quando foram convertidos pelas demonstrações que Paulo fez do poder do nome de Jesus.

 

Quanto tempo isto durou, e quão sério problema era até mesmo na IGREJA CRISTÃ pode ser percebido no vigésimo-quarto cânon do Concílio de Ancira em 314 ou 315 d.C.

 

Onde foi estipu­lado que "os que praticam a divinação, e seguem os costumes dos pagãos, ou que levam os homens para as suas casas para a invenção de feitiçarias, ou para purificações" devem passar por "cinco anos de penitência de acor­do com os graus estabelecidos".

 

Deve ter sido extraordinariamente difí­cil desarraigar de um mundo supersticioso as práticas que se tinham torna­do parte integrante da vida cotidiana.

 

E, na realidade, algumas práticas não foram tanto eliminadas quanto CRISTIANIZADAS, porque achamos cris­tãos usando pendurados no pescoço, não os amuletos antigos, mas textos cristãos, e até mesmo pequenas cópias em miniatura de partes do NT, fabricadas com este propósito em vista, segundo parece.

Na era pós-moderna; o crescimento do ocultismo acontece principalmente entre os adolescentes e jovens. O interesse assustador da magia no cinema, o alto consumo de literatura sobre ocultismo tem sido o impulso dessa geração obsessiva pelo HarryPotterismo (harry potter) e o vampirismo da saga “crepúsculo”.

 

O neopentecostalíssimo tem unido superstições e PRATICAS MÍSTICAS no meio do culto, como Sal grosso, trevo de quatro folhas, bíblia aberta no Salmo 91, roupa, lenços e fotos ungidas, copo d’água em cima da TV, objetos de Israel, agua do rio Jordão, candelabros, arcas, orações por Israel, comida judaica, etc...

 

Talvez seja esta a melhor oportunidade para notar um fato sinistro a respeito das obras da carne. Sem exceção, cada uma delas é uma PER­VERSÃO DE ALGUMA COISA que é boa em si mesma.

 

A imoralidade, a impure­za, a libertinagem ou lascívia são perversões do instinto sexual que, por si só, é uma coisa bela e faz parte do amor no casamento.

 

A idolatria é uma perversão da adoração, e nasce do desejo do homem visualizar e localizar seus ídolos, materializando-os.

 

A feitiçaria e vicio nas drogas é uma perversão do uso das drogas terapêuticas na medicina.

 

As invejas, os ciú­mes e as contendas são perversões da nobre ambição e desejo de ser bem-sucedido que pode ser um incentivo à grandeza.

 

A inimizade e a ira são uma perversão da justa indignação sem a qual a paixão pela bondade não pode existir.

 

As dissenções e as facções são uma perversão da dedicação aos princípios que pode produzir uma vida de mártir.

 

As bebedices e as glutonarias são a perversão da alegria do convívio social e das coisas que os homens podem desfrutar de modo satisfatório e legítimo.

 

Em lugar nenhum há uma melhor ilustração do poder do mal ao lançar mão da beleza e torcê-la até torná-la em feldade e ao tomar as coisas mais nobres e fazer delas uma avenida para o pecado.

 

O terror do poder para pecar acha-se exata­mente na sua capacidade de tomar a matéria-prima da bondade em po­tencial e transformá-la em matéria do mal.

 

3. ECHTHRAI – inimizades (v.20).

 

ARC, ARA, “Inimizades”; BJ, BV: “ódio”; NLH; “as pessoas ficam inimigas”; “brigas”. Em outras traduções: RSV: “hostil ou hostilidade” (Rm 8.7; Ef 2.14, 16). “inimizade tra­dicional entre famílias” (Ef 2.16); “inimizade mútua” (Ef 2.16); “ele­mentos conflitantes” (Ef 2.14); “antagônicos”.

 

Não é necessário gastar muito tempo discutindo o significado de echthra; echthros é a palavra grega normal para um “inimigo”, e echthra, para a “inimizade”.

 

No próprio NT, ocorre somente em duas outras passagens. Em Rm 8.7 Paulo escreve que a mente que se fixa na carne é hostil a Deus, ou, conforme diz NEB: "O ponto de vista da natureza inferior é inimizade contra Deus."

 

Em Ef 2:14, 16 é usada para a parede divisória de hostili­dade que faz, separação entre o judeu e o gentio até que ambos se tornem um só em Jesus Cristo.

 

No mundo antigo havia três tipos de inimizade, e estas continuam sendo reproduzidas na vida humana.

 

(a) Havia inimizade entre uma classe e outra dentro da mesma ci­dade do mesmo país.Platão disse que em cada cidade havia uma guerra civil entre os que possuem e os que não possuem.

 

Pode haver em qual­quer comunidade uma guerra de classes que as pessoas de disposição malig­na podem facilmente fomentar visando atingir seus propósitos pessoais maldosos.

 

(b) Havia a inimizade entre os gregos e os bárbaros. É uma separação entre os mais ricos e letrados e os mais pobres e sem acesso ao estudo.   

 

Esta é uma guerra que não tem fim; e Sócrates implorava que Ho­mero nunca fosse omitido do currículo educacional do jovem grego, por­que Homero demonstra a separação eterna entre o grego e o bárbaro.

 

Para os gregos, havia num sentido literal uma diferença entre os gregos e os bárbaros. Havia e ainda há alguma diferença natural entre os gregos e os bárbaros.

 

Parece que não se pode ir contra a Natureza; e a Natureza planejara dois tipos distintos do homem, e essa ainda é uma crença e não somente dos gregos e o não-gregos, mas essa ainda hoje é uma dife­rença fundamental.

 

Deve ser notado quão essencialmente arrogante era esta distinção grega. Houve um Historiador antigo que perguntava insistentemente: como homens que só sabiam latir chegariam a governar o mundo?

 

Ora, este teste da CULTURA GREGA, relegava nações altamente civilizadas, tais como o Egito, a Fenícia, a Pérsia, a Lídia tão próspera, à categoria de bárbaras.

 

O próprio Aristó­teles pensava que o próprio clima do mundo mantinha esta diferença. Aqueles que habitavam no norte, nos países frios, tinham bastante cora­gem e ânimo, mas pouca perícia e inteligência; aqueles que habitavam no sul, na Ásia Menor, tinham bastante perícia, inteligência e cultura, mas pouco ânimo ou coragem.

 

So­mente os da cultura grega viviam num clima projetado pela Natureza para produzir o caráter perfeitamente equilibrado e harmonizado(Aristóteles: Políti­ca 7.7.2).

 

Para os gregos, estes "bárbaros" eram por natureza inferiores e escravos, e era perfeitamente correto para um “grego superior”; explorar sua mão de obra ou reduzi-los à escravidão, comprá-los e vendê-los.

 

Heródoto foi chamado de Amigo dos bárbaros, por ser livre deste preconceito, e altamente criticado, por dizer: grandes façanhas permaneciam grandes façanhas, quer realizadas por um grego, quer não. Isto era intolerável para os gregos.

 

É de relevância que dois dos lugares onde ocorre a palavra echthra (Ef 2.14, 16) referem-se ao relacionamento no mundo antigo entre ju­deus e gentios. Havia realmente uma parede de hostilidade, uma inimiza­de tradicional antiga, entre judeus e gentios.

 

Era uma ojeriza que existia em ambas as partes. Os romanos podiam falar da religião judaica como sendo superstição bárbara (Cícero: Pro Flacco 28), e do povo judaico co­mo o mais vil dos povos (Tácito: Histórias 5.8).

 

Na mesma passagem, Tá­cito diz a respeito dos judeus que têm uma lealdade inabalável uns aos outros, mas um ódio hostil a todos os demais homens.

 

Apião um opositor de Josefo: declarou que os judeus juraram pelo Deus do céu, da terra e do mar que nunca demonstrariam boa vontade a qualquer homem de outra nação, e especialmente que nunca fariam isso com os gregos (Jo­sefo: Contra Apião 1.34; 2.10).

 

Por outro lado, os judeus consideravam os gentios impuros. Casar-se com um gentio era o mesmo que ter morrido.

 

Nos seus momentos mais amargos, os judeus podiam considerar os gentios como animais imundos, odiados por Deus, e destinados a serem combustí­vel para o fogo do inferno.

 

A cortina de ferro do preconceito racial e da amargura entre classes sociais não é coisa nova.

 

O espírito que produz os motins raciais e a segregação das cores, o afastamento cultural é tão antigo quanto a civilização — e desde o seu início é conde­nado pela ética e fé cristãs.

 

(c) Há a inimizade entre um homem e outro. Echtrhai descreve uma indisposição oculta e silenciosa que podemos ter em não aceitar completamente outra pessoa, devido sua posição social, sua cultura, sua condição financeira. Tiago descreve este pecado como “acepção de pessoas”.

 

Echthrai pode ser uma inimizade não declarada, dissimulada, pode ser fruto de um CINISMO EMOCIONAL OU MORAL.

 

Isto é muito comum em igrejas de ricos, ou igrejas de pobres. Ou entre irmãos mais ricos e estudados e outros de menor condição financeira e cultural, ou devido a cor da pele ou da raça.

 

A verdade é que podemos simplesmente definir echthra em termos do seu antônimo. Echthra é o antôni­mo exato de ágape (amor).

 

Ágape o amor, a suprema virtude cristã: é a atitude mental que nunca permitirá sentir amargura ou indisposição ou indiferença; para com pessoa alguma, e que nunca buscará outra coisa senão o sumo bem dos outros, independentemente de qual seja a atitude dos outros para com ela, ou que os outros a fizeram.

 

Echthra é a atitu­de da mente e do coração que coloca as barreiras da indiferença; e que tira a espada.

 

Aga­pe é a atitude do coração e da mente que alarga o círculo, que estende a mão da amizade e que abre os braços do amor. A primeira é uma obra da carne; a outra é fruto do Espírito.

 

4 – ERIS: porfias, contendas (v.20)

 

 ARC, ARA: “porfias”; RJ, P: “rixas”; BLH: (as pes­soas...) brigam; BV: luta; M: dissenção; CKW: disputas. “contenda(s)” (Rm 1.29; 1 Co 1. 1 I ); debates (2 Co 12.20).

 

Pode-se dizer que echthra e eris têm uma ligação muito grande uma com a outra. Echthra, inimizade, é um estado e atitude da mente para com outras pessoas; e eris, dissenção, é o resultado na vida real despe estado mental.

 

Eris aparece três vezes em Eclesiástico como uma das coisas que di­laceram a vida, "Uma luta repentina acende o fogo, uma discussão preci­pitada derrama sangue" (Ecle. 28.11).

 

Furor, inveja, perturbação, agitação, medo da morte, ressentimento, lutas (Ecl. 40.5) são os males da vida humana, bem como a morte, o sangue, a luta e a espada, miséria, fome, tribulação, calamidade (Ecle 40.9).

 

No grego secular, eris é uma palavra vívida. A Contenda, aquela que chama os exércitos à batalha, diz Homero (Ilíada 20A8); ele coloca juntos a Contenda e o Tumulto e a Morte (Ilíada 18.535).

 

Para os gregos, ERIS, A DEUSA DA CONTENDA, era uma das forças mais malignas da vida, produtora da violência e da morte.

 

É a CONTENDA que nasce da inveja, da ambição, do desejo de prestígio e do lugar e da proeminência.

 

Vem do coração em que há ciúmes. Se um homem é purificado de CIÚMES, ele foi limpo de tudo o que suscita disputa e conflito.

 

É um presente dado por Deus para poder ter tanto prazer nos sucessos dos outros como no próprio.

 

Eris é o espírito que nasceu da competição desenfreada e profana. Provém do desejo de lugar, poder e prestígio e o ÓDIO DE SER SUPERADO. É essencialmente o pecado que coloca o eu no primeiro plano e é toda a negação do amor cristão.

 

(Eris) é uma palavra de batalhas.Denota RIVALIDADE E COMPETIÇÃO, discórdia sobre lugar e prestígio. É a característica do homem que se esqueceu de que somente aquele que se humilha pode ser exaltado.

 

No NT, Eris, contenda, é sempre uma coisa má. No pensamento de Paulo, há duas coisas significativas no que diz respeito a “Eris”.

 

(a) Eris é um dos males que caracterizam o mundo sem Deus.(Rm 1.29). O mundo pagão é um mundo dividido; é um mundo de relacionamentos pessoais quebrados e interrompidos, e é somente o evangelho que pode produzir comunhão e união na vida.

 

Em (Rm 13.13) O cristão é proibido viver em orgias e bebedices, em impudicías e dissoluções, em contendas e ciúmes. Estas são as coisas que o homem deve deixar para trás quando se converte.

 

(b)Eris é um dos males que podem perturbar a igreja. O fato realmente relevante no tocante ao uso que Paulo faz da palavra eris é que quatro das suas seis ocorrências têm conexão com a vida na Igreja.

 

Três delas se acham nas cartas a Corinto (I Co 1.11; 3.3; ." Co 12.20). O ESPIRITO DE “ERIS” dividiu a igreja de Corinto em FACÇÕES e PARTIDOS por isso eles alegam ser de Cefas, de Apolo, de Paulo e de Cristo.

 

O espirito de éris que dividiu a igreja, e que trouxe inimizade onde deveria haver amor e comunhão.

 

Na carta aos Filipenses, Paulo escreve que aqueles que pregam em concorrência maligna contra sua pessoa, e cuja pregação dirige-se à sua DESMORALIZAÇÃO mais do que à glorificação de Cristo, estão pregando com o espirito de eris (Fp 1.15).

 

Eles não estão pregando não simplesmente para fazer sucesso, mas principalmente para impedir que Paulo tivesse sucesso em seu ministério.

 

Aqui estamos chegando perto do significado de ERIS. O espirito de Eris invade a igreja e torna-se característica da igreja, quando os líderes e os membros têm em conceito mais alto as pessoas, os partidos, os lemas e as questões pessoais do que o conceito que têm de Jesus Cristo.

 

Aqui está a nossa advertência. Sempre que Jesus Cristo é destituído do lugar central de uma igreja, todos os relacionamentos pessoais desandam.

 

Quando um homem começa a pregar, não para glorificar a Jesus Cristo, mas para exaltar seu próprio conceito pessoal e particular sobre Jesus Cristo.

 

Ou seja: quando um homem prega UMA TEOLOGIA em lugar de UM EVANGELHO, quando um homem começa a argumentar a fim de demolir seu oponente ao invés de ganhá-lo, então entra a deusa eris.

 

Nenhum pecado invade a igreja mais comumente do que a contenda; nenhum pecado destrói mais a fraternidade cristã; mas eris nem sequer consegue penetrar na Igreja, se Cristo for soberano ali e o evangelho for vivido na sua integralidade.

 

CONCLUSÃO: Precisamos da ajuda da Palavra de Deus para autoexaminar o nosso coração e vê se estes espíritos da carne, tem vivido em nós.

 

Precisamos da ajuda dos outros irmãos mais maduros e piedosos, para que identifiquemos cada pecado que ainda domina nossa vida. Sozinho é impossível encontrar todos os frutos do pecado em nós. O autoengano é a principal característica do nosso coração.

 

Somente a obra da graça é que pode operar eficazmente em nós para um viver que agrade a Deus.

 

 

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 17/06/2017
Por: Jairo Carvalho



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