Conheça a História da Igreja

Ouça nossa Rádio

Bíblia online

biografias

dicas de leitura
Selecionamos alguns livros para aumentar seu conhecimento.

  • Banner
  • Banner

enquete
Você já leu a Bíblia inteira quantas vezes?
Escolha uma opção abaixo
Resultados Outras enquetes




Publicações Imprimir conteúdoIndicar página para alguém

Gálatas: as obras da carne IV

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Referência: Gálatas 5: 20, 21.

INTRODUÇÃO: Com a graça de Deus, vamos expor mais três obras da carne: ciúmes, inveja e ira. Pecados ligados aos relacionamentos. São chamados de pecados privados, e dificilmente podem ser percebidos.

Os pecados "privados", como o ciúme e a inveja, não são melhores do que os pecados "públicos", como bebedeiras e folias, (glutonarias).

Vejamos estas obras da carne.

3. ZELOS E FTHONOS – Ciúmes(v.20) e Inveja (v.21)

“Zêlos”: ARA, BJ, BLH, BV: ciúmes; inveja; ARC: emulações; disputas, competitividade, rivalidade.  Desejo de igualar ou superar, angústia bem alheio, má vontade, indisposição, dor emocional.

Traduções de zêlos, quando ocorre num bom sentido: ARA: zelo (Rm 10.2; 2 Co 7.7; 7A 1 ; 9.2; Fp 3.6); vivo interesse (para comigo) (2 Co 7.7); ansiedade (em procurar a fé) (2 Co 7.11);

BV: caloroso afeto (2 Co 7.7); almejar (2 Co 7.11); ser sincero (Fp 3.6); BLH: dedicação (Rm 10.2); devoção (2 Co 7.11). Entusiasmo, calor, ardor, fever, ansioso desejo, devoção, cuidado, admiração, competição.

Fthonos — (primeira palavra do v. 21) inveja(s): ARC, ARA, BJ; “ciúmes: BLH: são invejosas; outra ocorrência: “inveja”: ARA (Fp 1.15).

Estas palavras, embora separadas no trecho de Gálatas em estudo (G1 5.20 e 21), precisam ser estudadas juntas, porque ocorrem tão frequentemente como par, e porque há casos em que uma delas tem que ser definida em contraste com a outra.

O princípio geral que governa seu significado é que “zelos” (zelo, ciúmes, cuidado) têm um sentido bom e um mal, ao passo que fthonos (ciúmes, e inveja) é sempre mau.

Começaremos tratando as palavras na ordem em que ocorrem nas próprias Escrituras.

1) Ocorrência nos dois sentidos no AT.

(a) No seu bom sentido. Na versão LXX, zêlos é usado repetidas vezes a respeito de Deus. "O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto" (Is 9.7). Deus tomou o zelo como sua armadura completa (Sab. 5.17).

Aqui, o zelo é a resolução incansável de Deus no sentido de levar a efeito os Seus próprios propósitos e de vindicar os Seus. Se pudermos expressar a questão em termos humanos, zêlos é o entusiasmo incansável de Deus em cumprir o Seu propósito no mundo.

(b) Zêlos é a palavra que muito frequentemente expressa os ciúmes santos de Deus.Há um quadro que encontramos repetidas vezes nos profetas; é o retrato de Israel com a noiva de Deus.

Quando, portanto, Israel se desgarra para longe de Deus e adora a outros deuses, pode-se dizer que Israel se entregou a outros amantes que são falsos; e em tal situação os profetas falam dos CIÚMES DE DEUS, que é o verdadeiro marido de Israel (Ez 16.37, 38; 23.25).

Os ciúmes de Deus são como os ciúmes de um amante cuja amada comporta-se de modo simulado e falso.  No AT, o ciúme fala da exigência de Deus por uma lealdade exclusiva.

Spurgeon pregou um sermão: Um Deus ciumento; Êxodo 34:14: {porque não adorarás a nenhum outro deus; pois o Senhor, cujo nome é Zeloso, é Deus zeloso}, “ciumento”.

Tiago (4:4,5) pode estar se referindo a este texto, quando se refere aos ciúmes que o Espirito Santo tem dos crentes, quando os crentes cometem adultério com o mundo.

(c) Zélos é usado num bom sentido no que diz respeito também aos homens.O salmista diz: "O zelo da tua casa me consumiu" (SI 69.9). "O meu zelo," diz ele, "me consome" (Sl 119.139).

Este zelo é a paixão por Deus que consome e estimula o homem a ser piedoso e a viver uma vida santa. “zelos” é o sentimento que leva o crente a odiar o pecado com toda a força de sua alma.

O hebraico = qin'ah = ardor, zelo , Ciúmes; Lxx = zelos:

Deus dá testemunho do zelo=CIÚME de Finéias: (Nm 25: 11):

“Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi ZELOSO com o meu ZELO no meio deles, de modo que no meu ZELO não consumi os filhos de Israel”.

(d) Mas igualmente no AT, tem um mau sentido: o da “inveja” e “ciúmes” que destroem os relacionamentos pessoais e a felicidade individual.

Elifaz diz a Jó: "A ira do louco o destrói, e o zelo [a inveja] do tolo o mata" (Jó 5.2). O ciúme deixa um homem furioso (Pv 6.34). O escritor de Eclesiastes adota o ponto de vista de que a labuta e a diligência são simplesmente o resultado da inveja do homem contra o seu próximo (Ec 4.4).

Nos apócrifos do AT, o Amor, ódio e inveja, todos eles perecem na morte (Ec 9.6). O ciúme e a ira encurtam a vida, e a ansiedade provoca a velhice precoce (Ec. 30.24). Zêlos (ciúmes) pode ser uma coisa maligna, que arruína a vida e destrói os relacionamentos interpessoais.

Os judeus diziam que o “amor é cego, e o ciúmes vê demais”, por isso uma pessoa ciumenta é extremamente DETALHISTA e faz COMPARAÇÃO com tudo.

2) Voltemo-nos, agora, ao NT. Nas cartas de Paulo, zêlos ocorre nove vezes, e pelo menos seis num bom sentido. Paulo diz que “Os judeus têm zelo por Deus, mas não tem entendimento” (Rm 10.2). Paulo, no seu zelo pela lei, era um perseguidor da Igreja (Fp 3.6).

Paulo fala do anseio e do “zelo” (cuidado intenso) dos coríntios pela sua pessoa (2 Co 7.7) e do zelo(interesse) que o arrependimento produziu neles (2 Co 7.11).

Paulo fala também do zelo(cuidado, diligencia) dos coríntios na sua contribuição à coleta em favor dos pobres na Igreja de Jerusalém (2 Co 9.2).

Paulo tem “zelo” (cuidado) pelos coríntios porque foi ele quem os preparou como noiva de Cristo (2 Co 11.2).

Por outro lado, as “CONTENDAS’ e os (Zelos) “CIÚMES” são duas coisas das quais o cristão deve livrar-se tendo em vista a proximidade da vinda de Cristo” (Rm 13.13).

Os ciúmes e as contendas são a prova de que os coríntios ainda estão sob o domínio dos baixos instintos da sua natureza pecaminosa (1 Co 3.3). O ciúme é um dos ERROS que Paulo teme achar se voltar para Corinto (2 Co 12.20).

3) “Zelos” usado no grego secular. Recebemos ajuda real na definição do significado delas. Os escritos gregos dão uma ajuda notável no entendimento.

(a) As duas palavras podem ser usadas juntas. Platão dizia: A ira, o medo, o luto, o amor, os ciúmes (zêlos) e a inveja (fthonos) são dores da alma (Filebo 47 E).

Ele ainda afirma: “Uma comunidade em que não há riqueza nem pobreza é a única comunidade onde a insolência e a injustiça, as contendas e as invejas, não têm oportunidade alguma de florescer” (Leis 679 C).

Tão logo existe a riqueza, há olhares ciumentos. A riqueza tem esta maldição, sempre gera inveja nos outros.

Mas há um uso das palavras que é de relevância especial. Depois do sucesso de Atenas contra os bárbaros, e depois da maneira com que Atenas salvou a Grécia, ela teve de passar pela PENALIDADE INEVITÁVEL DO SUCESSO.

As outras cidades-estados da Grécia, NÃO SUPORTARAM o sucesso de Atenas e por isso ficaram cheia de ciúmes (zêlos), e depois foram tomadas pela inveja (fthonos), e essa inveja a levaram a uma guerra sem trégua, contra Atenas. (Menex. 242 A).

Fica claro, nesta historia, que zêlos (ciúmes) é apenas uma etapa no caminho para fthonos (inveja).

Podemos concluir que o ciúme é quem lança olhares de má vontade sobre o SUCESSO de alguém, e que provoca a inveja que leva às ações hostis e maléficas contra os outros inclusive o assassinato e a guerra. E quantas batalhas históricas foram motivadas pela inveja.

Outra diferença fica estabelecida: zêlos (ciúmes) é menos sério, menos amargo, menos maligno do que fthonos; fthonos(inveja) é normalmente aquilo a que zêlos(ciúmes) pode chegar, a não ser que o coração seja purificado.

(b) Há uma maneira lúcida de lidar com a diferença entre as duas palavras.

Para Aristóteles, zêlos(cuidado, paixão) é um sentimento bom e necessário da alma. Zêlos é um estímulo incansável; é o sentimento que vem ao homem quando vê outra pessoa possuindo ou fazendo alguma coisa nobre.

Esse sentimento não é de tristeza porque a outra pessoa possui uma coisa magnífica; apenas é um LAMENTO SINCERO por também não possuí-la, por falta de cuidado e persistência.

É uma virtude e uma característica do homem virtuoso. Desde que não haja nele má vontade; mas há o incentivo para a ambição nobre, no sentido de obter uma virtude que foi vista de relance mas não possuída.

Por outro lado, fthonos (inveja) é um tipo de DOR diante da visão do sucesso, é a da dor diante daquilo que é bom no outro.

E esta dor tem sua origem, não no fato de que a pessoa que olha não possui a coisa magnífica; brota do fato de que é a outra pessoa a possui.

O homem que tem fthonos/inveja no seu coração não é inspirado por uma ambição nobre; simplesmente está “AMARGURADO” diante da visão de outra pessoa possuindo o que ele não tem.

Ele faria tudo quanto fosse possível, não para possuir a coisa, mas para evitar que a outra pessoa a possuísse. A inveja é baixeza, e a característica do homem vil e caído.

Zélos (cuidado) pode ser uma ambição nobre como os coríntios tiveram por Paulo. Já fthonos (inveja) nunca poderá ser outra coisa senão ciúme malévolo e amargo. Não existe inveja santa, como alguns desavisadamente dizem.

O que nos transmite muito bem a definição de fthonos (inveja): É porque ela é um tipo de dor, não diante do INFORTÚNIO de um amigo, nem diante do SUCESSO do inimigo.

Os invejosos são aqueles que se irritam somente com o SUCESSO dos seus amigos. Logoa inveja é um sentimento horrível e TRAIÇOEIRO. Tiago fala da “amarga inveja”.

(c) Definindo o significado destas palavras.

i) Zélos (cuidado, ciúmes zeloso):é o desejo de estimular aquilo que elogiamos; é a boa disposição para fazer o que admiramos, e de não fazer o que censuramos.

É a imitação (mimêsis) daquilo que é excelente. O amor por uma pessoa, não pode ser realmente ativo, a não ser que haja nele um pouco de zêlos (cuidado abrasador).

A verdadeira virtude do amor não pode ser eficaz a não ser que crie em nós, não a inveja (fthonos), mas o estímulo infatigável (zélos) nas coisas honrosas. Não é contenda; e nem rivalidade é a bondade.

ii) Fthonos (inveja). Por outro lado, fthonos inveja toda a prosperidade e todo o sucesso do próximo. É um sentimento que não tem limites, sendo como a OFTALMIA, uma doença dos olhos que se perturba, e irrita diante de tudo aquilo que brilha.

Fthonos irrita-se diante da prosperidade e o sucesso dos outros. Os insetos atacam o trigo maduro, e a inveja ataca os bons e aqueles que estão crescendo na virtude e na boa reputação. A inveja, disse Eurípedes, é a maior enfermidade entre os homens.

Podemos ver a diferença entre as duas emoções, conforme os gregos as viam, em duas das suas histórias.

A primeira historia é sobre a Batalha de Maratona; e traz o bom uso do termo: Temístocles comandante do exercito de Atenas; não conseguia descansar quando pensava na grande vitória que o seu companheiro Miltíades obtivera na batalha de Maratona contra os Persas.

O pensamento dele enchia-o de ambição nobre; e não descansou até que conseguiu sua vitória em Salâmis lado a lado com a vitória de Miltíades em Maratona.

Temístocles não tinha inveja da grandeza de Miltíades; desejava realizar apenas algo semelhante (Plutarco: Temístocles 3). Isto é “zélos”, no bom sentido; quando ele se torna uma ambição nobre; um exemplo inspirador, um alvo almejado.  

A segunda historia traz o mau sentido: Aristides era chamado o Justo. E estava sendo processado injustamente, e certo homem do juri veio a ele, sem saber quem ele era, e pediu que o próprio Aristides lhe escrevesse o seu voto, pois não sabia escrever; e o voto era a favor do banimento do próprio Aristides!

E Aristides lhe perguntou? "Que mal Aristides lhe fez?" “Porque deseja a condenação injusta de Aristides? Então respondeu o homem: "Estou cansado, de tanto ouvir as pessoas o chamarem de o Justo" (Plutarco: Aristides 7).

Esta não era nenhuma ambição nobre no sentido de imitar a grandeza; era simplesmente o “RESSENTIMENTO AMARGO” porque alguém era considerado importante. Isto é fthonos (inveja, ciúmes) algo a ser detestado.

Paulo usa-a apenas duas vezes. Em Rm 1.29 é um dos pecados que caracterizam o mundo pagão que não conhece o Deus vivo e verdadeiro.

E em Fp 1.15 é o espírito que IMPULSIONA aqueles que pregam a Cristo, não tanto para ganhar as pessoas para Cristo, mas simplesmente para OFENDER Paulo. Não cobiçam para si o SUCESSO dele, mas desejam negá-lo a Paulo.

Clemente, bispo de Roma (100 d.c) escrevendo uma carta aos coríntios (I Clemente 4.6) diz: “A inveja/ciumes (zelos), escreveu ele aos coríntios, foi responsável pelo assassinato de Abel cometido por Caim.

A inveja causou a fuga de Jacó diante de Esaú, foi responsável pela venda de José para o Egito pelos seus irmãos, pela tentativa de assassinato feita por Saul contra Davi.

A inveja foi a responsável pelo ódio pagão que derramou o sangue dos mártires. Os pagãos não SUPORTAREM o estilo de vida, simples, santo e bondoso dos crentes.

Há algo trágico na situação humana aqui. Fthonos(inveja ou ciúmes) sempre foi uma palavra feia, mas zelos poderia denotar uma coisa grandiosa que acabou em pecado.

Talvez seja verdade dizer que não há TESTE MELHOR para um homem do que sua REAÇÃO diante da grandeza e do sucesso de outra pessoa.

Se isto o levar ao zêlos, que é a AMBIÇÃO NOBRE e à bondade, trata-se da obra do Espírito, mas se o levar a um RESSENTIMENTO AMARGO e CIUMENTO, trata se da obra da carne, e aquilo que deveria ser um incentivo à bondade tornou-se uma persuasão ao pecado.

2. THUMOS – ira (v.20)

“Ira”, em todas as versões em português menos a BLH, que diz: “raiva”. Outras versões: crises de fúria; “explosões de paixão”; “mau gênio”, “mau humor”. ARA: indignação (Rm 2.8); “ira furiosa" (Cl 3.8).

Thumos é uma palavra com potencial quase ilimitado tanto para o bem e para o mal. Pode descrever uma qualidade sem a qual nenhum bom caráter pode florescer.

E também pode descrever uma qualidade que arruína relacionamentos pessoais, e que destrói a fraternidade dentro da comunidade cristã.

1. Examinando os sentidos thumos no AT.

(a) Thumos pode ser usado a respeito dos homens, num mau sentido. Caim se irou contra seu irmão, movido pela inveja e o matou. O livro de Eclesiastico diz que: O orgulho não foi criado para os homens, nem a ira feroz para os que nasceram de mulher (Eclo. 10.18).

Os judeus diziam que “Os ciúmes e a ira encurtam a vida, e a ansiedade provoca a velhice precoce”. (Eclo. 30.24). Não há pior veneno do que o veneno da serpente, e nenhuma ira é pior do que a ira de um inimigo (Eclo. 25.15).

(b) Thumos pode ser usado a respeito dos homens, num bom sentido. Um santo pode ser tomado de um SENTIMENTO de ira não pecaminoso, como foi do sacerdote Eleazar que tomou a lança e matou aqueles que se prostituiram com as mulheres moabitas (Nm 31).

E como foi com os profetas e homens piedosos que foram tomados de uma ira justa. Ali, a palavra significa a JUSTA INDIGNAÇÃO diante daquilo que está errado, em desacordo com Lei de Deus.

(c) Thumos é usado para Deus. Em toda a Escritura, Deus também é retratado em sua ira para com os pecadores. Os homens são advertidos a pensarem na ira de Deus.

No NT, especialmente no Apocalipse, thumos é usado a respeito da ira de Deus. Os pecadores serão obrigados a beber da taça do furor (thumos) da ira de Deus (Ap 19.15; 16.19; cf. 14.19; 15.1; 16.1).

No Apocalipse, thumos não é somente usado no tocante a Deus, mas também com relação ao diabo.

O diabo vem com grande cólera, porque sabe que pouco tempo lhe resta (12.12). Fica bem claro que thumos é uma palavra com uma ampla gama de significados, inclusive a ira humana e divina, a ira diabólica e animal, a a nobre e destrutiva.

2. Thumos (ira) nos escritores gregos seculares. Nestes escritores, voltaremos a ver como thumos é uma qualidade que, pode se dizer, está sempre equilibrada numa linha muito fina, pronta para cair para um lado ou outro.

(a) Thumos pode ser uma palavra nobre. Em Aristóteles, frequentemente significa "espírito," não no sentido religioso do termo, mas no sentido em que dizemos que uma pessoa cheia de vida e viril tem "espírito." Está classificada com a CORAGEM e resignação.

É a capacidade da alma mediante a qual os homens: amam, têm a capacidade de ordenar as coisas, de se emocionar com a liberdade, e de sentir a JUSTA INDIGNAÇÃO diante do erro.

É o elemento da alma que se impõe e que é indomável. Por isso nenhuma alma, pode-se levantar contra a injustiça e o erro sem uma nobre paixão (thumos).

Thumos(ira) é  a palavra que os gregos empregavam para expressar força e coragem(Cyropaedia 4.2.21).

Então fica claro que aqui temos uma palavra que pode descrever uma qualidade da alma da qual dependem a FORTALEZA, a NOBREZA, a JUSTIÇA, o CAVALHEIRISMO e a LIDERANÇA. Nenhuma liderança será eficaz sem Thumos (paixão).

(b) Mas também os gregos não têm a mínima dúvida no que diz respeito ao perigo que está presente em thumos. É como a dinamite; pode ser usada para o BEM; abrindo caminho através de obstáculos por meio de explosões, ou para o MAL destruindo e reduzindo uma cidade a ruínas.

Thumos é uma palavra que pode ser usada para aquilo que chamaríamos de PAIXÃO. Nem sempre uma “explosão de ira”, é algo pecaminoso, caso se deva uma explosão da paixão pela pureza, ou uma “santa e justa” indignação diante do pecado.

Platão, conforme já vimos, disse nas Leis que nenhuma alma pode defender o direito sem thumos(paixão), mas passa imediatamente a dizer que mediante este mesmo thumos(paixão) o homicídio pode ser cometido, e que para ser mantido no seu lugar apropriado, thumos deve ser disciplinado e castigado (Leis 867 B, D).

As Definições gregas dizem que thumos é "um impulso violento e às vezes sem raciocínio" e pode ser usado para o mal e depende da motivação do coração humano. Nem sempre é fácil fazer uma separação completa entre a “IRA” e a “RAZÃO”.

Mas a ira normalmente dá ouvidos a razão, mas escuta erroneamente, como um servo que sai da sala correndo antes de seu senhor ter completado as suas ordens.

Por isso a ira é um sentimento: INVOLUNTÁRIO, PRECIPITADO e PODEROSO, que precisa ser DOMINADO com mão forte.

(c) Thumos se define pela sua própria natureza explosiva. Tanto para o bem e para o mal, pode ser melhor vista na derivação que os gregos lhe atribuíam.

A palavra “ira” expressa a própria natureza do seu calor e velocidade.  O verbo Thein, que significa ferver tem sua raiz em Thumos.  A ira é o enfurecer-se e ferver das emoções.

Há uma outra palavra grega para ira (orgê) que é a ira de longa duração, acalentando a lembrança do mal.

Thumos caracteriza uma ira violenta, porém breve, são explosões de ira, porém passageira, momentânea. A ira é como fogo de palha, que rapidamente produz uma chama alta e com igual rapidez apaga-se ao esgotar-se o combustível.

Thumos, portanto, não é ira acumulada há muito tempo; é o fogo ardente do mau gênio que se incendeia em palavras e ações violentas, e que se apaga com igual rapidez.

Por isso as pessoas com este tipo de temperamento explosivo, esquece rapidamente o mal que causam nas pessoas. São AUTOCOMPLACENTES e AUTOAFIRMATIVAS, MELINDROSAs e dificilmente reconhecem que erram e que magoam as pessoas.

3. Finalmente, examinemos thumos conforme Paulo emprega o termo. Em. Rm 2.8 emprega-o para a indignação de Deus. A ira (orgë) e a indignação (thumos) aguardam os que perturbam a paz.

Paulo teme que achará thumos (explosões de ira) na igreja aflita e perturbada em Corinto (2 Co 12.20).

Paulo escreve a igreja de Éfeso (4.31); coloca na ordem psicológica correta e crescente do fluxo das emoções negativas: A AMARGURA, a CÓLERA (raiva), a IRA, a GRITARIA, as BLASFÊMIAS e as MALÍCIAS devem ser totalmente postas de lado.

Paulo repete a dose em (Cl 3.8). A ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena são os pecados dos pagãos, e o cristão deve eliminá-las da sua vida (Cl 3.8).

Thumos, o MAU GÊNIO explosivo, é algo que deve ser banido da vida cristã.

Muitas pessoas têm clara consciência de que possuem MAU HUMOR; e muitas delas alegam que não podem evitá-lo, pois elas são assim mesmas; esperando dos outros que aceitem seus temperamentos pecaminosos e perdoem suas explosões de ira.

O NT deixa bem claro que semelhantes demonstrações de MAU GÊNIO são manifestações pecaminosas pelo fato de o homem ainda estar preso aos baixos instintos da sua própria natureza pecaminosa.

É bem possível que semelhante pessoa nunca tenha plena consciência de como está ferindo aos outros e produzindo uma situação em que o convívio se torna muito difícil.

Devido ao fato de irromper como fogo sobre palha e depois se esquecem facilmente, pensa que os outros devem ler igual capacidade para se esquecerem da dor que ele infligiu.

Que essa pessoa possa se lembrar de que semelhantes demonstrações de mau gênio são pecaminosas, e que o único modo de vencê-las é mediante o poder do Espírito Santo através da oração e muita vigilância no coração.

Há dois ditos no NT sobre a ira. Há o dito de Jesus: "Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento" (Mt 5.22). A cláusula de ressalva: "sem motivo", mostra que há uma ira justa e necessária.

Por outro lado, Paulo escreve: "Irai-vos, e não pequeis" (Ef 4.26).Onde se acha o elemento que transforma o poderoso veneno da ira em remédio útil?

A resposta, em linhas gerais, é a seguinte: A IRA DESCONTROLADA, que passa dos limites é sempre egoísta, que provém do orgulho e da sensibilidade indevida para com seus próprios sentimentos, é sempre e invariavelmente errada;

Quando a ira é “canalizada” e que visa o bem dos outros e que é purificada do próprio eu, frequentemente pode ser um instrumento muito útil a ser usado por Deus.

CONCLUSÃO: Ociúme, como cuidado, zelo, dedicação deve ser desenvolvido para uma afetividade e piedade saudável.

Mais o ciúmes no mau sentido, devido ao sucesso dos outros, é algo que os filhos de Deus, não deve nutrir, antes se alegrar e festejar com o sucesso e as bênçãos dos outros.

A inveja é a causa do fracasso de muitos crentes. A família e a igreja tem sido o lugar onde a inveja tem grassado.  Primeiro porque a proximidade faz com que as comparações sejam mais fáceis e mais frequentes de se fazer.

Em segundo lugar, porque é partilhada a mesma visão da vida, as diferenças logo se transformam em uma ameaça para a autoafirmação. As comparações não são saudáveis na família e nem na igreja.

A ira descontrolada, o mau gênio, o mau humor, não pode ser parte do temperamento daqueles que nasceram de novo e são feitos a semelhança do Senhor Jesus Cristo. Nele não há ciúmes, inveja e ira pecaminosa.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 18/07/2017
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2017 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
Usuários online 1 online Visitantes 195275 Visitas