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Gálatas: as obras da carne III

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas 5: 20.

INTRODUÇÃO: Expomos as primeiras quatro obras da carne: Adultério (moucheia), prostituição (pornéia), impurezas (akatharsia) e lascívia (aselgeia).

Vimos os pecados de onde está toda a gênise das obras da carne, A idolatria (eidololatria), Feitiçarias (Farmakeia) e começaremos as obras da carne ligadas aos relacionamentos. Nesta área estão os nossos pecados mais sérios e reincidentes.

Vejamos a continuação das obras da carne.

1. ECHTHRAI– inimizades (v.20).

ARC, ARA, “Inimizades”; BJ, BV: “ódio”; NLH; “as pessoas ficam inimigas”; “brigas”. Em outras traduções: RSV: “hostil ou hostilidade” (Rm 8.7; Ef 2.14, 16). “inimizade tradicional entre famílias” (Ef 2.16); “inimizade mútua” (Ef 2.16); “elementos conflitantes” (Ef 2.14); “antagônicos”.

Não é necessário gastar muito tempo discutindo o significado de echthra; echthros é a palavra grega normal para um “inimigo”, e echthra, para a “inimizade”.

No próprio NT, ocorre somente em duas outras passagens. Em Rm 8.7 Paulo escreve que a mente que se fixa na carne é hostil a Deus, ou, conforme diz NEB: "O ponto de vista da natureza inferior é inimizade contra Deus."

Em Ef 2:14, 16 é usada para a parede divisória de hostilidade que faz, separação entre o judeu e o gentio até que ambos se tornem um só em Jesus Cristo.

No mundo antigo havia três tipos de inimizade, e estas continuam sendo reproduzidas na vida humana.

(a) Havia inimizade entre uma classe e outra dentro da mesma cidade do mesmo país.Platão disse que em cada cidade havia uma guerra civil entre os que possuem e os que não possuem.

Pode haver em qualquer comunidade uma guerra “fria” e “silenciosa” de classes que as pessoas de DISPOSIÇÃO MALIGNA podem facilmente fomentar visando atingir seus propósitos pessoais que nem sempre se mostram maldosos.

A verdade é que na maioria das vezes, esta distinção ou inimizade é feita de forma quase que INCONSCIENTE, ela pode ser percebida da distribuição do espaço urbano, entre bairros nobres e da periferia.

Pode-se perceber financeiramente, quando algum objeto, ou mesmo lugar ou acesso a certas oportunidade serem acessíveis somente para uma classe mais elitizada.  A existência de “classe sociais” é uma expressão das “obras da carne”, que se manifesta no CINISMO DA INIMIZADE. A escritura desfaz este conceito de inimizade quando diz: que aqueles que possuem, devem viver como se nada tivessem, e os que não possuem devem vivem como se possuíssem tudo.

(b) Havia a inimizade entre os gregos e os bárbaros.É uma separação entre os mais ricos e letrados e os mais pobres e sem acesso ao estudo.  

Esta é uma guerra que não tem fim; e Sócrates implorava que Homero nunca fosse omitido do currículo educacional do jovem grego, porque Homero demonstra a separação eterna entre o grego e o bárbaro.

Para os gregos, havia num sentido literal uma diferença entre os gregos e os bárbaros. Havia e ainda há alguma diferença natural entre os gregos e os bárbaros.

Eles diziam que: Parece que não se pode ir contra a Natureza; e a Natureza planejara dois tipos distintos do homem, e essa ainda é uma crença e não somente dos gregos e o não-gregos, mas essa ainda hoje é uma diferença fundamental.

Deve ser notado quão essencialmente arrogante era esta distinção grega. Houve um Historiador antigo que perguntava insistentemente: como homens que só sabiam latir chegariam a governar o mundo?

Ora, este teste da CULTURA GREGA, relegava nações altamente civilizadas, tais como o Egito, a Fenícia, a Pérsia, a Lídia tão próspera, à categoria de bárbaras.

O próprio Aristóteles pensava que o próprio clima do mundo mantinha esta diferença. Aqueles que habitavam no norte, nos países frios, tinham bastante coragem e ânimo, mas pouca perícia e inteligência; aqueles que habitavam no sul, na Ásia Menor, tinham bastante perícia, inteligência e cultura, mas pouco ânimo ou coragem.

Somente os da cultura grega viviam num clima projetado pela Natureza para produzir o caráter perfeitamente equilibrado e harmonizado (Aristóteles: Política 7.7.2).

Para os gregos, estes "bárbaros" eram por natureza inferiores e escravos, e era perfeitamente correto para um “grego superior”; explorar sua mão de obra ou reduzi-los à escravidão, comprá-los e vendê-los.

Heródoto foi chamado de Amigo dos bárbaros, por ser livre deste preconceito, e altamente criticado, por dizer: grandes façanhas permaneciam grandes façanhas, quer realizadas por um grego, quer não. Isto era intolerável para os gregos.

É de relevância que dois dos lugares onde ocorre a palavra echthra (Ef 2.14, 16) referem-se ao relacionamento no mundo antigo entre judeus e gentios. Havia realmente uma parede de hostilidade, uma inimizade tradicional antiga, entre judeus e gentios.

Era uma ojeriza que existia em ambas as partes. Os romanos podiam falar da religião judaica como sendo superstição bárbara (Cícero: Pro Flacco 28), e do povo judaico como o mais vil dos povos (Tácito: Histórias 5.8).

Na mesma passagem, o historiador Tácito diz a respeito dos judeus que têm uma lealdade inabalável uns aos outros, mas um ódio hostil a todos os demais homens.

Apião um opositor de Josefo: declarou que os judeus juraram pelo Deus do céu, da terra e do mar que nunca demonstrariam boa vontade a qualquer homem de outra nação, e especialmente que nunca fariam isso com os gregos (Josefo: Contra Apião 1.34; 2.10).

Por outro lado, os judeus consideravam os gentios impuros. Casar-se com um gentio era o mesmo que ter morrido.

Nos seus momentos mais amargos, os judeus podiam considerar os gentios como animais imundos, odiados por Deus, e destinados a serem combustível para o fogo do inferno.

A CORTINA DE FERRO do preconceito racial e da amargura entre classes sociais não é coisa nova.

O espírito que produz os motins raciais e a segregação das cores, o afastamento cultural é tão antigo quanto a civilização. Infelizmente este espirito pode tem invadido a igreja pós-moderna.

Mas a Escritura e a ética cristã condena esse mal desde o seu início. O evangelho não tem espaço para estas mazelas sociais.

(c) Há a inimizade entre um homem e outro. Echtrhai descreve uma indisposição oculta e silenciosa que podemos ter em não aceitar completamente outra pessoa, devido sua posição social, sua cultura, sua condição financeira. Tiago descreve este pecado como “acepção de pessoas”.

Echthrai pode ser uma inimizade não declarada, dissimulada, pode ser fruto de um CINISMO EMOCIONAL, MORAL OU CULTURAL.

Isto é muito comum em igrejas de ricos, ou igrejas de pobres. Ou entre irmãos mais ricos e estudados e outros de menor condição financeira e cultural, ou devido a cor da pele ou da raça.

A verdade é que podemos simplesmente definir echthra em termos do seu antônimo. Echthra é o antônimo exato de ágape (amor).

Ágape o amor, a suprema virtude cristã: é a atitude mental que nunca permitirá sentir amargura ou indisposição ou indiferença; para com pessoa alguma, e que nunca buscará outra coisa senão o sumo bem dos outros, independentemente de qual seja a atitude dos outros para com ela, ou que os outros a fizeram.

Echthra é a atitude da mente e do coração que coloca as barreiras da indiferença; que alimenta a mágoa e frieza emocional, e que tira a espada.

Agape é a atitude do coração e da mente que alarga o círculo de convivência; que estende a mão da amizade e que abre os braços do amor. A primeira é uma obra da carne; a outra é fruto do Espírito.

2 – ERIS: porfias, contendas (v.20)

 ARC, ARA: “porfias”; RJ, P: “rixas”; BLH: (as pes¬soas...) brigam; BV: luta; M: dissenção; disputas; discursão “contenda(s)” (Rm 1.29; 1 Co 1. 1 I ); debates (2 Co 12.20), diversidades de; litígios,  ações judiciais, e disputas em geral; conflitos de interesses; pendencias.

Pode-se dizer que echthra e eris têm uma ligação muito grande uma com a outra. Echthra, inimizade, é um estado e atitude da mente para com outras pessoas; e eris, dissenção, é o resultado na vida real deste estado mental.

Eris aparece nos apócrifos como uma das coisas que dilaceram a vida, "Uma luta repentina acende o fogo, uma discussão precipitada derrama sangue" (Ecle. 28.11).

Furor, inveja, perturbação, agitação, medo da morte, ressentimento, lutas (Ecl. 40.5) são os males da vida humana, bem como a morte, o sangue, a luta e a espada, miséria, fome, tribulação, calamidade (Ecle 40.9).

No grego secular, ERIS é uma palavra vívida. A Contenda, aquela que chama os exércitos à batalha, diz Homero (Ilíada); ele coloca juntos a Contenda e o Tumulto e a Morte (Ilíada 18.535).

Para os gregos, ERIS, A DEUSA DA CONTENDA, era uma das forças mais malignas da vida, produtora da violência e da morte.

É a CONTENDA que nasce da inveja, da ambição, do desejo de prestígio e do lugar de proeminência.

Vem do coração em que há ciúmes. Se um homem é purificado de CIÚMES, ele foi limpo de tudo o que suscita a contenda a disputa e conflito.

É um presente dado por Deus para poder TER TANTO PRAZER NOS SUCESSOS DOS OUTROS como no próprio.

Eris é o espírito que nasceu da competição desenfreada e profana. Provém do desejo de lugar, poder e prestígio e o ÓDIO DE SER SUPERADO. É essencialmente o pecado que coloca o eu no primeiro plano e é toda a negação do amor cristão.

(Eris) é uma palavra de batalhas. Denota RIVALIDADE E COMPETIÇÃO, discórdia sobre lugar e prestígio. É a característica do homem que se esqueceu de que somente aquele que se humilha pode ser exaltado.

No NT, Eris, contenda, é sempre uma coisa má. No pensamento de Paulo, há duas coisas significativas no que diz respeito a “Eris”.

(a) Eris é um dos males que caracterizam o mundo sem Deus.(Rm 1.29). O mundo pagão é um mundo dividido; é um mundo de relacionamentos pessoais quebrados e interrompidos, e é somente o evangelho que pode produzir comunhão e união na vida.

Em (Rm 13.13) O cristão é proibido viver em orgias e bebedices, em impudicías e dissoluções, em contendas e ciúmes. Estas são as coisas que o homem deve deixar para trás quando se converte.

(b) Eris é um dos males que podem perturbar a igreja. O fato realmente relevante no tocante ao uso que Paulo faz da palavra eris é que quatro das suas seis ocorrências têm conexão com a vida na Igreja.

Três delas se acham nas cartas a Corinto (I Co 1.11; 3.3; ." Co 12.20). O ESPIRITO DE “ERIS” dividiu a igreja de Corinto em FACÇÕES e PARTIDOS por isso eles alegam ser de Cefas, de Apolo, de Paulo e de Cristo.

O espirito de éris que dividiu a igreja, e que trouxe inimizade onde deveria haver amor e comunhão. Por isso o perigo de grupos dentro da igreja.

Na carta aos Filipenses, Paulo escreve que aqueles que pregam em concorrência maligna contra sua pessoa, e cuja pregação dirige-se à sua DESMORALIZAÇÃO mais do que à glorificação de Cristo, estão pregando com o espirito de eris (Fp 1.15).

Eles não estão pregando não simplesmente para fazer sucesso, mas principalmente para impedir que Paulo tivesse sucesso em seu ministério.

Aqui estamos chegando ainda mais perto do significado de ERIS. O espirito de Eris invade a igreja e torna-se característica da igreja, quando os líderes e os membros têm EM CONCEITO MAIS ALTO as pessoas, os partidos, os lemas e as questões pessoais do que o conceito que têm de Jesus Cristo e do seu evangelho.

Aqui está a nossa advertência. Sempre que Jesus Cristo e o seu evangelho é destituído do lugar central de uma igreja, todos os relacionamentos pessoais desandam.

Quando um homem começa a pregar, não para glorificar a Jesus Cristo, mas para exaltar seu próprio conceito pessoal e particular até mesmo sobre Jesus Cristo.

Ou seja: quando um homem prega UMA TEOLOGIA em lugar de UM EVANGELHO, quando um homem começa a argumentar a fim de demolir seu oponente ao invés de ganhá-lo, então entra a deusa eris. (Calvinismo x Arminianismo; tradicionais x pentecostais).

Nenhum pecado invade a igreja mais comumente do que a contenda; nenhum pecado destrói mais a fraternidade cristã; nenhum outro pecado vai mandar mais gente para o inferno como a contenda, e não há pecado em Deus mais odeia diz a Escritura, como aquele que semeia contenda entre os irmãos.

O espirito da deusa Eris nem sequer consegue penetrar na Igreja, se Cristo for soberano ali e o evangelho for pregado e vivido na sua integralidade.

3. ZELOS E FTHONOS – Ciúmes(v.20) e Inveja (v.21)

“Zêlos”: ARA, BJ, BLH, BV: ciúmes; inveja; ARC: emulações; rivalidade.

Traduções de zêlos, quando ocorre num bom sentido: ARA: zelo (Rm 10.2; 2 Co 7.7; 7A 1 ; 9.2; Fp 3.6); vivo interesse (para comigo) (2 Co 7.7); ansiedade (em procurar a fé) (2 Co 7.11); BV: caloroso afeto (2 Co 7.7); almejar (2 Co 7.11); ser sincero (Fp 3.6); BLH: dedicação (Rm 10.2); devoção (2 Co 7.11).

Fthonos — (primeira palavra do v. 21) inveja(s): ARC, ARA, BJ; “ciúmes: BLH: são invejosas; outra ocorrência: “inveja”: ARA (Fp 1.15).

Estas palavras, embora separadas no trecho de Gálatas em estudo (G1 5.20 e 21), precisam ser estudadas juntas, porque ocorrem tão frequentemente como par, e porque há casos em que uma delas tem que ser definida em contraste com a outra.

O princípio geral que governa seu significado é que “zelos” (zelo) têm um sentido bom e um mal, ao passo que fthonos (ciúmes) é sempre mau.

Começaremos tratando as palavras na ordem em que ocorrem nas próprias Escrituras.

1) Ocorrência nos dois sentidos no AT grego.

(a) No seu bom sentido. Na versão LXX, zêlos é usado repetidas vezes a respeito de Deus. "O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto"(Is 9.7). Deus tomou o zelo como sua armadura completa (Sab. 5.17).

Aqui, o zelo é a resolução incansável de Deus no sentido de levar a efeito os Seus próprios propósitos e de vindicar os Seus. Se pudermos expressar a questão em termos humanos, zêlos é o entusiasmo infatigável de Deus em cumprir o Seu propósito no mundo.

(b) Zêlos é a palavra que muito frequentemente expressa os ciúmes santos de Deus.Há um quadro que encontramos repetidas vezes nos profetas; é o retrato de Israel com a noiva de Deus.

Quando, portanto, Israel se desgarra para longe de Deus e adora a outros deuses, pode-se dizer que Israel se entregou a outros amantes que são falsos; e em tal situação os profetas falam dos CIÚMES DE DEUS, que é o verdadeiro marido de Israel (Ez 16.37, 38; 23.25).

Os ciúmes de Deus são como os ciúmes de um amante cuja amada comporta-se de modo estulto e falso.

(c) zélos é usado num bom sentido no que diz respeito também aos homens.O salmista diz: "O zelo da tua casa me consumiu" (SI 69.9). "O meu zelo," diz ele, "me consome" (Si 119.139). Este zelo é a paixão por Deus que consome e estimula o homem.

(d) Mas igualmente no AT grego, tem um mau sentido: o da “inveja” e “ciúmes” que destroem os relacionamentos pessoais e a felicidade individual.

Elifaz diz a Jó: "A ira do louco o destrói, e o zelo [a inveja] do tolo o mata" (Jó 5.2). O ciúme deixa um homem furioso (Pv 6.34). O escritor de Eclesiastes adota o ponto de vista de que a labuta e a diligência são simplesmente o resultado da inveja do homem contra o seu próximo (Ec 4.4).

Amor, ódio e inveja, todos eles perecem na morte (Ec 9.6). O ciúme e a ira encurtam a vida, e a ansiedade provoca a velhice precoce (Ec. 30.24). Zêlos pode ser uma coisa maligna, que arruina a vida.

2) Voltemo-nos, agora, ao NT. Nas cartas de Paulo, zêlos ocorre nove vezes, e pelo menos seis num bom sentido. Os judeus têm zelo por Deus, mesmo sem iluminação (Rm 10.2). Paulo, no seu zelo pela lei, era um perseguidor da Igreja (Fp 3.6).

Paulo fala do anseio e do zelo dos coríntios pela sua pessoa (2 Co 7.7) e do zelo que o arrependimento produziu neles (2 Co 7.11). Fala do zelo dos coríntios na sua contribuição à coleta em favor dos pobres na Igreja de Jerusalém (2 Co 9.2).

Paulo tem “zelo” pelos coríntios porque foi ele quem os preparou como noiva de Cristo (2 Co 11.2). Por outro lado, as contendas e os ciúmes são duas coisas das quais o cristão deve livrar-se tendo em vista a proximidade da vinda de Cristo (Rm 13.13).

Os ciúmes e as contendas são a prova de que os coríntios ainda estão sob o domínio dos baixos instintos da sua natureza (1 Co 3.3). O ciúme é um dos erros que Paulo teme achar se voltar para Corinto (2 Co 12.20).

3) “Zelos” usado no grego secular. Recebemos ajuda real na definição do significado delas. Os escritos gregos dão uma ajuda notável no entendimento.

(a) As duas palavras podem ser usadas juntas. Platão dizia: A ira, o medo, o luto, o amor, os ciúmes (zêlos) e a inveja (fthonos) são dores da alma (Filebo 47 E).

Uma comunidade em que não há riqueza nem pobreza é a única comunidade onde a insolência e a injustiça, as contendas e as invejas, não têm oportunidade alguma de florescer (Leis 679 C). Tão logo existe a riqueza, há olhares ciumentos (República 550 E).

Mas há um uso das palavras em Platão que é de relevância especial. Depois do sucesso de Atenas contra os bárbaros, e depois da maneira com que Atenas salvou a Grécia, ela teve de passar pela penalidade inevitável do sucesso.

A Grécia, não suportou o sucesso de Atenas e por isso ficou cheia de ciúmes (zêlos), e depois, pela inveja (fthonos), essa inveja a levou a uma guerra contra Atenas. (Menex. 242 A).

Fica claro, nesta historia, que zêlos (ciúmes) é apenas uma etapa no caminho para fthonos (inveja). Podemos concluir que o ciúme é quem lança olhares de má vontade sobre o sucesso de alguém, e que provoca a inveja que leva às ações hostis e maléficas contra os outros.

Outra diferença fica estabelecida: zêlos ciumes é menos sério, menos amargo, menos maligno do que fthonos; fthonos(inveja) é aquilo a que zêlos(ciúmes) pode chegar, a não ser que o coração seja purificado.

(b) Há uma maneira lúcida de lidar com a diferença entre as duas palavras.

Para Aristóteles, zêlos é um sentimento bom e necessário da alma. Zêlos é um estímulo; é o sentimento que vem ao homem quando vê outra pessoa possuindo alguma coisa nobre.

Esse sentimento não é de tristeza porque a outra pessoa possui uma coisa magnífica; apenas é um lamento por também não possuí-la.

É uma virtude e uma característica do homem virtuoso. Desde que não haja nele má vontade; mas há o incentivo para a ambição nobre, no sentido de obter uma virtude que foi vista de relance mas não possuída.

Por outro lado, fthonos (inveja) é um tipo de dor diante da visão do sucesso, a dor diante daquilo que é bom no outro. E esta dor tem sua origem, não no fato de que a pessoa que olha não possui a coisa magnífica; brota do fato de que a outra pessoa a possui.

O homem que tem fthonos/inveja no seu coração não é inspirado por uma ambição nobre; simplesmente está “AMARGURADO” diante da visão de outra pessoa possuindo o que ele não tem, e faria tudo quanto fosse possível, não para possuir a coisa, mas para evitar que a outra pessoa a possuísse. A inveja é baixeza, e a característica do homem vil.

Zélos pode ser uma ambição nobre como os coríntios tiveram por Paulo. Já fthonos (inveja) nunca poderá ser outra coisa senão ciúme malévolo e amargo.

Xenofonte, transmite muito bem a definição de fthonos (inveja): É um tipo de dor, não diante do infortúnio de um amigo, nem diante do sucesso do inimigo. Os invejosos são aqueles que se irritam somente com o sucesso dos seus amigos. Logo a inveja é um sentimento horrível. Tiago fala da “amarga inveja”.

(c) Definindo o significado destas palavras. Zélos(como cuidado e não como ciúmes),  é o desejo de estimular aquilo que elogiamos; é a boa disposição para fazer o que admiramos, e de não fazer o que censuramos.

É a imitação (mimêsis) daquilo que é excelente. O amor por uma pessoa, não pode ser realmente ativo, a não ser que haja nele um pouco de ciúme zêlos (cuidado).

A verdadeira virtude do amor não pode ser eficaz a não ser que crie em nós, não a inveja (fthonos), mas o estímulo (zélos) nas coisas honrosas. Não é contenda; e nem rivalidade é a bondade.

Por outro lado, fthonos inveja toda a prosperidade e todo o sucesso. É, portanto, ilimitado, "sendo como a OFTALMIA que se perturba diante de tudo o que tem brilho".

Fthonos irrita-se diante da prosperidade dos outros. Os insetos atacam o trigo maduro, e a inveja ataca os bons e aqueles que estão crescendo na virtude e na boa reputação. A inveja, disse Eurípedes, é a maior enfermidade entre os homens.

Podemos ver a diferença entre as duas emoções, conforme Plutarco e Aristóteles as viam, em duas histórias gregas.

A primeira historia traz o bom uso do termo: Temístocles não conseguia descansar quando pensava na grande vitória que Miltíades obtivera em Maratona; o pensamento dela enchia-o de ambição nobre; e não descansou até que conseguiu sua vitória em Salâmis lado a lado com a vitória de Miltíades em Maratona. Não tinha inveja da grandeza de Miltíades; desejava realizar algo semelhante (Plutarco: Temístocles 3). Isto é zélos. Ciúmes no bom sentido.

A segunda historia traz o mau sentido: Aristides era chamado o Justo. Estava sendo processado, e certo homem do juri veio a ele, sem saber quem era, e pediu que Aristides lhe escrevesse o seu voto, pois não sabia escrever; e o voto era a favor do banimento do próprio Aristides! "Que mal Aristides lhe fez?" perguntou-lhe. "Estou cansado," disse o homem, "de ouvir as pessoas o chamarem de o Justo" (Plutarco: Aristides 7).

Esta não era nenhuma ambição nobre no sentido de imitar a grandeza; era simplesmente o “RESSENTIMENTO AMARGO” porque alguém era considerado grande. Isto é fthonos (inveja, ciúmes).

Fthonos não ocorre no AT canônico em lugar algum. Ocorre, porém, nos Apócrifos. "É por inveja do diabo que a morte entrou no mundo: prová-la-ão quantos são de seu partido! (Sab. 2.24). A inveja é uma coisa diabólica. "Não caminharei junto com a inveja corrosiva que com a Sabedoria não comunga" (Sab. 6.23). Fthonos é claramente algo a ser detestado.

Paulo usa-a apenas duas vezes. Em Rm 1.29 é um dos pecados que caracterizam o mundo pagão. E em Fp 1.15 é o espírito que IMPULSIONA aqueles que pregam a Cristo, não tanto para ganhar as pessoas para Cristo, mas simplesmente para OFENDER Paulo. Não cobiçam para si o SUCESSO dele, mas desejam negá-lo a Paulo.

Os escritores pagãos teriam permitido alguma grandeza necessária a zélos, como a rivalidade na ambição nobre, mas estava para vir o dia em que Clemente de Roma faria remontar todo o pecado a esta própria qualidade.

A inveja/ciumes (zelos), escreveu ele aos coríntios, foi responsável pelo assassinato de Abel cometido por Caim, pela fuga de Jacó diante de Esaú, pela venda de José para o Egito pelos seus irmãos, pela tentativa de assassinato feita por Saul contra Davi, e pelo ódio pagão que derramou o sangue dos mártires cristãos (I Clemente 4.6).

Há algo trágico na situação humana aqui. Fthonos sempre foi uma palavra feia, mas zelos poderia denotar uma coisa grandiosa que acabou em pecado.

Talvez seja verdade dizer que não há TESTE MELHOR para um homem do que sua REAÇÃO diante da grandeza e do sucesso de outra pessoa.

Se isto o levar ao zêlos, que é a AMBIÇÃO NOBRE e à bondade, trata-se da obra do Espírito, mas se o levar a um RESSENTIMENTO AMARGO e CIUMENTO, trata se da obra da carne, e aquilo que deveria ser um incentivo à bondade tornou-se uma persuasão ao pecado.

CONCLUSÃO:Precisamos da ajuda da Palavra de Deus para auto-examinar o nosso coração e vê se estes espíritos da carne, tem vivido em nós. A inimizade, a contenda, o ciúme ou a inveja.

Precisamos da ajuda dos outros irmãos mais maduros e piedosos, para que identifiquemos cada desses pecados que ainda domina nossa vida. Sozinho é impossível encontrar todos esses frutos do pecado em nós. O autoengano é a principal característica do nosso coração.

Somente a obra da graça é que pode operar eficazmente em nós para um viver que agrade a Deus.

Lutero escreve: Quando eu era um monge, eu pensei se vivesse completamente afastado do mundo, em momento algum, sentiria a luxuria da carne, ou qualquer outra emoção maligna.

 

Se naquele momento eu tivesse entendido com justiça as frases de Paulo, não deveria ter me atormentado tão miseravelmente; mas deveria ter pensado e me dito, como costumo fazer hoje, Lutero, não ficará sem pecar, porque você ainda tem uma natureza pecaminosa; portanto você vai sentir sua batalha. Desespero não, mas devo resistir fortemente. 

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 27/06/2017
Por: Jairo Carvalho



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