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Gálatas - A singularidade do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referencia: Gálatas 1: 1-9 

 

INTRODUÇÃO: Lutero disse: a epistola aos gálatas é minha epistola. Diante dela sou como que preso por laços matrimoniais. Ela é minha Katherine, (esposa de Lutero). Lutero considerava a epistola aos Gálatas melhor que todos os livros da bíblia.

 

Ela tem sido chamada “o grito de guerra da reforma”, “a grande autora da liberdade religiosa”, a “declaração de independência do cristão”.

 

O livro de Gálatas é dinamite pura. Uma explosão de alegria e liberdade que nos faz desfrutar de profundo significado, segurança e satisfação — a vida de bênçãos à qual Deus chama seu povo.

 

Por quê? Porque ele nos coloca face a face com o evangelho. Nos círculos cristãos, é muito comum presumir que "o evangelho" é algo basicamente para não convertidos.

 

Nós o vemos como um abcê das doutrinas básicas que constituem a maneira pela qual alguém entra no reino de Deus. Costumamos supor que, uma vez convertidos, não precisamos mais ouvir, estudar ou entender o evangelho, mas, sim, de material mais "avançado".

 

Nessa breve carta, no entanto, Paulo delineia a verdade bombástica de que o evangelho é o abecedário da vida cristã. Ele não é apenas a maneira pela qual se entra no reino; ele é a maneira pela qual se vive na condição de participante do reino. É a maneira pela qual Cristo transforma as pessoas, igrejas e comunidades.

 

Veremos Paulo mostrando aos novos cristãos da Galácia que seu problema espiritual é causado não só por deixarem de viver em obediência a Deus, mas também por não confiarem na obediência a ele.

 

Testemunharemos quando ele lhes disser que tudo de que necessitam — tudo de que podem precisar na vida — é do evangelho do favor imerecido de Deus para com eles por meio da vida, morte e ressurreição de Cristo.

 

Vamos ouvi-lo resolver os problemas deles — não lhes dizendo para serem “melhores cristãos", mas chamando-os para viver as implicações do evangelho.

 

Observaremos Paulo exortando a eles e a nós com a verdade simples de que o evangelho não é apenas o abcê do cristianismo, mas seu abecedário inteiro, ou seja, de que os cristãos necessitam tanto do evangelho quanto os não cristãos.

 

Paulo nos explicará que as verdades do evangelho modificam a vida de alto a baixo; que transformam nosso coração, nosso modo de pensar e nossa abordagem de absolutamente tudo.

 

O evangelho — a mensagem de que somos piores do que jamais ousamos acreditar, porém mais amados e aceitos em Cristo do que jamais ousamos esperar — cria uma nova dinâmica radical para o crescimento pessoal, para a obediência, para o amor.

 

Gálatas tem tudo ha ver com o evangelho, do qual todos nós necessitamos ao longo da vida inteira. É dinamite pura, e eu oro para que, à medida que exponho este livro, a mensagem poderosa da epístola venha a explodir em seu coração e o encha de entusiasmo para ver o mesmo efeito no coração de outras pessoas.

 

I. O contexto histórico

O apóstolo Paulo foi um missionário plantador de igrejas. Depois de abrir uma igreja e deixar a região, continuava a orientar as novas congregações por intermédio de cartas. Uma delas é esta epístola às igrejas cristãs da região da Galácia, na Ásia Menor.

 

A maioria dos estudiosos concorda que Paulo a escreveu por volta de 50 d.C. (de 15 a 20 anos apenas depois da morte de Cristo). E útil identificar os três dados seguintes no cenário histórico, que nos ajudarão a entender a epístola:

 

A carta trata de uma divisão social e racial nas igrejas da Galácia. Os primeiros cristãos de Jerusalém eram judeus, mas, à medida que o evangelho foi se disseminando a partir desse centro, quantidades crescentes de gentios começaram a receber a Cristo.

 

Contudo, um grupo de mestres gálatas judaizantes estava agora insistindo em que os cristãos gentios praticassem todos os costumes cerimoniais tradicionais da lei de Moisés, como faziam os cristãos judeus.

 

Ensinavam que os gentios tinham de observar as leis dos alimentos e se circuncidar para ser plenamente aceitos por Deus e ser assim agradáveis a ele.

 

Embora essa controvérsia específica nos pareça hoje muito remota, Paulo tratou dela como verdade eterna da maior importância. Ele ensinou que as divisões culturais e a desunião nas igrejas da Galácia deviam-se à confusão acerca da natureza do evangelho.

 

Ao insistir em "Cristo e algo mais" como requisito para a plena aceitação por parte de Deus, os pregadores judaizantes estavam apresentando um modo todo diferente de se relacionar com Deus ("outro evangelho", 1.6), em relação àquele que Paulo lhes transmitira ("um evangelho diferente do que já vos pregamos", 1.8).

 

Esse evangelho diferente estava criando divisão e conflitos culturais. Paulo lutou contra o "outro evangelho" de maneira enérgica e sem pedir desculpas a ninguém, pois abrir mão do verdadeiro evangelho é abandonar e perder o próprio Cristo (1.6). Portanto, tudo estava em jogo naquele debate.

 

O fato mais evidente acerca do cenário histórico costuma ser o mais ignorado. Na carta aos gálatas, Paulo expõe em detalhes o que é o evangelho e como ele opera. Mas o público-alvo dessa explanação do evangelho é só de cristãos professos.

 

Isso significa que não são apenas os não cristãos que precisam aprender o evangelho e aplicá-lo em sua vida, mas também os crentes.

 

II. A Singularidade do Evangelho

 

Talvez o que mais chame a atenção na abertura de Gálatas seja o tom usado por Paulo e o estado de espírito por trás dele. Paulo está surpreso. Ele também parece zangado. Sua linguagem, quase desde o início, é extraordinariamente incisiva.

 

Se, como é comum, as cartas de Paulo, após a saudação, dão espaço para uma ação de graças por aqueles para quem ele está escrevendo (veja, por exemplo, Fp 1.3-8, Cl 1.3-8 e 1Co 1.4-9), aqui ele se limita a dizer: "Estou admirado..." (v. 6a). O que despertou sentimentos tão intensos nele?

 

1. Desvio

Em primeiro lugar, Paulo fica admirado porque aqueles cristãos recém-convertidos estão se deixando levar por um EVANGELHO que não é evangelho de fato (v. 7), expondo-se a um enorme perigo. Eles estão perturbados (v. 7b).

 

Em segundo lugar, o alvo principal de sua fúria são aqueles que estão desencaminhando os convertidos da igreja, ou seja, aqueles que "querem perverter o evangelho" (v. 7b). Paulo invoca maldição sobre eles (v. 9).

 

De uma forma mais secundária, ele também está zangado com os próprios cristãos da Galácia, e os adverte de que estão se desviando do Deus que os chamou (v. 6b)... uma acusação grave!

 

Ao percorrermos a carta de Paulo, veremos que seu acesso de raiva na introdução foi causado por um grupo de mestres que vinha ensinando aos cristãos gentios convertidos que eles eram obrigados a cumprir os costumes culturais judaicos da LEI MOSAICA - em relação a alimentos, à circuncisão e às demais leis cerimoniais, com a observar as festas e a guarda do sábado — a fim de agradar a Deus de verdade.

 

Para os gálatas, é provável que isso não parecesse uma diferença radical do que lhes fora ensinado. Com certeza, o ponto central da vida cristã é agradar a Deus! Mas Paulo diz: "Isso é uma rejeição completa de tudo que lhes tenho dito".

 

Ele bate para valer! Mas, se cremos no que Paulo cria sobre o evangelho, sua atitude nos parecerá plenamente justificável. Se os gálatas estão mesmo dando as costas para Deus e abraçando um evangelho que não é, de forma alguma, o evangelho, sua situação é perigosa.

A ansiedade e a raiva expressas por Paulo são as mesmas que qualquer pai ou amigo amoroso sentiria se um filho ou colega se desviasse seriamente do caminho.

 

2. Paulo tem o direito de se manifestar

Mas quem é Paulo para escrever a esses cristãos dessa maneira?

 

Um "apóstolo" (v. 1): um homem enviado com autoridade divina imediata. A palavra grega apóstolos dá ênfase ao fato de ser "enviado". A frase "não da parte de homens, nem por meio de homem algum" deixa claro o caráter exclusivo dos primeiros apóstolos.

 

Tampouco aqueles que hoje são chamados ao ministério pelo Espírito Santo recebem o chamado "da parte de homens" — a razão última de seu ministério é o chamado de Jesus, e a autoridade máxima desse ministério é a palavra de Jesus na Bíblia.

 

Mas eles são designados "por meio de homem". (O termo grego aqui, dia, significa "por" ou "através", como em "diâmetro".) Ou seja, embora os ministros recebam seu chamado de Deus, são chamados por intermédio de outros ministros humanos, ou por meio da eleição de uma congregação etc.

 

Paulo reivindica algo mais acerca de si próprio. Diz que não recebeu sua comissão apostólica por meio de ninguém, em absoluto. Nenhum outro apóstolo o comissionou. Ele foi comissionado e ensinado diretamente pelo próprio Jesus ressurreto (veja At 9.1-19).

 

Em segundo lugar, nos versículos 8 e 9, Paulo diz que foi enviado com uma mensagem divina específica: o evangelho. Isso quer dizer que seu ensinamento divino serve de padrão para julgar quem é ORTODOXO e quem é HEREGE, como ele diz no versículo 9: "Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja maldito".

 

Nem mesmo um apóstolo pode mudar a mensagem de Cristo, revisá-la ou acrescentar algo a ela. O que ele diz não é resultado de seu estudo, pesquisa, reflexão e sabedoria. É dado por Deus, sendo tanto intocável quanto imutável.

 

Poderíamos nos perguntar: ainda existem apóstolos hoje? Não, no sentido pleno, somente foram Paulo e OS DOZE. Na igreja primitiva, outros foram considerados apóstolos das igrejas (por exemplo, cf. 2Coríntios 9.3). Barnabé foi "enviado" para Antioquia e, nesse sentido, era "apóstolo" (cf. At 11.22; veja também At 14.14).

 

No entanto, embora fossem enviados como missionários, eram comissionados por outros, pelos apóstolos originais ou pelas igrejas — "por meio de homem".

 

Barnabé nunca se encontrou com o Cristo ressurreto; nunca foi ensinado e educado no evangelho pelo Cristo presente em corpo, como acontecera com Paulo e os Doze.

Paulo é um Apóstolo, comissionado pelo próprio Jesus. E como Apóstolo ele tem autoridade absoluta. O que ele escreve e ensina é Escritura.

 

3. O que é o evangelho

Assim, o Apóstolo Paulo divinamente designado lembra aos cristãos da Galácia sua mensagem divina especial: o evangelho.

 

Na abertura, traça um esboço rápido, ainda que bastante abrangente, da mensagem do evangelho: Quem somos: impotentes e perdidos. É o que sugere a palavra "livrar" no versículo 4.

 

Outros fundadores de religiões vieram ensinar, não livrar. Jesus foi um grande mestre; mas, quando Paulo nos dá essa versão resumida do ministério de Jesus, não faz nenhuma menção disso, em absoluto.

 

A pessoa comum das ruas acredita que o cristão é alguém que segue o ensinamento e o exemplo de Cristo. Paulo, no entanto, sugere que isso é impossível. Afinal de contas, não se pode livrar pessoas a menos que estejam perdidas e em condição de impotência!

 

Imagine que você veja uma mulher se afogando. Não será de nenhuma ajuda lhe atirar um manual de natação. Você não lhe lança um ensinamento — você lhe joga uma corda.

 

E Jesus é mais libertador do que mestre — porque é disso que mais necessitamos. Nada do que somos ou fazemos nos salva. A isso os teólogos dão o nome de "incapacidade espiritual".

 

O que Jesus fez: como Jesus nos liberta? Ele "se entregou a si mesmo pelos nossos PECADOS" (v. 4a). Temos um sacrifício SUBSTITUTIVO por natureza. A palavra "pelos" significa "em benefício de" ou "no lugar de". A substituição é o motivo de o evangelho ser tão revolucionário.

 

A morte de Cristo não foi apenas um sacrifício geral, mas substitutivo. Ele não nos comprou apenas uma "segunda chance", dando-nos nova oportunidade de endireitar a vida e agir certo com Deus.

Ele fez tudo que precisávamos fazer, mas não conseguimos. Se a morte de Jesus de fato pagou por nossos pecados em nosso lugar, nunca podemos retroceder para a condenação. Por quê?

 

Porque, nesse caso, Deus receberia dois pagamentos pelo mesmo pecado, o que é injusto! Jesus fez tudo que deveríamos ter feito, em nosso lugar, de modo que, quando ele se torna nosso Salvador, somos absolutamente libertos da penalidade e da condenação.

 

O que o Pai fez: Deus aceitou a obra de Cristo em nosso benefício ressuscitando-o "dentre os mortos" (v. 1) e dando-nos a "GRAÇA [...] e paz" (v. 3) que Cristo conquistou e alcançou por nós.

 

Por que Deus o fez: tudo isso foi feito por graça — não por algo que tenhamos feito, mas "segundo a vontade de nosso Deus e Pai" (v. 4d).

 

Não pedimos socorro, mas Deus, em sua graça, planejou o que não tínhamos percebido que necessitávamos, e Cristo, por sua graça (v. 6), veio realizar a libertação que jamais alcançaríamos por nós mesmos.

 

Não há nenhum indicativo de qualquer outra motivação ou causa para a missão de Cristo, exceto a vontade de Deus. Não há nada em nós que a mereça. A salvação é pura graça.

 

Por isso, o único que recebe "glória para todo o sempre" é Deus (v. 5). Se tivéssemos contribuído com nossa salvação... se tivéssemos nos libertado... ou se Deus tivesse visto em nós algo que merecesse ser salvo, ou que fosse útil para seus planos...

 

ou, ainda, se tivéssemos nos limitado a clamar por libertação baseados em nosso próprio raciocínio e entendimento... então poderíamos nos congratular pelo papel que desempenhamos para nos salvar.

 

Mas o evangelho bíblico — o evangelho de Paulo — deixa claro que a salvação, do início ao fim, é obra de Deus. O chamado, o plano, a ação, a obra são todos seus. Assim, é ele que merece toda a glória, em todo o tempo.

 

Essa é a verdade humilhante que constitui o cerne do cristianismo. Nós adoramos ser nossos próprios salvadores. Nosso coração adora fabricar glória para si.

 

Por isso consideramos as mensagens de autossalvação tão atraentes, sejam elas religiosas (Siga essas regras e você ganhará bênçãos eternas) ou seculares (Conquiste essas coisas e experimentará bênçãos agora mesmo).

 

O evangelho chega e vira tudo isso de cabeça para baixo: você está em posição de tamanha impotência e necessita de uma salvação que não depende de você em absolutamente nada.

 

Em seguida, diz: Deus, em Jesus, oferece uma salvação que lhe concede muito mais do que qualquer salvação falsa que seu coração queira buscar.

 

Paulo nos lembra de que, no evangelho, somos mais rebaixados e mais exaltados do que poderíamos imaginar. E o único que tem direito de receber toda a glória por isso é o "nosso Deus e Pai [...] para todo o sempre. AMÉM" (v. 4,5).

 

III. Revisão do evangelho = reversão do evangelho.

 

1. Diluir o evangelho.

O evangelho bíblico da graça é algo precioso. Era esse evangelho glorioso que os líderes das igrejas da Galácia estavam pervertendo, e era dele que os membros da igreja local haviam se desviado.

 

Isso é importante porque Paulo diz que qualquer mudança no evangelho significa transformá-lo em algo "que, na realidade, não é o evangelho" (cf. v. 7, NVI). Por que isso? Por que qualquer mudança no evangelho, por menor que seja, o anula e esvazia?

 

Porque, diz Paulo, os cristãos são chamados "pela graça de Cristo" (v. 6). Deus nos chamou; não fomos nós que o chamamos. E Deus nos aceitou de pronto, apesar de não merecermos. Essa é a ordem do evangelho.

 

Deus nos aceita, então o seguimos. Já outros sistemas religiosos propõem a ordem inversa. Temos de dar algo a Deus e então ele nos aceita.

 

Assim, no versículo 7, Paulo diz que qualquer ensinamento que acrescente a manutenção da lei mosaica cerimonial à fé em Cristo “perverte"/transtorna o evangelho. Literalmente, a palavra que ele escolhe usar quer dizer "reverter".

 

Isso é esclarecedor. Se você acrescentar qualquer coisa a Cristo como um requisito para ser aceito por Deus — se começa a dizer: Para ser salvo, preciso da graça de Cristo mais alguma coisa —, você reverte por completo a "ordem" do evangelho e o anula e esvazia.

Qualquer revisão do evangelho o reverte. Por isso, no versículo 6, Paulo diz que os falsos mestres estão apresentando "outro evangelho", que, logo no versículo 7, ele diz que "na realidade, não é o evangelho".

 

Isso é claro como água. Não se pode conceber a ideia de outro evangelho. Outro evangelho é nenhum evangelho. Mudar o evangelho no mínimo que seja significa perdê-lo tão completamente que o novo ensinamento não tem o direito de ser chamado de "evangelho".

 

Martinho Lutero, o reformador do século 16, resumiu bem essa ideia: Não há meio-termo entre a JUSTIFICAÇÃO cristã e a JUSTIFICAÇÃO PELAS OBRAS. Não existe alternativa à justificação cristã, senão a justificação pelas obras; se você não edificar sua fé sobre a obra de Cristo, deve edificá-la sobre suas próprias obras ("Prefácio", Comnzentary 077 the Epistletothe Galatians).

 

2. Perdendo o evangelho hoje.

O que Paulo combateu em sua época, e contra o que Lutero batalhou na dele, testemunhamos também na nossa. Lembre-se, Paulo condena qualquer ensino que não seja baseado no fato de que:

 

- Pecamos demais para contribuir para nossa salvação (precisamos de uma libertação completa).

- Somos salvos pela fé na obra de Jesus — a "graça de Cristo"— e mais nada.

 

Aqui estão três exemplos de perspectivas atuais que negam uma dessas verdades ou ambas:

 

(a) Em algumas igrejas, ensina-se implícita ou explicitamente que você e' salvo por meio de uma fé subjetiva. A fé através da qual Deus opera a salvação, tem a Cristo como seu objeto, ela deseja a Cristo e nada mais.

 

Esse é um erro bem comum nas igrejas evangélicas. As pessoas são desafiadas a "entregar sua vida a Jesus" e/ou a "convidá-lo a entrar em sua vida”, para que tenham uma vida melhor, para que sejam pessoas melhores, ou para que tenham suas vidas libertas de algum problema ou dificuldade em alguma área da vida.

 

 

 

Isso pode soar muito bíblico, mas ainda assim tende a rejeitar com facilidade o princípio da graça onde Deus nos oferece primeiramente perdão para os nossos pecados e não simplesmente soluções para nossas crises.

 

Outros acreditam que devo sempre manter sempre um alto nível espiritual de pesar, fome e amor, a fim de garantir a presença de Cristo, vivem querendo um “algo mais”, e por isso vivem sempre frustradas espiritualmente, por não se contentar e nem se alegrar como o evangelho.

 

Assim, em termos funcionais — ou seja, na realidade prática —, tais igrejas estão ensinando o conceito de que somos salvos devido ao nível da nossa fé. Mas o evangelho diz que somos salvos por intermédio da nossa fé.

 

A primeira abordagem, na verdade, faz com que nosso desempenho seja o salvador, e a segunda faz do desempenho de Cristo o Salvador. Não é o nível de fé que nos salva, mas o objeto da nossa fé que nos salva.

 

(b) Em outras igrejas, ensina-se que, na verdade, não tem muita importância aquilo em que você crê, desde que seja uma pessoa amorosa e boa. Trata-se de um erro bastante comum nas igrejas "liberais".

 

Essa visão ensina que todas as pessoas boas, independentemente de sua religião (ou falta dela), encontrarão a Deus. Embora a ideia pareça revelar uma mente muito aberta, de fato ela é intolerante para com a graça, em dois sentidos.

 

Primeiro, ensina que as boas obras são suficientes para se chegar a Deus. Se todas as pessoas boas podem conhecer a Deus, então a morte de Jesus não era necessária; basta a virtude.

 

O problema é que isso quer dizer que pessoas más não têm esperança nenhuma, contradizendo o evangelho, que convida "tanto maus quanto bons" ao banquete divino (Mt 22.10).

 

Se você afirma que as pessoas são salvas por serem boas, então só "os bons" podem se achegar ao banquete de Deus. A oferta do evangelho torna-se exclusiva, não inclusiva.

 

Segundo, encoraja as pessoas a pensar que, se forem tolerantes e abertas, agradarão a Deus. Elas não precisam de graça; podem conseguir a vida eterna por si mesmas. Assim, a "glória para todo o sempre" (v. 5) é transferida para elas por serem boas o suficiente para o céu.

 

Todavia, o evangelho desafia as pessoas a verem seu pecado radicalmente. Sem esse senso do nosso próprio mal, o conhecimento da graça divina não será transformador, e deixaremos de compreender o quanto Deus é glorificado pela presença de qualquer pessoa no céu.

 

(c) Um terceiro exemplo é encontrado em igrejas intolerantes e legalistas. Os falsos mestres de Gálatas queriam (como veremos) impor muitas regras e regulamentos antigos, relacionados com o exterior e rituais vazios; modo de vestir, com o que comer e com as observâncias rituais.

 

Quando as exigências viram o centro da mensagem do evangelho, estamos pregando algo estranho ao evangelho. A Escritura ensina muitos princípios de modéstia, mas o simples fato de andarmos na modéstia não nos salva.

 

Os bons costumes não são condutas que nos salva. Nós fomos salvos para as boas obras e não pelas boas obras.

 

3. Nosso evangelho é o verdadeiro?

Já que o único evangelho verdadeiro é tão fundamental, e é revertido com tanta frequência e facilidade, isso desperta em nós uma pergunta inquietante: como assegurar que o evangelho em que nós cremos é de fato verdadeiro?

 

Como sabemos não se tratar apenas de um evangelho que sentimos ser verdadeiro, ou que nos é dito ser verdadeiro, ou que pensamos ser verdadeiro, ou que nos parece verdadeiro, e sim do evangelho real, objetivo e, portanto, capaz de salvar, verdadeira e eternamente?

 

Paulo utiliza, com a linguagem mais vigorosa possível, um prumo para julgar todas as afirmações de verdade, sejam elas externas (de mestres, escritores, pensadores, pregadores) ou internas (sentimentos, sensações, experiências).

 

Esse padrão é o evangelho que ele, junto com os outros Apóstolos, receberam de Cristo e ensinaram, o qual é encontrado nessa carta e em todo o restante da Bíblia.

 

"Ainda que nós E...] ou um anjo E...] vos pregue um evangelho diferente E...] seja maldito" (v. 8). Aqui está o padrão para julgar autoridades externas, tais como mestres humanos ou líderes institucionais humanos, ou mesmo oficiais ordenados em uma hierarquia eclesiástica.

 

É digno de nota que, ao dizer "nós", Paulo se inclui como autoridade humana. Paulo está dizendo que ele deve ser rejeitado se algum dia disser: Mudei de ideia em relação ao que é o evangelho.

 

Como Paulo nos alertará, o evangelho não veio a ele por meio de um processo de raciocínio e reflexão; o evangelho não foi conquistado, antes recebido. Portanto, o próprio Paulo não tem a liberdade de alterá-lo por meio de raciocínio e reflexão.

 

Em Gálatas 2, Paulo nos contará que seu evangelho foi confirmado por outros que também tinham recebido a mensagem por revelação do Cristo ressurreto.

 

Esse consenso apostólico — o "depósito do evangelho" original feito por Cristo — é, portanto, a medida para julgar todas as afirmações de verdade, externas e internas.

 

Isso é muito importante. Paulo está dizendo, no versículo 8, que até sua autoridade apostólica deriva da autoridade do evangelho, não o contrário. Ele diz aos gálatas para avaliarem e julgarem tanto seu apostolado quanto seu ensino à luz do evangelho bíblico.

 

A Bíblia julga a igreja; a igreja não julga a Bíblia. A Bíblia é que cria e fundamenta a igreja; a igreja não cria nem fundamenta a Bíblia.

 

A igreja e sua hierarquia devem ser avaliadas pelo crente à luz do evangelho bíblico, considerando-o o padrão ou prumo para julgar todas as afirmações de verdade.

 

Tampouco nossa experiência pessoal é o prumo definitivo da verdade. Não julgamos a Bíblia por nossos sentimentos ou convicções; julgamos nossas experiências pela Bíblia.

 

Isso significa que, se um anjo aparecesse literalmente perante uma multidão de pessoas e ensinasse que a salvação é pelas boas obras (ou por qualquer outra coisa, exceto somente a fé, somente em Cristo), você deveria colocá-lo para correr (v. 8).

 

Ao dizer "ainda que nós mesmos ou um anjo do céu", Paulo faz um resumo amplo da "epistemologia" cristã adequada — como sabemos o que é verdade.

 

4. Por que importa saber o evangelho.

No começo deste capítulo, observamos que o tom de Paulo é intransigente, para dizer o mínimo! Isso porque o evangelho é algo acerca do qual não podemos fazer nenhuma concessão. Porque?

 

Primeiro, outro evangelho significa que você está se desviando daquele que o chamou (v. 6). Abandonar a TEOLOGIA do evangelho é abandonar Cristo em pessoa. O que você faz em teologia acaba afetando sua experiência.

 

Em outras palavras, uma diferença na sua compreensão da DOUTRINA leva a uma diferença em sua compreensão de quem é Jesus — e significa que é questionável se de fato você o conhece.

 

Segundo, outro evangelho não é de fato evangelho (v.7). Isso quer dizer que a mensagem do evangelho, por natureza, não pode ser alterada, nem de leve, sem se perder.

 

É como um vácuo. Não se pode permitir a entrada de um pouco de ar e dizer que ele é agora "90% vácuo" ou um "vácuo enriquecido de ar". O vácuo ou é completo ou não é vácuo, em hipótese alguma!

 

Da mesma forma, a mensagem do evangelho é: você é salvo pela graça por meio da obra de Cristo, e nada mais. Quando você faz qualquer acréscimo a isso, perdeu tudo de uma vez. No momento em que revisa o evangelho, você o reverte.

 

Terceiro, outro evangelho produz maldição (v. 8,9). Mais adiante, Paulo diz que "evangelhos" diferentes trazem consigo uma maldição. Isso quer dizer, em última análise, que alterar o evangelho é brincar com a vida e a morte eternas.

 

Mas significa também, em sentido muito prático, que medo, ansiedade e culpa (o sentimento de condenação e maldição) sempre estarão atrelados a diferentes "evangelhos", mesmo nesta vida.

 

Como veremos mais adiante, até os cristãos experimentam às vezes um senso de condenação. Isso acontece porque, em termos funcionais, estão confiando em outros "evangelhos", outras maneiras de fazer por merecer a salvação. Este "mundo mau" (v. 4) ainda consegue influenciar os que creem.

 

Agora conseguimos enxergar por que Paulo adota uma linguagem tão intensa e severa. O que está em jogo é algo muito sério: nosso conhecimento de Cristo, a verdade do evangelho e o destino eterno da alma das pessoas.

 

São coisas pelas quais vale a pena lutar, sobre as quais vale a pena discorrer, das quais vale a pena lembrar a nós mesmos e aos outros, continuamente. A franqueza rude de Paulo é por amor.

 

Ele é um Apóstolo que ama o Senhor, o evangelho do Senhor e o povo do Senhor. Se amarmos como ele amou, entenderemos por que ele escreveu como escreveu — e seremos gratos por isso.

 

CONCLUSÃO. Quando pregamos o evangelho devemos comunica-lo do jeito como ele foi entregue aos santos. Não podemos alterar em nada. O evangelho deve influenciar todo o nosso viver. Ele deve ser o crivo para tudo o somos e fazemos. Ele deve permear toda a nossa existência.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álavaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

 

De: 15/03/2017
Por: Jairo Carvalho



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