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Gálatas: A liberdade do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Referência: Gálatas 5: 1-15

 

INTRODUÇÃO: Muitos cristãos que ainda não compreenderam o evangelho e a justificação pela fé, vivem cheios de culpa e de temor da condenação quando fracassam na obediência à lei, pois eles a tem como um sistema de mérito.

 

Outros podem dizer, já que sou livre em Cristo, posso então viver da maneira como bem entender.

 

Paulo vai dizer que a liberdade em Cristo, não nos permite viver no legalismo e nem promove a licenciosidade, ou anarquia religiosa, por não guardar a lei como um ritual que expresse o esforço humano, na busca de louvor dos homens e não da gloria de Deus.

 

Contudo, jamais podemos diminuir o impacto das afirmações radicais do evangelho, para se viver uma vida santa; como muitas igrejas tem feito.

 

Trocando a liberdade que ele promove por uma mensagem cujo intuito é fazer as pessoas se sentirem a vontade para de viver "COMO BEM ENTENDEM", e isto é pura escravidão.

 

Paulo quer nos mostrar que a liberdade do medo e da condenação trazida pelo evangelho nos leva a obedecer a Deus, não a nos satisfazer, ou a viver da maneira que bem entendemos.

 

Qualquer coisa ao contrario disso é decair da graça. Duas coisas Paulo nos ensina com a exposição de hoje, o perigo de PERDER a liberdade do evangelho, e o perigo de ABUSAR da liberdade do evangelho. Vejamos.

 

I. NÃO PERCA A LIBERDADE DO EVANGELHO.

 

1. Libertos para a liberdade (v.1)

O versículo 1 é o resumo de todo o livro de gálatas. Paulo sustenta que temos uma liberdade profunda em Cristo. Sua frase inicial é mesmo tão forte no grego quanto na tradução em português. Literalmente, ele diz: "Cristo vos libertou para a liberdade".

 

Tanto o substantivo quanto o verbo fazem referência à liberdade; ela é, ao mesmo tempo, o meio e o fim da vida cristã! Tudo relacionado ao evangelho é liberdade.  A nossa condição anterior era de escravidão. A obra de Cristo é uma missão de libertação.

 

A liberdade cristã descreve a liberdade da consciência. A Liberdade da tirania da lei; da luta de guardar a lei como uma forma de ganhar o favor de Deus. A liberdade da aceitação divina e do acesso a Deus através de Cristo.

 

E o verbo traduzido por "nos libertou" está no tempo AORISTO. Em grego, ele se refere a uma ação única no passado que agora está consumada. Portanto, do modo mais definitivo possível, Paulo nos diz que os cristãos foram libertos.

 

Paulo nos adverte que a liberdade que temos no evangelho pode se perder. E importante que ele mencione isso, pois a declaração enfática, triunfante da primeira metade do versículo 1 poderia nos levar a crer que essa liberdade é tão grande e forte que não pode ser perdida.

 

Contudo, a despeito de sua fonte divina, Paulo explica que nossa liberdade é frágil e pode escorrer pelos vãos dos nossos dedos. São duas (pelo menos!) as implicações desses dois pontos.

 

(a) A primeira é que, para preservar nossa liberdade, devemos "permanecer firmes".Existe um paralelo interessante aqui com a liberdade política. Como já se observou, a manutenção da independência política de um grupo de pessoas ou nação requer vigilância e responsabilidade. Paulo diz que essa verdade vale também para a liberdade espiritual.

 

Os crentes livres precisam permanecer firmes em sua liberdade (veja também 1Co 16.13; Fp 1.27; 4.1). "Permanecer firme" é uma expressão de uso basicamente militar e combina as ideias de se manter alerta, ser forte, resistir ao ataque e preservar a unidade.

 

Em resumo, apesar do fato de já sermos salvos por Cristo, precisamos diligenciar o tempo todo para nos lembrarmos de viver de acordo com nossa salvação, precisamos preservar o estilo de vida santa e nele nos regozijarmos.

 

Não é uma questão de perdermos a salvação ou não, mas é possível que mesmo salvos, perdermos a liberdade e vivermos debaixo da escravidão do medo.

 

(b) A religião que guarda a lei é de fato escravizante.Paulo os exorta a não se sujeitarem "a um JUGO" (v. 1).

 

No judaísmo da época, era comum a referência ao estudo e à prática de toda a lei de Moisés como colocar-se debaixo de um "jugo". Mas tanto Cristo quanto a igreja primitiva viam os fariseus e os mestres da lei como pessoas escravizantes com esse jugo (veja At 15.10; Mt 11.29,30).

 

Os gálatas corriam o risco de se colocar debaixo desse jugo. Mas a palavra que mais assusta na última oração é "NOVAMENTE". Os cristãos gálatas haviam sido pagãos, época em que estavam debaixo da escravidão da IMORALIDADE e da IDOLATRIA, vivendo segundo os "princípios elementares do mundo" (G1 4.3,8,9).

 

Mas aqui Paulo mais uma vez faz uma AFIRMAÇÃO RADICAL de que a idolatria pagã e o moralismo bíblico (i.e., guardar as leis da Bíblia), na prática, podem ser a mesma coisa, se fizermos isto de FORMA LEGALISTA, HIPÓCRITA.

Os gálatas haviam sido liberais, AMORAIS e agora estavam prestes a se tornar algo pior: MORALISTAS CONSERVADORES.Paulo está dizendo que, no final das contas, tudo isso constitui a mesma escravidão espiritual!

 

Sob a circuncisão, os gálatas experimentarão mais uma vez a ansiedade, a culpa e o fardo da vida que conheceram antes como pagãos. Nunca terão certeza de que estão sendo bons o suficiente e merecedores do favor divino.

 

A vida deles será baseada no medo e assolada pelo orgulho fatal e pela culpa tanto quanto antes de conhecerem o evangelho; na verdade, é provável que agora experimente esses males ainda mais ainda!

 

Serão tomados de uma sensibilidade excessiva, de uma insegurança, no orgulho religioso, na falta de estimulo espiritual, e terão uma vida cheia de fraqueza e frustração por nunca terem a certeza de que são aceitos diante de Deus. Pois estarão sempre procurando demonstrar que tem algum valor (i.e., justiça).

 

2. Quando Cristo não tem valor nenhum (v.2).

Por fim, os crentes gálatas enfrentam uma decisão do tipo ou uma coisa ou outra. Ou farão de Cristo seu tesouro, aquele em quem encontram perdão e realização, ou se voltarão para a obediência à lei, para a circuncisão.

 

O ensino dos pastores judaizantes era: A menos que sejam circuncidados e obedeçam a lei, vocês não poderão ser salvos (veja At 15.1,5). Paulo retruca que, pelo contrário, se adotarem esse ensino e o seguirem, aí sim não poderão ser salvos: "Cristo de nada vos servirá" (Gl 5.2).

 

De novo vemos Paulo repetir a mesma ideia que vem defendendo desde o inicio da carta. Portanto, mais uma vez precisamos lembrar que as Escrituras sempre se repetem com um propósito definido: PORQUE PRECISAMOS OUVIR E CONTINUAR OUVINDO SEMPRE!

 

Paulo quer que os gálatas se LEMBREM de que não se pode acrescentar nada a Cristo sem subtrair a Cristo. Ou ele é tudo para nós ou ele não é nada. Se a obediência à lei se tornar parte do sistema de salvação deles, será o único sistema de que disporão, de modo que ficarão "[obrigados] a cumprir toda a lei" (v. 3).

 

O que, como já vimos, é simplesmente impossível (3.10,11). Justificação por meio da lei é autossalvação, é estar "separados de Cristo" (v. 4). Não temos como nos apegar à graça se vivermos pelas obras (v. 4).

 

Em resumo, o versículo 1 nos lembra de nossa LIBERDADE SUBJETIVA em Cristo: que agora não mais obedecemos a Deus motivados por algo que nos pesa nas costas e escraviza. O evangelho é pura liberdade e não escravidão.

 

Os versículos 2-4 nos lembram da nossa LIBERDADE OBJETIVA em Cristo: que estamos livres da obrigação de obedecer a toda a lei a fim de nos apresentarmos justificados perante Deus. Paulo afirma que o evangelho nos liberta tanto da culpa quanto da escravidão do pecado, tanto da condenação do pecado quanto da sua motivação.

 

3. Quando decaímos da graça (v.4). “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído”.

 

Vejam a tragédia irremediável, daqueles que querem submeter-se a lei, estão indo na direção contraria a Cristo. A religião legalista pode nos afastar de Cristo, ao invés de nos aproximar.

 

Os verdadeiros cristãos baseiam sua vida inteira na certeza e na segurança de sua aceitação presente e futura por Deus. Logo a segurança da salvação não é possível se pensarmos que devemos fazer por merecê-la ou mesmo mantê-la com nossos próprios esforços.

 

Quando guardamos a lei nos esquecemos de que não temos condições alguma de nos mantermos salvos, e nem de sermos bons ou justos, pois não temos como ter certeza de que estamos sendo bom o suficiente para preservar o favor de Deus?

 

O apostolo João afirma o seguinte sobre quem dá as costas para a fé em caráter permanente: "Eles [...] não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos teriam permanecido conosco" (1Jo 2.19).

 

Os verdadeiros cristãos são salvos pela graça e demonstram ser cristãos continuando a confiar na graça! De igual modo, quem cai da graça nunca confiou nela de fato.

 

Por isso Paulo é capaz de dizer, no versículo 10: "Confio no Senhor que não pensareis de outra forma". Convencido de que eles são cristãos de verdade, entende que reagirão positivamente à sua advertência, demonstrando que creem, sim, de coração, no evangelho.

 

Precisamos então entender o que Paulo está dizendo no verso 4: Não importa o quanto vocês insistam em sua conversão ou que afirmem sentir que Cristo transformou sua vida.

 

Ao decidir que sua salvação depende do seu DESEMPENHO em alguma medida, vocês negam a salvação só pela fé em Cristo (estou confiante de que não farão isso), não podendo ser salvos por ele.Para Paulo, esse é um teste decisivo quanto a alguém estar ou não em Cristo.

 

4. A esperança do que temos (v.5).

Em vez de lutarem para se justificar — esforço fadado ao fracasso —, Paulo encoraja os gálatas a aguardarem apenas "a justiça que é nossa esperança" (v. 5).

 

A palavra bíblica elpida, traduzida por "esperança", não tem sentido tão brando como no português. Na Bíblia em português, "esperança" significa "esperar que sim", como em Vai fazer sol amanhã? Espero que sim (mas não tenho como me sentir confiante de que assim será. Mas o termo grego faz referência à certeza e à segurança de algo (veja Hb 11.1). Eis um grande problema para o leitor da Bíblia em português.

 

A palavra que significa "CERTEZA ABSOLUTA" em grego; infelizmente foi traduzida com o sentido de "não muito seguro" em português. É fácil, portanto, entender de forma errada muitas passagens da Escritura!

 

O verdadeiro sentido do termo "ESPERANÇA" é indicado no versículo 5 de Gálatas 5, pois Paulo diz que "aguardamos" simplesmente essa justiça. Não trabalhamos nem lutamos por ela. Sabemos que ela está a caminho, se aproximando. Portanto, podemos aguardá-la com fervor, em vez de com ansiedade e medo.

 

Pelo que aguardamos? Justiça quer dizer mais do que bondade; é ter uma ficha toda limpa com Deus e manter com ele um relacionamento da mais absoluta retidão.

 

Paulo está afirmando que podemos viver hoje à luz da nossa acolhida e GLORIFICAÇÃO futura, certa e garantida nos braços de Deus, pois sabemos que, "se és filho, és também herdeiro por obra de Deus" (4.7).

 

Nenhum outro ser humano, ninguém do mundo SECULAR, nenhum seguidor de qualquer outra religião pode encarar o próprio futuro dessa maneira!

 

As Pessoas não religiosas não fazem ideia de onde estarão dentro de UM MILHÃO DE ANOS, e pessoas religiosas sem o verdadeiro evangelho vivem ansiosas acerca de onde estarão, sem conseguir relaxar ou olhar para a frente com entusiasmo. A certeza do nosso futuro com Deus é fruto do evangelho.

 

Ao falar do futuro, Paulo faz com que nossa imaginação se volte para o que significará ser radiante, glorioso, belo e perfeito. Em outro lugar ele diz que Jesus vive para nos apresentar a si mesmo gloriosos, sem mancha, sem ruga, nem nada semelhante (cf. Ef 5.27).

 

Sabemos que isso é garantido, portanto, basicamente, é verdade agora. Devemos viver hoje sabendo que somos, e sempre seremos, preciosidades absolutas aos olhos de Deus. Ou, expressando a mesma ideia de outra forma, somos tão amados e honrados por Deus agora como seremos quando estivermos perfeitamente gloriosos no céu.

 

Paulo diz que pela fé e pela obra do Espírito podemos, e assim será, aguardar com avidez essa justiça, essa glória certa. Portanto, esperar não é simplesmente uma concordância intelectual acerca de nosso destino. A linguagem é vívida demais e os resultados são poderosos demais para estarem descrevendo só isso.

 

Paulo discorre sobre uma DISCIPLINA ESPIRITUAL. Refere-se ao desenvolvimento de uma atitude do coração, um deleite ávido e passional em tudo que nos tem sido dado em Cristo.

 

Envolve meditação e reflexão sobre nossa justificação, adoção e futura glorificação e, a seguir, o alinhamento de nossas ações em conformidade com isso.

 

Precisamos voltar a mente para quem SOMOS e o que TEMOS em Cristo com tanta frequência a ponto de nosso coração sofrer uma comoção e nosso comportamento ser ajustado a essas realidades invisíveis. Isso acontece com aqueles que têm fé no Filho, conforme o Espírito executa sua obra.

 

II. NÃO ABUSE DA LIBERDADE DO EVANGELHO.

 

1. Sem valor algum (v.6)

A essa altura, já nos acostumamos a ouvir as declarações bombásticas de Paulo em sua carta. O versículo 6 contém uma delas: "Nem a circuncisão [representando as OBRIGAÇÕES RELIGIOSAS] nem a incircuncisão [representando o PAGANISMO OU A IMORALIDADE] valem coisa alguma; mas, sim, a fé que atua pelo amor".

 

A palavra traduzida por "valem", significa "ter serventia" ou "ser aproveitável". Logo nem o esforço moral nem os fracassos morais valem coisa alguma. Ponto-final.

 

Por quê? Primeiro, nem a religião nem a falta dela contam no sentido do estabelecimento de uma relação correta com Deus.

 

Paulo acaba de declarar que nossa aceitação futura por parte de Deus já é certa por meio da obra de Cristo; podemos ávida e confiadamente aguardar nossa gloriosa justiça.

 

Nesse contexto, quando ensina que nem a religião nem a não religião "valem coisa alguma", ele quer dizer que elas não servem para nada, em se tratando quando estamos tentando pelos nossos próprios esforços; buscar nossa retidão e posição diante de Deus.

 

Paulo afirma: Meu bom desempenho espiritual não me acerta com Deus, nem meu desempenho ruim me torna mais perdido e desesperado. Tudo permanece tão perdido quanto antes e tão apto a ser salvo quanto antes.

 

Quando um cristão tem sucesso em alguma coisa, ele deveria dizer: Este sucesso alcançado não aumenta o amor de Cristo por mim. Na verdade, é só devido ao seu amor por mim que isso aconteceu, não o contrário!

 

E, ao experimentar um fracasso, ele deveria dizer: mesmo que tenho fracassado dessa maneira, não sou menos amado e aceito por Deus do que sou neste momento! Meu desempenho é irrelevante.

 

Na verdade, Deus está sempre trabalhando para o meu bem (Rm 8.28) — ele permitiu que isso acontecesse porque me ama, não porque não me ama. Que princípio radical!

 

Isso deveria conduzir a uma paz e um equilíbrio tremendos na vida cristã; deveria eliminar enormes altos e baixos.

 

Pois somos todos da"circuncisão" (sucesso espiritual) ou da "incircuncisão" (fracasso espiritual) o tempo todo, e Paulo diz que nenhuma dessas condições "vale coisa alguma".

 

Nem a religião nem a falta de religião contam no sentido de contribuir para uma mudança interior do meu caráter e do meu coração para que seja cheio de amor verdadeiro. A circuncisão e a incircuncisão não "valem coisa alguma", mas, sim, "a fé que atua pelo amor" (v. 6).

 

A fé literalmente energiza o amor. Nem o moralismo religioso nem a LICENCIOSIDADE não religiosa podem fazer isso, porque ambos são EGOÍSTAS e INSEGUROS em essência.

 

O egoísmo e a insegurança não podem produzir amor verdadeiro, porque o amor é alegre altruísmo. Mas a fé em Cristo pode, pois por ela temos certeza da nossa justiça e acolhida pelo Pai.

 

Imagine como seria se uma pessoa lhe pedisse em casamento, mas você constatasse que ela só aceitaria se você tivesse uma grande herança. Você se sentiria usado. Não se consideraria amado, em absoluto.

 

Ora, todos sabemos que não nos sentimos amados por alguém a menos que sejamos amados pelo que somos, não pelo que podemos proporcionar.

 

A analogia nos ajuda a compreender a motivação do evangelho. Quando pensávamos que nossas obras nos salvariam, servíamos a Deus pelo que conseguiríamos obter dele.

 

Nós o usávamos. Mas depois que a esperança do evangelho se estabelece e enxergamos a graça e a beleza de Deus, passamos a amá-lo pelo que ele é.

 

No evangelho, vemos que Cristo morreu em nosso favor e nos valorizou, não pelo que lhe podemos proporcionar. Não somos de proveito algum para ele! Fomos amados pelo que somos.

 

E, na proporção em que vemos isso na fé do evangelho, pagamos na mesma moeda. Agora servimos a Deus, não pelo que ele nos proporciona, pois já temos tudo garantido, mas pelo que ele é e pelo que tem feito em nosso favor.

 

Enfim, conseguimos amar a Deus por quem ele é. Agora também podemos servir aos outros, não pelo que nos proporcionam (mal ou bem), mas pelo que são em si mesmos.

 

À medida que o versículo 5 se torna cada vez mais claro para nós, passamos a vivenciar o versículo 6 cada vez mais. Quanto mais alegria temos em nossa salvação graciosa, mais somos conduzidos pelo amor e pela gratidão a fazer o bem pela pura beleza do bem, pelo puro deleite em Deus, pelo puro amor aos outros.

 

Se lembrarmos continuamente a nós mesmos e vivermos à luz da nossa esperança segura, teremos um coração transbordante de amor.

 

Não precisamos buscar JUSTIÇA e ACOLHIDA nos outros, uma vez que tais coisas já nos pertencem; somos LIVRES para amar o próximo, buscando seu bem.

 

A nossa fé em Cristo nos dá uma esperança segura, que transborda à medida que amamos os outros, se acharmos que nosso amor está ressecando ou esfriando, a raiz da nossa falta de amor estará no fato de que deixamos de olhar para a nossa esperança pela fé.

 

Se descobrirmos que estamos desanimando, a solução não será buscar amar mais ou melhor, mas, sim, olhar para Cristo, que nos confere a aceitação inabalável e imperdível do Pai.

 

Então, enquanto nos ativermos à nossa esperança, encontraremos nosso coração derretido pelo amor do Pai e transbordando desse amor pelos outros.

 

De modo que a liberdade do evangelho tem no mínimo duas facetas. Há a "LIBERDADE DA CONSCIÊNCIA": estou livre da culpa por meu desempenho imperfeito.

 

Existe a "LIBERDADE MOTIVACIONAL": estou livre do velho impulso de desempenhar bem. Não preciso nem quero mais seguir as antigas buscas como modo de ganhar minha justiça ou de me assegurar algum valor.

 

2. Termine a corrida (vv.7-12).

Paulo agora averte mais uma vez aos crentes gálatas: “Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade?”  

 

Eles vinham fazendo uma boa corrida, mas agora, ao darem ouvidos aos falsos pastores, estão sendo impedidos "de obedecer à verdade" (v. 7). Eis um excelente lembrete de que essas são questões vitais, de importância eterna: existe uma penalidade a ser paga (v. 10).

 

Particularmente perigoso é que "aquele que vos perturba"(v.10)(um pastor concorrente) parece ter sugerido que Paulo provavelmente concorda com ele; e que Paulo ainda estaria (como fazia quando judeu zeloso em busca da salvação pela obediência) "pregando a circuncisão" (v. 11).

 

Paulo refuta a afirmação salientando que Deus, aquele "que vos chama" (v. 8), jamais procuraria persuadir seu povo a não obedecer à verdade do evangelho da cruz de Cristo.

 

Como temos visto o tempo todo, não existe nenhum tipo de transigência aqui; ou é circuncisão (a autossalvação) ou o "escândalo da cruz" (a salvação por Cristo, v. 11).

 

Paulo prega o escândalo da cruz, uma vez que está sendo perseguido por aqueles que querem confiar no próprio desempenho, como todos os verdadeiros ministros do evangelho serão perseguidos(4.29).

 

Não podemos deixar de notar aqui a urgência das palavras de Paulo, nem a indignação que ele sente contra aqueles que têm impedido a obediência à verdade (v. 7).

 

Paulo está tão chateado com esses pastores que eram tão zelosos para impor o julgo da circuncisão sobre os crentes, que chega a desejar que eles cheguem ao extremo de se castrarem (v. 12) “Tomara que se mutilassem”.

 

Esse desejo de Paulo não nasce de uma sede de vingança, mas do amor profundo pelo povo de Deus.  Se estivéssemos tão preocupados com a igreja de Deus e com a Palavra de Deus quanto Paulo, também desejaríamos que os falsos mestres desaparecessem da face da Terra.

 

Esse sentimento de Paulo nos lembra de que isso é importante. Calvino diz: sinceramente não desejo a ninguém a perdição, porém o amor pela igreja me leva quase ao êxtase, de modo que não consigo pensar em mais nada. Quem não sabe nada desse amor zeloso não é um verdadeiro pastor.

 

3. Não perca, não abuse da liberdade. (vv.13-15)

Após essa digressão emocional, Paulo retoma o fio da meada do versículo 6. Enquanto a mensagem dos versículos 1-12 é Não perca a liberdade do evangelho, os versículos 14-15 nos advertem: Não abuse da liberdade do evangelho.

 

Temos visto ao longo de Gálatas a extrema facilidade de perdermos a liberdade, caindo no legalismo e justificação pelas obras.

 

Essa é de fato a grande questão da carta de Paulo. Embora os cristãos possam professar uma crença intelectual no evangelho, nem sempre vivem de maneira fundamentada no evangelho.

 

Mas agora Paulo faz menção de OUTRO GRANDE ERRO em que os cristãos podem cair não o LEGALISMO, mas a PERMISSIVIDADE. Voltar para a obediência de regras significa perder a liberdade, mas resvalar para a permissividade significa abusar dessa nossa liberdade. Isto é uma perversão do evangelho.

 

Vimos que a liberdade do evangelho é a liberdade que tanto leva embora a culpa do pecado quanto destrói a motivação para o pecado.Mas Paulo sabe que falar sobre assuntos como "liberdade" pode ser muito “enganoso” para as pessoas.

 

Ele tem consciência de que, ao falar sobre estar "livre da lei", na mesma hora alguns acham que ele quer dizer que as pessoas agora são livres para determinar os próprios padrões de comportamento; de que elas são livres para fazerem o que quiserem.

 

Por isso ele declara, em termos nada vagos, que o evangelho não o liberta para o pecado! Viveremos no pecado: “DE MANEIRA NENHUMA”; grita Paulo. A graça não é uma licença para pecar.

 

Paulo diz no (v.13) "Não useis da liberdade como pretexto para a carne" (v. 13). Paulo está dando continuidade a um pensamento que começou lá no versículo 7: "Corríeis bem. Quem vos impediu de obedecer à verdade?".

 

Os cristãos têm, sim, de obedecer à verdade, e existe uma dinâmica do evangelho ou motivação do evangelho para obedecer à verdade que os gálatas costumavam ter ("corríeis"), mas que agora está diminuindo o ritmo.

 

O evangelho nos ensina que Deus é tão santo que nada menos que o pagamento completo pelos pecados e a justiça perfeita de Cristo pode satisfazê-lo.

 

No entanto, o evangelho nos ensina também que Deus é tão amoroso que podemos receber essa justiça perfeita agora e apresentar-nos inteiros perante os seus olhos.

 

Portanto, o evangelho nem nos leva a viver uma vida culpada (uma vez que Deus nos tem aceitado com amor) nem uma vida ímpia (uma vez que o Deus que nos tem aceitado é perfeitamente santo).

 

Esquecer o primeiro item é cair erro de perder a liberdade; esquecer o segundo é cometer o erro de abusar da liberdade. Ambos os erros significam que perdemos o evangelho de vista e estaremos perdidos para sempre.

 

4. Aparente contradição (vv.14b;15)

Isso nos ajuda a resolver a aparente contradição dessa passagem. No versículo 3, Paulo dá a entender que os cristãos, encontram-se livres da obrigação de obedecer à lei inteira.

 

Depois, no versículo 13, ele instrui que sejamos "servos uns dos outros pelo amor"; e, no versículo 14, afirma que o resumo da lei é amar uns aos outros! Assim, sem meias palavras, ele orienta que os cristãos gálatas devem obedecer à lei.

 

Como entender isso? Temos essa obrigação ou não? Em essência, a resposta é "sim". Por um lado temos a obrigação de guardar a lei, mas por outro não temos.

 

Se olharmos para o versículo 3, Paulo imediatamente acrescenta ao "[vós estais obrigados] a cumprir toda a lei" o "vos justificais pela lei" (v. 4). A obrigação que acabou para o cristão é a de obedecer à lei para ser salvo, o que é impossível de se atingir.

 

Mas agora que estamos salvos e somos livres pela graça, estamos mais obrigados do que nunca a obedecer a lei! Por quê? Porque temos mais motivos para amar a Deus do que antes.

 

O amor brota da fé e da esperança do evangelho (v. 5,6) e transborda em amor e serviço para nosso próximo, em vez de usá-los para nos servir. E amar nosso próximo é "toda a lei [que] se resume numa só ordenança" (v. 14).

 

OU SEJA, OS CRISTÃOS ESTÃO LIVRES DA LEI COMO MODO DE CONQUISTAR MÉRITO DIANTE DE DEUS, MAS NÃO COMO FORMA DE AGRADAR A DEUS.Pelo contrário, a obrigação cresceu. Pois a lei é uma expressão da natureza e do coração de Deus, e, assim, agora somos devedores em dobro perante ele de usá-la para agradá-lo e imitá-lo.

 

Devemos isso a ele como nosso CRIADOR, uma vez que ele nos projetou, é nosso dono e tem tanto o conhecimento para saber como devemos viver quanto o direito de exigir que vivamos dessa maneira.

 

Por outro lado, agora também lhe somos devedores como nosso REDENTOR, uma vez que queremos agradar, por gratidão, àquele que nos salvou a um custo tão imensurável.

 

Paulo pergunta: se conhece o amor de Deus por você em Cristo e se conhece a sabedoria de Deus demonstrada com mais clareza em Cristo, por que você usaria sua liberdade “como pretexto para a carne" (v. 13), já que foi ela quem o tornou inimigo dele, sem perdão nem sentido de realização?

 

O evangelho destrói com justiça a motivação que você tem para pecar. Ele mina por completo a necessidade e a razão que você tem de viver como bem entende.

 

Qualquer pessoa que insista em dizer que o evangelho não se incomoda como a maneira como vivemos; como falamos, e nos vestimos; e nos comportamos, ou agimos, simplesmente ainda não o entendeu nem começou a experimentar seu poder.

 

Veja, por exemplo, o caso da “mentira” ou qualquer outro pecado. Por um lado, a liberdade do evangelho significa que não tenho de ter medo de ser expulso da presença de Deus quando peco, no caso a mentira. O crente está livre da penalidade legal da mentira, o ímpio não.

 

A pessoa que, busca demonstrar perfeita sinceridade como um modo de conquistar o favor de Deus se sentirá arrasada e cheia de REMORSOS e de CULPA quando escorregar e mentir. E sempre voltará a mentir e sentir remorsos e culpa, uma ciranda infernal. (ex. Judas)

 

Mas se a pessoa vive verdadeiramente o evangelho, pode até mentir, com ela sabe que não pode fazer nada para conquistar o favor de Deus, ela vai sentir tristeza, pelo pecado como fruto do arrependimento sentirá profunda paz e confiança. Dificilmente voltará a praticar aquele ato. (ex. Pedro)

 

Todavia, perguntemos então: Por que eu queria mentir? Por sentir que necessitava tanto “daquilo” que eu arriscava perder, se contasse a verdade. Uma pessoa que precisa de “aprovação”, “poder”, “conforto” ou “sucesso” para ter “alegria” ou “valor”; mentirá para conseguir o que quer; ou para manter esse salvador FUNCIONAL.

 

Alguém que conhece o evangelho, tanto emocionalmente quanto em seu intelecto, dirá: Não preciso disso. Não há nada que eu possa perder. Portanto, posso contar a verdade.  Não preciso de aprovação, de poder, de conforto, de sucesso, para ter alegria. Logo não tenho necessidade alguma de mentir.

 

O evangelho nos liberta para vivermos do jeito que é CORRETO,o ímpio não tem esta ESCOLHA. Se pelo evangelho, você entende de verdade quem é Jesus e o que ele tem feito em seu favor, então se perguntará: Como posso viver para ele?

 

E a resposta será: olhe para a vontade de Deus expressa na lei. O evangelho nos liberta da lei para a lei. O evangelho Acaba com nossa velha obediência à lei sem amor e motivada pelo egoísmo, e nos motiva a obedecer à lei por amor.

 

CONCLUSÃO:O sermão de hoje bem poderia ter o seguinte titulo: o CONVENTO e o PROSTIBULO.  Normalmente acharíamos que o convento é um lugar de oração, disciplinas espirituais e separação do mundo. Mas ele pode esconder perigos mais mortais que o prostibulo.

 

Muito do nosso esforço religioso, principalmente nosso ativismo desenfreado, pode ser fruto de servidão emocional ou espiritual. Seja o legalismo, seja a carnalidade.

 

Conheci um caso de uma moça que todos os domingos, rigorosamente saía pra entregar folheto, mas que no fundo, não fazia isto, por amor a Cristo ou as almas, mas para acalmar uma consciência de pecado imorais com um homem casado.

 

Ex. da irmã do circulo de oração e profeta, viciada em pornografia.  Outro obreiro dava muito ênfase à visita aos hospitais, para esconder a vida de avareza e falsa piedade.

 

A igreja pós-moderna, tem odiado o legalismo da igreja do passado, mas tem se entregado a servidão da LIBERTINAGEM, que é tão mortal quanto o MORALISMO. Ela Está usando da liberdade para dar ocasião á carne. Saímos da agua quente, para pular no fogo.

 

Ei o grito da epistola de gálatas! Cristo nos libertou para a liberdade, devemos permanecer firme, e não submeter de novo a escravidão. Esse é o escândalo da cruz, um Deus santo, que justifica pecadores.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 31/05/2017
Por: Jairo Carvalho



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