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Elias - Um homem como você e eu

Sermão pregado durante o Culto de Santa Ceia em 05/11/2017

 

Referência: 1 Reis 16.29-17.6 

INTRODUÇÃO:  O primeiro verso 1 Reis 17 diz: Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra (1Rs 17.1).

Essa é uma interpretação ousada da vida de Elias e da importância de seu ministério para a igreja. "ELIAS ERA HUMANO COMO 'NÓS",diz a Nova Versão Internacional. Essa afirmação é difícil de aceitar, porque quem conhece a vida de Elias sabe que ele não era nada igual a nós.

Elias suportou a grande calamidade agrícola de seu tempo: vivenciou uma fome que durou três anos e meio. Elias encenou o grande confronto religioso de sua época: enfrentou os profetas de Baal no Monte Carmelo e invocou o fogo dos céus.

Elias executou a grande sentença judicial de sua época: matou 450 falsos profetas no rio Quisom. Elias realizou a grande façanha atlética de seu tempo: correu 17 milhas (27 km, duas São Silvestre {15km cada}) de Carmelo até Jezreel, à frente de um cavalo e carros de guerra.

Alimentou os famintos, ressuscitou os mortos, falou com Deus na montanha, não morreu, mas foi arrebatado ao céu num redemoinho e numa carruagem de fogo. ESSE HOMEM ERA IGUAL A NÓS?

No entanto, as Escrituras dizem que Elias "era um homem de natureza igual a nossa".

Paulo e Barnabé usaram a mesma palavra grega (homoiopathes) em Listra, onde os habitantes da cidade tentaram adorá-los como deuses (At 14.15). Os apóstolos, porém, insistiram que eles também eram apenas homens mortais.

O mesmo aconteceu com Elias. Ele era uma pessoa real, que vestiu suas sandálias como qualquer ser mortal. Ele era um ser humano com paixões humanas e necessidades humanas, igual a toda outra pessoa.

Isso significa que — por maior que tenha sido como profeta — a vida de fé, obediência e oração de Elias está também ao nosso alcance. Ele é um exemplo de santidade para nós.

1. Elias um homem que viveu num tempo mau.

Por que Elias era igual a nós? Primeiro, porque vivia em um período cheio de maldade, quando Acabe era rei de Israel. Os sete reis de Israel que seguiram Davi e Salomão formavam uma turma desolada. Jeroboão produziu ídolos; Nadabe foi um malfeitor; Baasa, um assassino; Elá era um bêbado; Zinri assassinou Elá; Onri foi ainda pior — "fez pior do que todos quantos foram antes dele" (1Rs 16.25).

"Acabe, filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no ano trigésimo oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou Acabe, filho de Onri, sobre Israel, em Samaria, vinte e dois anos. Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele. [...] Acabe fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu mais abominações para irritar ao SENHOR, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele" (1Rs 16.29-30,33).

QUAL FOI O TAMANHO DA MALDADE DE ACABE? Ele chegou a considerar os pecados de seus pais como pouco mais do que TRIVIALIDADES. Até mesmo um homem tão mau quanto Onri pode, de vez em quando, ter sentido algum tipo de remorso ou vergonha por seus atos perversos.

Mas não Acabe. Se alguém tivesse dito a ele: "Olha, o que você está fazendo é errado", ele teria respondido: "Qual é o seu problema?". O pecado não significava nada para Acabe.

SUA CONSCIÊNCIA HAVIA SIDO VACINADA CONTRA O REMORSO, ESTAVA CAUTERIZADA E SELADA CONTRA A TRISTEZA CAUSADA PELO PECADO.

Os pecados de seus pais pareciam irrelevantes a ele. Sua vida serve, portanto, como ADVERTÊNCIA A TODOS OS PAIS para que vivam pela graça de Deus, para que seus filhos não entreguem seus corações ao mal, como fizeram os filhos dos reis de Israel.

QUAL FOI O TAMANHO DA MALDADE DE ACABE? Ele era tão mau que se casou com uma mulher perversa: "Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios" (1Rs 16.31).

A rainha Jezabel era a mulher má por trás do homem mau. Jezabel e Acabe mereciam um ao outro — eram o Lampião e a Maria Bonita do Antigo Testamento. Acabe era um conspirador.

É fácil adivinhar o que ele realmente estava tramando a partir da forma como as Escrituras descrevem seu casamento: Jezabel era "filha de Etbaal, rei dos sidônios" (1Rs 16.31).

Seu casamento com Jezabel foi um ato político que estabeleceu uma aliança entre Acabe e Etbaal, entre Israel e Sidom. Infelizmente, estabeleceu também uma aliança entre Israel e o falso deus Baal. Até o nome do rei apontava para sua idolatria: Etbaal.

No entanto, como os eventos futuros demonstrariam, o pequeno esquema de Acabe falhou. Sua aliança com um rei terreno não conseguiu salvar a sua vida na batalha. Na tentativa de fazê-lo, ele a perdeu.

Isso é uma advertência para aqueles que fazem os seus próprios planos em vez de seguir a orientação do Senhor: uma vida subordinada aos próprios interesses terminará em fracasso e destruição.

QUAL FOI O TAMANHO DA MALDADE DE ACABE? Ele era tão mau que não se satisfez em se casar com uma feiticeira e adoradora de Baal, pois ele mesmo queria ser um adorador de Baal. Acabe "Levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um poste-ídolo" (1Rs 16.32-33).

Baal e Aserá eram o deus da chuva e a deusa da fortuna. O rei Acabe construiu um altar e um poste sagrado para esse casal tão profano para que seus súditos pudessem se juntar a eles em sua apostasia. Talvez tenham praticado também a prostituição no templo, costume que havia tornado Baal e Aserá deuses tão populares na antiga Canaã.

QUAL FOI O TAMANHO DA MALDADE DE ACABE? O mal no rei logo gera o mal no reino: "Em seus dias, Hiel, o betelita, edificou a Jericó; quando lhe lançou os fundamentos, morreu-lhe Abirão, seu primogênito; quando lhe pôs as portas, morreu Segube, seu último, segundo a palavra do SENHOR, que falara por intermédio de Josué, filho de Num" (1Rs 16.34, cf. Js 6.26).

Essa breve notícia dos tempos de Elias resume a mensagem de 1Reis em poucas palavras: O PECADO TEM CONSEQUÊNCIAS DEVASTADORAS, como os profetas predisseram. O incidente mostra também que Acabe governava um reino imoral.

Desde os dias de Josué, ninguém se atrevera a desafiar a maldição de Deus contra Jericó (Js 6.26). Mas Hiel DELIBERADAMENTEreconstruiu a cidade, o que mostra como as coisas se deterioraram sob o governo de Acabe.

Os súditos do rei deliberadamente fizeram coisas que Deus lhes havia proibido, incluindo o sacrifício de seus filhos para seu próprio prazer.

As Escrituras dizem que Hiel de Betel reconstruiu Jericó "à custa de" seus filhos, assim que ele acabou e colocou a porta, Deus castigou sua casa com seu julgamento.

EM TODO CASO, HIEL IMPRUDENTEMENTE COLOCOU SUAS PRÓPRIAS AMBIÇÕES À FRENTE DOS INTERESSES DE SUA FAMÍLIA — O QUE TEVE CONSEQUÊNCIAS MORTAIS.

Tudo isso não deve soar estranho, pois também vivemos em tempos semelhantes aos de Elias. Vivemos dias em que as crianças consideram os pecados de seus pais triviais; dias de sexo casual, drogas, violência gratuita e massacre de crianças não nascidas; dias nos quais os líderes seculares e espirituais confiam em suas próprias estratégias, em vez de confiar nas instruções que Deus deu para o bem-estar da nação e para o crescimento da igreja.

Vivemos dias nos quais as pessoas se curvam diante dos ídolos do dinheiro, do poder, da beleza, do sexo e do ego. Tiago estava certo: Elias era um homem igual a nós, ele viveu em tempos maus.

2. O Deus de Elias está presente

Elias também era um homem igual a nós, porque conhecia o mesmo Deus que nós conhecemos. O capítulo 17 começa com o testemunho do profeta: "vive o SENHOR, Deus de Israel" (1Rs 17.1).

Cada palavra é significativa. "Senhor" significa Javé, ou Jeová, o nome acima de todos os nomes, o nome especial de Deus revelado a Moisés na sarça ardente. Esse Senhor era o Deus de Elias, pois o próprio nome do profeta significa "Meu Deus é Senhor".

"Deus de Israel" é uma referência ao Deus que fez uma aliança com seu povo, o Deus que realmente é o Deus de Israel, mesmo que Acabe estivesse tentando esquecê-lo. O Senhor, o Deus de Israel, "vive". A ênfase da expressão está nesse verbo, no fato de que o Deus de Israel é um Senhor vivo.

O discurso de abertura de Elias é uma dura repreensão contra Acabe e o falso deus que ele adorava. O estilo de vida de Acabe era uma negação do fato de que Deus vive.

(a) O Deus vivo julga o pecado do seu povo.

Quando Acabe considerou o pecado algo TRIVIAL e quando confiou em seus próprios esquemas e criou ídolos pagãos, ele estava, de fato, negando a existência de um Deus vivo. Seus atos declaravam: "Deus está morto". Mas no julgamento que Deus traria, ficaria provado a Acabe que ele é o Deus vivo.

O que Elias disse é também uma dura repreensão ao deus falso de Acabe. Baal não é um deus que vive. Mesmo as pessoas que acreditavam em Baal não podiam considerá-lo um deus vivo.

Segundo os princípios da sua própria teologia, Baal vivia na época das chuvas — um momento crucial do ano em um clima árido -, mas estava morto durante a estação seca, o que significa que ele era um deus fraco em um clima seco.

Quando Elias se pôs diante de Acabe em um deserto árido e falou do Deus vivo, ele estava repreendendo Baal, o chamado deus da chuva. O Deus vivo de Elias é o Senhor de ambas: da estação seca e da temporada de chuva.

O mesmo Deus está vivo hoje. Caia chuva ou faça sol, Deus é Deus. Portanto, aqueles que servem a esse Deus realmente são iguais a Elias: nós servimos a um Deus vivo. Isso vale ainda mais para nós do que para Elias, pois Deus já se revelou em Jesus Cristo.

Ao trazer Jesus de volta para a vida e ao ressuscitá-lo dentre os mortos, Deus conquistou a vitória sobre a morte e provou que ele era, e é, e será para sempre o Deus vivo.

(b) O Deus vivo cumpre a sua palavra de julgamento.

Certamente ele cumpriu sua palavra de juízo para Israel: "Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra" (1Rs 17.1).

Na época de Elias, uma seca não era simplesmente um desastre natural aleatório, mas uma punição específica do povo de Deus por causa de seus pecados. De acordo com a lei de Deus (cf. Dt 11.16-17), a seca era a punição adequada pela prática da idolatria pagã.

Os israelitas confiaram no deus da chuva, por isso, o Deus vivo e verdadeiro decretou que nenhuma chuva cairia sobre sua terra — uma maldição específica voltada diretamente contra a reivindicação de Baal de ser um "fazedor de chuva".

Mesmo o orvalho secaria. E Deus cumpriu a sua palavra. No capítulo 18, o terrível rei Acabe será encontrado vagando pelo deserto, à procura de um pasto para seus burros.

Os julgamentos das Escrituras não são ameaças vazias. Se Deus diz que derrubará o orgulhoso, punirá o pecado e reservará as chamas do julgamento para todos os que se rebelam contra ele, devemos levá-lo ao pé da letra. Deus cumpre sua palavra de julgamento.

(c) O Deus vivo cumpre sua palavra de promessa.

Deus também cumpre a sua palavra de promessa, como o fez no caso de Elias: "Veio-lhe a palavra do SENHOR, dizendo: Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Quente, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem.

Foi, pois, e fez segundo a palavra do SENHOR; retirou-se e habitou junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Os corvos lhe traziam pela manhã pão e carne, como também pão e carne ao anoitecer; e bebia da torrente" (1Rs 17.2-6).

Deus disse que Elias beberia do ribeiro, e ele bebeu. Deus disse que os corvos alimentariam Elias, e eles o fizeram. Não duvide das promessas das Escrituras — elas são palavras de confiança.

Se Deus diz que exaltará os humildes, perdoará os pecados pelo amor de Jesus e preparará um céu repleto de alegria para todos os que nele confiam, então acredite! Ele é um Deus que cumpre a sua palavra de promessa.

(d) O Deus vivo cuida do seu povo.

O Deus que vive e fala cuida de seu povo. Quando o orvalho secou e as nuvens de chuva desapareceram, Elias não foi levado pelos ventos. Mesmo em tempos ruins, e em meio à crise; Deus protege aqueles que pertencem a ele.

Observe a EXTRAVAGÂNCIA DO CUIDADO QUE DEUS DEDICOU a Elias. Ele providenciou tudo para Elias, não só por meios extraordinários, mas também em abundância extraordinária.

Teria sido suficiente se Deus tivesse dado a Elias o necessário para viver. O profeta precisava apenas de um pouco de pão e um pouco de água uma vez por dia. Mas Deus deu a Elias tanta água quanto conseguisse beber, e pão e carne duas vezes por dia.

A comida de Elias era um tipo de lembrete das refeições que Deus havia fornecido a seus filhos no deserto. Após tirar os israelitas do Egito, Deus lhes deu o maná de manhã e codornas à noite.

O povo de Deus comia pão e carne UMA VEZ POR DIA. Mas Elias recebeu uma PORÇÃODUPLA de pão e de carne a cada dia.

Se compararmos isso com padrões modernos, ele recebia panquecas e bacon para o café da manhã e pão com hambúrguer para o jantar.

Deus estava conferindo uma HONRA DUPLA a Elias, o profeta — uma oferta generosa, especialmente se levarmos em conta que, até então, Elias havia PREGADO APENAS UM CURTO SERMÃO!

3. Elias um homem que tem vida de oração.

O que Tiago disse é verdade: Elias era um homem igual a nós. Confiou no Deus que vive, que fala e que cuida também em dias ruins.

Já que Elias era um homem como você e eu, somos chamados a tornar-nos homens e mulheres como ele. A estratégia de Elias de viver para Deus em tempos maus pode ser resumida em três simples palavras: ORAR, OBEDECER, PERMANECER.

(a) A vida intensa de oração de Elias.

A PRIMEIRA COISA QUE ELIAS FEZ FOI ORAR. VIVER PARA DEUS EM DIAS RUINS SIGNIFICA TORNAR-SE UMA PESSOA DE ORAÇÃO. Em 1Reis 17, é Deus quem se encarrega de todas as falas por meio de Elias.

Mas o livro de Tiago oferece uma interpretação profunda do ministério do profeta: "e orou, com INSTÂNCIA, para que não chovesse sobre a terra, e, por TRÊS ANOS E SEIS MESES, não choveu" (Tg 5.17).

A expressão que Tiago usa em grego parece ter sido transposta do hebraico. Uma tradução mais literal seria: "ELE OROU COM ORAÇÃO" ou "ELE OROU ORANDO".

Assim, Elias nos é apresentado como UM EXEMPLO — não como pregador, profeta, milagreiro ou atleta, embora tivesse sido todas essas coisas, MAS COMO UM HOMEM DE ORAÇÃO.

Tiago indica que o julgamento de Deus anunciado a Acabe, por intermédio de Elias, foi pedido pela primeira vez pelas orações do profeta. Assim, antes de Deus falar com Acabe, Elias falou com Deus.

Antes de o profeta chegar aos portões do palácio em Samaria, ficou em seu QUARTO DE ORAÇÃO em Gileade. Antes de se postar diante do rei de Israel, ficou de joelhos diante do Rei dos reis.

Elias havia ficado de joelhos por um bom tempo. O estudo cuidadoso das Escrituras revela QUANTO TEMPO ELIAS PASSOU EM ORAÇÃO. A fome terminou no terceiro ano (1Rs 18.1), mas Tiago diz que Elias OROU FERVOROSAMENTE para que não chovesse durante três anos e meio.

Jesus disse a mesma coisa quando pregava em Nazaré: "em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por TRÊS ANOS E SEIS MESES, reinando uma grande fome em toda a terra" (Lc 4.25).

COM UM POUQUINHO DE ARITMÉTICA SIMPLES, PODEMOS DEDUZIR QUE ELIAS FICOU EM ORAÇÃO POR PELO MENOS SEIS MESES ANTES DE IR FALAR COM ACABE.

Não nos surpreende, portanto, que Deus escolheu Elias como seu mensageiro! Quando Deus precisou de um arauto para ir e proclamar o julgamento divino a Acabe, Elias era a escolha certa. O profeta era um amigo íntimo de Deus.

Ele havia provado por meio de suas orações que era zeloso e confiável, que se preocupava com a obra do Senhor e que entendia o propósito de Deus para o seu povo.

O chamado para servir a Deus muitas vezes começa com o FARDO DE ORAR pela obra do Senhor em prol de uma pessoa, de um problema ou de um lugar específico. Quando oramos, começamos a reconhecer o chamado de Deus.

Não nos surpreende também que esse camponês de Gileade tenha tido tanta ousadia quando bateu na porta do palácio de Acabe.

Elias não deixou se influenciar pela opinião pública; não se impressionou com a sofisticação dos membros da corte de Acabe; não se intimidou com a rainha má que matava os profetas do Senhor.

Enquanto estava na presença do rei, Elias estava muito mais ciente de que ele estava na presença do Rei dos reis. O profeta teve essa coragem porque sabia que agora estava na presença do mesmo Deus diante do qual se ajoelhara tantas vezes.

Pelo fato de Elias ter vivido sua vida CORAM DEO — na presença consciente de Deus —, ele não ficou com medo perante um rei mau e ímpio.

O TEMOR DE DEUS tinha expulsado o MEDO HUMANO, por isso, ele teve o tipo de ousadia espiritual que é dada apenas àqueles que permanecem na presença do Deus vivo.

(b) Elias orou a palavra de Deus.

Elias agiu corretamente ao orar daquela maneira? Ele agiu corretamente ao invocar privação e sofrimento sobre seus próprios vizinhos? Ele agiu com amor ao pedir que a terra de leite e mel fosse transformada em um deserto árido e estéril?

Sim, Elias agiu bem e corretamente ao orar pela seca. Sua oração veio diretamente da Palavra de Deus:"Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do SENHOR se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o SENHOR vos dá" (Dt 11.16-17).

Elias era um estudante dedicado à Palavra do Senhor. Ele também zelava pela glória de Deus. Ele sabia que estava vivendo em tempos maus, e, assim, vivia na expectativa de que o juízo divino seria revelado contra o seu povo.

Além disso, reconheceu que o pecado predominante de sua época era a idolatria e, por isso, sabia exatamente o tipo de julgamento que deveria esperar: a fome.

ELIAS NÃO TEVE MEDO DE ORAR PELO JULGAMENTO, porque sabia que a APOSTASIA ESPIRITUALé um desastre muito pior para uma nação do que a calamidade física e moral, e que a FALTA DE SANTIDADEé uma tragédia maior para o povo de Deus do que o sofrimento material.

O profeta tinha um SENSO ADEQUADOdaquilo que trazia glória para Deus e ele sabia que seu próprio povo precisava sofrer antes de voltar para Deus. A. W. Pink pergunta:

Por que Elias orou "para que não chovesse"? Não porque ele era imune ao sofrimento humano, não porque sentia um prazer diabólico em testemunhar a miséria de seus vizinhos, mas porque colocava a GLÓRIA DE DEUS acima de tudo, acima mesmo de seus próprios sentimentos naturais. [...]

“Elias era "zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos" (1Rs 19.10), e desejava muito ver o grande nome deste vindicado; e seu povo de restaurado da apostasia. Assim foi a glória de Deus e o verdadeiro amor por Israel que motivou sua oração.

Será que qualquer um de nós se atreveria a fazer uma oração assim hoje, pedindo a Deus que agisse em julgamento para que os corações de seu povo voltassem para ele?

E porque não oramos assim? Não é que essas orações não sejam mais possíveis.

AS ESCRITURAS DIZEM QUE ELIAS ERA UM HOMEM IGUAL A NÓS. SE NÃO FAZEMOS MAIS ESSE TIPO DE ORAÇÕES, ISSO PODE SER PORQUE JÁ NÃO SOMOS MAIS HOMENS E MULHERES IGUAIS A ELIAS.

Visto que vivemos em tempos maus, nossas orações são tão necessárias como foram nos dias de Elias, e visto que servimos a um Deus vivo, nossas orações podem ser tão eficazes quanto as orações de Elias.

Que o Senhor faça de nós pessoas de oração, para que possamos orar como Elias orou: com justiça, de modo que nossas orações não sejam diluídas pela desobediência e não sejam impedidas por pecados não confessados;

Que nossas orações tenha PODER, para que prevaleçamos contra a maré de idolatria; COM EFICÁCIA, de modo que consigamos reconhecer aquilo que Deus pretende fazer no nosso dia; e COM ZELO, para que nossos corações se tornem fortes através da nossa persistência na oração.

4. Elias é um homem que obedece e permanece.

Viver para Deus em tempos ruins significa ORARe OBEDECER. As Escrituras dizem que Elias "Foi, pois, e fez segundo a palavra do SENHOR" (1Rs 17.5).

PARECE SIMPLES, MAS ÀS VEZES AS COISAS SIMPLES SÃO AS MAIS DIFÍCEIS NA VIDA CRISTÃ. Tudo que o Senhor queria era a simples obediência à sua vontade revelada, que é também o que ele quer de todos nós.

Muitos cristãos têm dificuldades de reconhecer o chamado do Senhor para suas vidas, mas aqueles que andam com Deus descobrem que ele os leva para onde eles precisam ir no momento certo.

Seguir a Deus é semelhante a subir uma escada no escuro. Podemos não ser capazes de ver tudo o que está à frente, mas se continuarmos subindo, passo a passo, estenderemos nossos pés vacilantes e encontraremos um lugar seguro para firmá-los, por todo o caminho até o topo.

Elias encontrou seu caminho até o topo. Observe que Deus disse ao profeta que fosse para Querite apenas após ele ter entregado sua mensagem a Acabe: "Veio-lhe a palavra do SENHOR, dizendo" (1Rs 17.2).

Elias percorreu todo o caminho de Gileade até Acabe sem a menor ideia daquilo que Deus queria que ele fizesse em seguida. Ele simplesmente proclamou o julgamento de Deus a Acabe, e depois esperou até que Deus lhe indicasse os próximos passos.

O chamado de Elias veio no momento certo. Deus disse a Elias para onde deveria ir apenas quando estava na hora de ir para lá.

As primeiras palavras de Deus devem ter sido um grande alívio: "Saia daqui". Bem, Elias não era nenhum tolo. Ele não ficaria nas proximidades do palácio de Acabe mais do que o necessário, especialmente se Jezabel estivesse por perto!

Mas então veio uma ordem que não foi tão fácil obedecer: "Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão" (1Rs 17.3). Isso não era a aposentadoria que Elias esperara!

Deus também não lhe ofereceu o cardápio que esperara: "Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem" (1Rs 17.4). "Beber do ribeiro? Mas não vai chover durante anos!", Elias poderia ter pensado. "Sustentado por corvos? Mas eles são apenas pássaros!", ele poderia ter se oposto.

No entanto, a despeito de quaisquer objeções que Elias pudesse ter tido, as Escrituras dizem que "fez segundo a palavra do SENHOR" (1Rs 17.5). Elias não complicou as coisas simples. Ele apenas obedeceu a palavra que Deus revelou, como cada cristão deveria fazer.

A OBEDIÊNCIA VERDADEIRA TEM A FORÇA DA PERMANÊNCIA. E isso é necessário, pois viver para Deus em dias ruins exige mais do que um mero ato de obediência. Frequentemente, exige uma obediência duradoura.

Quando Elias chegou ao lugar da provisão de Deus, ele precisou ficar ali, e assim o fez. Ele "retirou-se e habitou junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão" (1Rs 17.5).

A Bíblia não revela quão difícil foi ficar em Querite, mas não deve ter sido fácil. O profeta estava se escondendo de Jezabel para se afastar do perigo. Ele estava escondido do povo de Israel, de modo que haveria uma falta da Palavra de Deus, bem como uma falta de grãos.

É provável que, para um homem da palavra e de ação como Elias, ficar parado e inativo pode ter representado uma grande provação. No entanto, tudo o que a Bíblia revela é que Elias permaneceu exatamente onde Deus o colocara.

Elias ficou onde estava, porque sabia que Deus estava com ele. Em quê Elias estava confiando enquanto ficou em Querite? Será que ele estava confiando no riacho e nos corvos?

Elias não estava confiando no riacho, mas no Deus que fez o riacho. Ele não depositou sua confiança nos corvos, mas no Deus que enviou os corvos.

Ele tinha aprendido a não confiar nas circunstâncias externas de sua provisão, mas no Deus que providencia.

Observe como todas as ações de Elias correspondem aos atributos do Deus ao qual servia. Elias era o tipo de homem que era porque Deus é o tipo de Deus que é.

Pelo fato de Deus ser um Deus vivo, Elias foi capaz de orar para ele.

Pelo fato de Deus sempre cumprir sua palavra, Elias teve uma palavra que podia obedecer.

Pelo fato de Deus cuidar de seu povo, Elias pôde ficar onde estava e depender da providência de Deus.

Ele era um profeta que orava, obedecia e permanecia porque o Deus ao qual servia era um Deus que vive, que cumpre sua palavra e que cuida.

CONCLUSÃO: Deus sempre permanece com seu povo. Ele cuidará também de nós, mesmo que tenha de usar corvos para fazê-lo.

Em um sermão chamado "Elias às margens do ribeiro", um pregador conta sobre uma noite fria num inverno com neve em uma ALDEIA ALEMÃna qual um menino e sua mãe se encontravam numa situação desesperadora.

Os alimentos haviam acabado. O fogo apagara e não havia nada que pudessem queimar para aquecer sua casa de campo. Então, a mãe ficou chocada quando, ao orar, ouviu seu filho atravessar a sala e abrir a porta da casa deixando assim entrar o ar frio da noite.

"Filho, por que você está abrindo a porta numa noite tão fria?", a mãe exclamou.  "É para os corvos, mãe", o menino respondeu simplesmente. Ele conhecia a história de Elias. Lembrou-se de como Deus havia providenciado tudo para o seu profeta e confiou que Deus enviaria seus corvos, com ou sem neve.

Acontece que o burgomestre (uma espécie de prefeito da cidade) estava fazendo uma caminhada naquela noite gélida para ver se tudo estava bem na aldeia. Ele ficou surpreso ao ver a porta daquela pequena casa aberta, então foi até lá para investigar.

Ele encontrou a mulher na porta e perguntou qual era o problema. Quando ela explicou que ela e seu filho estavam esperando os corvos de Deus, o burgomestre respondeu: "Eu serei o seu corvo, agora e para sempre".

A pobre mãe e seu filho eram iguais a Elias — apesar de viverem em tempos difíceis, conheciam o mesmo Deus que Elias conhecera.

Quando oraram por sua providência, descobriram a mesma coisa que nós descobriremos quando confiarmos nele: ele é um Deus vivo, que sempre cumpre sua palavra e sempre se preocupa com seu povo.

De: 05/11/2017
Por: Jairo Carvalho



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