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Como usar a internet para promover conteúdo doutrinário

A fé cristã é um contraponto à caótica visão de mundo do pós-modernismo. Ela é coesa, coerente, histórica, reta, faz afirmação da verdade e é revelada. Ela tem sido transmitida pelo fenômeno do kerygma, da pregação – e a chamo de fenômeno porque sua entrega e aplicação é obra do Espírito Santo de Deus – e também pela prática da instrução pastoral, do ensino na igreja e às famílias cristãs, a catequese.

O puritano Thomas Watson (1620-1686) abre o seu “Body of divinity”, uma obra que se tornou um clássico na importante obra de instruir o cristão em doutrinas importantes das Escrituras, com a seguinte afirmação: “É de suma importância que o cristão seja instruído no fundamento da religião. É o dever dos cristãos se firmarem e se fundamentarem na doutrina da fé”.

Baseando sua obra no Breve Catecismo de Westminster, Watson sintetizou, com a precisão típica dos puritanos de seu período, a essência de toda instrução teológica: “Firmar-se e fundamentar-se na doutrina e fé”. Partindo dessa premissa, ele passa a demonstrar a importância da instrução teológica para uma vida cristã madura e uma fé robusta, capaz de resistir às provas do falso ensino e capaz de levar o cristão ao crescimento e firmeza na fé.

Há muita sabedoria na instrução de Watson. Em suas palavras, ele segue uma tradição antiga e bem sucedida que se consolidou como o método mais eficiente de transmissão de instrução teológica para o povo de Deus: a catequese. Nesse método, um corpo básico da doutrina cristã é transmitido pelo pastor ao rebanho, através de perguntas bem elaboradas e respostas com ampla fundamentação bíblica. A base desse corpo teológico, via de regra, era o Credo dos Apóstolos, a Oração do Senhor, e os Dez Mandamentos. O pastor visitava os fiéis, fortalecendo sua fé por meio de exortações à devoção e incentivando-os se agarrar à mensagem das Escrituras.

A prática da catequese ganhou novo vigor a partir da Reforma do século XVI. A necessidade de instruir na fé os cristãos levou os mestres da igreja a produzir catecismos e confissões de fé que formaram, naquele período, um dos corpos mais ricos de doutrina cristã. Um exemplo da prática bem sucedida da catequese se viu em Richard Baxter, um ministro puritano contemporâneo de Thomas Watson, que foi um grande mestre do trabalho pastoral catequético. Durante seu ministério na pequena vila de Kiddermister, no interior da Inglaterra, mudanças profundas aconteceram por conta do zelo pastoral de Baxter. Diz-se que quando de sua chegada na cidade, “podia-se contar nos dedos de uma mão os que eram realmente piedosos, mas, ao fim de seu ministério naquela vila que tinha pouco mais de 3.000 habitantes, não havia uma única casa onde não houvessem crentes. Conta-se que, quando um viajante passava pelas ruas da cidade num certo horário do dia, podia-se ouvir de longe o canto de louvor que se proferia nas casas daquela vila”[1]. Em sua obra prima sobre a atividade pastoral, Baxter dá especial atenção ao trabalho catequético do pastor, dizendo o seguinte:
 

Nossa preocupação pastoral deve ser com todo o rebanho, com toda a comunidade. (…). Temos de nos dedicar aos indivíduos da igreja; precisamos conhecer cada pessoa que está a nosso cargo, pois como poderemos olhar por elas se não as conhecermos? (…). Nosso trabalho consiste em: confirmação, progresso, preservação, restauração e consolação[2].

Na prática pastoral de Baxter, ele tinha o propósito de “ensinar os pontos fundamentais da doutrina, para a edificação do cristão e sua progressão na fé e na verdade[3]”.

Por séculos, a teologia tem sido desenvolvida na igreja através das demandas pastorais e do estudo aplicado e disciplinado das Escrituras e o conhecimento teológico tem sido disseminado para os cristãos através da pregação e de uma catequese pastoral intencional e dirigida às necessidades do povo de Deus. Nossa geração precisa relembrar desse velho e eficiente princípio.

Ainda que a internet e o blog possam, efetivamente, oferecer uma boa palavra ao leitor ou ouvinte, a instrução sólida será aquela que é rotineira, pastoral, dominical, que envolve investimento de tempo e de atenção aos problemas reais que as pessoas experimentam. As pessoas precisam ser pastoreadas e os blogs não poderão fazer isso por elas. O pastor virtual terá uma ovelha virtual.

Da Igreja para fora: Alguns critérios para combinar blog e teologia

Tendo dito isto, preciso reconhecer que a internet oferece sim vantagens para a reflexão teológica. Fazemos bem em fazer uso desta ferramenta tão poderosa. Mas precisamos de balizas, de critérios, de sabedoria e discernimento se queremos oferecer um conteúdo que seja abençoador e edificante ao povo de Deus. Nesta parte final, quero propor 15 conselhos para o blogueiro cristão usar como princípio para seus textos e postagens:

1. O blogueiro precisa estar consciente do ambiente perigoso e sem nexo que é a internet e, assim, ser muito cuidadoso quanto à seleção de conteúdo e a linguagem escolhida para apresentá-lo aos seus leitores.

2. A produção de reflexões teológicas deve ser derivada e motivada pelo amor e zelo pela Palavra de Deus. Ele deve trabalhar seu texto para levá-lo de volta às Escrituras, instigando-o a desenvolver um espírito bereano.

3. A boa teologia sempre refletirá o ensino das Escrituras em resposta às demandas e preocupações pastorais e ministeriais.

4. Reflexão teológica deve ser parte do trabalho ministerial e não um fim em si mesmo.

5. O blogueiro cristão deve se lembrar de que a fé cristã não começou em sua própria geração. Ele deve buscar respaldo no longo e antigo séquito de fieis seguidores de Cristo ao longo da história.

6. Ele deve ter uma postura humilde e procurar trabalhar no âmbito de seus conhecimentos e experiência ministerial. (Pv 16.18)

7. O blogueiro cristão deve examinar seu próprio coração e discernir a motivação que o leva a produzir seu texto. Ele é resultado de que preocupação? O que o levou a produzir esta reflexão? Que propósito almeja?

8. O blogueiro cristão deve estar ligado a uma igreja local e ter comunhão com ela. Dificilmente ele terá algo a oferecer para o leitor se ele mesmo não for parte da comunidade visível de Deus na terra, a igreja.

9. O blogueiro cristão deve ser uma pessoa madura na fé, que produz seus textos de forma equilibrada, consciente e cuidadosa, buscando sempre a edificação do leitor.

10. O blogueiro cristão deve conhecer bem a teologia. Há muitos “teólogos de internet”, que obtiveram seu conhecimento doutrinário através da leitura da… internet. Sem o aprofundamento que a vida de igreja e a academia cristã oferecem, não é prudente se aventurar a produzir um blog de teologia.

11. O blogueiro cristão deve ser muito cuidadoso com a ética, especialmente no tratamento a outro irmão na fé. Deve lidar com o leitor virtual como se estivesse face a face com ele.

12. O blogueiro cristão deve refletir os valores da fé e da ética cristã em seus textos, procurando oferecer uma palavra boa, graciosa, verdadeira, firme e bíblica.

13. O blogueiro cristão deve ter cuidado para não se envolver em polêmicas vazias, denúncias sem propósitos, fofocas, intrigas e discussões áridas (Ef. 5.4).

14. O blogueiro cristão deve ter o discernimento de não tratar certos assuntos na internet. O blog nem sempre será o lugar mais apropriado para se tratar de assuntos mais espinhosos ou complexos da fé cristã. Não é lugar também para a exposição de dilemas e crises de fé (esse lugar é a oração e a comunhão com os santos, na Igreja). É preciso ter sensibilidade com o leitor que não domina certas matérias e com a possibilidade de causar tropeço aos novos na fé.

15. O escritor de blog deve ser alguém que lê bons livros teológicos e que está bem informado das tendências e pensamentos teológicos de sua própria época. Charles Spurgeon, o grande pregador britânico do século XIX, ao falar sobre a importância dos livros disse o seguinte:
 


“Paulo foi inspirado pelo Espírito, mas, ainda assim, quer livros! Ele esteve pregando por pelo menos 30 anos, mas, ainda assim, quer livros! Ele viu o Senhor, mas, ainda assim, quer livros! Ele foi arrebatado ao terceiro céu, e ouviu coisas que eram proibidas ao homem pronunciar, mas, ainda assim, quer livros! Ele escreveu a maior parte do Novo Testamento, mas, ainda assim, quer livros! O apóstolo disse a Timóteo e da mesma forma diz a todos os pregadores: ‘Aplica-te à leitura!`.
 

O homem que nunca lê, jamais será lido; aquele que nunca cita, jamais será citado. Aquele que nunca usa os pensamentos do cérebro de outros homens, prova que ele mesmo não tem cérebro. Irmãos, aquilo que é aplicável aos ministros também é verdade a todo o nosso povo. Você precisa ler. Renuncie o máximo possível todo tipo de leitura artificial, mas estude o máximo possível as sólidas obras teológicas, especialmente os escritores puritanos, e comentários da Bíblia. Estou completamente persuadido de que a melhor forma de você gastar o seu tempo de lazer é lendo e orando. Assim, você será capaz de extrair muitas informações dos livros, as quais depois poderão ser usadas como verdadeiras armas a serviço de seu Senhor e Mestre. Paulo clama: ‘Traga os livros`. Junte-se a ele nesse clamor.”[4]

O blogueiro cristão deve estar debaixo da convicção de que realmente tem algo importante a dizer, de que tem um conselho bom a dar, de que tem uma direção segura para apontar, de que sua palavra será relevante e útil para a edificação da Igreja e glória do Pai.

Que o Senhor nos ajude a fazer teologia com responsabilidade e a usar com sabedoria os meios que temos à nossa disposição para disseminar as imutáveis verdades do santo evangelho de Jesus Cristo.

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[1] William Baker, Puritan Profiles (Mentor: Ross Shire, Scotland, 1999) p.289-290
[2] Richard Baxter, O Pastor Aprovado (Pes: São Paulo, SP, 1996) p.100;102
[3] Ibid. p. 139
[4] Ligon Duncan – citando C. H. Spurgeon [sermão 452 – Paul – His cloak and his books – 1882]; Amado Timóteo, ed. Tom Ascol. (Editora Fiel: São José dos Campos, SP, 2005).

Por Tiago J. Santos Filho. Trecho do livro: Blogs Evangélicos; O Impacto da Mensagem Cristã na Internet. 1a. Edição., organizado por Valmir Nascimento. Visão Cristocêntrica: Campina Grande [PB], 2013, pp70-71. Usado com Permissão.

 

De: 26/03/2013
Por: Tiago J. Santos Filho



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