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1 Reis - Os móveis da casa de Deus

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Sermão 14 - Referência: 1 Reis 7.13-51

INTRODUÇÃO.Quando nos casamos e ganhamos os moveis para a nossa casa, eles se tornam parte da nossa vida.

Os móveis que Salomão colocou no templo de Jerusalém fizeram algo semelhante para o povo de Deus: tornaram-se parte de suas vidas. Como vimos em 1 Reis 6, a casa que Salomão construiu para Deus era uma cópia terrena de uma realidade celestial.

Como lugar que Deus escolhera para viver com o seu povo na terra, o templo foi modelado segundo a sala do trono de Deus no céu (Hb 9.24). O templo e seu mobiliário testificam assim a glória de Deus e exibem o tipo de graça que ele tinha para o seu povo.

Deus nos dá uma graça ainda maior em seu Filho, Jesus Cristo. Mas nós não temos de ir a um templo para receber essa graça. Agora, em vez de fazer a sua casa no templo de Salomão, Deus faz sua morada em nós por meio da presença do Espírito Santo.

Através da fé em Cristo, somos "santuário dedicado ao Senhor", "para habitação de Deus no Espírito" (Ef 2.21-22). O Espírito cumpriu a promessa que o Filho fez a todos que amam o Pai: "e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14.23). A alma de cada cristão é, portanto, um espaço sagrado, e o lugar onde Deus agora decora o seu lar é a vida do seu povo.

Ao passo em que conhecermos o mobiliário do templo de Salomão e entendermos seu verdadeiro significado espiritual, veremos também como Deus quer mobiliar nossas vidas com a sua graça.

1. Pilares fortes

(a) Arte e adoração.

O mobiliário do templo de Salomão foi concebido e elaborado por um mestre:

 "Enviou o rei Salomão mensageiros que de Tiro trouxessem Hirão. Era este filho de uma mulher viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de Tiro que trabalhava em bronze; Hirão era cheio de sabedoria, e de entendimento, e de ciência para fazer toda obra de bronze. Veio ter com o rei Salomão e fez toda a sua obra" (1Rs 7.13-14).

O povo de Tiro era famoso por sua habilidade de trabalhar com metal. O mais famoso de todos era Hirão — não Hirão, o rei, mas um homem diferente com o mesmo nome. Curiosamente, apesar de Hirão ser de Tiro, sua mãe era judia.

No entanto, a coisa mais importante a seu respeito não é sua origem étnica ou seu vínculo familiar com o povo de Deus, mas o seu dom de fazer trabalhos em bronze. Hirão era um artesão mestre, e sua habilidade era um TALENTOdado por Deus. Hirão de Tiro é um dos grandes artistas da Bíblia.

A linguagem que 1Reis usa para descrever seu DOM ARTÍSTICO é praticamente idêntica à que Êxodo usa para descrever dois outros artesãos famosos: Bezalel e Aoliabe, que foram os principais arquitetos e designers de interiores do tabernáculo que Moisés construiu no deserto.

Bezalel e Aoliabe foram cheios "do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores" (Ex 31.3-5, cf. 35.30-33). Hirão de Tiro havia recebido de Deus algumas das mesmas habilidades.

Sempre que estava na hora de construir uma casa para Deus — primeiro o tabernáculo e depois o templo —, ele deu a certas pessoas o dom e o chamado para produzir belas obras de arte. Isso nos lembra do grande amor de Deus pela beleza.

Ele também nos encoraja a usar quaisquer dons que temos para a sua glória, especialmente se tivermos um dom em qualquer uma das artes.

Os artistas são chamados a trabalhar com o material da criação para mostrar a gloriosa verdade e a beleza de seu Criador.

Ao fazerem isso, estão agindo à imagem daquele que criou um mundo por meio da palavra e que se ajoelhou para formar as criaturas a partir da terra. Eles são os criadores da arte, moldando o mundo feito pelo Criador original.

Hirão cumpriu sua vocação divina como artista criando lindos objetos para o templo de Salomão, em Jerusalém. Não sabemos o suficiente sobre o homem para ter certeza se ele tinha a fé salvífica no Deus de Israel.

O que sabemos é que tudo que Hirão fez dava testemunho da bondade de Deus e pode nos ajudar a entender como o Espírito Santo quer mobiliar nossas almas com a sua graça.

(b) firmeza e força

A primeira coisa que Hirão fez foi um par de enormes pilares: "Formou duas colunas de bronze; a altura de cada uma era de dezoito côvados, e um fio de doze côvados era a medida de sua circunferência" (1Rs 7.15, cf. Jr 52.21).

Juntos, esses dois pilares de bronze ficavam na entrada do templo. Para traduzir seu tamanho em unidades contemporâneas de medida, cada pilar era de aproximadamente 8 metros de altura, 5 metros e meio de circunferência, e vários centímetros de espessura. Cada pilar foi coberto com um capitel ornamentado de mais ou menos 2 a 2,5 metros de altura.

A Bíblia revela a beleza desses elementos arquitetônicos:

Também fez dois capitéis de fundição de bronze para pôr sobre o alto das colunas; de cinco côvados era a altura de cada um deles. Havia obra de rede e ornamentos torcidos em forma de cadeia, para os capitéis que estavam sobre o alto das colunas; sete para um capitel e sete para o outro. Fez também romãs em duas fileiras por cima de uma das obras de rede, para cobrir o capitel no alto da coluna; o mesmo fez com o outro capitel. Os capitéis que estavam no alto das colunas eram de obra de lírios, como na Sala do Trono, e de quatro côvados. Perto do bojo, próximo à obra de rede, os capitéis que estavam no alto das duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em fileiras em redor, sobre um e outro capitel (1Rs 7.16-20).

Nós nos deleitamos com a bela arte desses capitéis, pois, embora a Bíblia não dê detalhes suficientes para produzir uma réplica exata, ela mostra quão complexos eram.

Os capitéis foram decorados com fileiras de frutas e correntes de flores — ecos do Éden que nos lembram de que o templo era a porta de entrada para o Paraíso. As romãs identificavam os pilares com os sacerdotes que serviam no interior do templo, pois suas vestimentas eram adornadas com romãs (Êx 28.31-34).

Essas frutas eram símbolos da Terra Prometida (Nm 13.23; Dt 8.8) e também da produtividade, pois a romã é repleta de sementes grandes. Os lírios eram símbolos da vida e também do amor, pois no Cântico dos Cânticos, essa flor está intimamente associada ao romance juvenil (por exemplo, 2.1-2; 6.2-3).

E quanto aos pilares em si? Embora possam ter tido uma função estrutural de sustento no pórtico do templo, é mais provável que esses pilares eram meramente decorativos, um de cada lado da entrada do templo.

Então, qual era seu significado simbólico para Salomão e sua ligação espiritual com Jesus Cristo e com a vida da fé cristã? O significado dos pilares é explicado pelos seus nomes incomuns.

Salomão "levantou as colunas no pórtico do templo; tendo levantado a coluna direita, chamou-lhe Jaquim; e, tendo levantado a coluna esquerda, chamou-lhe Boaz. No alto das colunas, estava a obra de lírios. E, assim, se acabou a obra das colunas" (1Rs 7.21-22).

O nome Jaquim significa "é firme" ou "ele estabelece". O mesmo verbo é usado na história de Israel para descrever a promessa que Deus fez ao rei Davi posteriormente cumprida para seu filho Salomão — a promessa de estabelecer seu trono (por exemplo, 2 Sm 7.12-13; 1Rs 2.12,24).

Assim, o nome Jaquim está intimamente associado ao estabelecimento firme do trono de Davi por Deus. Dar a um pilar esse nome significa "'encapsular' a promessa do Senhor de que a dinastia de Davi seria o veículo por meio do qual ele traria seu reino para a terra".

"Jaquim" é outra maneira de dizer: "Venha o teu reino". Significa dizer: "Ele estabelecerá", para expressar que Deus estabelecerá o seu trono real.

O nome Boaz pode ter tido uma referência mais pessoal, pois Boaz se casou com Rute e tornou-se bisavô do rei Davi (Rt 4.13-22). Mas o nome de Boaz também tem um significado importante: significa "ele é forte" ou "por meio dele, é poderoso".

Boaz, assim como Jaquim, conota a força e a estabilidade de um grande pilar, testemunhando, ao mesmo tempo, que Deus estabeleceria o seu reino na terra através da família real de Davi.

Podemos levar essa ideia um passo adiante, comparando 1Reis 7 com um dos salmos reais de Davi. O salmo 21 começa e termina com "Boaz". A palavra-chave, tanto no primeiro quanto no último versículo do salmo, é a mesma palavra para "força" que Salomão usou para batizar o seu pilar.

Por isso, é possível — e talvez até provável — que o nome "Boaz" pretendesse lembrar as pessoas desse salmo. Algo semelhante acontece quando alguém diz: — uma única palavra ou expressão remete a uma declaração mais longa.

Se quisermos compreender o significado completo do pilar Boaz, precisamos cantar o salmo de Davi: "Na tua força, SENHOR, o rei se alegra [...] Exalta-te, SENHOR, na tua força!" (Sl 21.1,13).

Qual é o pilar da sua vida? Os pilares do templo de Salomão eram Jaquim e Boaz — a força do próprio Deus e a estabilidade do rei que estava sentado em seu trono. Nossa coluna é (ou deveria ser) Jesus Cristo, o Salomão maior e o real Filho de Davi, que agora reina como o Rei do reino de Deus.

Pela fé em Cristo, a vida do crente se tornou o templo do Espírito Santo, em morada para o Deus vivo. O pilar desse templo interior é Jesus Cristo. Ele é o nosso pilar quando tudo na vida parece ruir.

Ele é o nosso pilar de força quando nos sentimos fracos; o pilar da misericórdia quando precisamos de perdão; o pilar de conforto quando sofremos perda e luto; o pilar de esperança quando sentimos como se tivéssemos perdido nossa chance na vida e não vemos mais nenhum futuro para nós.

Quando Jesus Cristo se torna o pilar das nossas almas, então somos capazes de dizer diante de qualquer problema que possa vir: "Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl 73.26).

Pela força de Deus perseveramos diante de todos os problemas da vida, até o dia em que Jesus cumpra sua promessa em glória: "fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus" (Ap 3.12).

2. A fonte purificadora

O segundo item produzido por Hirão para o templo de Salomão foi um enorme tanque:

Fez também o mar de fundição, redondo, de dez côvados de uma borda até à outra borda, e de cinco de altura; e um fio de trinta côvados era a medida de sua circunferência. Por baixo da sua borda em redor, havia colocíntidas, dez em cada côvado; estavam em duas fileiras, fundidas quando se fundiu o mar. Assentava-se o mar sobre doze bois; três olhavam para o norte, três, para o ocidente, três, para o sul, e três, para o oriente; o mar apoiava-se sobre eles, cujas partes posteriores convergiam para dentro. A grossura dele era de quatro dedos, e a sua borda, como borda de copo, como flor de lírios; comportava dois mil batos (1Rs 7.23-26).

Esse belo mar de bronze (como era chamado) foi uma das grandes conquistas técnicas de Israel. Toda pessoa sabe como é difícil fabricar um objeto grande de metal, especialmente um com uma borda curvada.

A bacia de bronze no templo de Salomão foi projetada para armazenar uma enorme quantidade de água: até 66 MIL LITROS. Esse tanque media 5 metros de diâmetros e 2,5 metros de altura.

Não surpreende, portanto, que as pessoas o chamavam de "mar"! Hirão decorou o mar de bronze com botões e deu à borda a forma de um lírio. Ele também fez um suporte para o mar, de modo que repousava sobre as costas de 12 bois de metal, três de cada lado, voltados para as quatro direções cardeais.

(a) Paz e controle.

A bacia de bronze pode ter lembrado o povo de Deus de seu próprio encontro com o mar. Durante seu famoso êxodo do Egito, os israelitas atravessaram o Mar Vermelho em terra seca, enquanto carros e cavaleiros de Faraó se afogaram no mar (Êx 14).

Podemos dar um testemunho semelhante, pois também passamos por um mar simbólico. Para os crentes em Cristo, o batismo é uma libertação sacramental da morte, uma passagem salvífica pela água (1Co 10.1-4; 1Pe 3.20-21).

A água também pode ter representado a paz de Deus que controla os problemas caóticos de um mundo caído.

O mar era uma força ameaçadora para as pessoas nos tempos antigos, como ainda é hoje, e, logo, representava as forças do caos. Encontramos imagens semelhantes em outras partes da Bíblia, em que o mar é considerado um poder sinistro e ameaçador. "As águas tumultuem e espumejem", escreveu o salmista, "na sua fúria os montes se estremeçam" (Sl 46.3).

Ou veja a oração desesperada de Jonas: "me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim" (Jn 2.3).

Mas se o nosso Deus é o Senhor do mar, então ele é capaz de controlar suas ondas: "Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas" (Sl 89.9). "Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar" (SI 93.4).

O poder de Deus estava em exposição no templo de Salomão, onde um grande volume de água foi simbolicamente acalmado.

O caos do mar foi domado por uma bacia de bronze, da mesma forma que Deus mantém as águas do mar dentro dos limites de terra.

O mesmo vale para os nossos próprios PROBLEMAS NA VIDA. Não importa quão caótico tudo possa parecer, Deus ainda está no controle e quer nos dar a paz interior.

Em vez de sermos jogados para lá e para cá por todos os tipos de tumulto e, em vez de sermos sugados por um oceano de ansiedade, podemos confiar em nosso Salvador: ele acalmará os nossos pensamentos perturbados.

Sabendo que Jesus é o comandante dos ventos e das ondas, que acalmou a tempestade no mar da Galileia (Lc 8.25), somos capazes de responder ao chamado apostólico: "Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração" (Cl 3.15).

(b) Santidade pessoal

Outro aspecto do simbolismo do mar talvez seja o mais importante de todos: o tanque de bronze era uma fonte para a LIMPEZA.

De acordo com Êxodo 30, Deus disse a Moisés que fizesse um tanque semelhante (embora menor) para o tabernáculo no deserto — "uma bacia de bronze com o seu suporte de bronze, para lavar" (Êx 30.18).

A água dessa bacia de bronze consagrou Arão e seus filhos quando desempenharam as funções sacerdotais: "Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram; ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao SENHOR. Lavarão, pois, as mãos e os pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo, a ele e à sua posteridade, através de suas gerações" (Êx 30.20-21, cf. 40.30-32).

O mar de bronze construído por Salomão permitiu que os sacerdotes de Israel cumprissem esse mandamento, como o fizeram também as dez bacias menores que o rei colocou no seu templo:

"Também fez dez pias de bronze; em cada uma cabiam quarenta batos, e cada uma era de quatro côvados; sobre cada um dos dez suportes estava uma pia. Pôs cinco suportes à direita da casa e cinco, à esquerda; porém o mar pôs ao lado direito da casa, para o lado sudeste" (1Rs 7.38-39).

Essas bacias idênticas não eram tão grandes como o grande mar de bronze, mas cada uma tinha o volume de 750 a 900 litros de água. Salomão pôs essas bacias de bronze em dez carrinhos móveis ornamentados, conforme a Bíblia os descreve:

Fez também de bronze dez suportes; cada um media quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura; e eram do seguinte modo: tinham painéis, que estavam entre molduras, nos quais havia leões, bois e querubins; nas molduras de cima e de baixo dos leões e dos bois, havia festões pendentes. Tinha cada suporte quatro rodas de bronze e eixos de bronze; os seus quatro pés tinham apoios debaixo da pia, apoios fundidos, e ao lado de cada um havia festões.

A boca dos suportes estava dentro de uma guarnição que media um côvado de altura; a boca era redonda como a obra de um pedestal e tinha o diâmetro de um côvado e meio. Também nela havia entalhes, e os seus painéis eram quadrados, não redondos.

As quatro rodas estavam debaixo dos painéis, e os eixos das rodas formavam uma peça com o suporte; cada roda era de um côvado e meio de altura. As rodas eram como as de um carro: seus eixos, suas cambas, seus raios e seus cubos, todos eram fundidos.

Havia quatro apoios aos quatro cantos de cada suporte, que com este formavam uma peça. No alto de cada suporte, havia um cilindro de meio côvado de altura; também, no alto de cada suporte, os apoios e painéis formavam uma peça só com ele. Na superfície dos seus apoios e dos seus painéis, gravou querubins, leões e palmeiras, segundo o espaço de cada um, com festões ao redor. Deste modo, fez os dez suportes; todos tinham a mesma fundição, o mesmo tamanho e o mesmo entalhe (1Rs 7.27-37)

A enorme quantidade de água em todas essas bacias mostra que Deus se preocupa muito com a SANTIDADE PESSOAL.

No templo, a pureza realmente era "próxima à santidade", pois, para que pudessem realizar seus deveres sagrados, os sacerdotes de Salomão precisavam manter-se cerimonialmente puros por meio do ritual de purificação.

Sabemos de Crônicas que as dez bacias laterais "para lavarem nelas o que pertencia ao holocausto; o mar, porém, era para que os sacerdotes se lavassem nele" (2Cr 4.6).

Portanto, a fim de cumprirem o seu trabalho do reino no templo de Deus, tanto os sacerdotes quanto os seus sacrifícios precisavam ser lavados em água. Primeiro, os sacerdotes se lavavam (por exemplo, Lv 16.4), mas eles também lavavam os animais que apresentavam como holocaustos puros a Deus.

(c) Santo Serviço.

Os sacerdotes de Deus precisam purificar-se ainda hoje, mas existem duas grandes diferenças. A primeira diferença é que agora todo o povo de Deus consiste de sacerdotes. Nos dias de Salomão, apenas os levitas realizavam um ministério sacerdotal, mas hoje Deus tem um reino inteiro de sacerdotes.

Todo crente em Jesus Cristo é chamado para o SANTO SERVIÇO DE DEUS. Deus está usando todos os cristãos para construir uma "casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1Pe 2.5).

Agora que a expiação dos nossos pecados foi feita através do sacrifício de Cristo na cruz, não há mais necessidade de oferecermos sacrifícios de animais a Deus.

Mas nós lhe oferecemos o sacrifício do nosso louvor, de uma vida dedicada ao seu santo serviço.Nosso dever sacerdotal é proclamar o evangelho para o mundo e orar pelas pessoas que precisam da graça salvífica de Deus.

Para que possamos oferecer a Deus um serviço verdadeiramente santo, precisamos ser puros, o que nos leva a uma segunda grande diferença entre o templo de Salomão e a igreja de Jesus Cristo.

A purificação no templo era apenas superficial, lavava o exterior do corpo de um sacerdote. Mas agora que nos tornamos o templo do Espírito Santo, o lugar onde Deus habita, a limpeza ocorre dentro de nós.

As várias lavagens que aconteceram no templo não podiam "aperfeiçoar aquele que presta culto" (Hb 9.9). Mas agora o grande mar da graça purificadora de Deus se encontra em nossas almas. Através da fé em Cristo, o Espírito Santo purifica nossos corações do pecado.

Precisamos dessa purificação todos os dias, não apenas no dia em que encontramos Cristo, mas cada dia pecamos e precisamos ser perdoados. Deus declara que "o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1Jo 1.7).

Recebemos essa purificação no momento em que passamos a confiar em Cristo para a nossa salvação. O sangue de Jesus derramado na cruz nos purifica espiritualmente de todas as manchas da culpa do nosso pecado.

No entanto, continuamos a pecar, e, portanto, continuamos a precisar da purificação de Deus, já não mais para a nossa salvação, porque já somos salvos; mas como parte da santa obra do Espírito de nos tornar santos para o serviço de Deus.

Deus prometeu que o sangue de Cristo "purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!" (Hb 9.14).

Quando um cristão peca, ele duvida às vezes que Deus ainda pode aceitar o seu serviço. Mas sempre que somos tentados por essas dúvidas, precisamos nos lembrar do mobiliário que Deus providenciou para as nossas almas.

Todas as vezes que pecamos há purificação para o nosso perdão na fonte da graça de Deus: "SE CONFESSARMOSos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1Jo 1.9).

O conhecimento da promessa de perdão nos incentiva e permite obedecer a ordem da Bíblia para a nossa santificação: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, PURIFIQUEMO-NOS de toda impureza, tanto da carne como do espírito, APERFEIÇOANDO a nossa santidade no temor de Deus" (2Co 7.1).

3. A alma bem mobiliada.

Os pilares da força e o mar da purificação foram os maiores objetos feitos por Hirão para o templo de Salomão, mas ele também fez muitos pequenos itens de igual importância espiritual.

Ao descrever a sua obra, a Bíblia diz que "fez Hirão os caldeirões, e as pás, e as bacias" (1Rs 7.40). Em seguida, oferece um resumo de sua habilidade:

Depois, fez Hirão os caldeirões, e as pás, e as bacias. Assim, terminou ele de fazer toda a obra para o rei Salomão, para a Casa do SENHOR: as duas colunas, os dois globos dos capitéis que estavam no alto das duas colunas; as duas redes, para cobrir os dois globos dos capitéis que estavam ao alto das colunas; as quatrocentas romãs para as duas redes, isto é, duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam no alto das colunas; os dez suportes e as dez pias sobre eles; o mar com os doze bois por baixo (1Rs 7.40-44,  2Cr 4.11-15).

Esses móveis do templo eram todos feitos de bronze — não era um metal precioso, mas era valioso e funcional. A Bíblia descreve onde e como esses itens foram feitos:

"os caldeirões, as pás, as bacias e todos estes utensílios que fez Hirão para o rei Salomão, para a Casa do SENHOR, todos eram de bronze polido. Na planície do Jordão, o rei os fez fundir em terra barrenta, entre Sucote e Zaretã" (1Rs 7.45-46; 2Cr 4.16-17).

A argila era utilizada para fazer os moldes. Assim, o mobiliário para o templo de Salomão foi feito da mesma maneira como o próprio homem havia sido criado: da terra.

Dado o grande número de itens sagrados que Salomão usou para mobiliar o templo, talvez não seja surpreendente que eles nunca foram pesados: "Deixou Salomão de pesar todos os utensílios pelo seu excessivo número, não se verificando, pois, o peso do seu bronze" (1Rs 7.47, cf. 2Cr 4.18).

Os potes e pás mencionados nos versículos 40 e 45, bem como os pratos e pinças mencionados no versículo 49, foram modelados segundo utensílios semelhantes que Moisés fizera para o tabernáculo no deserto (Êx 27.3).

Foram usados em conexão com a oferta de vários sacrifícios — para retirar as cinzas, espalhar incenso, carregar brasa e para a aspersão do sangue sacrificial, como o sumo sacerdote costumava fazer no Dia da Expiação (Lv 16.11-19).

(a) vasos de sacrifícios.

Os vasos sagrados do templo de Salomão faziam parte do sistema de sacrifícios do Antigo Testamento. Nós também somos chamados para uma vida de sacrifício — não dos nossos animais ou dos nossos grãos, mas de nós mesmos. Jesus Cristo ofereceu a si mesmo como o sacrifício expiatório pelos nossos pecados.

Em resposta alegre, agora devolvemos tudo o que somos e temos a Deus. Em algum ponto no interior sagrado de nossas almas, dizemos a Jesus que estamos totalmente disponíveis para o seu serviço, que ele pode usar nossa vida de qualquer maneira que sirva para a sua glória:

Doando, orando, cantando, ensinando, organizando, discipulando ou simplesmente comparecendo e cuidando das pessoas necessitadas. Pela misericórdia de Deus, nós nos apresentamos "por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm 12.1).

Além desse "equipamento litúrgico", como o chamou um comentarista, Também fez Salomão todos os utensílios do Santo Lugar do SENHOR:

O altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da proposição; os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as espevitadeiras, também de ouro; também as taças, as espevitadeiras, as bacias, os recipientes para incenso e os braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior para o Santo dos Santos e as das portas do Santo Lugar do templo, também de ouro (1Rs 7.48-50, 2Sm 8.10-12; 2Cr 4.19-22).

Esses itens eram feitos de ouro, não de bronze, para demonstrar a santidade relativa de sua função e sua proximidade com a presença de Deus.

Embora alguns tenham acusado Salomão de "consumo exagerado" na fabricação desses objetos sagrados, foi correto e bom Salomão investir um luxo extravagante no interior do templo e fazê-lo por conta própria (1Cr 29.3).

Nada que oferecemos pode ser bom demais para Deus, e Salomão agiu com sabedoria ao dar na proporção do valor relativo do destinatário das suas dádivas. Também devemos dar a Deus o que temos de melhor.

(b) Altar de oração.

O altar de ouro representava a VIDA DE ORAÇÃO. Sabemos de Êxodo 30 que esse altar era usado para oferecer incenso (Êx 30.1,7-8). Quando um sacerdote queimava incenso no altar de ouro, ele ficava diretamente em frente a arca da aliança (Êx 30.6).

Com efeito, ele estava se aproximando do propiciatório — o lugar onde Deus ouve e responde as orações. Enquanto o incenso subia do altar, levava as orações para o céu.

Nas palavras do rei Davi, referindo-se ao culto dos sacerdotes de Israel: "Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina" (Sl 141.2,  Ap 5.8 e 8.3-4).

Deus nos equipou com um altar de ouro para a ORAÇÃOno poder do Espírito Santo.Jesus disse que o seu templo deve ser chamado uma casa de oração (Mt 21.13). Se nossa alma se tornou seu templo pela habitação do Espírito Santo, então nossa vida deve estar CHEIA DE ORAÇÃO.

Toda vez que recebemos uma bênção de Deus — mesmo que seja algo tão simples como uma boa refeição — as nossas orações de agradecimento devem subir ao céu como o incenso sagrado.

Toda vez que vemos alguém em NECESSIDADE, nossos pedidos de intercessão devem ser levantados como os braços de um sacerdote santo.

Toda vez que sentirmos ANSIEDADEou CULPA, devemos pedir a Deus que envie sua ajuda misericordiosa do céu. Assim, fazemos do nosso coração um altar para a oração.

 

(c) Provisão divina.

Ao lado do altar de ouro ficava "a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da proposição" (1Rs 7.48, Êx 25.23-30).

Toda semana, os sacerdotes depositavam doze pães sagrados nessa mesa de ouro, presumivelmente para representar as 12 tribos de Israel. O pão era um lembrete da PROVISÃO DE DEUS — o mesmo Deus que dera às suas crianças o maná no deserto continuou a fornecer o pão que dá vida.

Era também um sinal da presença de Deus e de seu desejo de ter comunhão com o seu povo. Toda semana, os sacerdotes comiam esse pão sagrado na presença do Senhor (Lv 24.9), compartilhando a mesa com seu Deus da aliança.

A mesa do pão é mais um lembrete de como Deus providencia a sua graça para as nossas almas, pois Deus ainda dá pão para o seu povo. Jesus disse que ele mesmo é "o pão da vida", o verdadeiro pão que "desce do céu e dá vida ao mundo" (Jo 6.33,35).

Se aceitarmos Jesus na fé, as nossas almas nunca passarão fome novamente. Da mesma forma que o pão nos dá a vida física, Jesus nos dá a vida espiritual para sempre.

Somos lembrados disso toda vez que comemos o pão de cada dia que pedimos a Deus (Mt 11) ou quando comemos o PÃO SACRAMENTAL da Ceia do Senhor, pois Jesus alimenta nossas almas com o pão da sua graça.

(d) Luz e direção.

Por fim, cada casa bem mobiliada precisa de luz. Assim, o templo de Salomão era iluminado pela luz de dez candelabros de ouro. O tabernáculo no deserto tinha apenas um candelabro (Êx 25.31-40), mas o templo era maior; por isso Salomão instalou dez candelabros ao longo de cada parede, enchendo o santuário de luz.

Sua função era simbólica e prática. Quando os sacerdotes de Israel entravam na santa casa de Deus, os candelabros de ouro os lembravam das luzes que Deus colocou nos céus quando criou o mundo e também de que Deus é a verdadeira fonte de toda a luz.

 "O SENHOR é a minha luz" (Sl 27.1), escreveu o rei Davi, e nele "vemos a luz" (Sl 36.9). Em outras palavras, Deus é a luz que ilumina todas as outras fontes de luz em todo o universo, sejam elas físicas ou espirituais.

Agora vemos a luz de Deus na pessoa de Jesus Cristo. O mesmo Jesus que disse que ele é o pão da vida também disse que ele é a luz do mundo (Jo 8.12). Jesus Cristo é a verdadeira luz que ilumina todos — a luz que veio a este mundo escuro para a nossa salvação (Jo 1.9).

Quando depositamos nossa confiança nele, a luz de Deus começa a iluminar cada canto escuro de nossas vidas. Jesus nos dá a luz que nos mostra a verdade, que revela nosso pecado, que aponta o caminho certo que devemos seguir na vida e que nos faz brilhar para Deus em um mundo escuro.

CONCLUSÃO: Seu coração é o lar de Cristo. É assim que Deus quer mobiliar nossas almas: com a estabilidade de pilares poderosos; com a graça purificadora de uma fonte enorme; com a oração que sobe ao céu como o incenso; com alimento espiritual como o pão santo; e com a luz brilhante de um santuário cheio de velas sagradas.

Sua alma já possui todo esse mobiliário? Se assim for, então use o mobiliário que Deus lhe deu, transformando-o em parte do seu dia a dia.

Quando a vida parece estar caindo aos pedaços e você não tem certeza de quanto tempo pode resistir, lembre-se de que Jesus Cristo é o seu pilar de força.

Quando você é derrotado pelo pecado e se sente tão indigno a ponto de duvidar de que haja qualquer coisa que você pode fazer para Deus, lembre-se de que o sangue de Cristo o purifica de todo pecado.

Use o mobiliário espiritual que Deus lhe deu a cada dia. Vá para o doce altar da oração. Alimente-se do pão de Deus. Viva à luz da sua Palavra. Mas se Deus ainda não vive em sua alma, então entenda que a sua alma pode ser totalmente mobiliada ainda hoje.

Você não precisa esperar o caminhão de entrega. Ninguém precisa atravessar todo o país para trazê-lo até você. Deus, o Pai no céu, lhe dará todos os móveis espirituais que você precisa agora, por meio da fé em Jesus Cristo.

Ele lhe dará estabilidade, purificação, comunhão na oração, alimento para a sua alma e luz como orientação na vida. Sem Deus, a vida será sempre vazia. Mas quando Jesus faz do seu coração o seu lar, ele lhe fornece tudo que você precisa.

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 15/01/2018
Por: Jairo Carvalho

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