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1 Reis - Oração nota sete

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Sermão 18 - Referência: 1 Reis 8.31-53

 

INTRODUÇÃO: alguns sistemas de ensino norte americano tem a nota “sete” como a maior pontuação que alguém pode alcançar.

Para esses alunos do ensino médio, o número sete é um sinal de perfeição inatingível. Não importa quão bom alguém ou algo era nunca merecia a "nota sete".

Quando alguém conversa sobre algo que é “o melhor”, seja um evento esportivo, ou um show ou outro evento social.

Então alguém afirma "Sim, mas é nota sete?". Alguém responde "Não, não é tão bom assim", e alguém admitia. "Nada merece a nota sete."

Às vezes, quando alguém tenta afirmar que algo é realmente "nota sete", ele será calado por gritos de protesto.

“Sete” está além do alcance, um padrão de perfeição que a maioria dos alunos jamais atingiria.

No entanto; há muitos "setes" notáveis na Bíblia, incluindo alguns que realmente alcançaram a perfeição.

No início, Deus criou tudo que existe em sete dias, e depois descansou de sua obra. Noé levou sete pares de animais puros para a arca (Gn 7.2). O sangue de um sacrifício era aspergido sete vezes para completar a purificação (Lv 16.14,19).

Cristo realizou sete sinais milagrosos no Evangelho de João, e há sete cartas para sete igrejas no livro do Apocalipse, em que sete também é o número da plenitude do Espírito Santo (Ap 5.6).

Temos ainda a oração que o rei Salomão ofereceu quando consagrou seu famoso templo de Jerusalém, que contém sete grandes pedidos para o povo de Deus. De acordo com Jesus, o templo de Deus deve ser "casa de oração" (Lc 19.46).

Por isso, Salomão fez bem ao dedicar seu templo com a longa oração que se estende desde 1Reis 8.23 até o versículo 53. O rei iniciou sua oração louvando a Deus e pedindo que cumprisse as promessas que tinha feito a Davi.

Em seguida, invocou a presença de Deus. Mas o núcleo da oração de Salomão consistia em sete pedidos de confissão futura.

Sabendo que seu povo pecaria, o rei antecipou a dificuldade que enfrentaria e intercedeu por perdão, mesmo antes de Israel pecar.

De pé, em frente ao altar onde a expiação do pecado era feita, ele pediu a Deus que ouvisse as orações do seu povo e perdoasse suas muitas transgressões (1Rs 8.30).

A oração de Salomão serve como modelo para a nossa própria intercessão.Peço desculpas aos rapazes do ensino médio, mas essa oração é "nota sete".

Ela nos ensina a orar tanto por nós mesmos quanto pelo povo de Deus.Também nos lembra de como Jesus ora por nós como nosso Salvador e Rei.

Em suma, a oração de Salomão oferece tudo que toda pessoa poderia exigir de uma oração — uma perfeição sétupla de intercessão. Existe um pedido para cada um nessa oração. Vejamos.

1. O primeiro pedido: uma oração por justiça

O primeiro pedido de Salomão era uma oração por justiça: "Se alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier a jurar diante do teu altar, nesta casa, ouve tu nos céus, e age, e julga teus servos, condenando o perverso, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça e justificando ao justo, para lhe retribuíres segundo a sua justiça" (1Rs 8.31-32).

A situação que Salomão descreve em sua primeira petição nos é familiar. Na verdade, o rei já tinha lidado com esse tipo de situação, principalmente no famoso caso das prostitutas e seus dois bebês (1Rs 3.16-28).

Salomão imagina uma situação em que uma pessoa peca contra outra pessoa e, portanto, não consegue cumprir o segundo grande mandamento de amar seu próximo (Lv 19.18, Mc 12.28-31).

Esse tipo de pecado é muito comum e acontece todos os dias entre os  crentes.Caso como estes não há testemunhas, e, assim, nenhum outro ser humano conhece a verdade sobre o que realmente aconteceu.

Então há uma acusação injusta; um juramento quebrado, uma palavra não cumprida; como então, a justiça poderá ser feita?

Nem mesmo Salomão, apesar de toda a sua sabedoria, era capaz de julgar tudo. Como é impossível julgar casos assim, Salomão orou para que o próprio Deus estabelecesse o veredito e executasse a sentença.

Embora o procedimento para isso não seja totalmente explicado, o que Salomão tem em mente é uma espécie de julgamento por ordálio.

Lemos algo semelhante na Lei de Moisés, que afirma que dois partidos "levará perante os juízes" (Êx 22.9).

Aparentemente, os sacerdotes do templo possuíam alguns meios para determinar a inocência ou culpa de alguém. Possivelmente, isso era feito usando o Urim e o Tumim — os “dados sagrados”, por assim dizer, que o sumo sacerdote de Israel mantinha no "peitoral do juízo" (Êx 28.30).

Em todo caso, quando as pessoas acusadas de delitos fossem ao templo e fizessem um juramento diante do altar de Deus, Salomão pede a Deus que condenasse o culpado e recompensasse o justo.  

Na prática desses pecados dificilmente há arrependimentos sinceros. Por isso Salomão ora por justiça e não por perdão.

Pois as pessoas podem jurar inocência mesmo sendo culpada. Podem afirmar sua defesa, mesmo baseado na MENTIRA MOTIVACIONAL. As pessoas creem piamente naquilo que está falando, mesmo não sendo a verdade, e falam se a mentira fosse mais verdade que a própria verdade.

Ao fazer esse pedido, Salomão estava reconhecendo que Deus é um juiz justo (Sl 7.11) — "o Juiz de toda a terra" (Gn 18.25) e só ele pode julgar questões de “foro intimo”. Muitas coisas são conhecidas apenas a Deus, que sempre faz o que é absolutamente certo e perfeitamente justo.

Portanto, a melhor e mais sábia coisa que podemos fazer é entregar esses casos em oração ao julgamento do Senhor. Uma maneira prática de fazermos isso é seguir o exemplo de Salomão e orarmos pela justiça de Deus.

Geralmente encontramos conflitos que nos entristecem em virtude daquilo que as pessoas fazem ou dizem, mesmo quando é difícil saber quem está realmente dizendo a verdade.

Não temos o conhecimento perfeito para fazer a justiça perfeita. Em vez de ficarmos desanimados ou cínicos em relação a todo o mal no mundo, devemos orar para que a justiça seja feita.

Devemos lidar com as acusações e as calunias e as mentiras orando para que Deus julgue os culpados e recompense os justos. (ex. Deus julgue entre mim e você).

Devemos orar para que os culpados sejam condenados; e os justos, recompensados, se não nesta vida, então certamente na vida vindoura.

Em vez de nos sobrecarregarmos com a responsabilidade da justiça ou ficarmos ofendidos, devemos invocar a justiça de Deus, que "julga segundo as obras de cada um" (1 Pe 1.17).

2. O segundo pedido: uma oração por socorro

O segundo pedido de Salomão era uma oração por socorro e resgate. Mais uma vez fica claro que o rei acreditava na DEPRAVAÇÃO TOTAL do povo de Deus.

Ele orou: "Quando o teu povo de Israel, por ter pecado contra ti, for ferido diante do inimigo, e se converter a ti, e confessar o teu nome, e orar, e suplicar a ti, nesta casa, ouve tu nos céus, e perdoa o pecado do teu povo de Israel, e faze-o voltar à terra que deste a seus pais" (1Rs 8.33-34, cf. Dt 30.1-10).

Embora normalmente vitorioso, às vezes o povo de Deus sofria uma derrota na batalha. A calamidade sofrida em “Ai” é um exemplo notável (Js 7.1-5), de como o pecado produz nossos fracassos (Sm 4.1-11).

O povo de Deus perdeu a batalha porque pecaram contra Deus. Deus tinha advertido seu povo que, se não guardasse seus mandamentos, ele se voltaria contra eles e permitiria que seus inimigos o derrubassem.

De acordo com a justiça de Deus, nas maldições que ele pronunciou pela violação de sua aliança, a punição adequada para a rebelião nacional era a derrota militar (por exemplo, Lv 26.17; Dt 28.25).

Salomão sabia que era muito provável que Israel experimentaria novamente esse tipo de julgamento. Mais cedo ou mais tarde, o povo de Deus seria derrotado na batalha e levado por algum exército estrangeiro.  

Mas Salomão também acreditava no amor misericordioso de um Deus que perdoa. Então, orou para que quando seu povo fosse derrotado, Deus ouvisse suas orações de arrependimento no templo, perdoasse os seus pecados e o trouxesse de volta para a terra que havia prometido.

A menção do templo de Salomão é crucial. A razão pela qual Deus estabeleceu o templo como um lugar de oração por perdão era que esse era o lugar onde os sacrifícios eram feitos para expiar o pecado.

Baseando-se nessa EXPIAÇÃO,o rei orou para que houvesse um caminho de volta para casa para os pecadores caídos, como sempre há.

Deus é um Pai tão amoroso que, quando finalmente voltamos para casa depois de nos afastarmos em nosso pecado, ele vem correndo ao nosso encontro(Lc 15.20).

Jesus Cristo é o Bom Pastor, que sempre está à procura de todas as ovelhas perdidas que pertencem ao seu rebanho (Lc 15.3-7, cf. Jo 10.11). Quando estamos perdidos e distantes, o Deus misericordioso ouve a nossa oração por socorro e resgate.

3.O terceiro pedido: uma oração por providência

O terceiro pedido era uma oração pela providência de Deus. A derrota militar não seria a única punição que o povo de Deus sofreria. Às vezes, a própria terra sofria por causa do pecado de Israel:

"Quando os céus se cerrarem, e não houver chuva, por ter o povo pecado contra ti, e orar neste lugar, e confessar o teu nome, e se converter dos seus pecados, havendo-o tu afligido, ouve tu nos céus, perdoa o pecado de teus servos e do teu povo de Israel, ensinando-lhes o bom caminho em que andem, e dá chuva na tua terra, que deste em herança ao teu povo" (1Rs 8.35-36).

A situação descrita nesses versículos vem diretamente do livro de Deuteronômio, que mostra como é importante conhecer as Escrituras para a vida de oração.

Em Deuteronômio, Deus declarou que a seca é o castigo adequado para a desobediência. Se o povo de Deus tivesse o cuidado de obedecer aos seus mandamentos — amando-o com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças — então Deus mandaria chuva sobre a terra em seu tempo devido (Dt 11.13-14).

Mas se o povo se afastasse do amor de Deus, tanto o povo quanto sua terra sofreriam seu julgamento.

 Deus disse: "Guardai-vos, não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá" (Dt 11.16-17, cf. 28.23-24).

A oração de Salomão foi profética, pois foi exatamente isso o que aconteceu nos dias do rei Acabe, como veremos mais adiante no livro de 1 Reis. As pessoas se afastaram do Deus de Israel e adoraram Baal, o deus da tempestade dos cananeus.

Em virtude das orações do profeta Elias a Deus (Tg 5.17) não caiu chuva na terra durante três longos anos (1Rs 17.1). Ao fim desse tempo, Elias subiu ao Monte Carmelo para enfrentar os profetas de Baal. Lá, ele ofereceu o sacrifício adequado para o pecado, que Deus aceitou com fogo (1Rs 18.36-38).

O povo voltou-se para Deus, prostrou-se com o rosto no chão e clamou: "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!" (1Rs 18.39). Então Elias se inclinou em oração; orou sete vezes para que Deus ouvisse do céu e mandasse chuva para seu povo.

O céu escureceu, as nuvens se abriram, e uma grande chuva caiu sobre a terra (1Rs 18.41-45). Mais uma vez, Deus providenciou aquilo que seu povo mais necessitava. Tudo isso foi uma resposta às orações de Salomão.

O rei sabia seguramente que o seu povo se afastaria da adoração a Deus. Quando o fizesse, sabia exatamente o que aconteceria: a terra seria atingida pela seca.

Mas Salomão orou para que, quando o povo se arrependesse, Deus perdoasse seus pecados e o regasse novamente com suas bênçãos.

É assim que devemos orar sempre que nos encontramos em momentos de seca espiritual.

Devemos nos arrepender de termos amado os deuses do dinheiro, do sexo e do poder e todos os outros ídolos do nosso tempo, e então devemos orar a Deus para que ele envie a chuva de suas bênçãos sobre nós, refrescando-nos com a água pura do Espírito Santo.

4. O quarto pedido: uma oração por suprimento e libertação

O quarto pedido de Salomão era pelo suprimento de alimentos. A oração antecipou outras dificuldades como a fome que seu povo provavelmente enfrentaria em virtude de seu pecado, o rei orou pela libertação de catástrofes.

Salomão começou listando uma série abrangente de catástrofes naturais: "Quando houver fome na terra ou peste, quando houver crestamento ou ferrugem, gafanhotos e larvas, quando o seu inimigo o cercar em qualquer das suas cidades ou houver alguma praga ou doença" (1Rs 8.37).

Mais uma vez, todas essas terríveis calamidades foram profetizadas em Deuteronômio, em que Deus advertiu seu povo que o salário do seu pecado incluiria fome, peste, guerra e doença (por exemplo, Dt 28.38-39,52,58-61; 32.23-24).

Segundo a profecia, "O Senhor fará que a pestilência te pegue a ti, até que te consuma a terra a que passas para possuí-la. O Senhor te ferirá com a tísica, e a febre, e a inflamação, e com o calor ardente, e a secura, e com o crestamento, e a ferrugem" (Dt 28.21-22).

Não devemos supor toda vez que virmos um desses desastres em algum lugar do mundo, que Deus está punindo uma nação diretamente pelo seu pecado.

Nossas próprias nações não têm a aliança que Deus fez com Israel. No entanto, esses são alguns dos julgamentos bíblicos contra o pecado, que exigem orações de arrependimento. Então Salomão disse:

Toda oração e súplica que qualquer homem ou todo o teu povo de Israel fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração e estendendo as mãos para o rumo desta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, perdoa, age e dá a cada um segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque tu, só tu, és conhecedor do coração de todos os filhos dos homens; para que te temam todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais (1Rs 8.38-40).

Mais uma vez, Salomão está pedindo a Deus que ouça o seu povo quando orar, não só como coletivo, mas também individualmente. Sempre que alguém ora, ou quando toda a nação ora unida, Salomão pede que Deus ouça.

Salomão afirma que somente Deus é onisciente, que só ele conhece a verdadeira condição do coração de cada pessoa. Então o rei volta sua oração diretamente para a glória de Deus.

A razão pela qual ele pede a Deus que perdoe os pecados do seu povo e que aja em seu nome é para que o povo o tema todos os dias — em outras palavras, que o adore.

O objetivo do quarto pedido de Salomão é a ADORAÇÃO A DEUS. Como todo o restante da oração de Salomão, esse pedido também foi respondido mais adiante no livro de Reis. Nos dias do rei Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, sitiou Jerusalém (2Rs 18.13-19.13).

A situação era desesperadora, pois, naqueles dias, a Assíria tinha o exército mais poderoso do mundo. De fato, sabemos dos anais da Assíria que Senaqueribe se vangloriou de ter prendido Israel "como um pássaro em uma gaiola". 

Mas Ezequias fez o que um rei deve fazer quando seu país está em apuros: ele foi ao templo santo e apresentou a situação ao Senhor em oração, pedindo a Deus que salvasse o seu povo (2Rs 19.14-19).

Em outras palavras, Ezequias fez exatamente o que Salomão queria que as pessoas fizessem: ele estendeu as mãos em direção à casa do Senhor. Deus respondeu as orações de Ezequias, como ele sempre faz quando seu povo ora pela salvação.

Naquela mesma noite, o anjo do Senhor feriu 185 mil soldados assírios, forçando o rei Senaqueribe a voltar para casa, onde ele foi assassinado por seus filhos enquanto adorava o deus falso Nisroque (2Rs 19.35-37).

A história mostra que as orações realmente funcionam, dando-nos assim confiança para fazer nossos próprios pedidos. Sempre que estivermos atribulados, podemos pedir que Deus nos liberte.

Deus realmente conhece nosso coração, e se nosso arrependimento for sincero, ele perdoará nossos pecados e nos livrará de todas as calamidades.

5.O quinto pedido: uma oração pelos estrangeiros

Para as pessoas presentes na consagração do templo, o quinto pedido de Salomão deve ter sido o mais surpreendente. A maioria deles, sem dúvida, considerava o templo um local de culto para os judeus. No entanto, Salomão também orou pelos estrangeiros:

Também ao estrangeiro, que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome (1Rs 8.41-43).

Por mais surpreendente que isso possa ter sido para alguns, o pedido correspondia totalmente ao propósito original de Deus para o templo.

Esse edifício não era apenas para os judeus, pois sempre fora destinado a ser uma "Casa de Oração para todos os povos" (Is 56.7, Is 2.2-3; Mc 11.17).

O templo de Salomão era uma casa de oração internacional, pois Deus sempre teve um CORAÇÃO MISSIONÁRIO para as nações do mundo. Até a eleição dos judeus como povo de Deus servia ao bem de todos os povos.

O alcance global da sua graça remetia à promessa que Deus fizera a Abraão, ou seja, de que todas as nações seriam abençoadas através dele (por exemplo, Gn 12.1-3).

Salomão orou para que Deus cumprisse sua promessa antiga no templo. Ele imaginou que estrangeiros ouviriam a palavra do Deus de Israel e, em seguida, viriam a Jerusalém para adorá-lo.

Uma vez que tivesse construído esse templo, as pessoas viriam. Salomão ansiava por essas pessoas de fora que se juntariam à família de Deus. Assim, pediu a Deus que ouvisse e respondesse suas orações do templo, para que as pessoas conhecessem o único Deus verdadeiro em toda a terra.

Essa intercessão de Salomão é uma das grandes ORAÇÕES MISSIONÁRIAS na história da redenção, pois é o rei de Israel que intercede pelas nações do mundo.

Salomão pediu a Deus que respondesse as orações de pessoas de todas as línguas e de todas as tribos, para que Deus recebesse todo o louvor.

Com sua compaixão pelas pessoas excluídas da família da fé e com seu santo zelo pela glória de Deus, Salomão queria que o templo se tornasse uma sede de missão mundial. 

Uma das respostas mais claras à oração de Salomão vem em 2 Reis 5, em que um poderoso capitão do exército sírio viaja para Israel à busca de cura. O nome do guerreiro era Naamã, e quando ele contraiu a lepra ficou desesperado para encontrar a cura.

Então, uma jovem serva judia mencionou que, se ele fosse para Israel, o profeta do Senhor certamente o curaria. Assim Naamã tomou-se a resposta à oração de Salomão.

Um estrangeiro de um país distante, que ouviu o nome do Senhor, viajou para Israel, recebeu a resposta às suas orações, e, em seguida, deu louvores a Deus, dizendo: "Eis que, agora, reconheço que em toda a terra não há Deus, senão em Israel" (2Rs 5.15).

Devemos orar pela mesma coisa hoje: pela salvação do mundo.

Oramos para que pessoas de todas as nações ouçam a palavra da graça de Deus, que não há perdão dos pecados senão através da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Oramos para que elas se voltem para Deus em oração, pedindo-lhe o dom gratuito da vida eterna.

Oramos para que, para o bem da sua própria glória, Deus responda suas orações e que elas, por sua vez, louvem a Deus por sua graça salvadora.

Quando oramos pelas nações, firmamo-nos na antiga promessa de Deus segundo a qual sua graça é para o mundo inteiro.

Ao mesmo tempo, estamos visando ao objetivo maior do universo, que é a glória de Deus.Por isso nós inserimos no nosso livro de oração, A igreja perseguida.

6.O sexto pedido: uma oração pela vitória

O sexto pedido de Salomão era uma oração pela vitória: "Quando o teu povo sair à guerra contra o seu inimigo, pelo caminho por que o enviares, e orar ao Senhor, voltado para esta cidade, que tu escolheste, e para a casa, que edifiquei ao teu nome, ouve tu nos céus a sua oração e a sua súplica e faze-lhe justiça" (1Rs 8.44-45).

Salomão foi sincero em relação ao pecado do seu povo; ele sabia que, esse era o pior inimigo.

Mas ele também sabia que existiam outros inimigos que iriam à luta contra seu povo. Então, o rei orou para que, quando seu povo saísse para a batalha e orasse pela ajuda de Deus, Deus conquistasse a vitória para Israel.

Há um exemplo notável desse tipo de situação militar em 2Reis 3, em que o rei de Moabe marcha contra Israel. Quando viu o que os moabitas estavam fazendo, Josafá, rei de Judá, pediu a ajuda a seu Deus.

Através de uma intervenção milagrosa, que levou os moabitas a acreditarem equivocadamente que estavam vendo o sangue dos israelitas na água, Deus respondeu a oração de Josafá e libertou o povo dos seus inimigos. Deus gosta de defender o seu povo quando este ora.

Isso não significa que todos os exércitos que oram a Deus vencerão a batalha.

O tipo de guerra que Salomão tinha em mente era uma guerra santa em que Deus enviava explicitamente o seu próprio povo para lutar contra os inimigos do seu reino (veja também Dt 20.1-4).

Assim, a oração de Salomão não pode ser aplicada ao exército do Brasil ou às forças armadas de qualquer outro reino terreno, embora Deus já tenha respondido oração de dado vitória a exércitos, como Jonathas Edwards comenta, que um tempo de Jejum, pois a armada Inglesa em fuga.

Mas pode ser aplicada diretamente à igreja de Jesus Cristo em sua guerra espiritual contra Satanás e os poderes da escuridão.

Hoje lutamos nossas batalhas espirituais — as batalhas contra a tentação, contra as concupiscências da carne e do mundo e pelas almas das pessoas que precisam conhecer a Cristo — através da oração. E quando nós oramos, Deus garante a vitória.

Como também pelos nossos embates pessoais, seja na área dos relacionamentos, financeira, na saúde, na família, podemos através da oração, pedirmos vitória sobre nossas batalhas existenciais.

7. O sétimo pedido: uma oração pelo perdão

O último pedido de Salomão era, provavelmente, o mais importante: uma oração pelo perdão total. Mais uma vez, o rei descreve uma situação em que as pessoas estarão desesperadas pela ajuda de Deus.

Esse é o "pior cenário imaginável". E é assim que o rei começou a sua oração final: "Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares às mãos do inimigo, a fim de que os levem cativos à terra inimiga, longe ou perto esteja" (1Rs 8.46).

Foi exatamente isso que aconteceu. Pela inspiração do Espírito Santo, o seu último pedido foi uma prévia da futura história de Israel e de todos nós.

O povo pecou contra Deus e Deus se irritou com ele, deu-lhe um inimigo, e o povo de Israel foi levado em cativeiro.

Salomão estava orando com antecedência pelos trágicos acontecimentos de 586 a.C., quando Jerusalém e seu templo foram destruídos pelos poderosos exércitos de Nabucodonosor, e o povo de Deus foi levado para a Babilônia por 70 longos anos de exílio.

Mais uma vez, Salomão estava "simplesmente orando e recitando o Pentateuco", pois já nos dias de Moisés Deus avisara o seu povo o que aconteceria se eles pecassem contra ele:

"O Senhor levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra virá, como o voo impetuoso da águia, nação cuja língua não entenderás" (Dt 28.49; 28.36-37 cf. 64-67; 29.27-28).

No entanto, Salomão acreditava na GRAÇA DE DEUS tanto quanto acreditava na JUSTIÇA DE DEUS. Salomão considerou aBONDADE e a SEVERIDADEde Deus. Assim, orou pelo perdão de Israel, profetizando o arrependimento e o retorno à sua terra:

E, na terra aonde forem levados cativos, caírem em si, e se converterem, e, na terra do seu cativeiro, te suplicarem, dizendo: Pecamos, e perversamente procedemos, e cometemos iniquidade; e se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra de seus inimigos que os levarem cativos, e orarem a ti, voltados para a sua terra, que deste a seus pais, para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome; ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, a sua prece e a sua súplica e faze-lhes justiça, perdoa o teu povo, que houver pecado contra ti, todas as suas transgressões que houverem cometido contra ti; e move tu à compaixão os que os levaram cativos para que se compadeçam deles (1Rs 8.47-50, cf. Dt 30.1-10).

O rei Salomão acreditava na compaixão misericordiosa de um Deus que resgata — um Deus que ouve quando o seu povo ora.

Mesmo quando caímos em pecado e nos afastamos de Deus, mesmo assim ele ouvirá as nossas orações, e, quando orarmos, ele nos perdoará.

Orações como essa resgataram Israel do cativeiro. Quando o profeta Daniel foi exilado para a Babilônia, ele abriu as janelas em direção a Jerusalém, voltou seu coração em direção ao templo e orou ao Deus vivo (Dn 6.10, cf. Ne 1.4-11; Jn 2.4).

O livro de Daniel registra sua oração de confissão, que soa como algo que poderia ter saído da boca de Salomão.

Daniel confessou que Israel agiu maliciosamente ao pecar contra Deus (Dn 9.3-15) e pediu que Deus tivesse misericórdia de seu povo, perdoando-lhes os pecados e restaurando o santo templo em Jerusalém (Dn 9.16-19).

Foi exatamente esse tipo de oração que o rei Salomão fez quando pediu a Deus que ouvisse e respondesse.

Assim, a oração de Daniel acabou fazendo parte da resposta à oração de Salomão: a oração de confissão que pediu o perdão de um Deus misericordioso.

Deus respondeu a ambas as orações, perdoando os pecados do povo e trazendo-os para casa, de volta da Babilônia. Salomão sabia que essas orações seriam respondidas, pois conhecia o CARÁTER DE DEUS.

Por que Deus sempre responde as orações de um povo rebelde? Porque "eles são o teu povo", disse Salomão, "e sua herança, que te tirei do Egito, do meio da fornalha de ferro" (1Rs 8.51).

Salomão invocou a fidelidade de Deus à aliança — seu compromisso de longa data e de longo sofrimento de salvar o povo que ele libertara do Egito. Entre todas as nações da terra, Deus escolheu esse povo para ser o seu tesouro mais precioso (Dt 7.6).

Visto que Deus tinha um grande interesse na salvação de Israel, Salomão orou para que ele continuasse a ouvir e responder as orações:

"que teus olhos estejam abertos à súplica do teu servo e à súplica do teu povo de Israel, a fim de os ouvires em tudo quanto clamarem a ti. Pois tu, ó Senhor Deus, os separaste dentre todos os povos da terra para tua herança, como falaste por intermédio do teu servo Moisés, quando tiraste do Egito a nossos pais" (1Rs 8.52-53. Êx 19.5; Lv 26.40-45).

Essa foi a oração de Salomão, e como veremos quando chegarmos a 1Reis 9.3, Deus realmente a responderia.

Como igreja de Jesus Cristo, podemos pedir de forma igualmente firme que Deus ouça as nossas orações. Nós pertencemos à raça escolhida e ao povo precioso de Deus (1Pe 2.9).

Portanto, quando levantarmos nossas mãos ao templo vivo — ao próprio Jesus -, Deus ouvirá e responderá as nossas orações com base no sacrifício expiatório que Jesus fez por nossos pecados, não no templo, mas na cruz.

8. Orando como Salomão

Os sete pedidos de Salomão abarcam quase tudo que alguém pode precisar, mesmo em meio a todos os problemas de desespero de um mundo caído.

(a) orando pelas necessidades.

Salomão orou pela libertação do perigo, pelo suplimento, pela providência das necessidades diárias, pela provisão divina, e pela vitória sobre inimigos ferozes. Ele orou para que, mesmo no pior dos casos, Deus trouxesse seu povo de volta para casa.

Ele pediu isso pelas pessoas que estavam longe de Deus, e até mesmo pelas pessoas que nunca tinham conhecido Deus.

Acima de tudo, Salomão orou pela nossa maior necessidade, que é o perdão dos pecados que cometemos contra um Deus santo.

Todos precisam dessa oração. Sabemos disso pela maneira com que Salomão inclui cada um de nós. No início de seu pedido final, o rei fez um pequeno comentário editorial que condena toda a raça humana: "pois não há homem que não peque" (1Rs 8.46).

Essa havia sido a premissa lógica da oração de Salomão desde o início. Em sua sabedoria, o rei conhecia as pessoas tão bem que sabia que todas são pecadoras, incluindo qualquer uma que pertence ao povo de Deus.

Então fez a oração do pecador pedindo o perdão de um Deus misericordioso.

Fazemos da oração de Salomão a nossa própria quando confessamos nosso pecado pessoal e individual, admitindo que somos culpados daquilo que Salomão chamou de transgressão "perversa" (1Rs 8.47).

Oramos dessa forma quando vemos o desastre em nossas vidas — muitas vezes, por causa da nossa própria rebelião contra a vontade de Deus. Quantas de nossas feridas foram causadas pelo pecado!

Precisamos de Deus para que ele nos cure, nos perdoe e nos liberte. Podemos pedir tudo isso a Deus mesmo se formos estrangeiros espirituais que nunca oraram a ele.

Podemos orar por sua ajuda, mesmo quando estamos longe dele, no cativeiro do pecado, nas masmorras da solidão. Tudo o que precisamos fazer é voltar-nos para Jesus Cristo, o templo vivo, que ofereceu seu próprio corpo como expiação pelos nossos pecados.

Quando o pior cenário se torna realidade na história das nossas vidas, há — mesmo assim — uma saída, uma vitória e um caminho de volta para a casa de Deus para todos àqueles que verdadeiramente se arrependem e crer em Cristo.

(b) Orando pelos outros

Fazemos da oração de Salomão a nossa própria também quando fazemos esses pedidos por outra pessoa. Quando Salomão fez esses pedidos, ele não estava orando para si mesmo, mas para todo o povo de Deus.

Deus nos abençoa para que possamos ser uma benção e não para acumularmos bênçãos e para nos vangloriarmos.

Essa é uma oração coletiva, e nós também somos chamados a orar pelo povo de Deus.

Oramos para que a justiça seja feita na igreja, para que qualquer disputa seja justamente julgada, e que a igreja perseguida receba sua recompensa no último dia.

Oramos para que Deus proveja as necessidades de seu povo e o resgate de todos os perigos, inclusive dos desastres naturais. Oramos pela vitória sobre os nossos inimigos: o pecado, a morte e todas as tentações do diabo.

Oramos por todos os povos e nações que estão fora da igreja, pedindo a Deus que os traga e os faça parte de sua família.

Oramos por todos os pecadores rebeldes que se desviaram da igreja, pedindo a Deus que os traga para casa. Essas são as orações que oferecemos em nome de todo o povo de Deus.

Oramos para que a igreja se volte para as Escrituras e viva para a gloria de Deus.

(c) Alguém intercede por nós.

Quando oramos, sabemos que Jesus está orando por nós. Como vimos ao longo de 1Reis, Jesus Cristo é o Salomão maior do reino de Deus.

Então, quando vemos Salomão em sua oração, devemos nos lembrar de que nós também temos um Rei que conhece a nossa fraqueza e está sempre orando por nós (Hb 4.15; 7.25).

Jesus sempre intercede pelas pessoas oprimidas que precisam de justiça, pelas pessoas em perigo espiritual que precisam de libertação, pelo sofrimento de pessoas que precisam sobreviver.

Jesus ora para que Deus nos proteja de nossos inimigos e do maligno(Jo 17.15). Acima de tudo, ele ora pelas pessoas que pecam e precisam de um Salvador.

Esta é a melhor "oração do pecador" de todas: a que Jesus ora por nós, pedindo a Deus que tire o sangue da sua cruz e o use para cobrir todos os nossos pecados.

CONCLUSÃO: Como sabemos que Deus responderá as nossas orações e perdoará todos os nossos pecados?

Sabemos disso porque a Bíblia diz que Deus demonstra sua misericórdia para com todo pecador penitente.

O apóstolo Pedro aprendeu isso quando perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar um irmão. "Até sete vezes?", perguntou Pedro (Mt 18.21). Obviamente, Pedro estava exagerando. Como alguém poderia perdoar alguém sete vezes pelo mesmo crime?

Pedro teria se encaixado perfeitamente no grupo de jovens do ensino médio. Ele sabia que sete vezes eram de mais, que sete vezes ultrapassavam o limite do perdão. Mas Jesus disse: "Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete" (Mt 18.22).

Jesus disse isso porque sabia que a infinita graça de Deus está disposta a perdoar e perdoar e perdoar.Pela fé nessa graça infinita, Salomão fez sete pedidos de perdão a Deus.

Pela mesma fé podemos usar esses mesmos pedidos repetidas vezes, durante toda a vida, pedindo a Deus que ouça dos céus e perdoe os nossos pecados pelo amor de Jesus.

Sua graça é maior do que todos os nossos pecados.É, de fato, uma graça "nota sete" de um Deus "nota sete", que nos deu um Salvador "nota sete". A oração é nota sete.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 07/02/2018
Por: Jairo Carvalho

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