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1 Reis - O reino pacífico

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Sermão 9 - Referência: 1 Reis 4.22-34

INTRODUÇÃO: Edward Hicks, um artista da Pensilvânia do século 19, é lembrado principalmente pela produção de dezenas de pinturas populares sobre um único tema.

Nessas imagens familiares, uma criança pequena se encontra no meio de um grupo de animais selvagens e domésticos: um boi, um lobo, um leão, um leopardo e um cordeiro.

Muitas vezes, a criança tem um braço apoiado no pescoço do leão — um gesto de intimidade acolhedora e pacífica. Hicks chamou essas pinturas imaginárias de "O reino pacífico".

Elas se baseavam em uma bela promessa do profeta Isaías: "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará" (Is 11.6).

Hicks ficou encantado com essa promessa de paz na terra. Ele estava aguardando o dia em que as pessoas viveriam em perfeita harmonia — o dia, ele disse, "em que o homem é movido e guiado pela graça soberana, para buscar esse estado de paz eterna"

No entanto, algo triste e estranho aconteceu com essas pinturas ao longo dos anos: elas se tornaram cada vez menos pacíficas. Edward Hicks continuou a pintar o mesmo tema, mas de uma perspectiva diferente. Sua aparência pacífica e satisfeita começou a ser substituída por animais tensos e inquietos.

Hicks os afastou cada vez mais uns dos outros. Quando Hicks produziu suas últimas pinturas, alguns dos animais estavam lutando, dilacerando uns aos outros com seus dentes. A diferença dramática entre o primeiro e o último quadro revela uma mudança que ocorreu na alma do artista.

Edward Hicks tinha testemunhado tanta desunião e desarmonia — principalmente na igreja — que, aos poucos, ele foi perdendo a confiança de jamais ver a paz realizada na Terra. O reino de paz era apenas um sonho, não uma realidade.

1. A promessa do reino de paz.

Quanto mais tempo vivemos, mais parece que Hicks estava certo. Não vivemos em nenhum reino de paz. As nações estão em guerra. As igrejas estão divididas. Famílias desmoronam. Crianças morrem nas ruas da cidade.

O pecado criou tamanha perturbação da paz que se tornou difícil, e às vezes impossível, viver em harmonia com Deus, com a natureza, uns com os outros ou até mesmo conosco.

Com todos os horrores que testemunhamos em um mundo caído e todos os problemas que temos em nossos próprios relacionamentos, como podemos ainda acreditar que em algum momento haverá paz na terra?

A resposta é que não acreditamos em uma "paz na terra" porque vemos a paz terrena com nossos próprios olhos, mas cremos porque lemos a promessa de paz na Palavra de Deus.

Quando Isaías profetizou a vinda de Cristo, ele disse que "se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre" (Is 9.7).

Anjos fizeram a mesma promessa na noite em que Cristo nasceu: "Glória a Deus nas alturas", disseram eles aos pastores de Natal, "e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" (Lc 2.14).

Um reino de paz é uma das promessas de Deus: um reino que não virá em sua plenitude até a segunda vinda de Jesus Cristo.Um bom lugar para vislumbrar esse reino é a história do rei Salomão.

Para ajudar-nos a entender como será viver para sempre em sua presença gloriosa, Deus descreveu muitas vezes nossa bênção futura em termos de um REINO — o que a Bíblia chama de "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo" (Ap 11.15).

Jesus, por exemplo, disse que era o bom prazer do Pai dar-nos o reino (Lc 12.32). O pregador escocês Thomas Boston acreditava que Jesus usou essa comparação, porque "o maior número de coisas boas terrenas" se reúne em um REINO— um reino de paz e prosperidade para todos os seus cidadãos.

Salomão comandou um Império, poderoso, próspero e pacífico.O capítulo 4 de 1Reis afirma explicitamente que Salomão governou um reino em que havia "paz por todo o derredor" (1Rs 4.24).

Esse reino de paz é um símbolo terreno das realidades espirituais. Charles Spurgeon disse que "o reino de Israel sob o domínio de Salomão foi um belo exemplo do reino de nosso Senhor Jesus Cristo".

De acordo com Spurgeon, "o atual estado da igreja pode ser comparado com o reinado de Davi: esplêndido em suas vitórias, mas perturbado pelas batalhas".

No entanto, "dias melhores hão de vir, dias em que o reino será estendido e se tornará mais evidente, e, em seguida, o Senhor Jesus Cristo se manifestará ainda mais visivelmente como o Salomão do reino".

Portanto, contemplar o reino pacífico de Salomão é uma excelente maneira de reconhecer as bênçãos que Deus tem para nós em Jesus Cristo — ao mesmo tempo admitindo que, quaisquer que sejam as falhas e limitações que reconhecemos no reino de Salomão, ELAS NOS MOSTRAM A NOSSA NECESSIDADE DA REALEZA SUPERIOR DE CRISTO.

2. A fartura da mesa do rei.

Os parágrafos finais de 1Reis 4 nos mostram pelo menos quatro coisas que Jesus, como o glorioso Salomão do reino de Deus, agora oferece a nós.

Primeira, vemos a fartura da mesa do rei. A Bíblia diz que "[...] o provimento diário de Salomão trinta coros de flor de farinha e sessenta coros de farinha; dez bois cevados, vinte bois de pasto e cem carneiros, afora os veados, as gazelas, os corços e aves cevadas" (1Rs 4.22-23).

Esses números são projetados para impressionar. Mais cedo, aprendemos que Salomão organizou seu reino em doze distritos para que fornecessem os alimentos para a mesa real, um distrito a cada mês (1Rs 4.7-19).

Aqui, conhecemos as necessidades diárias do rei. Todos os dias, os padeiros das cozinhas de Salomão utilizavam 180 alqueires da melhor farinha e 360 alqueires de farinha comum para assar pão e outros produtos de pastelaria.

Também precisavam de carne: dezenas de bois, cem ovelhas, animais do campo e aves do aviário real. Salomão fazia uma festa todos os dias da semana com a fartura do seu reino, fornecida por meio dos tributos do seu povo.

Essas provisões eram necessárias por causa da grande contingência vinculada ao palácio real. Salomão tinha muito mais bocas para alimentar, com estimativas variando entre 14 mil e 48 mil pessoas.

Segundo, havia fartura para todos os cavalos. Lemos que "Tinha também Salomão QUARENTA MIL cavalos em estrebarias, para os seus carros, e DOZE MIL cavaleiros. Forneciam, pois, os intendentes provisões, cada um no seu mês, ao rei Salomão e a todos quantos lhe chegavam à mesa; coisa nenhuma deixavam faltar. Também levavam a cevada e a palha para os cavalos e os ginetes, para o lugar onde estivesse o rei, segundo lhes fora prescrito" (1Rs 4.26-28, cf. 2Cr 9.25).

O estábulo de Salomão era tão bem organizado quanto sua mesa. Cada cavalo para cada carro recebia toda a comida e palha que precisava, e cada oficial da cavalaria tinha a sua vez de levar suprimentos para a mesa real.

Como veremos no final da história de Salomão, seus numerosos cavalos e carros eram motivo de PREOCUPAÇÃO ESPIRITUAL. De acordo com a Lei de Moisés, o rei de Israel nunca deveria "multiplicar para si cavalos" (Dt 17.16). Os cavalos eram um meio de defesa militar.

A única defesa que Israel realmente precisava era a ajuda de Deus; mas Salomão procurou reforçar sua segurança nacional adicionando mais e mais cavalos à sua cavalaria.

Teria sido melhor se tivesse seguido o exemplo de seu pai Davi, que disse: "Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus" (S120.7).

Pois como o salmista também disse: "Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente. O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar" (Sl 33.16-17, cf. Is 31.1).

Todos esses cavalos e carros do rei são como uma bomba—relógio: com o tempo marcado para explodir.

A confiança no poder militar causaria a queda de Salomão. Na verdade, o profeta Miqueias mais tarde descreveria as cidades dos carros de Salomão como "o início" do pecado de Israel (Mq 1.13).

Em vez de resistir à SEDUÇÃO DO PODER, Salomão construiu um exército mais forte e, em seguida, confiou na segurança que supostamente criara para o seu reino.

Terceiro, a fartura na mesa dos súditos. Aqui no capítulo 4, porém, a ênfase recai sobre a fartura da mesa do rei e também dos seus súditos. Nada seria se sua mesa fosse farta, e seus cavalos bem cuidados, e povo vivessem a minga de pão.

A corte de Salomão gozava daquilo que algumas pessoas chamam de "as coisas boas da vida". Nada faltava a ninguém, nem ao rei, nem ao povo. Todos que vinham para a casa de festas do rei (Ct 2.4) recebiam comida em abundância.

Essa abundância se estendia ao resto de seus súditos leais por todo o reino; dos quais cada um se assentava debaixo de sua própria videira e figueira (1Rs 4.25); as pessoas "comiam, bebiam e se alegravam" (1Rs 4.20).

Salomão desfrutava de algo que cada monarca de respeito deve ter: uma mesa digna de um rei. Reis não se tornam famosos por sua simplicidade. Quando as pessoas vão jantar no palácio, elas esperam um banquete, e se o rei é incapaz de fornecer um, sua reputação sofrerá. E isto também era verdade na vida de todos os súditos.

Para dar apenas um exemplo lendário: o rei Arthur nunca teria sido capaz de reunir todos os bravos cavaleiros em torno de sua mesa redonda se não tivesse sido capaz de oferecer-lhes um bom prato.

Quarto, o banquete do reino de Deus.

Por definição, o propósito das mesas reais é o banquete. Se JESUS CRISTO é o Salomão do reino de Deus, então o que seria a fartura de sua mesa real?

Os profetas sempre prometeram que o Cristo "dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos" (Is 25.6). Eles disseram que esse banquete seria oferecido gratuitamente a todos os pecadores pobres e com fome (Is 55.1-2).

Então, Jesus veio ao mundo e ofereceu pão milagroso para o seu povo no deserto (por exemplo, Lc 9.10-17). Ele fez isso para mostrar que TINHA O PODER DE NOS SATISFAZER, não apenas para alimentar nossos corpos, mas também para NUTRIR NOSSAS ALMAS.

Jesus frequentemente comparou seu reino com um GRANDE BANQUETE. Ele disse que as pessoas viriam do leste e do oeste para reclinar-se à sua mesa (Mt 8.11). Disse que todos seriam convidados: não apenas as pessoas bonitas e religiosas, mas os pecadores pobres e aleijados que nunca haviam sido convidados para nada (Lc 14.12-24).

Agora sua mesa real está aberta para todos que quiserem vir. No final de sua vida terrena, Jesus preparou o melhor de todos os banquetes para os seus discípulos: uma refeição física que simbolizava um banquete espiritual.

Deu-lhes o pão como símbolo de seu corpo, e o vinho, que representava seu sangue. Esse era o alimento para a alma. Em seguida, Jesus ofereceu seu corpo e sangue na cruz, amando-nos até a morte e dando a vida pelos nossos pecados.

Agora, cada vez que comemos o pão e bebemos do seu copo, anunciamos a sua morte até o seu retorno (1Co 11.26). Quando Jesus vier novamente, vamos festejar com ele para sempre a "ceia das bodas do Cordeiro" (Ap 19.9).

A Bíblia descreve a salvação em termos CULINÁRIOS,porque um banquete real é uma das melhores coisas da vida; e por sua graça real, Deus prometeu nos dar o melhor de suas bênçãos para sempre (S1 84.11; Ef 1.3).

Conhecer Cristo como Rei é participar do melhor banquete que alguém já provou.Pense na refeição mais incrível que você já saboreou. Pense num restaurante ou outro lugar onde um garçom ofereceu a você uma das melhores refeições de sua vida.

O reino de Deus é como encontrar inesperadamente um excelente restaurante em seu aniversário. Primeiro, alguém lhe sugere experimentar Jesus. Você não tem certeza de como isso vai ser, mas se está disposto a descobrir, então você encontra uma festa para a sua alma — a fartura da sua mesa real.

3. A extensão do domínio do rei

O rei Salomão precisava de tanta comida para tantas pessoas porque seu reino era muito grande. Considere a extensão do domínio do rei:

"Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito [...] Porque dominava sobre toda a região e sobre todos os reis aquém do Eufrates, desde Tifsa até Gaza, e tinha paz por todo o derredor" (1Rs 4.21,24).

O reino de Salomão era praticamente um império. Ao norte, estendia-se até o rio Eufrates, quase até a fronteira da Turquia moderna. Ao sul, beirava o Egito. Esse foi o maior reino que Israel teve até os dias de hoje.

O rei Salomão controlava um território igual ou maior a todo o território que Davi conquistou (2Sm 8.12-13). Seu império alcançava os quatro cantos da terra. A extensão do domínio de Salomão era o cumprimento direto das promessas pactuais que Deus havia feito a Abraão.

Ao mesmo tempo em que prometeu a Abraão descendentes em número igual ao das estrelas no céu do deserto, Deus também prometeu que os filhos de Abraão teriam uma terra própria: "À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates" (Gn 15.18).  Do Egito à Turquia, a promessa da aliança de Deus foi cumprida no domínio extenso de Salomão.

O reino de Salomão foi também o cumprimento direto de um mandamento bíblico. Quando Deus criou Adão e Eva, deu-lhes "DOMÍNIO" sobre todos os seres vivos (Gn 1.26).

A palavra que 1Reis usa para descrever o reino de Salomão é a mesma que encontramos em Gênesis: a palavra hebraica radah. Assim, o rei Salomão cumpriu o propósito original de Deus para o ser humano feito à sua imagem.

Com a bênção de Deus, e sob a autoridade de Deus, Salomão estava assumindo o domínio sobre parte do mundo de Deus.

Há um contraste evidente entre o reino de Salomão e o reino de Cristo. Enquanto Salomão reinava sobre um território limitado e cuidadosamente definido, Jesus reina como Rei sobre todo o universo. Como Deus Criador,

Jesus fez todo o universo (Cl 1.16). Agora que ele foi ressuscitado dentre os mortos e ascendeu à mão direita do Pai, ele reivindica o domínio soberano sobre todas as coisas no céu e na terra (Fp 2.9-11).

A Bíblia diz que Jesus reinará até que tudo esteja sob seus pés (1Co 15.24-28). Nem mesmo um centímetro quadrado em todo o planeta está fora de sua autoridade real, pois todo o poder no céu e na terra foi dado a ele (Mt 28.18).

O domínio real de Jesus Cristo é fundamental para o nosso próprio trabalho como servos do rei. A extensão do seu domínio é o que impulsiona o nosso envolvimento na obra do reino.

Em vez de rendermos nossa comunidade aos poderes do inferno, nós a reivindicamos como um lugar onde Cristo é Rei, onde Deus está trabalhando por meio da nossa PREGAÇÃOdo seu evangelho e onde o Espírito Santo nos capacita para servir às pessoas necessitadas.

Nossa abordagem para o alcance global é a mesma. Há muitos lugares escuros e perigosos no mundo, mas, em cada um desses lugares, Jesus Cristo é o rei legítimo, e, portanto, saímos para o mundo inteiro convidando as pessoas a se submeterem à sua autoridade real.

Por maior que tenha sido, o reino de Salomão nos oferece apenas um pequeno vislumbre do grande reino de Jesus Cristo. Deus emitiu um decreto real segundo o qual o Filho real "Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra" (S1 72.8, cf. Zc 9.10).

Por isso, vivemos e pregamos o evangelho do reino em todos os lugares, proclamando o reinado de Cristo em nossas palavras e por meio dos nossos atos.

Como Charles Spurgeon disse certa vez: "A igreja cristã foi projetada desde o início para ser agressiva. Não havia qualquer intenção de ficar parada em qualquer momento; antes, pretende avançar até que suas fronteiras coincidam com as do mundo".

Talvez as palavras de Spurgeon sobre expansão global deixem algumas pessoas um pouco nervosas. É importante dizer, assim, que o reino global de Jesus Cristo é um reino da paz. ELE NÃO AVANÇA POR MEIO DE GUERRAS, MAS POR MEIO DA PROCLAMAÇÃO JUBILOSA DA PAZ COM DEUS. SEU PODER ESTÁ A SERVIÇO DO AMOR.

4. A paz dos súditos do rei

Vejamos, então, a paz dos súditos do rei. Segundo 1Reis, "tinha paz por todo o derredor. Judá e Israel habitavam confiados, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão" (1Rs 4.24-25).

Isso é um testemunho notável sobre a paz no reino de Salomão. A história da humanidade está repleta de conflitos sangrentos, especialmente em Israel, que continua sendo a região mais disputada em todo o planeta.

Mas nos dias de Salomão, praticamente pela única vez em sua história Israel viveu em paz. Enquanto seu pai Davi se encontrava constmente em guerra, Salomão sempre viveu em paz; nunca lemos nada sobre ele se preparando para uma batalha ou conquistando qualquer vitória importante.

Assim como Deus havia prometido, o filho de Davi governou como rei da paz: "Prepararei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar e não mais seja perturbado, e jamais os filhos da perversidade o aflijam [...] Dar-te-ei, porém, descanso de todos os teus inimigos" (2Sm 7.10-11).

A paz do reino de Salomão predominava tanto em regiões estrangeiras quanto em território nacional. Salomão não estava em guerra com os egípcios, sírios, filisteus ou qualquer outro vizinho de Israel. HAVIA PAZ POR TODOS OS LADOS.

Houve também paz dentro de Israel. Já que o país não estava em guerra, as pessoas podiam dedicar-se à sua própria prosperidade. Para usar uma metáfora bíblica comum, cada homem estava sentado "debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira" (1Rs 4.25, cf. Is 36.16; Mq 4.4; Zc 3.10).

Em outras palavras, todo israelita tinha um lugar seu, um lugar à sombra, uma fartura de coisas boas para comer e beber.

Essa imagem da videira e figueira era a metáfora bíblica favorita de George Washington. Como general vitorioso, Washington sabia como ganhar uma guerra, mas sabia também como aproveitar os tempos de paz.

Em suas cartas e outros escritos, ele usou essa imagem mais de quarenta vezes, especialmente quando estava sentado à sombra de sua própria videira e figueira em sua amada propriedade em Mount Vernon.

O objetivo da guerra de Washington era conquistar a felicidade da paz para si mesmo e para seus compatriotas. Como escreveu ao Marquês de Lafayette pouco tempo após a Revolução Americana, "todos (cada um debaixo da sua própria videira e figueira), devem começar a desfrutar os frutos da liberdade".

A esperança de Washington é a promessa do evangelho. Cristo prometeu a paz para todo o seu povo, e o reino de Salomão nos ajuda a reconhecer essa dimensão da sua obra salvífica.

Como Davi, Jesus luta para conquistar a vitória sobre todos os inimigos de seu reino. Ele faz isso principalmente por meio da cruz e do túmulo vazio, onde derrotou o pecado, a morte e o diabo. Mas, como Salomão, Jesus reina também sobre um reino de paz: "ele é a nossa paz" (Ef 2.14).

Em primeiro lugar, Jesus nos dá paz com Deus. Nós não estamos mais em guerra com Deus na hostilidade do nosso pecado. Pelo contrário, "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1), que conquistou "a paz pelo sangue da sua cruz" (Cl 1.20).

Agora, podemos descansar na paz, sabendo que os nossos pecados foram perdoados. Deus é por nós, não contra nós, e, portanto, temos a certeza do seu amor. 

A paz com Deus também nos dá a paz neste mundo conturbado, onde, muitas vezes, experimentamos o tipo de turbulência pessoal e relacionamentos danificados que Edward Hicks retratou em suas pinturas posteriores.

Nós ainda não vivemos em perfeita paz. No entanto, podemos experimentar a paz em tempos difíceis. A paz que temos com Deus nos dá a paz interior.

A Bíblia promete que "a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus" (Fp 4.7, cf. Cl 3.15). Quando nossas almas estão preocupadas, Deus pode nos dar a paz; basta que confiemos nele.

Um dia, a paz se tornará perfeita. Todos os nossos inimigos serão derrotados para sempre. Não haverá mais morte, nem agonia. O diabo e seus demônios serão banidos para todo o sempre.

Em seguida, cada um de nós terá sua própria videira e figueira, por assim dizer. Jesus disse que há muitas moradas na casa de seu pai, onde ele prometeu preparar um lugar para nós (Jo 14.2) — um lugar à sombra de seu descanso eterno. De tempos em tempos, vislumbramos a paz real de Deus já nesta vida.

Nós nos sentamos sob uma árvore à beira de um lago tranquilo, uma brisa fresca refrescando nosso rosto e o brilho do sol dançando sobre a água. Ou encontramos uma hora tranquila em casa com um bom livro.

Infelizmente, esses momentos não são duradouros, como todos nós sabemos muito bem. Mas eles nos dão uma ideia da paz de um reino celestial, onde nos sentaremos debaixo da videira de Cristo e debaixo da sua figueira.

5. A fama da sabedoria do rei

O domínio extenso e pacífico de Salomão com sua mesa farta nos ajuda a ver o reino de Deus. Mas a melhor parte de qualquer reino bem-sucedido é o próprio rei — e não apenas a sua riqueza e seu poder, ou a paz e a prosperidade que ele traz, mas sua própria pessoa real.

Portanto, 1Reis 4 termina lembrando-nos da característica marcante de Salomão, o supremo dom dado por Deus, que o distingue de todos os outros reis. Analisemos, assim, a reputação da sabedoria do rei.

Deus convidou Salomão para pedir qualquer coisa que quisesse. O que Salomão quis pedir agradou a Deus: o dom da sabedoria (1Rs 3.4-14). O rei tinha demonstrado esse dom no famoso incidente das prostitutas com seus dois bebês (1Rs 3.16-28). No final do capítulo 4, o escritor bíblico alegremente celebra a sabedoria do seu rei, usando expressões de sabedoria em quase todos os versos.

A Bíblia expressa essa sabedoria de várias maneiras.

Primeiro, Deus liberalmente deu sabedoria. Começa por afirmar simplesmente que "Deu também Deus a Salomão sabedoria" (1Rs 4.29).

Depois, a sabedoria de Salomão é demonstrada por meio de uma analogia com a natureza: "Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar" (1Rs 4.29).

A sabedoria do rei não era infinita, é claro, porque só Deus é infinitamente sábio, mas Salomão era sábio além de qualquer coisa que o ser humano pudesse medir. Sua sabedoria era como a areia do mar.

Essa analogia nos lembra por que o rei pediu sabedoria: as pessoas sob seu governo eram numerosas demais para que pudessem ser contadas (1Rs 3.8). No entanto, Deus deu a Salomão sabedoria suficiente para seu chamado — sabedoria como a areia na praia.

segundo, a sabedoria do rei é demonstrada por meio da comparação com outros homens sábios: "Era a sabedoria de Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. Era mais sábio do que todos os homens, mais sábio do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol; e correu a sua fama por todas as nações em redor" (1Rs 4.30-31, cf. 1Cr 2.6).

A maioria desses homens foi esquecida, mas eles eram tão famosos em sua época como poetas, filósofos e compositores do nosso tempo. Etã e Hemã, por exemplo, eram poetas; eles escreveram os salmos 88 e 89.

No entanto, Salomão era mais sábio do que todos eles. Sua sabedoria de fama mundial era superior até mesmo à sabedoria dos gigantes intelectuais do Egito, Pérsia e Babilônia e Grécia — os grandes centros de estudo no mundo antigo.

Terceiro, a sabedoria de Salomão é demonstrada também pelas coisas que ele escreveu e disse. A Bíblia nos informa que o rei "Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco" (1Rs 4.32).

Muitos desses provérbios sábios e cânticos líricos são preservados nas Escrituras. Nós encontramos canções de louvor ao rei nos salmos 72 e 127. Lemos suas canções de amor no Cântico dos Cânticos (Ct 1.1).

Aprendemos seus provérbios para a VIDA DIÁRIA a partir do livro de Provérbios, a maioria dos quais foi escrita pelo próprio rei (Pv 1.1). A produção literária de Salomão é impressionante, tanto em quantidade quanto em qualidade. A amplitude do conhecimento do rei era igualmente impressionante.

Ele não era apenas hábil nas artes literárias, mas possuía também a paixão de um cientista pelo mundo natural. Ao escrever suas canções e provérbios, Salomão "Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes" (1Rs 4.33).

O conhecimento de Salomão era enciclopédico. Ele tinha conhecimentos sobre tudo, desde a árvore mais alta na floresta (o cedro do Líbano) até a menor planta que cresce no muro do jardim (o hissopo).

O rei nutria amor pela botânica e biologia, conhecia a flora e a fauna de Israel, sua terra natal. Nas palavras de um comentarista; seus interesses incluíam "o que se encontra no celeiro e o que vive no lago, o que enfeita os céus e o que desliza sobre o chão da cozinha"."

Com uma curiosidade tão ampla quanto o universo, SALOMÃO SE INTERESSAVA POR TUDO QUE DEUS FEZ.Não surpreende, portanto, que seus escritos sejam permeados por muitas analogias baseadas na observação cuidadosa do mundo criado.

Quando não fazia comparações com as águias no céu ou com as cobras venenosas (Pv 23.5,32), o rei convidava seus leitores a "Vai ter com a formiga" (Pv 6.6) ou a ouvir "a voz da rola" (Ct 2.12). Salomão era o homem RENASCENTISTA do mundo antigo — naturalista e compositor, filósofo e rei.

Se formos sábios, seguiremos seu exemplo, encontrando prazer no mundo que Deus fez e aprendendo tudo o que ele tem a nos ensinar.

Olhe para a constelação no céu da noite. Ouça o barulho assombroso das ondas do mar. Cheire a flor que floresce ao longo do caminho no verão. Observe a trilha de formigas do piquenique para o formigueiro.

NÃO IGNORE AS MARAVILHAS AO NOSSO REDOR. AS COISAS QUE DEUS FEZ, QUE O ESPÍRITO SANTO PODE USAR PARA NOS ENSINAR A COMO VIVER:

Pois Deus deixou suas impressões digitais de sua sabedoria em todos os lugares, e não existe lugar onde Deus não tenha deixado matéria-prima para o pensamento divino, os cristãos devem ser tomados por uma curiosidade desenfreada para refletir sobre suas obras, tanto as majestosas quanto as mais mundanas.

A tarefa da sabedoria é DESCREVERe INVESTIGAR com alegria todas as obras de Deus. Podemos não ser um Salomão em termos de entendimento, mas podemos examinar com gratidão as mesmas informações.

Quarto, a sabedoria do rei é demonstrada ainda pelas pessoas que vieram até ele em busca de conselho: "De todos os povos vinha gente a ouvir a sabedoria de Salomão, e também enviados de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria" (1Rs 4.34).

Veremos um exemplo bem conhecido da fama internacional de Salomão no capítulo 10, quando a rainha de Sabá lhe faz uma visita. Mas, aparentemente, esse tipo de coisa acontecia o tempo todo.

As pessoas de todo o mundo vinham visitar esse rei. Salomão tornou-se praticamente uma atração turística internacional. Sob qualquer ponto de vista — seja por comparação, reputação ou simplesmente pela afirmação clara do texto bíblico — Salomão era o homem mais sábio do mundo.

Quinto, No entanto, ele não era tão sábio como o Rei Jesus. (especialmente em relação a dinheiro, sexo e poder, que Salomão acabou buscando, mas que Jesus sempre subordinou ao amor pelo reino de seu Pai). O reino de Salomão sempre nos aponta para o reino maior de Jesus Cristo.

Como vimos, Jesus se senta a uma MESAmais farta, onde ele dá o seu próprio corpo e sangue como vida para o seu povo.

Ele governa um DOMÍNIOmais amplo, que abrange todo o globo. Também governa com SABEDORIA SUPERIOR, pois ele é maior do que Salomão em todos os sentidos (Lc 11.31).

O Novo Testamento celebra a sabedoria de Jesus Cristo em todas as mesmas formas em que 1Reis nos apresenta a sabedoria de Salomão.

Às vezes, a sabedoria superior do nosso Salvador é simplesmente afirmada, por exemplo, quando o apóstolo Paulo relata que Jesus tornou-se para nós "o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria" (1Co 1.30).

Em outras ocasiões, sua sabedoria é demonstrada por analogia. A Bíblia diz, por exemplo, que em Cristo "em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Cl 2.3).

Se a sabedoria de Salomão era como a areia do mar, então a sabedoria de Jesus é como areia milagrosamente transformada em diamantes.

Vemos a suprema sabedoria de Jesus Cristo também em todas as coisas sábias que ele disse. Como Salomão, Jesus usou muitas metáforas memoráveis extraídas do mundo criado.

Ele falou sobre os agricultores que semeiam suas sementes e sobre o vento que sopra onde quer; e ao fazê-lo, disse muitas coisas sábias sobre o conhecimento de Deus, que nunca foram ditas e nunca serão esquecidas.

A sabedoria real de Jesus Cristo é demonstrada ainda por meio da COMPARAÇÃO. As Escrituras dizem que sua sabedoria é tão superior, que mesmo sua aparente loucura acaba sendo mais sábia do que a sabedoria dos homens (1Co 1.21-25).

Aquilo que algumas pessoas veem apenas como loucura, ou seja, a CRUZem que Jesus morreu, acaba se revelando como o sábio plano de Deus para a salvação.

CONCLUSÃO: Agora, pessoas de todas as nações estão buscando a sabedoria de Jesus Cristo. Está acontecendo neste exato dia, quando pessoas em todo o mundo adoram Deus no nome real de Cristo-Rei.

Oro para que isso aconteça também em sua própria vida, para que você comece a confiar em Jesus, que é o melhor e mais sábio de todos os reis. Regozije em sua graça. Sirva a seu grande domínio, fazendo o seu trabalho do reino.

Confie em sua sabedoria, acreditando que ele sabe o que é melhor. Descanse em sua paz enquanto espera por seu reino vindouro. Seu reino de paz não é um sonho, mas uma realidade. Se você acreditar, você o verá; você o terá.

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII 

De: 14/01/2018
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2018 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
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