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1 Reis - O banquete da adoração

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Sermão 19 - Referência: 1 Reis 8.54-66 

 

INTRODUÇÃO: Cada festa precisa ter um banquete. O que seria um casamento sem bolo dosnoivos, ou o Natal sem peru assado, ou uma noite de pijama sem pizza? Comida e bebida são parte essencial de qualquer grande festa.

 

Quando uma festa acontece e não tem comida ou ela acaba, os convidados logo vão embora. Uma grande festa tem sempre um grande banquete.

 

Não há festa sem banquete. Se isso for verdade, então só havia uma maneira apropriada para encerrar a oração do templo de Salomão. O rei estava inaugurando o edifício mais importante na história do mundo — o único lugar na terra onde Deus prometera se reunir com o seu povo.

 

Assim que o edifício foi equipado e mobiliado, a presença de Deus desceu em uma nuvem brilhante de glória luminosa. Então Salomão consagrou o templo através da oração, e quando encerrou seus pedidos, chegou a hora do banquete. Salomão deu uma festa que durou 14 dias, e o povo saiu “alegres e felizes de coração”(v.66).

 

1. A Bênção da oração.

 

Antes de ver como as pessoas festejaram, precisamos primeiro ouvir a bênção que Salomão deu — bênção que era também uma oração.

 

A Bíblia diz que "Tendo Salomão acabado de fazer ao Senhor toda esta oração e súplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou de diante do altar do Senhor, pôs-se em pé e abençoou a toda a congregação de Israel em alta voz" ( 1Rs 8.54-55).

 

O rei Salomão orou de joelhos e com as mãos levantadas para os céus, enquanto o povo permaneceu de pé, ouvindo as orações que fazia. Isto o rei fez, pois queria honrar a Deus ajoelhando-se em sua presença.

 

Embora nem todas as orações da Escritura sejam feitas de joelhos, mais esta é uma pratica que demonstra submissão e reconhecimento pela grandeza de Deus.

 

A oração de Salomão terminou do jeito que começou, com uma bênção. Antes de começar a orar, o rei se levantou e abençoou os israelitas abençoando seu Deus: "Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel" (1Rs 8.15).

 

Ele terminou a sua oração com uma bênção semelhante. Como já mencionei, os estudiosos da Bíblia chamam isso de inclusio — um estilo literário que termina da mesma forma que começa, demarcando assim uma unidade completa do texto.

 

Salomão abençoou o seu povo do começo ao fim, pronunciando uma bênção antes e depois de sua oração.  

(a) Louvor pela fidelidade. Ao encerrar a oração, Salomão louvou a Deus por sua fidelidade:

 

“Bendito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo de Israel, segundo tudo o que prometera; nem uma só palavra falhou de todas as suas boas promessas, feitas por intermédio de Moisés, seu servo" (1Rs 8.56).

 

A fidelidade de Deus em manter suas promessas é um tema familiar no Antigo Testamento.

 

No final das batalhas de Josué, quando os israelitas derrotaram os seus inimigos na Terra Prometida, as Escrituras dizem que "nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara à casa de Israel; tudo se cumpriu" (Js 21.45).

 

O rei Salomão disse algo semelhante antes de sua oração de consagração, quando declarou que Deus havia falado "pessoalmente a Davi, meu pai, e pelo seu poder o cumpriu" (1Rs 8.15).

 

Deus sempre cumpre suas promessas, sejam elas dadas a Moisés ou a Davi. Deus fez muitas promessas ao seu povo, mas o que Salomão tinha em mente era a promessa de que ele daria "repouso ao seu povo" (1Rs 8.56) —repouso da guerra com seus inimigos (Ex 33.14). Aqui está o que Deus prometeu a Moisés:

 

Mas passareis o Jordão e habitareis na terra que vos fará herdar o Senhor, vosso Deus; e vos dará descanso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros. Então, haverá um lugar que escolherá o Senhor, vosso Deus, para ali fazer habitar o seu nome; a esse lugar fareis chegar tudo o que vos ordeno: os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios (Dt 12.10-11).

 

Essas promessas se cumpriram no templo de Salomão, em Jerusalém. Uma vez que as pessoas viviam em segurança, em repouso de todos os seus inimigos, elas se reuniram no lugar que Deus escolhera como morada para o seu nome, na casa de adoração e sacrifício.

 

Isso tudo aconteceu porque, para Deus, uma promessa feita é uma promessa cumprida. As promessas que Deus cumpriu em Israel nos dão a confiança de que ele também cumprirá as promessas que fez a nós.

 

(b) Promessas em Cristo.

Também somos destinatários das promessas de Deus, mais especificamente das promessas que ele fez em Cristo. "Porque quantas são as promessas de Deus", dizem as Escrituras, "têm nele [Cristo] o sim" (2Co 1.20).

 

Em Cristo, temos a promessa de repouso, pois Jesus disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt 11.28).

 

Em Cristo, temos a promessa da vitória sobre os inimigos do pecado, a morte e o diabo: "convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés" (1Co 15.25).

Em Cristo, temos a promessa de um lugar para a adoração, pois seu próprio corpo é o templo do Deus vivo (Jo 2.19-22).

 

Então, para quem está cansado e precisa de descanso, se sente derrotado pelo pecado e precisa da vitória sobre a tentação, está enfrentando a morte e precisa de libertação.

 

Para todos, cujo coração anseia por encontrar um Salvador, que é digno de adoração, Deus tem uma promessa que ele cumpre em Jesus Cristo.

 

Se nos perguntarmos se as promessas de Deus se tornarão realidade também para nós, precisamos apenas esperar para que sejam cumpridas. Esperemos com fé pela terra que Deus nos prometeu, a terra dos céus.

 

Encontraremos descanso de todo o nosso cansaço, vitória sobre todos os nossos pecados, libertação da morte e uma casa onde podemos adorar a Deus para sempre.

 

Essas e todas as outras promessas que Deus fez a nós em Cristo se tomarão realidade, como veremos... se acreditarmos.

 

2. O Deus que precisamos

 

Ao louvar a Deus por cumprir suas promessas, Salomão também orou para que Deus abençoasse o seu povo. O que começou como uma bênção se transformou em um pedido.

 

(a) O que precisamos?

 

Embora a bênção de Salomão não seja estritamente uma bênção, mas uma oração pela continuação da estreita relação entre Deus e seu povo, seria na verdade uma "oração-bênção" — ou seja -- uma oração pelas bênçãos que precisamos de Deus.

 

A maioria das pessoas tem convicções fortes sobre as bênçãos que espera de Deus. Temos uma longa lista de coisas que queremos que Deus faça por nós, e estamos determinados a informá-lo caso ele não o faça.

 

Queremos que Deus assine embaixo os nossos planos, satisfaça os nossos desejos e prazeres.

 

Como Christian Smith descobriu em seu estudo fundamental sobre a religião dos adolescentes, muitos norte-americanos veem Deus como um "mordomo cósmico", sempre pronto a servir-nos a nosso comando. 

 

Sem dúvida, isso explica por que muitas vezes ficamos decepcionados com Deus: ele não é o prestador de serviços que esperamos.

 

O problema não é que queremos demais de Deus, mas que queremos demais das coisas erradas e não o bastante do melhor que Deus tem para dar.

 

Quando perguntou a um aluno como Deus era, Christian Smith foi informado que Deus era bom. Então ele fez mais uma pergunta: "Quais as coisas boas que Deus fez em sua vida?".

 

A resposta foi: "Bem, eu tenho uma casa, pais, tenho a internet, eu tenho um telefone, a TV a cabo". Se isso é tudo que precisamos na vida, então não precisamos de Deus, basta um emprego bem remunerado.

 

Mas Salomão foi sábio o suficiente para pedir a Deus as coisas de que realmente precisava, e sua lista de oração em 1Reis 8.57-60 nos ajuda a definir a pauta para a nossa própria intercessão.

 

Reflita sobre quais dos pedidos de Salomão você mais precisa, ou o que você pediria para sua família ou sua igreja.

 

(b) A benção que precisamos.

Salomão pediu a presença permanente de Deus: "O Senhor nosso Deus, seja conosco, assim como foi com nossos pais; não nos desampare e não nos deixe" (1Rs 8.57).

 

Mais do que todas as outras bênçãos que Deus possa dar, necessitamos do próprio Deus na presença viva de sua graça. Todos os grandes líderes espirituais da Bíblia e da história da igreja entenderam isso.

 

Vemos isso em Moisés, que recebeu a promessa na sarça ardente que Deus iria com ele para onde quer que fosse (Êx 3.12).

 

Vemos isso em Josué, que foi informado de que Deus nunca iria deixá-lo ou abandoná-lo (Js 1.9, cf. Dt 31.6-8). Vemos isso no salmista, que disse: "O SENHOR não há de rejeitar o seu povo" (Si 94.14, cf. Hb 13.5).

 

Em todas as dificuldades e decisões da vida, precisamos que Deus esteja conosco para nos ajudar. Como Matthew Henry disse, a presença de Deus "é tudo para a felicidade de uma igreja e nação e de cada pessoa em particular".

 

Então, para o bem da nossa própria alegria, oremos pela presença permanente de Deus.

 

(c) Sendo santos.

O rei Salomão tinha uma razão específica para pedir que Deus estivesse com seu povo: ele queria que fossem santos.

 

Então orou pelo Espírito santificador de Deus: "a fim de que a si incline o nosso coração, para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, que ordenou a nossos pais" (1Rs 8.58, cf. S1 119.36).

 

Essa oração mostra um profundo conhecimento da necessidade espiritual dos seres humanos caídos. A triste verdade é que, por causa do pecado, os nossos corações não estão inclinados a andar nos caminhos de Deus, muito menos a guardar os seus mandamentos.

 

Alguma vez você já se perguntou por que é tão fácil ser pecador e tão difícil ser santo? É porque o nosso coração pecaminoso se inclina na direção contrária a Deus.

 

Nas palavras do puritano Matthew Henry: "Nosso coração se recusa naturalmente ao nosso dever, e prontamente se recusa a Deus".

 

Por isso, precisamos de uma poderosa obra do Espírito de Deus para transformar nosso coração para que ele volte a se inclinar na direção de Deus.

 

Como Matthew Henry também disse, "é a sua graça que o atrai, uma graça que precisa ser obtida por meio da oração".

 

Então nós oramos para que o Espírito santificador faça que nosso coração queira o que Deus quer.

 

Só então andaremos nos caminhos de Deus e guardaremos os seus mandamentos. Veja a importância da oração para nossa santificação.

 

(d) O atento de Deus.

Em seguida, Salomão orou pelo ouvido atento de Deus. Mais especificamente, pediu a Deus que ouvisse o seu povo quando fizessem qualquer um dos sete pedidos pelos quais ele havia acabado de orar:

 

"Que estas minhas palavras, com que supliquei perante o Senhor, estejam presentes, diante do Senhor, nosso Deus, de dia e de noite, para que faça ele justiça ao seu servo e ao seu povo de Israel" (1Rs 8.59).

 

Salomão estava pedindo que Deus reconhecesse sua oração de consagração por todos os tempos, de modo que quando o seu povo orasse por justiça ou perdão, proteção ou libertação.

 

Ou por qualquer coisa que pedisse com fé, a qualquer hora do dia ou da noite — Deus ouvisse suas orações e respondesse com poder.

 

Então, o rei Salomão orou pela GLÓRIA UNIVERSAL DE DEUS, pedindo "que todos os povos da terra saibam que o Senhor é Deus e que não há outro" (1Rs 8.60, cf. Dt 4.35; Is 45.5).

 

Essa oração se firmava na convicção de que só existe um Deus. O povo de Deus declarava isso todas as manhãs em sua confissão diária: "Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, o Senhor é único" (Dt 6.4).

 

Se isso é verdade — que Deus é único, que ele é o único Deus -, então ele deve ser reconhecido em todos os lugares.

 

Assim, Salomão orou pela glória de Deus entre as nações, para que ele fosse reconhecido como Deus por todas as pessoas em todos os lugares.

 

Quando o rei orou pela glória universal de Deus, estava orando para que Deus cumprisse sua MISSÃOno mundo.

 

O propósito glorioso de Deus é receber o louvor de todos os povos, preenchendo toda a terra com a sua glória.

 

Isso coloca o nosso próprio trabalho missionário, com todas as suas alegrias e desânimos, em sua devida perspectiva.

 

Nossos esforços de tornar Deus conhecido devem ser inseridos primeiro no contexto da própria vontade de Deus de ser conhecido. Estamos procurando realizar o que o próprio Deus quer que aconteça.

 

Isso é reconfortante, porque sabemos que por trás de todos os nossos esforços desajeitados e da nossa comunicação inadequada está a vontade suprema do Deus vivo.

 

Que estende a mão em sua amorosa auto-revelação, incrivelmente disposto a abrir os olhos dos cegos e a revelar a sua glória através dos tesouros do evangelho entregues nos jarros de barro de suas testemunhas.

 

Esse é o Deus que precisamos: não uma divindade que faz o que queremos que ela faça, como se fôssemos o centro do universo, mas um Deus que existe para a sua própria glória. Precisamos desse Deus todos os dias.

 

No versículo 59, Salomão pede a ajuda de Deus "destas minhas palavras, com que supliquei perante o Senhor, estejam presentes, diante do Senhor, nosso Deus, de dia e de noite".

 

É, portanto, uma oração diária pelas necessidades diárias do povo de Deus. Todos os dias precisamos de Deus para que ele esteja conosco em todas as provações e vitórias da vida.

 

Todos os dias, precisamos que ele incline os nossos corações em sua direção — caso contrário nos desviamos.

 

Todos os dias, precisamos que ele ouça as nossas orações e as responda para a sua glória no mundo, caso contrario fracassaremos.

 

Essas são as exigências diárias recomendadas da vida cristã: a presença permanente, o Espírito santificador, e o ouvido atento de Deus, que por si só merece toda a glória.

 

 

 

 

 

3. A obediência que Deus exige

 

Como devemos responder à presença amorosa de Deus e à graça transformadora?

 

Quando conhecemos o Deus que está conosco até o fim, que inclina o nosso coração para a direção certa e que responde a todas as nossas orações com glória, qual é a maneira correta de responder a isso?

 

(a) Obediência radical.

No final da consagração de Salomão, vemos a obediência e o sacrifício que Deus exige e o louvor que Deus merece.

 

Primeiro vemos a obediência que Deus exige. No final de sua bênção, Salomão fez o que um estudioso chama de "exortação da consagração".

 

Dado que existe um único Deus verdadeiro — um Deus gracioso e transformador que ouve quando o seu povo ora —, "e seja o vosso coração inteiro para com o Senhor, nosso Deus, para andardes nos seus estatutos e guardardes os seus mandamentos, como hoje o fazeis" (1Rs 8.61).

 

Se Deus inclinou nosso coração em sua direção pelo poder do Espírito Santo, então o nosso coração deve ser verdadeiro.

 

Temos aqui um CHAMADO À SANTIDADE RADICAL à plena obediência que Deus exige de cada cristão.

 

Essa obediência não se aplica apenas aos fiéis do Antigo Testamento, que viviam debaixo da Lei, mas também aos cristãos do Novo Testamento, que foram salvos pelo evangelho de Jesus Cristo.

 

Quando Jesus comissionou seus discípulos a irem por todo o mundo e pregarem o evangelho, ele lhes disse que ensinassem as pessoas a obedecer a tudo o que ele ordenou (Mt 28.18-20).

 

(b) Busque a santidade do Evangelho.

Jesus, portanto, dá à sua igreja o mesmo mandamento básico que Salomão deu a Israel.

 

Nós não obedecemos para sermos salvos, nós obedecemos porque fomos salvos. Então deixe seu coração ser fiel aos mandamentos de Cristo.

 

Pratique a santidade do evangelho. Coloque Deus em primeiro lugar em tudo. Honre o Dia do Senhor (domingo) com adoração, descanso e misericórdia. Contribua generosamente para a obra do evangelho.

 

Promova e preserve a pureza sexual. Não cobice o que você não tem e nem se amargure com o que Deus lhe tirou.

 

Não vacile, obedecendo a Deus de vez em quando, mas alimentando suas paixões pecaminosas na maioria das vezes.

 

Deixe seu coração ser totalmente fiel ao Senhor, o nosso Deus. Observe onde esse tipo de obediência começa: de acordo com Salomão, ela começa por dentro, com um coração empenhado em cumprir o mandamento de Deus.

 

Em seguida, ela se expressa no exterior, na maneira como realmente vivemos. O que precisamos, por isso, é da transformação do coração que só o Espírito Santo pode efetuar quando ele nos inclina na direção de Deus.

 

Essa é uma oração que Deus gosta de responder; por isso, não devemos ter medo de buscar a santidade do evangelho, mesmo nas áreas de tentação em que enfrentamos a luta mais feroz.

 

Deus é capaz e está disposto a inclinar nosso coração em direção à obediência completa. Tudo o que precisamos fazer é orar, e então obedecer.

 

4. O sacrifício que Deus exige

 

Existe também um sacrifício que Deus exige. Isso nos leva ao final inesquecível da consagração do templo.

 

(a) Sacrifícios com oração.

Salomão encerrou a bênção no final da sua oração de consagração, então:

 

"E o rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios diante do Senhor. Ofereceu Salomão em sacrifício pacífico o que apresentou ao Senhor, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim, o rei e todos os filhos de Israel consagraram a Casa do Senhor" (1Rs 8.62-63).

 

O templo, portanto, foi consagrado com SACRIFÍCIOSe com ORAÇÃO.O que surpreende aqui é o grande número de sacrifícios oferecidos. Anteriormente vimos que, quando a arca da aliança foi levada até o templo, Salomão sacrificou inúmeras ovelhas e bois (1Rs 8.5).

 

Mais sacrifícios foram oferecidos após a consagração, tantos que nem mesmo o grande altar de bronze no pátio do templo era grande o suficiente para dar conta deles.

 

Para abrir espaço para todos os sacrifícios, Salomão acabou santificando todo o pátio como um lugar de sacrifício:

 

"No mesmo dia, consagrou o rei o meio do átrio que estava diante da Casa do Senhor; porquanto ali preparara os holocaustos e as ofertas com a gordura dos sacrifícios pacíficos; porque o altar de bronze que estava diante do Senhor era muito pequeno para nele caberem os holocaustos, as ofertas de manjares e a gordura dos sacrifícios pacíficos" (1Rs 8.64, cf. 9.25).

 

Ao todo, Salomão sacrificou mais de 140 mil ovelhas e bois. O número é tão grande que alguns estudiosos chegam a acreditar que se trata de um exagero. Impossível, dizem eles, o número é "absolutamente fantástico".

 

No entanto, se levarmos em consideração que se tratava dos sacrifícios de uma nação inteira, oferecidos por 12 tribos ao longo de um período de sete dias, não há nenhuma razão legítima para questionar a precisão do texto bíblico.

 

(a) sacríficos de louvor

É melhor nós admirarmos desses sacrifícios do que duvidarmos deles, e refletirmos sobre o sacrifício que Deus exige de nós.

 

Em rigor, esses sacrifícios não eram sacrifícios de expiação para apagar a culpa do pecado.

 

Dentro do sistema sacrificial, havia vários tipos de sacrifício, como descrito nos capítulos iniciais de Levítico.

 

Dois desses sacrifícios são mencionados em 1Reis 8.64, em que é dito que Salomão consagrou o pátio com um holocausto ( olah) e um sacrifício de cereais (minhah), bem como sacrifícios de paz.

 

Mas os sacrifícios que as pessoas ofereceram para consagrar o templo eram pacíficos, também conhecidos como sacrifícios de paz (1Rs 8.63-64, cf. Lv 3.1-17; 7.11-38).

 

O termo bíblico para esses sacrifícios (shelamim) provém da palavra hebraica para "paz" (shalom). Esses sacrifícios mostravam que Deus estava em paz com o seu povo, e faziam isso de modo notável.

 

As partes gordurosas do sacrifício eram queimadas como oferta a Deus, mas a carne era dada aos sacerdotes e ao povo.

 

Em outras palavras, era um sacrifício que Deus compartilhou em comunhão com o seu povo. Parte do sacrifício era para ele, e parte era para o povo.

 

A oferta de comunhão era uma REFEIÇÃO PACTUAl para as pessoas que estavam tão em paz com Deus que podiam se sentar e compartilhar uma refeição com ele.

 

Existe maneira melhor de consagrar o templo como um lugar de encontro com Deus do que sentar-se à mesa do Senhor e compartilhar um banquete com ele? À medida que as pessoas festejavam, elas se alegravam na presença de seu Deus.

 

(b) Adoração e sacrifícios.

Nós experimentamos essa alegria mais completa e intensamente em Jesus Cristo. Em sua própria pessoa, Jesus Cristo é o templo vivo do Deus vivo. Seu corpo físico é a casa do Senhor, o lugar onde a humanidade se encontra com a divindade.

 

Jesus dedicou o templo sagrado do seu corpo —aquele espaço sagrado — oferecendo-se como o sacrifício para reestabelecer a paz com Deus. Nós temos paz com Deus pelo sangue da sua cruz (Cl 1.20).

 

Jesus Cristo é o sacrifício de paz que nos coloca em comunhão com um Deus santo. Nosso banquete é a sua graça, como indica a ceia sagrada da Santa Comunhão.

 

Agora, nós alegremente respondemos à graça pacificadora de Jesus Cristo com os nossos próprios sacrifícios.

 

Não sacrificamos animais, como os israelitas fizeram, mas lhe oferecemos o primeiro e o melhor de tudo que possuímos, dedicando-nos ao seu serviço.

 

Que sacrifícios Deus quer que façamos para o seu reino? Se formos sinceros, precisamos confessar que, na verdade, preferimos não fazer nenhum sacrifício.

 

Em vez disso, preferimos a abordagem de um anúncio numa revista que prometia "adoração sem sacrifício". O anúncio era para um produto estético descrito como um "pó bronzeador de hidratação de longa duração".

 

Em outras palavras, o produto prometia conferir à mulher a aparência de um bronzeado sem ter de gastar nenhum tempo no sol: adoração sem sacrifício.

 

No que diz respeito à Bíblia, não existe adoração sem sacrifício. Não existiria adoração se Jesus não tivesse feito o sacrifício supremo de ter seu corpo quebrado e seu sangue crucificado.

 

Mas mesmo a adoração que oferecemos a Deus em resposta a isso exige sacrifício: o sacrifício de nosso tempo e dinheiro, dos nossos sonhos e das nossas ambições, dos nossos pensamentos, palavras e ações.

 

Não há adoração sem sacrifício. Uma história simples ajuda a ilustrar esse princípio.

 

Certa menina do colegial fez uma viagem de canoa com o grupo de jovens. Na primeira noite, ela ficou angustiada ao descobrir que, apesar de todas as advertências e contramedidas tomadas, seu colchonete de dormir estava encharcado.

 

Foi uma noite infeliz e insone. Mas na noite seguinte, o líder do grupo de jovens fez um sacrifício nobre: ele trocou seu colchonete de dormir quentinho e seco pelo colchonete encharcado e frio dela.

 

Após a viagem, a menina respondeu com um pequeno sacrifício de sua parte: deu-lhe uma vasilha cheia de brownies caseiros.

 

De forma semelhante, mas infinitamente mais custosa, Jesus Cristo fez sua cama em meio à miséria do nosso pecado, para assim nos oferecer o conforto de sua justiça.

Agora respondemos com pequenos sacrifícios de nossa parte. O que damos nunca pode se comparar ao custo de seu sacrifício supremo, assim como os brownies caseiros da menina não foram uma troca justa pela noite que o líder de seu grupo passou num colchonete frio e molhado.

 

Mas tudo que damos a Deus — seja em termos de tempo, dinheiro ou serviço — é nada menos do que Deus exige.

 

5. O louvor que Deus merece

 

Por fim, respondemos a Deus com o louvor que ele merece. A Bíblia resume a celebração de uma semana de Salomão e aquilo que aconteceu depois da seguinte forma:

 

No mesmo tempo, celebrou Salomão também a Festa dos Tabernáculos e todo o Israel com ele, uma grande congregação, desde a entrada de Hamate até ao rio do Egito, perante o Senhor, nosso Deus; por sete dias além dos primeiros sete, a saber, catorze dias. No oitavo dia desta festa, despediu o povo, e eles abençoaram o rei; então, se foram às suas tendas, alegres e de coração contente por causa de todo o bem que o Senhor fizera a Davi, seu servo, e a Israel, seu povo (1Rs 8.65-66).

 

Talvez as referências geográficas desses versículos signifiquem pouco para a maioria dos leitores da Bíblia de hoje, mas indicam que toda a nação de Israel participou dessa festa. Lebo-Hamate e o ribeiro do Egito representavam os extremos confins do reino de Salomão.

 

Todos, de norte ao sul, estavam presentes. Transferindo essas referências geográficas para o contexto brasileiro, diríamos que todos, desde o Acre até o Rio Grande do Sul, foram para Brasília.

 

Todas essas pessoas estavam fazendo a mesma coisa: estavam unidas em seu louvor a Deus e ao rei ungido.

 

Além de abençoar o Senhor, o povo também abençoou seu rei. Assim, ao mesmo tempo em que se alegrava em Deus e seu santo templo, também se alegrou com Salomão e sua realeza.

 

O povo abençoou o rei pela honra que dera a Deus por meio da construção de um templo sagrado para a adoração. Salomão era a alegria de seu povo.

 

Temos uma alegria semelhante, porém, ainda maior no reino de Jesus Cristo.

 

O louvor que oferecemos a Deus está centrado em nosso Rei Jesus Cristo, tanto em sua glória, como o Filho de Deus, quanto na salvação por meio da cruz e do túmulo vazio.

 

Esse culto alegre não é reservado aos domingos na igreja; antes, deve acontecer em todos os dias da semana e em todos os lugares aos quais formos.

 

Assim como os israelitas voltaram para casa louvando Deus e seu rei, também nós somos chamados a levar a alegria de Jesus conosco para todos os lugares.

 

Você está oferecendo a Deus o louvor que ele merece? Louie Giglio definiu nossa adoração simplesmente como "reação àquilo que mais prezamos".

 

Outra maneira, então, de fazer a mesma pergunta é: será que a sua resposta a Deus demonstra que ele é o que você mais preza na vida? Adorar é o que todos nós fazemos. É a nossa natureza em qualquer dia que seja.

 

Estamos sempre dizendo: "Essa pessoa, essa coisa, essa experiência (seja lá o que for) é o que mais importa para mim... é a coisa que coloco em primeiro lugar na minha vida".

 

Essa "coisa" varia de pessoa para pessoa. Pode ser um relacionamento ou uma ambição. Podem ser nossos amigos ou nosso status ou nossos bens. Pode ser algum tipo de prazer.

 

Mas independentemente de como a chamamos, "TODO MUNDO TEM UM ALTAR. E cada altar tem um trono". E é fácil identificar o que está em nosso trono:

 

Basta seguir a trilha do seu tempo, do seu afeto, da sua energia, do seu dinheiro e da sua lealdade. No final da trilha, você encontrará um trono, e não importa o que ou quem estiver nesse trono — é o que representa o maior valor para você.

 

Naquele trono está o que você adora. Claro, poucos de nós andam por aí dizendo: "Eu adoro as minhas coisas. Eu adoro o meu celular. Eu adoro esse prazer. Eu a adoro. Eu adoro meu corpo. Eu me adoro!".

 

Mas a trilha nunca mente. Podemos dizer que valorizamos essa ou aquela coisa mais do que qualquer outra, mas nossas ações falam mais alto do que nossas palavras.

 

CONCLUSÃO: Quando Salomão e seu povo consagraram o templo, eles aumentaram o volume ao máximo. Com todas as bênçãos que pronunciaram e todos os animais que sacrificaram, eles declararam a glória de seu Deus.

 

Mantiveram o volume no máximo durante todo caminho para casa, louvando ao rei e seu reino.

 

Como você volta para casa após adorar na casa do Senhor?

 

Você volta se regozijando em Cristo e em seu reino, oferecendo-lhe a obediência e o sacrifício que ele exige?

 

Ou será que a sua atenção se volta rapidamente para as coisas que você realmente adora: relacionamentos, os prazeres e os divertimentos (futebol) que exigem sua fidelidade maior?

 

Qualquer que seja a coisa que você escolher como objeto de sua adoração, assegure-se de que é digna de um banquete, como apenas Jesus o é. Assim como não há festa sem banquete, também não há alegria verdadeira sem Jesus.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 07/02/2018
Por: Jairo Carvalho

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