Conheça a História da Igreja

Ouça nossa Rádio

Bíblia online

biografias

dicas de leitura
Selecionamos alguns livros para aumentar seu conhecimento.

  • Banner
  • Banner

enquete
Você já leu a Bíblia inteira quantas vezes?
Escolha uma opção abaixo
Resultados Outras enquetes




Publicações Imprimir conteúdoIndicar página para alguém

1 Reis - Edificando a casa

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

Sermão 11 - Referência: 1 Reis 6.1-13

INTRODUÇÃO:Uma vitalidade espiritual verdadeira depende da presença viva e operacional do Espírito Santo. Com o Espírito santo, o ministério de pregação uma igreja age com poder para trazer as pessoas para a fé em Cristo e ajudá-las a crescer na graça.

Sem o Espírito, nada do que é realizado no ministério fará qualquer diferença duradoura para o reino de Deus. Tudo depende da presença do Espírito de Cristo na vida da igreja. A menos que Deus esteja na casa, a igreja falhará.

1. Conquistando espaço

Vemos a importância vital da presença do Espírito na história do templo de Salomão. Quando a construção começa, a Bíblia fornece muitos detalhes precisos sobre a nova casa que Salomão construiu para Deus.

Mas também deixa claro que a presença viva de Deus é infinitamente mais importante do que qualquer edifício construído no nome dele. 1 Reis 5 contou como o rei sabiamente organizou todos os materiais e a mão de obra necessária para construir seu templo.

(a) O valor Histórico.

Em seguida, no capítulo 6, Salomão avança em seu projeto: "No ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, Salomão, no ano quarto do seu reinado sobre Israel, no mês de zive (este é o mês segundo), começou a edificar a Casa do SENHOR" (1Reis 6.1).

Esse versículo, com a sua identificação clara de TEMPOe ESPAÇO,usa o tipo de linguagem formal que as pessoas empregam apenas quando algo importante está acontecendo.

E o templo era importante. Tratava-se de uma nova era para o povo de Deus. Salomão estava construindo uma arquitetura sagrada: uma nova casa para o Deus vivo.

Do ponto de vista histórico, as informações contidas nesse versículo são úteis para determinar quando esses eventos ocorreram: provavelmente em 966 a.C., talvez até mesmo em 956 a.C.

A cronologia desse versículo também fornece um elemento de evidência crucial para estabelecer a DATA DO ÊXODO de Israel do Egito, o que representa uma longa controvérsia na arqueologia bíblica.

Alguns estudiosos afirmam que os 480 anos de 1Reis 6.1 são um número simbólico, representando 12 gerações, cada uma delas de 40 anos de duração (resta saber se essas gerações realmente abarcavam 40 anos ou não). Isso deixaria em aberto a possibilidade de o êxodo ter ocorrido tão tarde quanto no século 13 antes de Cristo.

Mas, com todas as suas referências a meses e anos, parece mais natural ler 1Reis 6.1 e interpretar os 480 anos literalmente, o que confirmaria como data do êxodo o início do SÉCULO 15.

Por mais importante que esse versículo seja para a CRONOLOGIA BÍBLICA, ele é ainda mais importante para a TEOLOGIA BÍBLICA. O que Salomão fez na construção de uma casa para Deus está diretamente ligado ao que Deus fez ao tirar seu povo do Egito.

1Reis é parte da história continuada do verdadeiro povo de Deus. Ao narrar a história do templo de Salomão, o escritor bíblico olha para trás, para o dia histórico em que seu povo foi libertado de sua escravidão pela poderosa graça de Deus.

(b) A promessa.

Há um significado mais profundo em 1Reis, porque o templo de Salomão é em cumprimento direto das promessas de Deus. Voltando aos dias de Abraão, Deus sempre prometeu que daria a seu povo uma terra própria.

Durante sua longa escravidão no Egito, o povo de Deus se perguntou muitas vezes quando essa promessa se tornaria realidade. Mas, enfim, Deus libertou seu povo da terra do Egito, da casa da escravidão. Levou-o de forma segura através do deserto, até que, finalmente, trouxe-o para a Terra Prometida.

Quando Salomão começou a construir uma casa para Deus, tornou-se evidente que Deus havia cumprido sua promessa de longa data de dar uma terra a seu povo. Agora os israelitas não só haviam sido salvos do Egito, mas também se estabeleceram em Israel."

Quando os israelitas ainda vagavam pelo deserto, Deus residia no tabernáculo — uma estrutura portátil, apropriada para essa fase da peregrinação de Israel. No entanto, havia chegado a hora de sossegar.

Israel estabeleceu um lugar de residência permanente e, assim, Deus não precisava mais residir em uma tenda, mas podia residir em um templo. Esse templo fazia parte da promessa de Deus.

 Já vimos como Deus prometeu a Davi que seu filho construiria um templo (2Sm 7.12-13). Mas a promessa da morada de Deus remetia até aos dias do profeta Moisés.

Quando Moisés cantou sua canção de vitória às margens do Mar Vermelho, celebrando o triunfo de Deus sobre os cavalos e cavaleiros do Egito, ele profetizou que Deus habitaria com o seu povo: "Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança, no lugar que aparelhaste, ó Senhor, para a tua habitação, no santuário, Ó SENHOR, que as tuas mãos estabeleceram" (Êx 15.17).

A promessa de Moisés foi cumprida no Monte Sião, onde Salomão construiu um santuário para a adoração de Deus. Moisés se referiu frequentemente a essa promessa no livro de Deuteronômio. Lá, profetizou um período de descanso para o povo de Deus, em um lugar onde o nome de Deus habitaria e seu povo faria seus sacrifícios (Dt 12.10-11).

De tempos em tempos, quando Moisés dava instruções para a adoração de Israel, ele mencionava "no lugar que o Senhor escolher para ali fazer habitar o seu nome" (Dt 16.2, cf. 14.23; 16.6,11; 26.2).

Ele estava se referindo à cidade de Jerusalém, mas, mais especificamente, ao lugar de adoração que Deus estabeleceria ali. O cumprimento dessas promessas havia sido anunciado há muito tempo, mas começou a tornar-se visível no segundo mês do quarto ano de Salomão.

(c) A morada.

Hoje, Deus nos faz uma promessa semelhante. A promessa mais básica de sua aliança eterna é que ele virá até nós e será o nosso Deus.

Quando Deus vem habitar conosco — quando ele entra em nossas vidas por meio da presença poderosa de seu Santo Espírito —, temos a melhor de todas as bênçãos, que é o próprio Deus habitando em nós.

Jesus disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (Jo 14.23).

Essa é a promessa de Jesus Cristo para a pessoa que o ama e acredita na palavra do seu evangelho: o Pai, o Filho e o Espírito Santo virão e farão da vida da pessoa a sua casa. Eles virão com o perdão para todos os pecados, com ajuda para todos os problemas e com consolo em todas as tristezas.

Eles virão com a força e a graça necessária para a realização de tudo o que você é chamado a fazer na vida. Eles virão e garantirão a alegria eterna no reino de Deus.

Você abrirá a porta e acolherá Deus em sua vida? Ele está pronto e disposto a viver com você. Jesus diz: "se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo" (Ap 3.20).

 

 

2. A construção da casa.

O templo de Salomão deveria servir como um lugar de habitação para Deus — por isso, a estrutura é repetidamente chamada de "casa" (por exemplo, 1Rs 6.1).

A casa é um lugar onde alguém vive; por isso, essa nova casa era a morada de Deus, o único lugar na terra que Deus escolhera para receber a adoração de seu povo e tornar sua presença manifesta.

(a) Edificando para Gloria de Deus.

Um INDÍCIO DA IMPORTÂNCIA DO TEMPLO é o grande número de detalhes que a Bíblia fornece sobre sua construção, embora PROPOSITALMENTEnão ofereça todos os detalhes necessários para uma reconstrução exata.

As informações permitem construir um MODELO, mas não recriar as plantas completas. No entanto, temos detalhes suficientes "sobre tamanho, qualidade dos materiais e mestria em projeto e acabamento para gerar um sentimento de admiração".

Baseando-nos naquilo que a Bíblia diz, podemos facilmente imaginar a beleza simples e a grandeza imponente do templo de Salomão.

Há outra razão para analisarmos o templo com cuidado. Embora nem todos os detalhes de sua construção tenham um significado simbólico ou espiritual, muitos deles têm, como descobriremos.

E uma vez que o Novo Testamento descreve a IGREJA COMO O TEMPLO DE DEUS (por exemplo, Ef 2.20) — a morada terrena do Espírito Santo (por exemplo, Ef 2.21) —, conhecer mais detalhes sobre o templo original pode nos ajudar a compreender o que Deus está fazendo na igreja.

O capítulo 6 de 1Reis conta como Salomão construiu essa casa, começando com sua ESTRUTURA EXTERIOR nos versículos 2 a 10.

QUANTO AO TAMANHO, "A casa que o rei Salomão edificou ao SENHOR era de sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura" (1Rs 6.2). Um côvado equivale ao comprimento do braço de um homem do cotovelo até a ponta dos dedos, cerca de 46 centímetros.

Assim, o COMPRIMENTOdo templo era de aproximadamente 27 metros, sua LARGURA era de 9 metros, e, sua ALTURA, de 6 metros. Suas proporções básicas eram iguais às do tabernáculo que Moisés fizera no deserto, mas era o dobro em todas as suas extensões, quadruplicando, portanto, seu tamanho ( Êx 26.15.).

O templo apresentava mais ou menos o TAMANHO DE UMA IGREJA COM LUGAR PARA 250 PESSOAS, mas, proporcionalmente, era estreito e alto — tinha a altura de um prédio de quatro andares.

O templo de Salomão não era muito grande ou impressionante para os padrões atuais. Lembre-se, porém, que a maioria dos edifícios eram menores nos tempos bíblicos.

Assim, o templo teria sido maior e mais alto do que qualquer outro edifício em Jerusalém (exceto, talvez, o palácio real, quando foi concluído). Além disso, por ter sido construído no ponto mais alto de uma montanha, ele dominava a paisagem.

Mesmo assim, do ponto de vista do seu tamanho, o templo de Salomão nunca esteve no páreo como uma das MARAVILHAS DO MUNDO. Outros monumentos eram maiores ou mais altos ou mais ornamentados.

De qualquer forma, o prédio em si nunca pretendeu ser a coisa mais importante em relação ao templo todo. O MAIS IMPRESSIONANTE ERA QUE DEUS MORAVA NELE. O templo foi construído para a glória de Deus, não para o orgulho de seus construtores.

(b) Edificando com sabedoria

Depois de fornecer as dimensões do templo, a Bíblia passa a descrever sua estrutura: "O pórtico diante do templo da casa media vinte côvados no sentido da largura do Lugar Santo, contra dez de fundo" (1Rs 6.3). O "vestíbulo" era uma espécie de varanda ou pórtico, era a entrada do templo.

A "nave" é simplesmente outra palavra para a parte central da estrutura, o santuário principal. Para essa parte do templo, Salomão fez "janelas de fasquias fixas" (1Rs 6.4), provavelmente janelas altas que deixassem entrar um pouco de luz.

Ao lado da nave ficava o "santuário", ou o "Santo dos Santos" (1Rs 6.5, cf. 6.16). Assim, havia três partes principais no templo, que representavam TRÊS GRAUS DE SANTIDADE: o vestíbulo, a nave e o santuário interior, geralmente chamado de "Santo dos Santos".

Salomão também construiu uma segunda estrutura, que tinha quase o dobro de metros quadrados do templo propriamente dito e era cercada em três lados: "Contra a parede da casa, tanto do santuário como do Santo dos Santos, edificou andares ao redor e fez câmaras laterais ao redor" (1Rs 6.5).

ESSE EDIFÍCIO FAZIA PARTE DO COMPLEXO DO TEMPLO. Presumivelmente, suas câmaras serviam como espaço de armazenamento para os sacrifícios que as pessoas traziam para o templo e os pergaminhos e outros itens sagrados que Israel usava na adoração.

Talvez esses quartos tenham servido também como alojamento temporário para os sacerdotes que estavam em Jerusalém para cumprir seu dever sagrado.

Esse segundo prédio pode ter servido também à função arquitetônica de sustento para o santuário principal, especialmente quando se leva em conta a sua altura. E é assim que a Bíblia descreve essa estrutura:

"O andar de baixo tinha cinco côvados de largura, o do meio, seis, e o terceiro, sete; porque, pela parte de fora da casa em redor, fizera reentrâncias para que as vigas não fossem introduzidas nas paredes" (1Rs 6.6).

Havia uma entrada para esses edifícios laterais, e também uma forma de alcançar os andares mais altos: "A porta da câmara do meio do andar térreo estava ao lado sul da casa, e por caracóis se subia ao segundo e, deste, ao terceiro" (1Rs 6.8).

Observe que a primeira câmara era a mais estreita (5 côvados), enquanto a terceira câmara era a mais larga (7 côvados). Normalmente esperaríamos exatamente o contrário, ou seja, que o edifício fosse mais largo na parte inferior do que na parte superior.

Mas, nesse caso, uma parte de cada câmara era ocupada por aquilo que 1Reis chama de "pilastres na parede".

Na verdade, eram suportes — reforços estruturais que se inclinavam contra o templo. Para evitar qualquer furo no santuário sagrado, os pisos do edifício lateral também repousavam sobre esses apoios.

Já que o apoio mais largo se encontrava no fundo do templo e ocupava a maior parte do quarto, a primeira câmara do edifício lateral era mais estreita do que os andares superiores.

A descrição do EXTERIOR DO TEMPLO termina com um lembrete de alguns dos materiais que Salomão utilizou para a sua construção:

"Assim, edificou a casa e a rematou, cobrindo-a com um tabuado de cedro. Os andares que edificou contra a casa toda eram de cinco côvados de altura, e os ligou com a casa com madeira de cedro" (1Rs 6.9-10). Salomão cobriu o teto da casa de Deus com o cedro que recebera de Hirão, rei de Tiro (1Rs 5.10-12).

A maior parte daquilo que a Bíblia nos diz sobre o projeto de construção de Salomão soaria relativamente familiar a toda pessoa que já tenha construído uma casa.

Mas há um detalhe aqui que é absolutamente surpreendente. Visite um canteiro de obras e você descobrirá rapidamente que a construção sempre faz muito barulho.

No entanto, quando Salomão construiu essa nova casa, "Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam" (1Rs 6.7).

No final do capítulo 5 ouvimos que Salomão enviou mais de cem mil trabalhadores para as montanhas para extrair a pedra que ele precisava para seu templo e para depois transportá-la para Jerusalém.

Esses homens habilmente esculpiram cada pedra com suas ferramentas, certificando-se de que tinham o tamanho e a forma correta para se encaixar no templo. Então, quando chegou a hora de erguer o templo, eles silenciosamente colocaram cada pedra em seu devido lugar.

NUNCA HOUVE UM PROJETO DE CONSTRUÇÃO IGUAL ANTES OU DEPOIS DISSO. O silêncio no local de construção era um testemunho da sabedoria de Salomão.

Como diz um dos provérbios do famoso livro de Salomão: "Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa" (Pv 24.27).

(c) Edificando com santidade.

Mas isso era mais do que um exemplo de um BOM PLANEJAMENTO, era também um testemunho da SANTIDADE DE DEUS. Tratava-se do local da construção do santo templo de Deus, o lugar do qual Habacuque disse: "O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra" (Hc 2.20).

Assim, convinha que os trabalhadores de Salomão construíssem essa casa nova em silenciosa reverência. Eles estavam fazendo um trabalho santo para um Deus santo.

A preparação dessas pedras também nos lembra do trabalho que Deus está fazendo em nossa própria vida. A Bíblia diz que quando chegamos a Cristo, somos "como pedras que vivem" com as quais Deus está construindo sua "casa espiritual" (1Pe 2.5).

Deus ainda não terminou sua obra conosco. Durante toda a nossa vida, seu Espírito nos molda na PEDREIRA DE SANTIFICAÇÃOutilizando o sofrimento, e até mesmo as tentações com as quais o mal nos assedia, para retirar tudo o que em nós ainda é profano.

Ele usa os nossos momentos de oração, de leitura devocional e meditação para a construção de nosso caráter. Quando confessamos os nossos pecados e crescemos em santidade, Deus está nos preparando para que encaixemos perfeitamente em sua casa eterna.

3. O "Se" e o "Então" das Promessas.

De repente, Deus interrompeu o projeto de construção de Salomão para fazer um anúncio importante: "Quanto a esta casa que tu edificas, SEandares nos meus estatutos, e executares os meus juízos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, cumprirei para contigo a minha palavra, a qual falei a Davi, teu pai. E habitarei no meio dos filhos de Israel e não desampararei o meu povo" (1Rs 6.12-13).

Alguns estudiosos críticos argumentam que esses versículos parecem estranhamente fora do lugar. Eles ressaltam que, se pulássemos do versículo 10 para o versículo 14 ou 15, poderíamos continuar nossa leitura sem qualquer interrupção no fluxo da narrativa.

Os versículos 11 a 13 são tão diferentes em estilo e conteúdo que devem ter sido adicionados por algum redator. Muitas vezes, esse tipo de argumento é usado para desacreditar a autenticidade da Bíblia e diminuir a sua autoridade.

Poderíamos responder que esses versículos marcam uma divisão natural no texto bíblico entre o exterior e o interior do templo.

Precisamos entender que se trate de uma interrupção, insistindo, ao mesmo tempo, que Deus tem o direito de falar conosco sempre que ele bem entender.

(a) Alerta: Santidade pessoal.

O versículo 11 diz que "a palavra do SENHOR veio a Salomão", por isso, tratava-se de uma interrupção divina. Deus é assim: ele está sempre se intrometendo em nossa agenda, livrando-se de nossos planos para que sua vontade seja feita.

Nesse caso específico, a principal preocupação de Deus era o CORAÇÃOde Salomão. Enquanto tendemos a nos concentrar na aparência externa das coisas, Deus sempre olha o coração (1Sm 16.7).

Ele quer que vejamos o que está acontecendo dentro de nós. Portanto, essa interrupção — por mais INTRUSIVAque possa ser — foi crucial para a SAÚDE ESPIRITUAL de Salomão.

Deus não ordenou que Salomão interrompesse o que estava fazendo, não desaprovou o templo. Mas queria ter certeza de que, ao realizar esse projeto digno, o rei não perdesse de vista o que precisava ser sua prioridade: fazer tudo em obediência à vontade de Deus.

Ele estava dizendo: "O que realmente importa para mim é isto: SANTA OBEDIÊNCIA. O que está em seu coração é mais importante para mim do que aquilo que você faz com as mãos".Era muito importante que Salomão se lembrasse disso enquanto estava construindo a nova casa.

O templo foi concebido como um lugar de RELACIONAMENTO ESPIRITUAL, onde as pessoas traziam seus assuntos com Deus em oração, arrependimento, sacrifício e louvor. Mas o prédio onde essas coisas aconteceriam não era tão importante quanto o relacionamento em si.

Assim, Deus interrompeu Salomão para lembrá-lo da importância suprema da SANTIDADE PESSOAL. Isso é um importante teste também para todos nós, não só para o rei Salomão.

Normalmente somos tentados a pensar que o que realmente importa é o que FAZEMOSou o que SABEMOS. Mas o que interessa muito mais é o que SOMOS— a, ou seja, tudo o que importa é a obediência de um coração entregue a Deus.

O que importa no trabalho não é apenas completá-lo, mas fazê-lo com um sincero desejo de honrar a Deus. Isso é o que importa no ministério: não apenas passar às pessoas a impressão de que estamos servindo ao Senhor, mas realmente servi-lo, para que, com sinceridade, possamos dizer: "Senhor, eu estou fazendo isso por amor ao Senhor".

(b) Obediência precede benção.

O que Deus disse a Salomão quando ele o interrompeu é muito semelhante ao que o rei Davi disse a Salomão quando ele assumiu o trono. Davi disse a seu filho: "Guarda os preceitos do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos, para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos" (1Rs 2.3).

Agora, Deus estava basicamente repetindo o que Davi havia dito, na forma de uma promessa condicional. Deus deu três ordens condicionais iniciadas por "SE", seguidas de três promessas iniciadas por "ENTÃO".

Todas as declarações de Deus iniciadas por "se" têm a ver com a obediência: se você andar nos meus estatutos, se você obedecer as minhas regras, se você guardar todos os meus mandamentos e andar neles.

Cada uma dessas cláusulas tem seu próprio significado, mas aqui elas são usadas praticamente como sinônimas.

Se chamarmos suas ordens de "regras", "estatutos" ou "mandamentos": todos eles nos dizem que devemos fazer algo com sua Palavra. Ou se chamamos de "andar", "manter" ou "obedecer": o ponto é que Deus quer que façamos o que ele diz.

Aqui, Deus está se referindo ao ESTILO DE VIDA que ele decretou para o seu povo na Lei de Moisés. Se pensarmos nesse estilo de vida em termos dos Dez Mandamentos, que se resumo nos dois grandes mandamentos (Mt 22.37-40), ou de todas as leis de casos específicos que aplicam essas leis à vida diária, a exigência básica é a mesma: obediência total à vontade revelada de Deus.

Deus estava lembrando Salomão que era necessário honrar essa aliança. A palavra "caminhar" deixa claro que a OBEDIÊNCIA FIELdeveria marcar todo o estilo de vida do rei e de todo o povo de Deus.

Se Salomão e o povo fossem fiéis na obediência, Deus seria fiel nas bênçãos. Deus prometeu três bênçãos — as promessas iniciadas por "então" que seguem às ordens iniciadas por "se". Trata-se de algumas das maiores bênçãos que Deus prometeu ao seu povo.

Em primeiro lugar: a promessa de um trono eterno. A primeira promessa garantia uma dinastia eterna para Salomão no trono de seu pai Davi. "Se [...] guardares todos os meus mandamentos [...]", Deus disse, "cumprirei para contigo a minha palavra, a qual falei a Davi" (1Rs 6.12).

Presumivelmente, a palavra que Deus tinha em mente era a promessa de um trono eterno. Deus havia prometido a Davi um filho que governaria um reino eterno: "farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre" (2Sm 7.12-13). Se Salomão fosse obediente a essa aliança, então seu reino nunca falharia.

Em segundo lugar a promessa da presença de Deus: "habitarei no meio dos filhos de Israel" (1Rs 6.13). É exatamente por isto que Salomão estava construindo um templo: para que Deus habitasse com o seu povo.

Era também a profunda promessa da aliança. O melhor presente que Deus pode oferecer é a dádiva de si mesmo, em todo o seu amor e graça. Ele tinha feito essa promessa ao seu povo no tempo de Moisés: "Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos aborrecerá. Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo" (Lv 26.11-12).

Agora, Deus estava repetindo a promessa da aliança a Salomão. A presença de Deus com o seu povo dependia da fidelidade de seu rei e do povo. Se Salomão e o povo obedecessem, então toda a nação desfrutaria da habitação bendita do seu Deus.

Em terceiro lugar a promessa do cuidado de Deus. Após dizer a Salomão o que ele faria, Deus também lhe disse o que ele não faria: "não desampararei o meu povo" (1Rs 6.13). Essa promessa foi além da segunda e lhe acrescentou uma garantia.

Uma coisa é viver com o povo; outra, viver com o povo e nunca mais deixá-lo e cuidaria do seu povo. Era algo que Deus já havia prometido antes (por exemplo, em Dt 31.6, 8), e agora estava prometendo a mesma coisa novamente. Enquanto Salomão e o povo obedecessem os mandamentos, Deus cuidaria do seu povo.

 

4. O Deus que cumpre promessas.

A pergunta óbvia em relação a essas promessas é se Salomão e o povo satisfariam as condições de Deus ou não, pois a conduta do rei determinaria o destino do país.

Para que as promessas iniciadas por "ENTÃO" se tornassem realidade, todos os mandamentos iniciados por "SE" precisariam ser observados. Tudo dependia da vida de obediência e santidade.

Quando Deus diz "tu", ele também está se dirigindo a Israel em geral, e não somente a Salomão, pois a povo sempre segue sua liderança, conforme está demonstrado em toda a Historia da monarquia do povo de Deus, como também na Historia da Igreja, assim é hoje também.

(a) Desobediência precede a ruina.

A obediência em santidade vale para todos em Israel, é claro, mas as declarações "se" — "então" nesses versículos se aplicam diretamente a Salomão.

A promessa do reino eterno, bem como a promessa de que Deus viveria com o seu povo e nunca o deixaria, dependia da fidelidade à aliança do rei.

Agora vemos por que essa interrupção divina era tão importante. O destino de Israel não dependia da construção do templo. De agora em diante, tudo o que aconteceria com o povo de Deus dependeria da fidelidade de Salomão em cumprir a ordem de Deus.

Como Salomão se saiu? Tragicamente, o rei não conseguiu cumprir os termos da aliança de Deus. Nós já vimos alguns sinais de alerta de que o coração de Salomão não era totalmente dedicado ao Senhor. O rei se desviou como também o povo.

Quando chegarmos ao capítulo 11, veremos que, a despeito de toda a sua sabedoria, ele não terminou o seu reinado quase tão bem quanto o iniciou. Salomão não obedeceu os mandamentos do tipo "se" que transformariam em realidade todas as promessas do tipo "então".

Ele não seguiu as regras e os estatutos que proibiam o rei de se casar com muitas mulheres, de confiar em cavalos e carros para a sua segurança nacional ou de adquirir ouro e prata excessiva para seu uso pessoal (Dt 17.16-17).

Ele também não obedeceu os mandamentos de Deus que o proibiam de adorar os ídolos estrangeiros.

Como resultado da infidelidade de Salomão, o povo de Israel não recebeu a bênção total que teria recebido se o rei tivesse mantido a aliança de Deus. O trono de Salomão não durou para sempre, e quando ele morreu, Israel tornou-se um reino dividido (1Rs 12).

Embora Deus tenha vivido com seu povo por um tempo, sua glória afinal se afastou do templo. Perto do fim de Reis nós o ouvimos dizer: "e rejeitarei esta cidade de Jerusalém, que escolhi, e a casa da qual eu dissera: Estará ali o meu nome" (2Rs 23.27).

Assim, o templo foi destruído, e Deus baniu seu povo de Jerusalém e o levou até a Babilônia. E tudo isso por causa do fracasso de seu rei. "Se" e "então": 1 Reis 6.11-13 explica a maior parte da história conseguinte de Israel.

As mesmas declarações do tipo "se" — "então" também ajudam a explicar o evangelho da nossa salvação. Ao estudar o Antigo Testamento procuramos em vão por um rei fiel, que tivesse cumprido o pacto de Deus.

Davi e Salomão foram dois dos melhores reis de Israel, mas ambos tiveram suas falhas fatais. Davi era assassino e adúltero. Salomão se casou com muitas esposas e adorou muitos ídolos.

A maioria dos outros reis era ainda pior, e até mesmo o melhor homem entre eles ficou muito aquém da perfeita obediência à lei de Deus. Os reis de Israel não andaram nos estatutos de Deus, não obedeceram as regras nem os mandamentos de Deus.

Eles falharam na parte do "se" (como nós também teríamos falhado e continuamos a falhar), e assim perderam a parte do "então". Os reis de Israel não garantiram uma dinastia eterna para Davi, nem desfrutaram da presença viva permanente de Deus em sua comunidade.

(b) Promessas realizadas.

No entanto, todas essas promessas se tornaram realidade, e Deus está com seu povo, hoje, pelo poder e presença do Espírito Santo. As promessas se tornaram realidade em Jesus Cristo, o Filho de Davi e o Salomão maior do reino de Deus. Jesus andou nos estatutos de Deus, cumpriu toda a lei de Deus.

Ele obedeceu as regras de Deus, sempre fazendo a vontade do Pai. Ele manteve todos os mandamentos de Deus, amou o seu Deus Pai com todo o seu coração e amou o seu próximo em todo o caminho até a cruz, onde morreu pelos nossos pecados.

Jesus cumpriu todas as partes do "se", permitindo assim que as partes do "então" do evangelho se tornassem realidade para todos que nele creem. O fracasso de Salomão nos aponta, assim, para a fidelidade de Jesus Cristo.

Agora temos a promessa de Deus de que Jesus se sentará no trono de Davi para sempre, governando o céu e a terra para a glória de seu Pai. Temos a promessa de Deus de que ele habitará conosco e será o nosso Deus: "habite Cristo no vosso coração, pela fé" (Ef 3.17).

Temos também a promessa de que ele nunca nos deixará ou nos abandonará (Hb 13.5). Jesus disse: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.20).

Então ele enviou o seu Espírito Santo como orientador e presença reconfortante de Deus em nossas vidas. Jesus pode fazer todas essas promessas, porque ele cumpriu todas as condições para a nossa salvação. A lei foi mantida, a dívida foi paga, e agora Deus está conosco para sempre.

(c) Obediência no evangelho.

Você acredita que tem a presença viva de Deus em sua vida? Há momentos em que cada cristão é tentado a duvidar da presença de Deus. O que devemos fazer quando essas dúvidas começam a surgir e ameaçam nos esmagar?

Será então que deveríamos trabalhar mais para Deus, pensando que se fizermos um pouco mais para ele, então receberemos a bênção de sua presença em nossas vidas?

Se a presença viva de Deus dependesse somente da nossa própria capacidade de cumprir perfeitamente todas as leis, então Deus teria nos abandonado há muito tempo. Nossa obediência não é perfeita como a de Jesus, pois ainda somos sujeitos a pecar.

Mas o evangelho também exige obediência em santidade. A verdadeira fé é demonstrada pela obediência. O fato de Jesus ter uma obediência perfeita, não quer dizer que agora eu não devo viver uma vida de obediência santa.

Também é verdade que, ninguém pode encontrar segurança por meio de sua própria obediência.  Vivenciar a presença de Deus não depende nem mesmo das mais santas obras de obediência sacrificial (madre Tereza de caucutá). Não há nenhuma segurança em nossa própria fidelidade, pois nossa fidelidade sofre muitos reveses. (ex. Pedro).

O Espirito Santo não nos abandona porque simplesmente erramos. Quando pecamos o Espirito Santo, trabalha para que sejamos levados ao arrependimento e assim vamos corrigir nossa rota de volta a obediência.

A Escritura diz que aquele que nasceu de novo, não vive na pratica do pecado; embora continue lutando contra algumas tendências pecaminosas, que às vezes persiste por anos.

Por isso a nossa única certeza reside na obediência de Jesus Cristo como Rei perfeito. Porque ele foi fiel, nós somos perdoados; e mesmo quando fraquejamos em não guardar os mandamentos de Deus, o Espirito Santo leva-nos ao arrependimento, para que também não sejamos abandonados.

CONCLUSÃO: Há pelo menos três entendimentos sobre a obediência no evangelho:

Primeiro: “Se você obedecer, então você será abençoado”; este tipo de obediência pode produzir uma espiritualidade baseada em desempenho; porque eu obedeço sou mais amado e abençoado por Deus, e vamos nos encher de AUTOJUSTIÇAe AUTOCOMPAIXÃO.

O Segundo: "Porque Jesus obedeceu você será abençoado". Este tipo de obediência pode gerar um antinomianismo, onde eu não preciso fazer nada, simplesmente eu me aproprio pela fé na obediência perfeita de Cristo. Isto produz um cristianismo SUPERFICIALe mundano.

Terceiro: “Cristo é o nosso exemplo de obediência”; porque ele obedeceu, ele foi abençoado, e por isso quando seguimos as pisadas de obediência de nosso mestre, motivados, pelo amor, gratidão e fé, também seremos abençoados. Nossa obediência é baseada na obediência dEle, na intercessão dEle (1 João 2.1).

Jesus viveu em nosso lugar a vida perfeita, sofreu por nós a morte do perdão e ressuscitou para nós da sepultura com a vida da ressurreição.

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20).

Quaisquer que sejam as dúvidas que possamos ter a respeito de nós mesmos, não há necessidade de duvidar daquilo que Jesus fez na cruz ou prometeu no evangelho. A presença viva de seu Espírito Santo estará com todos os que nele confiam.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 15/01/2018
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2018 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
Usuários online 1 online Visitantes 201056 Visitas