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1 Reis - Colocando o reino em primeiro lugar

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Sermão 5 - Referência: 1Reis 2.12-46

 

INTRODUÇÃO

Num artigo intitulado "Um novo tipo de cristão urbano", Tim Keller argumenta que "os cristãos devem representar uma contracultura dinâmica. Não basta que os cristãos vivam simplesmente como indivíduos na cidade.

Eles devem viver como UM TIPO ESPECÍFICO DE COMUNIDADE. “Os cristãos são chamados para ser uma CIDADE ALTERNATIVA dentro de cada cidade terrena".

O tipo de comunidade que Keller tem em mente é aquela em que DINHEIRO, SEXO e PODERsão usados para a glória de Deus — não de forma EGOÍSTA, mas como SACRIFÍCIO. E é assim como ele descreve essa comunidade:

Quanto ao sexo, a CIDADE ALTERNATIVA [...] ensina seus membros a conformarem seus seres corporais a FORMA DO EVANGELHO — a ABSTINÊNCIAfora do casamento e a FIDELIDADEdentro dele.

Quanto ao dinheiro, a CONTRACULTURA CRISTA encoraja uma dedicação radicalmente generosa de tempo, dinheiro, relacionamentos e espaço de vivencia para a justiça social e as necessidades dos pobres, e dos fracos em termos econômicos e físicos.

Quanto ao poder, a comunidade cristã está visivelmente comprometida com a abnegação, à simplicidade no viver, na partilha do poder, na defesa da honra uns dos outros, e na a construção de relações de igualdade principalmente com os pobres e classes marginalizadas fora e dentro do corpo de Cristo.

A Bíblia tem um nome para essa COMUNIDADE ALTERNATIVA: chama-se o REINO DE DEUS. Em breve, veremos esse reino em toda a sua gloria, na segunda vinda de Jesus Cristo.

Enquanto isso, a luta para estabelecer esse reino é travada em cada coração humano, com CADA DECISÃO que tomamos sobre o nosso DINHEIRO, a nossa SEXUALIDADEe as coisas na vida que tentamos controlar (BUSCA PELO PODER).

A mesma batalha foi travada quando Salomão estabeleceu seu reino em Israel, e se olharmos atentamente para as ESCOLHASque as pessoas fizeram a favor ou contra o seu reinado, talvez sejamos capazes de reconhecer a nós mesmos e nossa necessidade de um Salvador.

 

1. A justa vingança divina.

Se o tema em 1Reis 1 foi a SUCESSÃO(quem seria o próximo rei?), o tema do capitulo 2 é a SEGURANÇA(o reino conseguir se manter?). Essa pergunta é respondida no versículo 12, e novamente no versículo 46.

Juntos, esses dois versículos formam um recurso literário chamado INCLUSIO: marcam o inicio e o fim de uma seção da Bíblia e nos informam sobre o tema dessa seção.

No versículo 12, lemos que "Salomão se assentou no trono de Davi, seu pai, e o seu reino foi firmemente estabelecido". O versículo 46 afirma a mesma coisa com palavras um pouco diferentes: "Assim foi estabelecido o reino na mão de Salomão".

As profecias estavam se tornando realidade. Deus havia prometido que "estabeleceria" o reino do filho de Davi (2Sm 7.12). Disse: "eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino" (2Sm 7.13).

Ao usar a mesma terminologia em 1Reis 2, a Bíblia nos mostra que Deus é fiel ao cumprir suas promessas reais para a casa de Davi.

Essas promessas se tomaram realidade não por um milagre divino e sobrenatural, mas pela rápida execução de justiça. Salomão estabeleceu seu reino eliminando todos os inimigos do reino de Deus.

Fomos apresentados a esses inimigos mesmo antes de conhecemos Salomão. 1Reis começou com uma tentativa de golpe, quando o filho mais velho de Davi, Adonias, anunciou que seria rei (1Rs 1.5).

Em vez de buscar a aprovação dos lideres que Deus havia escolhido para Israel — o rei Davi, o sacerdote Zadoque e o profeta Natal —, o aspirante a rei reuniu seu próprio grupo de apoiadores fieis. Os conspiradores de Adonias incluíam o sacerdote Abiatar e o general Joabe (1Rs 1.7-8).

Depois de assumir o trono, Salomão precisava decidir o que faria com os homens que haviam conspirado contra o seu reino. Seu pai tinha abertamente aconselhado a esmaga-los.

Em suas últimas palavras e instruções finais, Davi sugeriu a Salomão que executasse a justa vingança contra Joabe (1Rs 2.5-6), e também contra Simei, que amaldiçoara Davi com uma maldição mortal (1Rs 2.8-9).

E foi mais ou menos isso que Salomão fez. O restante de 1Reis 2 relata como ele executou Adonias (1Rs 2.13-25), baniu Abiatar (1Rs 2.26-27), executou Joabe (1Rs 2.28-35) e matou Simei (1Rs 2.36-46).

Muitos comentaristas criticam o rei por ter executado essa "lista da morte". Terence Fretheim fala de uma "politica habitual, mas com uma crueldade maior do que o normal".

Walter Brueggemann diz que Salomão é culpado de uma "eliminação inescrupulosa e sistemática de todas as ameaças". lain Provan diz que suas razões para executar esses homens eram "enganosas". Outros compararam os métodos brutais de Salomão com MAQUIAVEL OU KARL MARX, que acreditavam que cada Estado foi erguido sobre a violência.

Talvez essas criticas contenham alguma verdade e 1 Reis 2 fale principalmente sobre politica de poder. Lembre-se, porem, de que Salomão era o rei UNGIDO DO SENHOR. Ele tinha sido devidamente coroado, segundo a promessa de Deus. POR ISSO, SEU REINO PRECISAVA SER ESTABELECIDO.

Na verdade, isso era necessário para a salvação do mundo, pois Deus havia prometido que o nosso Messias viria da linhagem de Davi e Salomão. Além disso, todo o povo de Israel devia obediência total a Salomão como seu legitimo rei.

Isso não era apenas uma questão de politica, MAS UMA QUESTÃO DE SUBMISSÃO OBEDIENTE AO REINO DE DEUS. Se esses homens eram rivais de Salomão, eram, portanto, também inimigos da coroa que Deus tinha colocado na cabeça de Salomão.

Assim, Adonias e seus capangas eram CULPADOS DO PECADO DE ALTA TRAIÇÃO, que, desde sempre, tem sido considerado por Deus como uma ofensa capital. Não estamos falando de homens que simplesmente não concordavam com as politicas de Salomão, mas de homens que queriam derruba-lo de seu trono.

A maneira correta e adequada de punir esses inimigos mortais não era dando-lhes a liberdade, mas matando-os ou, no mínimo, banindo-os. A SEGURANÇA DO REINO EXIGE A ELIMINAÇÃO DE SEUS INIMIGOS.O reino deveria ser protegido daqueles que tentam destrui-lo e mina-lo.

Discordar dessa forma de justiça ignora as exigências que um rei precisa cumprir para ser rei. A medida que uma nova situação se apresentava ou as circunstancias o exigiam, Salomão precisava ter a sabedoria de seguir o conselho de Davi e estabelecer o reino de Deus, eliminando seus inimigos.

2. A loucura de Adonias: sexo e poder

Salomão precisava eliminar quatro inimigos: Adonias, Abiatar, Joabe e Simei. E IMPORTANTE OBSERVAR QUE TODOS ESSES HOMENS COLOCARAM SEU PRÓPRIO DESEJO POR DINHEIRO, SEXO OU PODER ACIMA DA OBEDIÊNCIA AO REINO DE DEUS.

Assim, as historias desses homens nos oferecem exemplos de provas na tentação.

O primeiro homem com quem Salomão teve de lidar foi Adonias, cujo DESEJO POR SEXO E PODERera maior do que seu desejo pelo reino de Deus. O anseio de Adonias pelo poder era evidente desde o inicio de Reis, quando tentou coroar-se rei.

Mas no exato momento em que estava comemorando sua coroação (1Rs 1.9-10), Adonias ouviu que Salomão havia se tornado rei em Jerusalém (1Rs 1.39ss.). Isso fez que o homem temesse por sua vida.

No entanto, Salomão deu-lhe uma segunda chance. Se Adonias provasse ser digno, sua vida seria poupada; contudo, se ficasse evidente que era mau, certamente morreria (1Rs 1.52).

A principio, Adonias honrou o novo e legitimo rei. Salomão então permitiu que ele fosse para casa em paz; no entanto, logo em seguida, ele retomou ao palácio para fazer um PEDIDO ÍMPIO BASEADO EM UM DESEJO PROFANO:

Então, veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, male de Salomão; disse ela: E de paz a tua vinda? Respondeu ele: E de paz. E acrescentou: Uma palavra tenho que dizer-te. Ela disse: Fala. Disse, pois, ele: Bem sabes que o reino era meu, e todo o Israel esperava que eu reinasse, ainda que o reino se transferiu e veio a ser de meu Irmão, porque do SENHOR ele o recebeu. Agora, um só pedido to faço; não mo rejeites. Ela lhe disse: Fala. Ele disse: Peco-te que fales ao rei Salomão (pois não to recusara) que me de por mulher a Abisague, sunamita (1Rs 2.13-17).

Isso pode parecer um pedido insignificante. Adonias estava disposto a abrir mão de todo um reino e ate mesmo reconhecer que o reinado de Salomão era a vontade de Deus. Tudo que queria era a mão de Abisague.

Mas observe a POSTURA DE PRETENSÃO de Adonias. Estava irritado porque a vida não havia cumprido suas EXPECTATIVAS. "Este reino era meu", disse, "e você sabe disso". Mesmo reconhecendo o reinado de Salomão como obra de Deus, percebemos o RESSENTIMENTOque isso causou nele.

Adonias queria que as pessoas tivessem pena dele e lhe dessem um premio de consolação,isto é o mal da AUTOPROMOÇÃO.  Salomão já havia demonstrado sua misericórdia poupando sua vida.

Mas Adonias não se SATISFEZcom a misericórdia. Todo seu pedido se baseava na convicção de que ele MERECIA MAIS do que isso. Havia perdido o reino — tudo bem, isso acontece — mas o que ele ganharia então?

Esperava e exigia algum tipo de COMPENSAÇÃO. E muito fácil assumirmos a mesma atitude quando as decepções da vida barram o caminho para os nossos próprios reinos!

Sofremos um revés financeiro, uma dificuldade relacionada a saúde ou algum relacionamento fracassado, e, em vez de acreditarmos que a misericórdia de Jesus é suficiente para nós e confiarmos que o nosso Rei sabe o que esta fazendo, EXIGIMOS ALGUMA COISA PARA COMPENSAR A NOSSA PERDA.

"Eu mereço isso", dizemos, e então nos apoderamos de alguma coisa que Deus não quer que tenhamos — algum prazer pecaminoso, talvez, ou algum novo produto maravilhoso.

Em vez de desistir daquilo que queremos, para que possamos ter o que Deus quer nos dar, encontramos uma maneira de conseguir aquilo que queremos para nos mesmos.

O que Adonias queria era ficar com Abisague, a bela jovem que acompanhara Davi quando este estava em seu leito de morte.

Sem duvida, seu desejo era em parte sexual. Afinal, Abisague era a mulher mais bonita de todo o pais, a miss Israel (1Rs 1.3), e quando Adonias a viu, ele a quis para si. MAS ELE TAMBÉM QUERIA O PODER QUE ELA REPRESENTAVA.

Abisague foi a última concubina de Davi, e naqueles dias ter relações sexuais com as mulheres do rei era uma FORMA DE REIVINDICAR O TRONO. Por exemplo, quando Abalão tentou tomar o reino de seu pai Davi, subiu ao telhado do palácio para dormir com as concubinas do rei (2Sm 16.21-22).

Então, Adonias não tinha abandonado suas ambições reais. Possuir o harém equivalia a governar o reino. Ele não queria apenas Abisague, queria o reino inteiro.

Tomamo-nos culpados do mesmo pecado sempre que decidimos que existe uma coisa da qual não desistiríamos pelo reino de Deus. Muitas pessoas se recusam a desistir da mesma coisa que Adonias exigiu: uma relação sexual, ou talvez um pecado sexual particular, uma conduta maledicente, ou oposição à uma liderança.

Entenda que quando insistimos em obter a nossa própria satisfação — e não importa como alcançamos nosso objetivo — estamos dizendo "não" ao reino de Deus.

Estamos dizendo que a misericórdia de Jesus não é suficiente para não, continuamos querendo ser o rei (ou a rainha). Qual é a coisa que está impedindo você de dar tudo para o reino de Deus?

Adonias queria Abisague, e ele achava que sabia como poderia obte-la: pediria a Bate-Seba para servir como intermediaria. Afinal, como Salomão poderia negar um pedido a sua própria mãe? "Bem", ela disse, "eu falarei por ti ao rei" (1Rs 2.18). E assim como tinha procurado o rei Davi a pedido de Natã (1Rs 1.11-15), a rainha-mãe falaria com seu filho a pedido de Adonias.

 

A rainha Bate-Seba foi enganada, pela astucia de Adonias. Ela quis mostrar boa disposição para com Adonias, achou que não era nada demais, tal pedido, e acabou sendo vitima de uma trama maligna.

Ela devia ter consultado o profeta Natã, mas achou desnecessário, por se passar de algo aparentemente sem problema, e então "foi, pois, Bate-Seba ter com o rei Salomão, para falar-lhe por Adonias”.

O rei se levantou a encontrar-se com ela e se inclinou diante dela; então, se assentou no seu trono e mandou por uma cadeira para sua mãe, e ela se assentou a sua mão direita (1Rs 2.19). Seguindo cuidadosamente o protocolo real, Salomão tratou a rainha-mãe com honra e respeito. Então Bate-Seba passou a fazer o seu pedido:

Só um pequeno pedido te faço; não o rejeites. E o rei lhe disse: Pede, minha mãe, porque to não recusarei. De-se Abisague, a sunamita, a Adonias, teu irmão, por mulher. (1Rs 2.20-21)

Então, respondeu o rei Salomão e disse a sua mãe: Por que pedes Abisague, a sunamita, para Adonias? Pede também para ele o reino (porque é meu irmão maior), para ele, digo, e também para Abiatar, o sacerdote, e para Joabe, filho de Zeruia. E jurou o rei Salomão pelo SENIOR, dizendo: Deus me faca o que lhe aprouver, se não falou Adonias esta palavra contra a sua vida. Agora, pois, tão certo como vive o SENIOR, que me estabeleceu e me fez assentar no trono de Davi, meu pai, e me edificou casa, como tinha dito, hoje, morrera Adonias. Enviou o rei Salomão a Benaia, filho de Joiada, o qual arremeteu contra ele, de sorte que morreu (1Rs 2.22-25).

Algumas pessoas acusam Salomão de ter reagido de forma exagerada. Afinal de contas, Adonias não havia pedido todo o reino, pedira apenas Abisague. MAS SALOMÃO ENTENDEU CORRETAMENTE QUE O PEDIDO TOLO DE SEU IRMÃO MAIS VELHO ERA, NA VERDADE, UMA JOGADA PELO PODER.

Ele também sabia que Adonias tinha ALIADOS INFLUENTES (Joabe e Abiatar), que apoiariam suas pretensões ao trono. Então Salomão fez um juramento solene para executar Adonias por alta traição.

Alguns estudiosos escrupulosos chamaram essa sentença de morte de "decreto egoísta e hipócrita". Mas, ao fazer esse juramento, O REI RECONHECE CORRETAMENTE QUE O SEU REINO É REALMENTE O REINO DE DEUS, e que, portanto, precisa ser defendido contra todos os seus inimigos mortais.

Assim, Adonias teve um fim ruim. Seu pedido pecaminoso provou que ele não era um homem digno. Ele sabia quem era o rei legitimo, mas se recusou a submeter-se a liderança deste.

Ele colocou seu próprio desejo por poder e prazer acima do reino de Deus. Ele não desistiria daquilo que queria para a glória de Deus, e assim morreu em seus pecados.

3. A loucura de Abiatar: soberba e status.  

O próximo com quem Salomão teve de lidar é Abiatar, um sacerdote muito usado por Deus no tempo do Rei Davi. Mas que nunca deixou tratar a soberba do seu coração, porque amava status, e posição. Ele que colocou a busca de AUTOPROMOÇÃO, acima do reino de Deus.

E a Abiatar, o sacerdote, disse o rei: Vai para Anatote, para teus campos, porque és homem digno de morte; porém não te matarei hoje, porquanto levaste a arca do SENHOR Deus diante de Davi, meu pai, e porque te afligiste com todas as aflições de meu pai. Expulsou, pois, Salomão a Abiatar, para que não mais fosse sacerdote do SENHOR, cumprindo, assim, a palavra que o SENHOR dissera sobre a casa de Eli, em Siló (1Rs 2.26-27).

Abiatar tinha apoiado Adonias em sua tentativa fracassada de tomar a coroa de Davi. Assim, também era um opositor do reino de Deus, um inimigo do ungido do Senhor que merecia ser condenado pelo crime de alta traição.

Abiatar amava o poder, a BUSCA POR POSIÇÃO, o levou a trair seu amigo Davi. Ele viu em Adonias a possibilidade de ser o Pastor presidente da igreja da antiga aliança; ele seria o sacerdote chefe da tribo de levi.

No entanto, Salomão não ordenou que Abiatar fosse morto. Pelo fato de ser um "homem de batina" e por ter oferecido o ministério sagrado ao rei Davi, mesmo em tempos de sofrimento e exílio, Salomão poupou sua vida.

O sacerdote foi banido, e não executado. Salomão o afastou do cargo e o enviou de volta para sua casa nos arredores de Jerusalém. A Bíblia diz ainda que essa punição ocorreu em cumprimento do JULGAMENTO QUE DEUS HAVIA PRONUNCIADO CONTRA A CASA DE ELI(1 Sm 2.27-36), à qual Abiatar pertencia (cf. 1Sm 14.2-3 e 22.20).

Aparentemente, esse banimento teve um efeito corretivo, parece que ele se arrependeu completamente, pois mais tarde Abiatar foi restaurado ao seu sacerdócio (1Rs 4.4), mas nunca mais assumiu uma função importante, pois Deus deu seu lugar para Zadoque.

Este é o preço do pecado da soberba, mesmo que haja arrependimento, perdemos muitos privilégios no reino de Deus.

4. A loucura de Joabe: poder e violência

As coisas correram muito pior para Joabe, o velho guerreiro perigoso que Davi tinha acusado de assassinato (1Rs 2.5-6).

Como anteriormente vimos, a fim de avançar sua própria agenda e em oposição direta a Davi, Joabe cruelmente matou dois homens a sangue-frio: Abner e Amasa (2Sm 3.1-30 e 20.1-23).

Joabe estava entre os homens que tinham se oposto à coroação de Salomão, e quando ouviu o que aconteceu com Adonias e Abiatar, soube que era um homem morto: "Chegando esta notícia a Joabe (porque Joabe se tinha desviado seguindo a Adonias, ainda que se não desviara seguindo a Absalão), fugiu ele para o tabernáculo do SENHOR e pegou nas pontas do altar" (1Rs 2.28).

Joabe já havia recebido más notícias. Ele esteve presente na festa de Adonias quando um mensageiro anunciou que Salomão havia sido coroado (1Rs 1.41-48). As vezes, o simples fatos de estarmos numa “festa”, pode revelar a oposição do nosso coração.

Agora as más notícias não paravam de chegar: Salomão estava estabelecendo o seu reino, eliminando seus inimigos. Joabe fez o mesmo que Adonias tinha feito e correu para o altar do lado de fora do tabernáculo.

O altar era o último e único santuário para um assassino (Êx 21.12-14). Lá ele estaria a salvo, ou assim acreditava. Logo o palácio real foi informado sobre o que Joabe havia feito, e Salomão tomou uma decisão rápida: "Foi dito ao rei Salomão que Joabe havia fugido para o tabernáculo do SENHOR; e eis que está junto ao altar. Enviou, pois, Salomão a Benaia, filho de Joiada, dizendo: Vai, arremete contra ele" (1Rs 2.29).

O  homem que viveu pela espada morreria pela espada: "Foi Benaia ao tabernáculo do SENHOR e disse a Joabe: Assim diz o rei: Sai daí. Ele respondeu: Não, morrerei aqui" (1Rs 2.30).

A recusa de Joabe criou um sério dilema para Benaia que não queria realizar uma execução no santo tabernáculo. Assim, "Benaia tornou com a resposta ao rei, dizendo: Assim falou Joabe e assim me respondeu" (1Rs 2.30). Então o rei repetiu suas ordens e deixou claro por que Joabe merecia morrer:

Disse-lhe o rei: Faze como ele te disse; arremete contra ele e sepulta-o, para que tires de mim e da casa de meu pai a culpa do sangue que Joabe sem causa derramou.

Assim, o SENHOR fará recair a culpa de sangue de Joabe sobre a sua cabeça, porque arremeteu contra dois homens mais justos e melhores do que ele e os matou à espada, sem que Davi, meu pai, o soubesse; isto é: a Abner, filho de Ner, comandante do exército de Israel, e a Amasa, filho de Jéter, comandante do exército de Judá. Assim, recairá o sangue destes sobre a cabeça de Joabe e sobre a cabeça da sua descendência para sempre; mas a Davi, e à sua descendência, e à sua casa, e ao seu trono, dará o SENHOR paz para todo o sempre (1Rs 2.31-33).

Deus abomina a violência injusta, e Joabe era um homem violento. Ele era culpado de derramar sangue inocente, e sua culpa de sangue por este pecado ainda não havia sido paga. Em Gênesis lemos: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu" (Gn 9.6).

Se Salomão não tivesse aplicado a justiça disciplina a Joabe, dando-lhe o castigo que seus pecados mereciam, então ELE MESMO TERIA SE TORNADO CULPADO, pois sua responsabilidade como rei exigia que garantisse que a justiça fosse feita.

Só então poderia ser estabelecido o seu reino em paz, como Deus havia prometido: "mas a Davi, e à sua descendência, e à sua casa, e ao seu trono, dará o SENHOR paz para todo o sempre" (1Rs 2.33).

Dessa vez Benaia fez o que Salomão ordenara e executou Joabe: "Subiu Benaia, filho de Joiada, arremeteu contra ele e o matou; e foi sepultado em sua casa, no deserto.

Em lugar de Joabe constituiu o rei por comandante do exército a Benaia, filho de Joiada, e, em lugar de Abiatar, a Zadoque por sacerdote" (1Rs 2.34-35).

A Bíblia dá a entender que Benaia matou Joabe dentro do tabernáculo. No entanto, ele pode ter feito o que a lei de Moisés exigia nessa situação: que arrastasse o criminoso para longe do altar e o matasse do lado de fora do tabernáculo (Êx 21.14).

O altar de Deus nunca teve a intenção de proteger uma pessoa culpada de violência assassina. NÃO DUVIDE QUE O JULGAMENTO RECAIRÁ SOBRE TODOS OS INIMIGOS DO REINO DE DEUS QUE NÃO SE ARREPENDEREM.

A única maneira de estar em segurança é submeter-se à Senhorio de Jesus Cristo. A Bíblia diz que não há lugar no reino de Deus para "aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos", pois eles serão lançados no "lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte" (Ap 21.8).

O próprio Jesus disse que "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os ESCÂNDALOSe os que PRATICAM A INIQUIDADE e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos [PARA OUVIR], ouça" (Mt 13.41-43).

Jesus gosta de demonstrar sua misericórdia para com toda pessoa que se arrepende verdadeiramente, mas, assim como Salomão, ele executará o julgamento justo contra todos que insistem em permanecer seu inimigo. No fim, Joabe recebeu o que merecia.

A morte infeliz de Joabe nos lembra de que nunca devemos desculpar nosso próprio amor pela violência. A maledicência, o ressentimento, agressão moral ou verbal ao cônjuge, atacar alguém com raiva, usar palavras de ódio e ameaça, até mesmo ter pensamentos assassinos — tudo isso significa pecar contra a paz e contra a santidade de Deus.

Se não nos arrependermos de nossos CORAÇÕES VIOLENTOS, mas insistirmos em abusar do poder para conseguir o que queremos de outras pessoas, não haverá lugar para nós no reino de Deus.

hà igreja não nos salvará, tampouco como ir ao tabernáculo não salvou a vida de Joabe. A única coisa que pode nos salvar é uma oferta de sangue que expie as nossas almas culpadas.

Louvado seja Deus, pois essa foi exatamente a oferta que Jesus fez quando foi crucificado: a expiação de sangue para todos os nossos pecados.

Não basta simplesmente precisar desesperadamente de misericórdia como Joabe; precisamos ir até Deus com uma postura de verdadeiro arrependimento e genuína fé em Jesus Cristo.

Se nos agarrarmos à sua cruz, seremos totalmente perdoados. Como disse Charles Spurgeon, contrastando o fim infeliz de Joabe com a misericórdia que Deus tem para nós em Cristo:

"O Senhor designou um altar na pessoa de seu amado Filho, Jesus Cristo, onde haverá refúgio até para o mais vil dos pecadores, basta que venham e se segurem nele"."

5. A loucura de Simei: o amor ao dinheiro

O último a sofrer a ira de Salomão foi Simei, condenado por colocar o DINHEIROacima do reino de Deus. Já ouvimos parte de sua história. Simei foi o homem que atirou pedras contra o rei Davi, amaldiçoando-o e acusando-o injustamente de assassinato (2Sm 16.5-13).

Davi tinha jurado que não mataria Simei, mas Salomão não estava sujeito ao juramento de seu pai. Assim, em suas últimas palavras, Davi aconselhou Salomão que não deixasse Simei viver, mas que o entregasse a uma morte prematura (1Rs 2.8-9).

No entanto, Salomão decidiu condenar Simei à prisão domiciliar: "Depois, mandou o rei chamar a Simei e lhe disse: Edifica-te uma casa em Jerusalém, e habita aí, e daí não saias, nem para uma parte nem para outra. Porque há de ser que, no dia em que saíres e passares o ribeiro de Cedrom, fica sabendo que serás morto; o teu sangue cairá, então, sobre a tua cabeça" (1Rs 2.36-37).

Isso manteria Simei em Jerusalém, onde Salomão poderia ficar de olho nele, e onde Simei ficaria afastado de sua base de poder na tribo de Benjamim. Simei concordou com os termos graciosos de Salomão, assumindo uma postura de servo fiel ao rei: "Simei disse ao rei: Boa é essa palavra; como disse o rei, meu senhor, assim fará o teu servo. E Simei habitou em Jerusalém muitos dias" (1Rs 2.38).

Tendo dado a sua palavra, tudo o que tinha a fazer era ficar em Jerusalém. Mas Simei não ficou parado, e, por fim, violou os termos de sua condicional: "Ao cabo de três anos, porém, dois escravos de Simei fugiram para Aquis, filho de Maaca, rei de Gate; e deram parte a Simei, dizendo: Eis que teus servos estão em Gate. Então, Simei se dispôs, albardou o seu jumento e foi a Gate ter com Aquis em busca dos seus escravos; e trouxe de Gate os seus escravos" (1Rs 2.39-40).

Ao perseguir seus escravos fugitivos até a Filístia, Simei violou as condições de sua prisão domiciliar. Também quebrou sua promessa ao rei. Sabia que o que estava fazendo era errado, mas decidiu fazê-lo mesmo assim, porque queria ter sua propriedade de volta. E Salomão foi informado sobre o que Simei havia feito:

Foi Salomão avisado de que Simei; saiu de Jerusalém e foi a Gate e já havia voltado. Então, mandou o rei chamar a Simei e lhe disse: Não te fiz eu jurar pelo SENHOR e não te protestei, dizendo: No dia em que saíres para uma ou outra parte, fica sabendo que serás morto? E tu me disseste: Boa é essa palavra que ouvi. Por que, pois, não guardaste o juramento do SENHOR, nem a ordem que te dei? (1Rs 2.41-43).

 Simei não tinha nenhuma resposta boa a dar, não havia nada que pudesse dizer em sua própria defesa. Tolamente, ele havia ignorado a ordem direta do seu rei soberano, a quem tinha prometido obedecer com um juramento solene feito na presença de Deus.

Então, Salomão pronunciou a sentença de Simei: "Bem sabes toda a maldade que o teu coração reconhece que fizeste a Davi, meu pai; pelo que o SENHOR te fez recair sobre a cabeça a tua maldade. Mas o rei Salomão será abençoado, e o trono de Davi, mantido perante o SENHOR, para sempre" (1Rs 2.44-45).

Salomão recitou os crimes de Simei, tanto do passado quanto do presente. Em seguida, a sentença foi executada rapidamente, pois "O rei deu ordem a Benaia, filho de Joiada, o qual saiu e arremeteu contra ele, de sorte que morreu" (1Rs 2.46).

Assim, Simei foi destruído, e o reino de Salomão foi estabelecido. Mas será que realmente foi feita a justiça? Obviamente, Simei agiu tolamente ao deixar a cidade de Jerusalém; mas era um ato pecaminoso o suficiente para ele ser punido com a morte?

Para responder a essa pergunta, é importante lembrarmos mais uma vez que Salomão era o rei ungido do Senhor e que seu domínio era o reino de Deus. A RAIZ DO CRIME DE SIMEI CONSISTIA EM SUA RECUSA DE COLOCAR ESSE REINO EM PRIMEIRO LUGAR.

Sua própria PROSPERIDADE FINANCEIRA era mais importante para ele do que a obediência ao reino de Deus. Ele era como o jovem rico que Jesus ordenara a vender tudo o que tinha e a dar o dinheiro aos pobres (Mt 19.16-22).

Aquele homem, infelizmente, recusou-se porque AMAVA O DINHEIRO mais do que amava o reino de Deus. Simei fez o mesmo cálculo ímpio. Ele queria ficar com todos os seus bens para si mesmo. Não suportou a ideia de abrir mão de qualquer bem, mesmo quando isso significava desobedecer o rei e quebrar sua promessa a Deus.

6. O reino de Cristo

Cada um dos homens executados por Salomão tinha uma coisa da qual não desistiria para o reino de Deus. Adonias queria Abisague. Joabe queria sua vingança. Simei não queria perder seus servos, Abiatar queria posição e status.

Todos nós enfrentamos tentações semelhantes.

ALGUNS DE NÓS SOMOS COMO SIMEI: a nossa tentação é o que podemos COMPRAR COM DINHEIRO.

Assim, não estamos dispostos a desistir de um negócio lucrativo que não é totalmente honesto. Ou construímos nossas carreiras à custa de nossas famílias. OU ENGANAMOS DEUS NÃO DANDO A ELE OS NOSSOS DÍZIMOS E OFERTAS.

OUTRAS PESSOAS SÃO COMO ADONIAS— colocam o poder e a gratificação sexual acima do seu compromisso com o reino de DEUS.

OUTROS SÃO COMO JOABE.  Não aceitando concorrência, cheios de ressentimentos, e tornam-se culpadas de violência raivosa.

A pergunta para cada um de nós é: qual é a coisa que está me impedindo de dar tudo para o reino de Deus? Com Deus — e com qualquer rei que se preze de seu ofício —, é tudo ou nada. A característica de um rei é exigir FIDELIDADE TOTAL.

Se seguimos a Deus somente quando ele nos dá o que queremos, então não o tratamos como um rei, mas como um servo.

Para que Deus venha em primeiro lugar, ele precisa vir em PRIMEIRO LUGAR EM TUDO, inclusive naquela coisa da qual realmente não queremos desistir em prol do seu reino.

O problema, evidentemente, é que muitas vezes colocamos o que queremos acima daquilo que Deus quer. Construímos nossos próprios reinos, em vez de buscar primeiro o reino de Deus, como Jesus disse (Mt 6.33).

Isso se manifesta toda vez que cedemos a um prazer pecaminoso, ou falamos uma palavra com raiva, ou fazemos uma compra egoísta.

E é por isso que precisamos da misericórdia e do perdão que Deus nos oferece em Jesus, o Rei que estabeleceu para sempre o reino de Deus pelo derramamento do seu sangue na cruz e pela sua ressurreição.

Assim como Salomão, Jesus também estabeleceu o seu trono eliminando todos os seus inimigos, só que, em seu caso, os inimigos eram os inimigos mais fortes de todos: o pecado, a morte e o diabo.

Jesus derrotou esses inimigos sofrendo o castigo mortal que nós merecemos pelos nossos pecados — o mesmo castigo, de fato, que os inimigos de Salomão mereciam —, para que não morrêssemos, mas tivéssemos a vida.

CONCLUSÃO: Para realizar sua obra salvífica, Jesus teve de colocar o reino em primeiro lugar, e foi o que fez. Ele não veio para fazer a sua própria vontade, mas a vontade de seu Pai no céu (Jo 6.38). Isto incluiu renunciar a todas as tentações relacionadas a dinheiro, sexo e violência.

Jesus poderia ter reivindicado a riqueza das nações, mas preferiu viver na pobreza, provando que o dinheiro não era o seu mestre.

Jesus tampouco cedeu à tentação sexual de satisfazer pecaminosamente o seu desejo sexual, antes viveu em perfeita pureza e castidade.

Ele não buscou o poder através da violência injusta, mas pacientemente sofreu o abuso de homens pecadores, até mesmo ao ponto da morte.

Jesus colocou o reino em primeiro lugar, não permitindo que nem sequer uma coisa simples o impedisse de dar a sua vida pela nossa salvação e de fazer a obra do reino de Deus.

Agora Jesus nos chama para que nos juntemos a ele em colocar o reino em primeiro lugar: primeiro em nossas mentes e corações, primeiro com os nossos corpos e primeiro com nossas contas bancárias.

Somente quando compartilhamos nossa riqueza para o trabalho do reino, protegemos a pureza de nossa sexualidade e desistimos de qualquer pretensão de governar o nosso próprio destino, é que somos capazes de parar de usar dinheiro, sexo e poder para nós mesmos e usar tudo isso para a glória de Deus e para o reino de Jesus Cristo. 

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII 

De: 14/01/2018
Por: Jairo Carvalho

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