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1 Reis - Casa e jardins melhores

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência:  1 Reis 7.1-12

INTRODUÇÃO: Consiga a casa certa, e você terá uma vida maravilhosa. Essa é a premissa do premiado reality show da televisão norte-americana; Extreme Makeover: Home Edition.

A cada semana, uma família carente com uma história triste é escolhida para receber sua casa dos sonhos, construída em apenas uma semana por uma equipe de designeis e construtores especializados.

O programa oferece tudo o que as pessoas esperam de um reality show: um anfitrião vibrante, um drama de alta tensão de pais sofridos e crianças com necessidades especiais, ação acelerada quando a equipe tenta terminar a obra dentro do prazo e grande emoção quando a família vê a sua nova casa pela primeira vez.

O show também teve grande sucesso por outra razão: ele alimenta o sonho áureo de todo ser humano de possuir uma bela casa.

"Olha isso!", as pessoas dizem quando veem os utensílios de cozinha novinhos em folha, ou a hidromassagem na suíte dos pais, ou a pista de corrida de carros no quarto dos meninos — "Você não gostaria de viver em uma casa como essa?".

Todo mundo quer uma casa bonita. E mesmo que não cheguemos a viver na casa dos nossos sonhos, podemos, mesmo assim, emocionar-nos participando da vida dos outros.

Sabemos que isso é uma área de grande perigo espiritual, porque a Bíblia nos ordena explicitamente a não cobiçar a casa do nosso vizinho (Êx 20.17). Deus nos diz isso porque ele sabe como somos propensos a invejar a casa das outras pessoas.

Para os seguidores de Jesus, então, esta é uma área de AUTOEXAMEimportante: estou vivendo onde vivo para a glória de Deus?

Estou satisfeito com o espaço de vida que Deus providenciou para mim? Já submeti o meu desejo de uma casa e um jardim melhor ao reinado de Jesus Cristo?

1. Lar, doce lar.

O primeiro livro de Reis nos oferece uma perspectiva bíblica sobre essas questões falando-nos sobre a casa, não apenas sobre a casa que Salomão construiu para Deus, mas também sobre a própria casa de Salomão.

Há duas casas nessa história: uma para Deus e outra para o rei Salomão. A história de como o rei construiu sua casa se esconde na história maior de como ele construiu o templo em Jerusalém.

Alguns estudiosos veem essa inserção como uma digressão; no entanto, ela me parece ser apresentada num ponto de virada natural do texto bíblico.

O capítulo 5 contou como Salomão se preparou para construir o templo; o capítulo 6, como ele realmente o construiu, por dentro e por fora.

O restante do capítulo 7 nos conta como Salomão mobiliou o templo — o que ele colocou dentro dele. Mas os primeiros 12 versículos descrevem sucintamente os outros edifícios construídos pelo rei.

(a) Um lugar para chamar de lar.

Aparentemente, o complexo real abarcava cinco prédios principais, embora algumas das salas que a Bíblia menciona possam ter sido parte de estruturas maiores. Três dos edifícios tinham títulos oficiais:

O Palácio da Floresta do Líbano(1Rs 7.2-5), a Sala das Colunas (1Rs 7.6) e a Sala do Trono, ou Sala de Julgamento (1Rs 7.7). Havia ainda a própria residência de Salomão, bem como a casa construída para sua esposa egípcia (1Rs 7.8).

Como devemos avaliar esses edifícios? Qual é o seu significado espiritual — caso exista algum — para o povo de Deus de hoje? É possível visualizar esses projetos de construção em uma luz positiva.

Como toda pessoa, Salomão precisava de um lugar para chamar de lar, e uma vez que era o rei, precisava viver em um palácio.

Por sua própria definição, o lugar onde um rei vive é um palácio. Isso faz parte da dignidade real que lhe pertence por direito divino. Ele não é uma pessoa privada, detém um cargo público.

Há um sentido, portanto, em que sua casa pertence a toda a nação. O palácio não era simplesmente para Salomão, mas também para o reino de Deus.

(b) Ao lado da casa de Deus.

Salomão agiu corretamente também ao construir seu palácio ao lado da casa de Deus.O rei decidiu erguer sua casa ao lado do templo, aproximando assim sua realeza da presença do Senhor.

 A casa de Salomão até se parecia com a casa de Deus em alguns aspectos. As vezes a imitação é a forma mais sincera de admiração.

Esse certamente foi o caso aqui, pois em termos de materiais e arquitetura, o palácio de Salomão imitava várias características do templo: também foi construído de pedra e cedro e, em certos aspectos, tinha uma estrutura similar, como uma varanda em frente ao salão central.

O puritano Matthew Henry observa, portanto, que o átrio da casa de Salomão "era como o do templo; ele gostou tanto do exemplo dos átrios de Deus que os copiou para o seu próprio".

A estreita associação entre as duas casas mostrava que o rei estava sob o domínio de Deus, que ele era o filho real de Deus (dado, é claro, que o rei tivesse o cuidado de não inverter as prioridades e de não ver o templo como sua própria capela real).

(c) A sala da Justiça.

Além disso, Salomão usou vários desses edifícios para fins oficiais, assim como os grandes edifícios do governo são usados em Brasília.

Isso certamente valia para a "Sala do Trono, onde julgava, a saber, a SALA DO JULGAMENTO, coberta de cedro desde o soalho até ao teto" (1Rs 7.7).

A Bíblia não fornece as dimensões desse edifício, por isso é difícil ter certeza, mas essa sala ou estava anexada ao Palácio da Floresta do Líbano ou então era um prédio isolado.

De qualquer maneira, foi utilizado para pronunciar as sentenças, como Salomão havia feito no famoso caso das prostitutas e seus dois bebês (1Rs 3.16-28). Com efeito, a Sala do Trono era o edifício da SUPREMA CORTEde Israel.

Dar justiça ao povo era uma das principais responsabilidades do rei. A julgar por sua oração no salmo 72, Salomão levou esse trabalho a sério e orou:

"Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos". "Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com equidade" (51 72.1-2).

Essas orações eram respondidas na Sala do Trono, onde Salomão ministrava sua justiça. Talvez pudéssemos até dizer que essa sala era um sinal ou símbolo do Juízo Final. Salomão construiu um templo que representa a presença de Deus e abriu o caminho para a vida eterna.

Ele também construiu uma sala de justiça, que significa a justiça de Deus e profetizou o Juízo Final. De acordo com Salomão, "O rei sábio peneira os perversos e faz passar sobre eles a roda" (Pv 20.26), que é uma forma poética de dizer que ele punirá seus inimigos.

Por isso, no Último Julgamento, quando Jesus Cristo se assentar em seu trono de justiça e sabedoria, ele declarará o destino eterno de cada pessoa que já viveu, ele vai separar a palha do trigo. A Sala do Trono nos lembra de que um dia tudo será julgado.

Mas Jesus pode nos salvar. Se formos sábios, vamos resolver nosso caso muito antes do Dia do Juízo, reivindicando desde já a cruz como a nossa única defesa. Se acreditarmos na crucificação de Jesus Cristo pelos nossos pecados, não seremos condenados, mas teremos a vida eterna.

2. O perigo da distração.

Parte da glória de Salomão era o esplendor de seu palácio real. Já que Salomão era o rei, deveria viver em uma casa muito bonita. Também foi uma bênção de Deus, que lhe havia prometido riquezas incomparáveis (1Rs 3.13).

Ainda assim, existem alguns perigos espirituais que normalmente acompanham uma vida em palácios. Devemos observar duas tentações que Salomão enfrentou, porque são tentações também para nós: DISTRAÇÃO eEXTRAVAGÂNCIA.

(a) A distração do tempo.

O perigo da distração se evidencia na quantidade de tempo que Salomão precisou para terminar a construção: "Edificou Salomão os seus palácios, levando treze anos para os concluir" (1Rs 7.1).

Em outras palavras, Salomão levou quase o dobro do tempo para construir a sua própria casa (13 anos), pois levara apenas ( 7 anos) para construir a casa de Deus.

Evidentemente, Salomão executara esses projetos na ordem certa, fazendo do templo sua primeira e maior prioridade. Talvez tenha levado muito mais tempo para construir a sua própria casa por ter representado uma prioridade menor para ele, e, portanto, não teve pressa para concluí-la.

Mas parece ser mais provável que Salomão demorou mais porque sua casa era muito maiore mais cara.

A Bíblia chama a atenção para esse contraste na transição entre o capítulo 6:38, que termina dizendo quanto tempo o rei Salomão levou para a construção do templo, e o capítulo 7:1, que começa por dizer quanto tempo ele levou para construir seu palácio.

No original hebraico, 1Reis 7.1 começa com a palavra "mas" ou "agora", indicando assim algum tipo de contraste.

Uma tradução mais literal seria: "Ele completou o templo [...] e levou sete anos para construí-lo. Mas para construir a sua própria casa, Salomão gastou treze anos".

Ao fazer esse contraste, a Bíblia pode muito bem estar expressando uma preocupação com as prioridades de Salomão.

Se formos sábios, teremos a mesma preocupação com as nossas próprias prioridades. A adoração a Deus e a edificação do seu templo espiritual por meio da igreja deveriam ser nossos principais objetivos na vida.

Fomos feitos para glorificar a Deus. Nós o glorificamos mais diretamente quando nos reunimos como o seu povo e cantamos ao seu louvor.

Também somos chamados a convidar outras pessoas para se juntarem a nós e darem glória a Deus no seu santo templo.

É por isso que demonstramos o amor de Cristo aos nossos vizinhos e compartilhamos as boas-novas do evangelho em todo o mundo. Fazemos isso para que as outras pessoas se tornem parte do templo espiritual de Deus em Jesus Cristo. Mas há uma perigo que pode impedir que isso aconteça.

(b) A distração da situação de vida.

No entanto, as preocupações da vida nos distraem facilmente das prioridades mais altas do reino de Deus. Uma das maiores distrações, especialmente para os que prosperaram, é a nossa SITUAÇÃO DE VIDA.

Pense em todos os cuidados que tomamos para encontrar o lugar certo para viver, depois para adquiri-lo e decidir como decorá-lo.

Pense no esforço necessário para se deslocar de um lugar para outro, levando conosco todos os nossos bens. E que são muitos. A maioria de nós leva mais coisas para as férias do que muitas pessoas no mundo possuem.

Pense, também, em todo o tempo que leva para consertar as coisas ao redor da casa, sem falar nas reformas de grande porte. Depois, há tantas coisas que fazemos para garantir o funcionamento da casa — toda a limpeza, compras e medidas de segurança.

Não há nada de errado em possuir uma casa boa, assim como também não foi errado que o rei Salomão vivesse em um palácio, mas precisamos estar alertas ao perigo da distração.

Louvado seja Deus: pela presença do Espírito Santo, nossas casas podem ser lugares de adoração e ser usadas para o trabalho do reino. No entanto, quanto mais possuímos, mais trabalho temos.

Em vez de nos aproximar de Deus e de ajudar a propagar o seu reino, nossas casas ameaçam absorver o TEMPOe a ATENÇÃOque deveria ser investida na adoração e no serviço a ele.

A menos que optemos por uma “VIDA SIMPLES”, que é algo difícil de acontecer, pois enquanto estivermos vivendo no "Reino das Coisas", enfrentaremos o perigo constante da distração.

Muitas pessoas pensam que, se conseguissem encontrar a casa certa, teriam uma vida maravilhosa. Mas as distrações que vêm com casas e jardins melhores nem sempre fazem bem à alma.

Fazemos parte de uma sociedade Ocidental moderna e somos mais bem alimentados, temos casas melhores, temos acesso a um sistema de saúde melhor do que os povos de qualquer era anterior da História humana.

Mas, paradoxalmente, somos uma geração mais superficial, mais fútil, mais medrosa, mais dividida, mais supersticiosa e a geração mais ENTEDIADAna História humana.

Todos os dispositivos de economia de trabalho da tecnologia moderna só têm aumentado o ESTRESSEhumano, e a vida moderna é caracterizada por uma MOVIMENTAÇÃO INQUIETA DE UM LUGAR PARA OUTRO, DE UMA EXPERIÊNCIA PARA A PRÓXIMA, num turbilhão frenético de atividade sem qualquer propósito.

Seria melhor para nós se priorizássemos menos uma situação de VIDA CONFORTÁVEL e, mais, o reino de Deus. BENDITOS SÃO AQUELES QUE OPTARAM POR UMA VIDA SIMPLES.

(c) A casa é menos importante.

O Primeiro Livro dos Reis defende essa perspectiva na maneira como narra a história de Salomão. A maior ênfase dos capítulos 5 a 8 está na casa que Salomão construiu para Deus. A Bíblia nos fornece os detalhes da estrutura e equipamento do templo, além de um longo relato de sua consagração.

O palácio de Salomão levou mais tempo para ser construído, mas recebeu muito menos atenção — apenas 12 versos para cinco edifícios. A despeito de todo o seu esplendor, o palácio de Salomão é descrito em poucas palavras.

Do ponto de vista do Espírito Santo, isso é tudo o que esse palácio merece, pois a casa de Salomão não era tão importante quanto a casa que ele construiu para Deus. Dando menos ênfase ao palácio de Salomão, a Bíblia mantém a prioridade devida.

Quais são as suas prioridades? O lugar onde vivemos é menos importante do que muitas outras coisas.

Ele é menos importante do que o que acontece dentro dele — a forma como acolhemos as pessoas em nossas casas e como tratamos as pessoas com quem convivemos todos os dias. A casa é menos importante que os relacionamentos.

Nossas casas são menos importantes do que as nossas relações com os vizinhos que vivem ao nosso lado — do que o amor e o respeito que lhes damos em nome de Jesus Cristo.

Nossas casas são menos importantes do que a adoração que oferecemos na igreja, que é a família da fé. O salmista louvou a Deus, dizendo: "Um dia nos teus átrios valem mais que mil" (Sl 84.10).

Os lugares em que vivemos também são menos importantes do que a construção que Deus está fazendo ao redor do mundo erguendo seu novo templo espiritual em Jesus Cristo. Não se distraia. Mantenha suas prioridades: a casa de Deus é mais importante do que a sua!

3. O perigo da extravagância

Enquanto construía seu famoso palácio, Salomão enfrentou um segundo perigo espiritual: a EXTRAVAGÂNCIA. Como vimos, a riqueza do rei era uma bênção de Deus, como o dinheiro sempre é.

Mas quanto mais recursos financeiros tivermos, mais importante — e mais difícil — será usá-los para a glória de Deus. Com todo o tesouro que possuía, Salomão foi tentado a ser extravagante.

(a) A ostentação.

A casa que o rei construiu era algo feito para impressionar. Havia cinco edifícios no complexo do palácio, alguns deles eram de tamanho considerável.

Primeiro, a Bíblia descreve um edifício grande, de vários andares, utilizado para assembleias, com salas laterais para armazenar o tesouro (1Rs 10.16-17) e armas (Is 22.8):

Edificou a Casa do Bosque do Líbano, de cem côvados de comprimento, cinquenta de largura e trinta de altura, sobre quatro ordens de colunas de cedro e vigas de cedro sobre as colunas. A cobertura era de cedro, abrangendo as câmaras laterais em número de quarenta e cinco, quinze em cada andar, as quais repousavam sobre colunas. Havia janelas em três ordens e janela oposta a janela em três fileiras. Todas as portas e janelas eram quadradas; e janela oposta a janela em três fileiras (1Rs 7.2-5, 1Rs 10.16-17; Is 22.8).

O Palácio da Floresta do Líbano deve ter sido muito bonito. Havia fileiras de janelas para iluminar o prédio com luz natural e tantas colunas de madeira no interior que Salomão parecia ter trazido uma floresta para dentro da casa.

Depois Salomão "fez o Salão das Colunas, de cinquenta côvados de comprimento e trinta de largura; e havia um pórtico de colunas defronte dele, um baldaquino" (1Rs 7.6).

Embora possa ter sido um prédio isolado, essa colunata pode ter servido como o saguão para o Palácio da Floresta do Líbano.

O rei também construiu sua própria residência, bem como alojamentos para sua esposa. Ele não tinha apenas um palácio, mas dois: "A sua casa, em que moraria, fê-la noutro pátio atrás da Sala do Trono, de obra semelhante a esta; também para a filha de Faraó, que tomara por mulher" (1Rs 7.8).

Aparentemente, a rainha queria um lugar só dela. Dado o número de mulheres que Salomão acumularia (1Rs 11.3), seus aposentos também podem ter servido como harém real. Por fim, a filha de Faraó e o seu harém se transformaria em pedra de tropeço para Salomão, incentivando-o a cometer o pecado da idolatria.

(b) As tentações do luxo.

O rei, contudo, também enfrentou tentações mais imediatas com esse projeto de construção — as tentações que vêm de viver no luxo. Seus edifícios não eram apenas grandes, mas eram cobertos de cedro, que naqueles dias era um material de construção de primeira.

Havia enormes colunas e vigas de cedro no Palácio da Floresta do Líbano (1Rs 7.2-3). A Sala da Justiça foi revestida com painéis de cedro desde o chão até o teto (1Rs 7.7). Toda essa linda madeira havia sido importada de Tiro com grandes despesas.

Segundo um comentarista, todo o projeto "transpirava riqueza e indulgência". Embora Deus tivesse prometido construir uma casa para Salomão (2Sm 7.11), o rei quis realizar a obra com suas próprias mãos em vez de confiar na promessa de Deus.

Reconheço, porém, que 1Reis não critica Salomão explicitamente por ter construído um palácio tão lindo. Na verdade, o tom dessa passagem parece admirar sua obra. No entanto, encontramos palavras de advertência nos profetas.

Jeremias pronunciou o juízo de Deus contra qualquer rei que dissesse: "Edificarei para mim casa espaçosa e largos aposentos", ou que construísse janelas para seu palácio e revestisse o interior com painéis de cedro (Jr 22.14).

Então Jeremias fez uma pergunta que poderia muito bem ter feito a Salomão: "Reinarás tu, só porque trabalhas com outro em cedro?" (Jr 22.15).

Jeremias disse isso com uma preocupação especial pela JUSTIÇA SOCIAL. Ele sabia que o que fazia de um rei um rei não era seu palácio, mas a justiça pelos pobres e necessitados.

Não que tivesse sido errado um rei viver em um palácio; porém, quando alguém constrói uma casa de luxo, é fácil ignorar as pessoas que não têm nem casa e precisam de ajuda.E isto aconteceu com Salomão.

(b) A sedução das “coisas caras”.

Por mais caro que o cedro fosse, Salomão também gastou uma fortuna em pedras. Seus palácios reais "eram de pedras de valor, cortadas à medida, serradas para o lado de dentro e para o de fora; e isto desde o fundamento até às beiras do teto, e por fora até ao átrio maior”.

“O fundamento era de pedras de valor, pedras grandes; pedras de dez côvados e pedras de oito côvados; por cima delas, pedras de valor, cortadas segundo as medidas, e cedros. Ao redor do grande átrio, havia três ordens de pedras cortadas e uma ordem de vigas de cedro; assim era também o átrio interior da Casa do Senhor e o pórtico daquela casa" (1Rs 7.9-12).

As pedras do palácio de Salomão eram enormes — de quatro a cinco metros de diâmetro. ERAM TAMBÉM MUITO CARAS.

Quando foram extraídas da região montanhosa e arrastadas para o topo da montanha de Jerusalém, Salomão pagou o valor correspondente ao resgate de um rei somente pela mão de obra. (ex. o resgate do rei Ricardo, deixou a Inglaterra falida por muito tempo).

Praticamente sempre que essas pedras são mencionadas, elas são descritas como "CARAS". Quando se tratava do palácio do rei, nenhuma despesa era alta demais.

Não há nada de errado em ter uma casa bonita — ou em querer uma casa mais bonita —, mas é uma área de perigo espiritual tanto para Salomão quanto para nós.

Não é o dinheiro que amamos tanto, mas as coisas que podemos comprar com o dinheiro; e uma das coisas que o dinheiro pode comprar é o LUXO, especialmente hoje, quando diversas coisas bonitas são tão facilmente disponíveis.

Deus tem nos dado excelentes materiais a serem usados para a construção e renovação de nossas casas. Até Salomão teria inveja das nossas bancadas em granito, dos acabamentos em níquel escovado e das madeiras de lei.

Essas coisas fazem parte do mundo que Deus tem feito e, portanto, são boas em si mesmas, mas elas têm seu preço, maior que seu valor.

Toda vez que decidimos o que comprar ou não, estamos tomando uma decisão que vem do coração.(Calça de mil reais, e uma Ferrari de três milhões), quem tem está OSTENTANDOuma vida de luxo.

(c) Os perigos da Autoindulgência hipócrita.

Então, cuidado com os perigos da AUTOINDULGÊNCIA!  Todo mundo espera desfrutar de um nível de vida cada vez mais alto.

Costumamos de pensar que a nossa próxima casa será melhor do que a que temos agora ou que poderemos melhorar o lugar onde vivemos, adicionando um quarto ou reformando a cozinha.

Algumas pessoas ainda pensam que os cristãos têm direito a um melhor padrão de vida, e que, se confiarmos em Deus, ele nos abençoará com prosperidade, como certo pregador da televisão disse:

 "Quem aceitaria embarcar em algo que o deixasse miserável, pobre e feio até chegar ao céu? Eu creio que Deus quer nos dar coisas boas".

Deus quer nos dar algumas coisas boas, mas o melhor que ele quer nos dar é a si mesmo, e às vezes as outras coisas boas que desejamos obstruem o caminho do nosso relacionamento com ele.

Como qualquer coisa boa na vida, melhorias na casa podem ser feitas para a glória de Deus. Nós fomos feitos para a eternidade, e enquanto vivermos em um mundo caído é natural querermos que as coisas sejam melhores do que são.

Mas devemos ter cuidado com os perigos de expectativas cada vez maiores e com a autoindulgência hipócrita.

 A menos que estejamos vivendo no reino de Deus, e não para o nosso próprio prazer, QUALQUER MELHORIA É APENAS UMA FORMA DE ADIAR A NOSSA INSATISFAÇÃO.

Ou acabaremos como certa Esposa; que disse ao marido: "Não sei qual é o nosso problema. Nosso trabalho é muito bom... e muita gente ficaria feliz em ter uma casa como a nossa. Não deveríamos estar tão insatisfeitos o tempo todo".

Conseguir o que queremos pode nos deixar felizes por um tempo, mas logo voltamos a querer mais, ficamos frustrados com a nossa situação atual e sonhamos com casas e jardins melhores.

 Cada decisão que tomamos sobre o nosso dinheiro exige sabedoria, oração e discernimento.

(d) Uma orientação útil.

Deus não nos disse exatamente quanto devemos gastar com nossas casas (embora, por vezes, desejemos que nos diga). Ele deixou isso e quase todas as outras decisões que tomamos em relação ao nosso dinheiro a cargo da liberdade da nossa própria consciência.

Uma orientação útil é o dízimo bíblico (por exemplo, Lv 27.30 “todos os dízimos são santos ao Senhor”), o que significa oferecer dez por cento de nossa renda bruta ao reino de Deus.

Deus não é ganancioso: se lhe dermos dez por cento, ainda nos restam 90 por cento para gastar com aquilo que precisamos. No entanto, não devemos nos limitar a dez por cento, especialmente aqueles entre nós que são mais prósperos.

Também não devemos esquecer que 100 por cento do que possuímos pertencem a Deus, e tudo deve ser usado para a sua glória.

Mesmo o dinheiro que gastamos para nós mesmos, por assim dizer, deve ser gasto com a intenção deliberada de honrar a Deus.

Outra maneira de testar nossa generosidade é comparar quanto gastamos em nossas próprias casas com a quantidade que gastamos com a construção da casa de Deus, por meio do ministério do evangelho da igreja.

Pegue a quantidade que você gasta por mês com sua casa e compare-a com quanto você dá para o reino de Deus.

A tentação de Salomão foi gastar mais com sua própria casa do que com a casa de Deus. Já que enfrentamos a mesma tentação, é bom examinar os nossos gastos.

Se acreditamos que a construção da igreja como templo eterno de Deus é mais importante do que nossos próprios lugares de moradia terrena, isso deve se manifestar em como gastamos o nosso dinheiro.

Deus não opera estritamente na base de índices ou percentagens: ele vê o coração. Mas nossos corações estão diretamente ligados às nossas contas bancárias.

O QUE GASTAMOS E COMO GASTAMOS; SEMPRE REFLETE NOSSAS VERDADEIRAS PRIORIDADES ESPIRITUAIS.

Devemos procurar ter confiança em Deus para que o que gastarmos também reflita nossas verdadeiras prioridades — o que significa harmonizar nossos gastos comparativos com os valores do seu reino.

Se estivermos gastando mais conosco mesmo, enganando a Deus, devemos nos lembrar de quanto o Pai investiu ao nos dar o Filho, e quanto o Filho investiu ao dar a vida pelos nossos pecados; e então devemos pedir ao Espírito Santo a graça de dar a Deus cada vez mais aquilo que ele merece.

4. Os lírios do campo

Para ajudar-nos a evitar os perigos da DISTRAÇÃOe da EXTRAVAGÂNCIA, Jesus fez uma comparação simples e memorável.

Ele estava pregando seu famoso Sermão do Monte, quando incentivou as pessoas a não se preocuparem tanto com as suas próprias necessidades diárias, mas a buscarem primeiro o reino de Deus.

(a) Uma gloria maior.

"Considerai como crescem os lírios do campo", disse Jesus, "eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Mt 6.28-29).

Ao fazer essa comparação, Jesus supôs que as pessoas conheciam as glórias do reino de Salomão, incluindo o seu magnífico palácio. O rei Salomão vivia em uma casa dos sonhos repleta de tesouros de ouro.

No entanto, Jesus não se impressionou muito com a riqueza do rei, pois sabia que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, podia se comparar ao simples esplendor de um único lírio do campo.

De alguma forma, os lírios do campo conseguem evitar os perigos que tentaram Salomão e continuam a nos tentar. Os lírios são totalmente livres de distrações.

Para construir sua casa, Salomão precisou enviar milhares de lenhadores e pedreiros para as montanhas. Quando voltaram, eles levaram mais de uma década para concluir seu palácio. Por outro lado, os lírios do campo não trabalham.

Não trabalham nem fiam, mas crescem sem esforço, aquecendo-se ao sol após serem regados pela chuva do céu.

No entanto, a beleza dos lírios é extravagante, uma das maiores obras-primas do Criador. Há mais glória em uma única flor silvestre do que em todos os palácios do rei Salomão.

Jesus quer que apliquemos essa lição, comparando os lírios do campo conosco mesmo. Apesar de trabalharem muito menos, os lírios do campo são mais bonitos do que nós. E também mais efêmeros — outro ponto de comparação.

A vida de uma flor é muito mais breve do que a nossa: ela está viva hoje e amanhã já se foi (Mt 6.30; Sl 90.10). Então, temos aqui uma planta que trabalha e vive menos do que nós, mas que, em muitos aspectos, é mais bonita do que nós. Deus cobriu os lírios do campo com glória.

Se Deus cuida tão bem dos lírios, então podemos confiar que ele cuidará ainda mais de nós. É isso que Jesus quer que entendamos. Destinados para a eternidade, somos muito mais valiosos para Deus do que todos os lírios do campo.

Portanto, não precisamos nos preocupar em conseguir comida ou roupas, muito menos em encontrar um lugar melhor para viver. Deus conhece nossas necessidades. Ele quer que vivamos para o seu reino e que deixemos que cuide de tudo o mais.

Nós gastamos muito tempo com nossas casas, preocupando-nos com o lugar onde vivemos, gastamos tanto dinheiro construindo ou decorando, quando o que realmente precisamos fazer é confiar que Deus cuidará de todas as nossas necessidades.

(b) Casas e jardins melhores.

Também podemos confiar que Deus, na hora certa, nos dará a maior reforma da nossa casa — a reforma mais radical do mundo.

As pessoas que recebem uma nova casa no programa Extreme Makeover: Home Edition, sempre se emocionam quando veem sua casa nova.

As lágrimas fluem livremente, pois essas pessoas temiam perder tudo, e agora têm uma casa dos sonhos. Isso nos revela algo importante sobre o coração humano: todos nós temos um profundo desejo de um lugar nosso — o lugar perfeito para nós.

O apresentador do programa leva esse anseio um passo adiante, escolhendo um quarto da casa para um projeto especial, como o quarto de uma criança com necessidades especiais.

O design do quarto reflete os interesses da criança e respeita suas necessidades singulares. Na casa, há um quarto que foi preparado exclusivamente para aquela criança em particular.

O mesmo acontecerá no último dos dias, quando Jesus vier para o seu reino e nos levará para casa para estarmos com Deus para sempre.

"Na casa de meu Pai há muitas moradas", disse Jesus. "Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, que, onde eu estou, estejais vós também" (Jo 14.2-3).

Em breve, Jesus virá e nos levará para a casa de seu Pai. Quando chegarmos, descobriremos que ele preparou um lugar perfeito para cada um de nós.

ASSIM, ONDE QUER QUE FIQUEMOS POR ENQUANTO, DEVEMOS LEMBRAR QUE NÃO ESTAMOS EM CASA AINDA, MAS ESTAMOS A CAMINHO DA MELHOR CASA DE TODAS.

SÓ HÁ UM LUGAR ONDE POSSO CHAMAR DE MINHA CASA: O CÉU. CONSIGA ESTA CASA E VOCÊ TERÁ UMA VIDA MARAVILHOSA POR TODA A ETERNIDADE.

 

“Não se turbe o vosso coração, crede em Deus, crede também em mim; na casa de meu Pai tem muitas moradas”.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 15/01/2018
Por: Jairo Carvalho

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