Conheça a História da Igreja

Ouça nossa Rádio

Bíblia online

biografias

dicas de leitura
Selecionamos alguns livros para aumentar seu conhecimento.

  • Banner
  • Banner

enquete
Você já leu a Bíblia inteira quantas vezes?
Escolha uma opção abaixo
Resultados Outras enquetes




Publicações Imprimir conteúdoIndicar página para alguém

1 Reis - A sabedoria de Salomão

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

A SABEDORIA PARA JUSTIÇA.

Sermão 7 - Referência: 1 Reis 3.16-28

INTRODUÇÃO: Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça (1Rs 3.28).

Sempre experimentamos algo profundamente gratificante quando encontramos uma solução simples para um dilema difícil.

Conta-se a história de um viajante em um lugar deserto que chegou a uma bifurcação na estrada e não fazia ideia em que direção seguir. Ele havia sido informado de antemão que dois homens viviam na região, um dos quais sempre dizia a verdade, mas o outro era um MENTIROSO PATOLÓGICO. Acontece que um desses homens estava esperando no cruzamento e se ofereceu a dar instruções.

O problema era que o viajante não sabia qual dos dois homens tinha diante de si: o mentiroso ou o honesto. Como, então, saberia se estava recebendo as instruções certas? Qual seria a pergunta a fazer que lhe informaria exatamente qual caminho seguir?

Esse dilema difícil tem uma solução simples. Bastava que o viajante fizesse a seguinte pergunta: "Se eu fosse pedir ao outro homem informações sobre que caminho seguir, em que direção ele me apontaria?". Então, assim que o homem respondesse, o viajante saberia que precisaria seguir pelo outro caminho. Se estivesse falando com o mentiroso, o homem certamente o enganaria.

Por outro lado, se estivesse falando com o homem que sempre diz a verdade, ele poderia ter certeza de obter a verdade referente à mentira do outro homem. Em todo caso, a resposta conteria uma mentira, de forma que o viajante saberia que precisaria seguir na direção oposta.

Um exemplo mais famoso de como resolver um dilema provém do antigo palácio dos reis frígios de Górdio, onde havia um carro de boi amarrado a um poste com um nó complicado. Segundo a lenda, aquele que fosse capaz de desatar o nó governaria a Ásia Menor.

Durante o inverno que passou em Górdio (333 a.C.), Alexandre Magno — homem que nunca recuava diante de um desafio e que estava muito interessado em governar a Ásia Menor — tentou desatar o nó. Ao descobrir que isso era impossível, Alexandre o partiu em dois — uma solução simples para um dilema aparentemente insolúvel.

A sabedoria sempre dá uma solução simples para um dilema difícil.Normalmente temos muito mais dificuldades de lidar com as coisas simples, do que com as dificieis.

1. Um dilema difícil.

Uma história da Bíblia oferece uma solução simples para um dilema ainda mais difícil. Esse dilema em particular não podia ser resolvido simplesmente por meio de uma pergunta certa, pois mesmo após as perguntas certas terem sido feitas e respondidas, o dilema permanecia.

Tampouco podia ser resolvido por um golpe de espada, porque no centro do dilema não estava um simples nó, mas um bebê.

O contexto deste dilema difícil e sua solução elegante é o extraordinário dom que Deus tinha dado ao rei Salomão, o DOM DA SABEDORIA.

Salomão sabia que ele era incapaz de cumprir a tarefa de governar o povo precioso e numeroso de Deus. Então, orou pedindo o dom de uma mente entendida, capaz de discernir a diferença entre o certo e o errado para o povo de Deus.

Deus se alegrou com o pedido de Salomão e prometeu dar-lhe exatamente o que havia pedido: "coração sábio e inteligente" (1Rs 3.12). Juntamente com o dom de sabedoria, Deus também concederia ao rei incomparável riqueza e fama internacional.

Não demorou e a sabedoria de Salomão foi posta à prova, na forma de uma disputa legal sobre a CUSTÓDIA de uma criança. Como a maioria das outras disputas que eram levadas à presença do rei, este famoso CASO JUDICIAL não poderia ter sido mais delicado.

Ninguém, em todo o reino, sabia como proceder para decidi-lo. Não havia advogados envolvidos no caso, nem outros representantes legais — apenas uma mulher contra a outra: "e vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele" (1Rs 3.16).

A Bíblia deixa essas duas mulheres contarem sua própria história, em suas próprias palavras. A primeira mulher era a PLEITEANTE, e este foi o testemunho que ela deu:

Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei à luz um filho. No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali. De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele.

Levantou-se à meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus. Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera à luz (1Rs 3.17-21).

Basta ouvir essa história uma vez, e nunca mais a esquecemos. A primeira mulher descreve uma CENA DE MISÉRIA PECAMINOSA E LAMENTÁVEL. Em detalhe escabroso, seu testemunho nos leva para o interior de um prostíbulo em algum lugar perto de Jerusalém.

Não havia clientes naquela noite, disse ela, apenas duas prostitutas solitárias e seus filhos recém-nascidos. Na manhã seguinte, ela teve um choque horrível: o bebê em seu seio estava morto.

Mas uma mãe sempre conhece o seu próprio filho, e uma inspeção mais minuciosa à luz da manhã lhe revelou que aquele não era seu bebê. Em seguida, a mulher se deu conta da terrível verdade.

Apesar de não estar acordada no momento, era óbvio o que tinha acontecido. Durante a noite, enquanto dormia, a outra mulher se deitara em cima de seu bebê — um caso terrível de morte acidental.

Então, desesperada e com INVEJA AMARGA, a mulher de luto trocou os bebês no escuro, levando a criança viva para amamentá-la e deixando à outra mulher um cadáver.

A essa altura, a segunda mulher a interrompeu. Ela queria contar seu lado da história, pois é assim que funciona um processo jurídico: o acusado sempre deve ter a chance de montar uma defesa.

Nesse caso, oRÉU não CONTESTOU o relato dos acontecimentos da primeira mulher, mas teimosamente insistiu que ela estava com o bebê certo. "Não", ela disse, "o vivo é meu filho; o teu é o morto".

Nesse momento, o julgamento se transformou em gritaria. A primeira mulher disse: "Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porém esta disse: Não, o morto é teu filho; o meu é o vivo. Assim falaram perante o rei" (1Rs 3.22).

Toda a situação é lamentável, no sentido de que todos nessa história merecem a nossa empatia. Certamente devemos sentir pena da mulher cujo filho foi roubado durante a noite e que agora estava desesperada para recuperá-lo. Em seu desespero, vemos o desejo de cada mãe por um filho perdido.

No entanto, também nos solidarizamos com a mulher acusada do crime hediondo de ter roubado uma criança. É inimaginável uma mãe acordar no meio da noite e descobrir que seu próprio corpo sufocou seu filho.

Depois, temos o rei Salomão, e ele também merece a nossa simpatia. Como ele poderia resolver esse caso? Normalmente, o depoimento de uma testemunha adicional teria sido necessário para permitir um veredito.

De acordo com a Lei de Moisés, que Salomão era obrigado a observar, "Uma só testemunha não se levantará contra alguém por qualquer iniquidade ou por qualquer pecado, seja qual for que cometer; pelo depoimento de duas ou três testemunhas, se estabelecerá o fato" (Dt 19.15).

Mas nesse caso específico, não havia outras testemunhas. As duas mulheres estavam sozinhas no meio da noite e por isso ERA A PALAVRA DE UMA CONTRA A OUTRA. Toda pessoa que já tenha tentado resolver uma disputa sem testemunhas sabe quão difícil pode ser determinar exatamente o que aconteceu.

Os pais muitas vezes enfrentam essa dificuldade quando tentam julgar uma discussão entre dois irmãos. Os professores têm esse problema na escola, quando dois estudantes se envolvem numa briga.

Os empregadores, às vezes, enfrentam dificuldades quando tentam resolver uma disputa no local de trabalho.

Pastores acham difícil discernir a verdade num conflito familiar ou em outro relacionamento abalado. Há momentos em que a única pessoa que realmente conhece a verdade é, aparentemente, o próprio Deus.

2. A solução simples.

No caso das prostitutas e dos dois bebês, Salomão também não conhecia a verdade. Mas o rei ouviu atentamente os testemunhos, e assim ele foi capaz de dar um resumo preciso dos fatos: "Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo" (1Rs 3.23).

Qual das mulheres estava dizendo a verdade? Este caso era um teste importante do dom que Deus havia prometido. Será que Salomão teria sabedoria para discernir entre o bem e o mal nesse caso? Será que ele conseguiria determinar a verdade e emitir um VEREDITO JUSTO?

Assim que o rei terminou de apresentar seu resumo desse dilema, começou a pôr em ação sua solução simples.

Primeiro, ele disse: "Tragam-me uma espada". Nós só podemos imaginar o susto que seus servos devem ter levado quando ouviram essa ordem (sem falar do susto das duas mulheres).

O que Salomão pretendia fazer com essa arma mortal? A espada foi levada ao rei. Então ele deu a sua ordem mortal: "Dividi em duas partes o menino vivo e dai metade a uma e metade a outra" (1Rs 3.25).

Havia certa equidade nesse compromisso legal, mas também uma terrível crueldade.Era um decreto brutal: a bissecção de um bebê. As pessoas devem ter olhado para Salomão com total espanto. Isso não era sabedoria, era loucura!

No entanto, havia uma lógica na aparente loucura do rei, pois Salomão nunca pretendera executar a sua ordem. Em vez disso, ELE ESTAVA FAZENDO UMA ENCENAÇÃO QUE REVELARIA O CORAÇÃO DE CADA MULHER.

De imediato, o terrível decreto de Salomão teve seu efeito desejado. A primeira mulher respondeu com toda a paixão e compaixão do coração de uma mãe.

As Escrituras dizem: "Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis" (1Rs 3.26).

Assim que a mãe ouviu o que Salomão pretendia fazer com a sua espada, seus instintos maternais se manifestaram. Ela possuía um vínculo profundo com seu filho recém-nascido, e faria qualquer coisa para salvá-lo.

Até mesmo o entregaria à sua inimiga, se isso fosse lhe salvar a vida. Arrancaria seu próprio coração, se necessário, mas salvaria seu filho.

Assim, implorou ao rei para que poupasse a vida da criança. A primeira mãe fez o tipo de SACRIFÍCIO AMOROSO que algumas mulheres fazem quando colocam um filho para adoção.

Incapazes de cuidar dos filhos, elas estão dispostas a sofrer a perda de um filho ou de uma filha para dar à criança uma chance melhor na vida.

Bons pais e mães fazem sacrifícios semelhantes todos os dias: em vez de fazer o que querem para si mesmos, fazem o que é melhor para seus filhos.

A outra mulher teve uma resposta muito diferente diante da ameaça da espada de Salomão. INSENSÍVELe IMPIEDOSAMENTE, e INVEJOSAMENTEela disse: "Nem meu nem teu; seja dividido" (1Rs 3.26).

Na AMARGURA de sua dor, ela só podia olhar para a outra mãe com INVEJA ODIOSA. Se ela não poderia ter o seu próprio filho, bem, então, ninguém mais teria um filho.

COM A HORRÍVEL CRUELDADE DA RAIVA DESENFREADA, pediu ao rei que fosse em frente e usasse sua espada — ela estava disposta a ficar com sua metade da criança.

Agora que o coração de ambas as mulheres havia sido revelado, Salomão sabia tudo que precisava para resolver o dilema, com ou sem testemunhas. Ele conseguiu identificar a mãe do filho pela COMPAIXÃO materna.

Assim, ele calmamente respondeu aos apelos das mulheres tanto pela vida quanto pela morte da criança, dizendo: "Dai a primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe" (1Rs 3.27).

Era uma solução simples para um dilema difícil. Com brilhante entendimento e sábio discernimento, Salomão criou o teste que revelaria o coração de cada mulher. Ao testemunharem a resolução sábia desse caso, as pessoas presentes na corte devem ter ficado muito surpresas.

Os olhares em seus rostos passaram de horror para deleite ao verem como a mãe legítima foi reunida com seu filho amado.

Justiça havia sido feita, o rei havia encontrado o veredito justo. Agora, tudo parecia tão simples: A VERDADEIRA MÃE É A PESSOA QUE FAZ ABSOLUTAMENTE TUDO PARA SALVAR SEU FILHO.

Dessa forma, Salomão poupou a vida de uma criança e a devolveu aos braços de sua mãe. A notícia da proeza do rei se espalhou como fogo. As pessoas ficaram deslumbradas com a sabedoria e simplicidade com que ele tinha resolvido esse dilema difícil.

A história foi contada inúmeras vezes por toda a cidade e em toda região vizinha: "Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça" (1Rs 3.28).

Se Salomão conseguiu resolver esse caso, ele tinha sabedoria para enfrentar qualquer situação. Isso provou que suas orações haviam sido respondidas. O rei tinha recebido uma mente de entendimento para governar o povo, como havia pedido (1Rs 3.9).

As pessoas reconheceram sua sabedoria como algo vindo de Deus. Assim, honraram o seu rei por ter a sabedoria de Deus.

3. Justiça sábia

A sentença de Salomão foi uma confirmação notável de que ele havia recebido o dom sagrado da sabedoria divina. Provou também que ele era o homem certo para governar Israel.

Em um de seus muitos provérbios famosos, Salomão escreveu: "A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinhá-las" (Pv 25.2). Ele também disse: "Assentando-se o rei no trono do juízo, com os seus olhos dissipa todo mal" (Pv 20.8).

O veredito justo de Salomão mostrou que ele era exatamente o tipo de rei que seu povo precisava: ALGUÉM QUE POSSUÍA O DISCERNIMENTO PARA ESMIUÇAR AS COISAS E PERCEBER O QUE ERA MAU, PARA A GLÓRIA DO SEU NOME.

No entanto, há uma pergunta que ainda precisamos fazer: o que essa história tem a ver conosco e com a nossa necessidade do EVANGELHOde Jesus Cristo?

Toda a Escritura é benéfica para "a educação na justiça" (2Tm 3.16). Além disso, tudo na Bíblia remete ao sofrimento e à glória de Jesus Cristo (Lc 24.26-27).

Então, como devemos estabelecer esses vínculos com a vida e o evangelho nesse caso?Sempre que refletirmos sobre o rei Salomão, precisamos lembrar que Jesus descreveu a si mesmo como alguém "maior do que Salomão" (Mt 12.42).

Assim, o reino de Salomão nos aponta sempre para o reino maior do Senhor Jesus Cristo. O que Jesus tem de maior é sua sabedoria superior para fazer justiça. Em 1Reis 3.28 lemos sobre Salomão que "havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça".

Podemos aplicar essa declaração diretamente para a pessoa e obra de Jesus Cristo: a sabedoria de Deus estava nele para fazer justiça. Uma maneira de reconhecer essa conexão é analisar a oração que Salomão ofereceu no salmo 72, em que pediu sabedoria a Deus para julgar o povo de Deus:

Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos

 e a tua justiça, ao filho do rei.

Julgue ele com justiça o teu povo

e os teus aflitos, com equidade.

Julgue ele os aflitos do povo,

salve os filhos dos necessitados

e esmague ao opressor (Si 72.1-2,4).

Nessa oração, Salomão estava intercedendo por si mesmo. Como filho real de Deus, ele precisava de sabedoria para fazer justiça. Precisava ser capaz de defender a causa dos pobres, assim como havia defendido uma mãe diante do perigo de perder seu filho.

Precisava ser capaz de libertar os filhos do necessitado, assim como tinha resgatado o filho da mãe. Precisava esmagar o opressor, assim como havia exposto a mentira da segunda mulher que tentou roubar o filho de outra pessoa.

Salomão, então, orou pela justiça sábia para resgatar os pobres e os necessitados de seus opressores. Ele não cedeu à tentação — que muitas vezes acomete os ricos e os poderosos — de ignorar os gritos dos oprimidos.

A oração de Salomão é também um grito por justiça no reino eterno de Deus. Como todos os outros salmos reais, o salmo 72 aguarda ansiosamente a vinda de Cristo como o verdadeiro Filho de Deus.

Jesus é o Rei de toda a justiça, o Juiz de toda a justiça, que defende a causa dos pobres, liberta os filhos do necessitado e esmaga o opressor. Jesus deixou isso bem claro desde o início do seu ministério.

Quando deu seu primeiro sermão em Nazaré, ele anunciou que tinha vindo "para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos" (Lc 4.18).

Jesus nos prometeu justiça, e desejamos que a justiça seja feita. Este é um mundo tão caído, e vemos tanta injustiça, que às vezes nos perguntamos quando — ou mesmo se — tudo será corrigido.

Erros permanecem impunes, incluindo as injustiças cometidas contra crianças. Pessoas conseguem escapar com atos sombrios no meio da noite. É difícil conhecer a verdade.

Uma pessoa diz uma coisa, outra pessoa diz outra, mas quem está dizendo a verdade? Quando alguém vem com a espada para fazer justiça, propõe um compromisso, o bebê é cortado ao meio, e a justiça continua não sendo feita.

Num mundo de injustiça, podemos orar como Salomão orou: "Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei" (S172.1). Assim, oramos pela justiça sábia de Jesus Cristo.

Oramos para que ele revele o mal que já foi feito e para que reestabeleça a ordem das coisas. Queremos que o pecador que mentiu, e roubou, e defendeu o assassinato e a corrupção seja descoberto e levado à justiça.

Queremos que a criança inocente acabe nos braços da mãe legítima. Queremos que Jesus faça o que é justo.

Às vezes, vemos a justiça sendo feita nesta vida, e, às vezes, não; mas a justiça será feita no final. A sabedoria de Deus está em Jesus para fazer justiça, e um dia ele acertará todas as contas.

A Bíblia descreve o dia do julgamento como um dia em que "Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os SEGREDOSdos homens" (Rm 2.16).

O que aconteceu com a segunda mãe, no julgamento final acontecerá com todos os inimigos de Deus: SEUS PECADOS SERÃO REVELADOS, PARA SEU ESPANTO E CONSTERNAÇÃO ETERNA, INCLUINDO OS CRIMES COMETIDOS CONTRA CRIANÇAS NO MEIO DA NOITE.

Jesus Cristo exporá as motivações secretas de cada coração pecaminoso, assim como Salomão revelou o coração das duas mães.

ATOS PECAMINOSOS QUE NUNCA FORAM DESCOBERTOS SERÃO LEVADOS À LUZ CLARA DO DIA ETERNO DE DEUS: "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (2Co 5.10, cf. Mt 16.27; Ap 22.12).

ÀS VEZES, AS PESSOAS SE PERGUNTAM SE A JUSTIÇA JAMAIS SERÁ FEITA.

Em nossa raiva, CULPAMOS DEUS pelo que está errado com o mundo, especialmente todos os terríveis males que parecem passar impunes — os genocídios e infanticídios de uma raça caída.

MAS AS PESSOAS SÃO AS ÚNICAS CULPADAS, E NÃO DEUS, QUE NUNCA ESTÁ DO LADO DA INJUSTIÇA.Ele deixará isso completamente claro no último de todos os dias, quando cada erro será corrigido, todo o mal terrível será punido e cada pecador injusto será levado a julgamento. Jesus é o Rei, e ele fará com que a justiça seja cumprida.

ISSO TUDO ACONTECERÁ PARA A GLÓRIA DE DEUS E A GLÓRIA DE JESUS CRISTO.

Se as pessoas se maravilharam diante de Salomão por ter chegado ao veredito justo num caso difícil, imagine quanta honra Jesus receberá quando corrigir cada erro cometido em toda a História do mundo!

No julgamento final, quando virmos a justiça sábia de Deus em Cristo, ficaremos em temor diante do nosso grande Rei.

O livro de Apocalipse diz que quando Deus executar seus julgamentos finais e terríveis contra o pecado, seu povo clamará: "Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto VERDADEIROSe JUSTOSsão os seus juízos" (Ap 19.1-2).

4. Misericórdia justa

Talvez você se sinta pronto para regozijar-se na justiça de Deus no julgamento final, mas a justiça de Deus faz que a maioria das pessoas se sinta um tanto desconfortável;  POIS SABEMOS QUE NÓS MESMOS TEMOS FEITO MUITAS COISAS QUE NUNCA DEVERÍAMOS TER FEITO.

Mesmo que não sejamos culpados de roubar uma criança, também nos queixamos amargamente das nossas perdas, invejamos o que as outras pessoas têm e pegamos coisas que não nos pertencem.

NÓS TAMBÉM PODEMOS ESTAR FAZENDO DETERMINADAS COISAS NO MEIO DA NOITE E ESPERAMOS QUE AQUILO JAMAIS SEJA DESCOBERTO.

O que, portanto, esperamos receber desesperadamente não é JUSTIÇA,mas MISERICÓRDIA.

Por mais que queiramos que as outras pessoas recebam o que nós pensamos que elas mereçam, lá no fundo, sabemos que o que precisamos não é o que merecemos, mas a misericórdia de Deus.

Reconhecemos de relance essa misericórdia em Salomão, cujo veredito nos aponta para a sabedoria misericordiosa de Jesus Cristo. A história começou com duas prostitutas que apareceram diante do rei.

A verdade nua e crua é que AMBAS AS MULHERES ERAM PROSTITUTAS, elas vendiam seus corpos. No entanto, Salomão teve misericórdia com uma dessas mulheres, protegendo-a da injustiça.

A mera presença de prostitutas em Israel era um sinal evidente de um problema espiritual. Em seus provérbios, Salomão advertiu os jovens que ficassem longe de tais mulheres (por exemplo, Pv 2.16-19; 5.1-23).

Esse sábio conselho estava de acordo com a lei de Deus, que condenou explicitamente a prostituição (Dt 23.17, cf. Ex 20.14).

No entanto, este mesmo pecado foi cometido em Israel, como parece ser cometido em todos os lugares. Sabemos disso porque duas prostitutas estavam no palácio, em busca de justiça. Notavelmente, o rei dedicou seu tempo para considerar o seu caso.

Essas mulheres também estavam sob a autoridade real de Salomão, então ele ouviu atentamente o que elas disseram.

Muitas pessoas diziam que as prostitutas e seus bastardos não mereciam qualquer tipo de justiça ou misericórdia, mas Salomão as tratou como seres humanos que realmente importavam.

Quão assustador deve ter sido para a primeira mulher conhecer a terrível verdade e não ter testemunhas que confirmassem seu relato.

No entanto, pelo bem dela, Salomão se deu ao trabalho de descobrir a verdade. Então o rei cumpriu seu dever real. Ele deu a essas pessoas a justiça verdadeira, que representava uma misericórdia para a mulher que recebeu seu filho de volta.

Este é o chamado de um rei justo: "ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido. Ele tem piedade do fraco e do necessitado e salva a alma aos indigentes" (Sl 72.12-13).

Assim, Salomão teve misericórdia de um bebê que estava prestes a perder sua mãe, e piedade de uma mulher que faria qualquer coisa para salvar seu filho.

A vida dessas pessoas importava a elas tanto quanto sua vida importa a você.Mais importante ainda é que cada vida importa a Deus, até mesmo uma vida escravizada pelo pecado.

Um lembrete dessa verdade vital veio em um relatório de oração dramático de um ministério cristão que resgata prostitutas das ruas de Gana.

As mulheres do Accra — Projeto de Reabilitação de Prostitutas (ministério local patrocinado por empresários africanos) —são amadas em nome de Jesus Cristo. Elas aprendem habilidades práticas como tingir tecidos, capacitando-as assim a se sustentarem através de um trabalho honesto.

Elas leem as Escrituras e ouvem a pregação do evangelho. Muitas das mulheres que conseguem encerrar o programa louvam a Deus por sua misericórdia e tornam-se discípulas fiéis de Jesus Cristo.

Notícias desse ministério são sempre incentivadoras, mas um relatório foi especialmente comovente. Ele simplesmente listou os nomes das mulheres que estavam prestes a iniciar o programa e acrescentou um pedido de oração.

Eu vi seus nomes na página: Victoria Kollie, Esther Sackie, Elizabeth Kpoleh, Roseline Clement, Helena Tokpah, Annie Manbu, e todas as suas irmãs. Cada mulher estava perdida no pecado, mas cada mulher era também uma criação única: um ser humano com um nome.

Essas mulheres também eram conhecidas por Deus, amadas por seus familiares, e receberam a oferta gratuita da esperança do perdão e da promessa da vida eterna.

Essa misericórdia divina não é apenas para prostitutas e seus filhos bastardos. Se Deus tem misericórdia com eles, tem misericórdia com todos os que o procuram em fé. Deus conhece você pelo seu nome.

Ele também sabe o que você tem feito de errado.Mas mesmo assim ele o convida a confiar no Salvador que é maior do que Salomão, cuja justiça é sábia e cuja misericórdia é justa.

Certa vez, o profeta Isaías fez uma profecia maravilhosa sobre a justiça real do rei misericordioso de Deus: "o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento [...] não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra" (Is 11.2-4).

Todo esse discurso sobre sabedoria e equidade e julgamentos de disputas, a profecia de Isaías nos lembra da sabedoria justa e misericordiosa do rei Salomão.

Mas é claro que, em última análise, a profecia de Isaías é sobre Jesus Cristo, ao qual o Espírito Santo tem dado sabedoria para a justiça. Por mais que as pessoas tenham reverenciado o rei Salomão, devemos dar uma reverência maior ainda a JESUS CRISTO, que é a sabedoria de Deus.

ADMIRE-SE, portanto, da justiça que ele demonstrará no juízo final, quando cada erro será corrigido. Trema diante de seus julgamentos. Deus julgará todo o pecado justamente.

Mas também se admire da misericórdia de Deus com os pecadores pobres e necessitados — as pessoas que Jesus conhece pelos nomes e pelos quais tem feito de tudo para salvá-las.

Encante-se com a sabedoria de Deus ao fornecer uma solução tão simples para o dilema mais difícil de todos, o problema do nosso pecado.Como ele pode preservar sua justiça perfeita e, ao mesmo tempo, demonstrar misericórdia para com os pecadores?

COMO PODE UM DEUS JUSTO JUSTIFICAR O ÍMPIO E TRANSFORMAR PESSOAS INJUSTAS EM PESSOAS SUFICIENTEMENTE JUSTAS PARA A SUA GLÓRIA?

Jesus resolveu esse dilema ao morrer na cruz e ao ser ferido pela lança da justiça divina, para que a nossa culpa fosse paga com sangue e para que pudéssemos receber a misericórdia de Deus (cf. Rm 3.26).

A crucificação é solução simples de Deus — simples para nós, por mais cara que tenha sido para Cristo — para o problema de como expiar o pecado e, ao mesmo tempo, preservar a misericórdia e a justiça de Deus. É A MELHOR DE TODAS AS SOLUÇÕES PARA O PIOR DOS PROBLEMAS.

Agora somos chamados a servir ao nosso sábio Rei, fazendo justiça e amando a misericórdia, demonstrando a outras pessoas a mesma graça que Deus mostrou a nós em Jesus Cristo.

Somos agentes da misericórdia de Deus, de modo que as pessoas conheçam a graça do nosso Rei. Não importa quão difícil o caso seja, ninguém é desmerecedor da nossa piedade ou está além do alcance da misericórdia de Deus.

CONCLUSÃO: Muitas pessoas experimentam a misericórdia de Deus quando vem à igreja para confessar seu pecado sexual. Ficou claro que elas estão realmente arrependidas do que tinham feito e já se arrependeram, confessando seus pecados ao Senhor e suportando a disciplina eclesiástica.

No entanto, algumas delas têm dificuldades de acreditar que Deus ainda as ama. Elas sabem que Jesus morreu na cruz para perdoar os seus pecados, mas ainda estão relutando com muitos pensamentos desesperados de CULPA e AUTOCONDENAÇÃO. Elas precisam de algum tipo de avanço espiritual, mas não sabem como obtê-lo.

Finalmente, alguém precisa dizer a elas algo sábio que seja exatamente a coisa que elas precisam ouvir: Entenda que quando Deus olha para você, ele não diz: 'Lá vai aquela prostituta.

 

Ele diz: Você é minha filha(o) amada'". Este é o significado de estar sob a misericórdia sábia e salvífica de Cristo, o Rei. Nos olhos dele, não há prostitutas nem bastardos na família de Deus... Apenas filhos amados, e ele prometeu amá-los para sempre.

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII 

De: 14/01/2018
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2018 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
Usuários online 1 online Visitantes 201056 Visitas