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1 Reis - A benção de Salomão

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Sermão 16 - Referência: 1 Reis 8.12-21

 

INTRODUÇÃO:Tão rapidamente uma boa palavra bíblica ou uma verdadeira expressão teológica pode se transformar em clichê cristão. Veja, por exemplo, a expressão "nascido de novo".

 

Essas palavras expressam a profunda verdade do evangelho que Jesus explicou a Nicodemos e segundo a qual não podemos entrar no reino de Deus a menos que nasçamos do alto pelo Espírito Santo (Jo 1.3-5).

 

Se isso for verdade, então um "cristão renascido" é o único tipo de cristão que existe. No entanto, a frase se tornou um clichê.

 

Esta expressão muitas vezes, é usada para referir-se a alguém que fez uma decisão por Cristo e foi para frente durante uma cruzada evangelística, ou respondeu a um apelo; mesmo se agora o indivíduo não está comprometido com uma vida de discipulado centrada em Cristo. Muitas palavras boas, mas que perderam seu rico sentido.

 

Há muitas outras expressões como essa, incluindo algumas que vêm diretamente da Bíblia. Os cristãos falam sobre "compartilhar as boas-novas", ou de "ser lavado com o sangue de Jesus", ou de estar "cheio do Espírito", ou de tornar-se "irmãos e irmãs em Cristo".

 

A linguagem dessas expressões é bíblica; sua teologia é profunda. No entanto, às vezes, usamos as expressões sem muita reflexão.

 

O mesmo acontece com a palavra "bênção" em suas diversas formas populares: "Deus o abençoe!"; "Isso foi uma bênção"; "Conte suas bênçãos".

 

Os cristãos dizem que foram abençoados com isso e com aquilo. Às vezes, dizem até que foram "abençoados para ser uma bênção". O uso frequente dessas e de muitas expressões semelhantes é uma faca de dois gumes, para dizer o mínimo.

 

Por um lado, quando são usadas corretamente e com reverência, lembram-nos de que a maravilhosa graça de Deus está trabalhando em nossas vidas.No entanto, é possível falar tão levianamente sobre uma bênção que sequer pensamos em Deus ou lhe agradecemos pelo que ele tem feito.

 

 

1. Preâmbulo ao Louvor

 

O rei Salomão teve a sabedoria de não cometer esse erro quando consagrou seu famoso templo em Jerusalém. Deus abençoou Salomão mais do qualquer homem na História.

 

(a) Deus a fonte de todas as bênçãos.

Quando esse grande rei contou suas bênçãos, pôde citar riquezas fabulosas, um intelecto acima da classe mundial, a promessa de uma fama eterna... e isso era apenas o começo.

 

Salomão também recebeu a bênção de fazer algo importante com a sua vida através da construção de uma morada sagrada para o Deus vivo.

 

Salomão sabia que tudo o que tinha e fez era dádiva de Deus, do qual fluem todas as bênçãos. Assim, consagrou seu templo com palavras de bênção.

 

(b) A benção da presença.

Lembre-se do contexto. Depois de sete anos de trabalho e gastos, Salomão concluiu o seu templo — um prédio magnífico de pedra branca, decorado por dentro com ouro brilhante.

 

Mas a pergunta ainda permanecia: será que Deus de fato habitaria com seu povo? Será que ele condescenderia em glória para que seu povo pudesse se encontrar com ele para a oração e o sacrifício?

 

Acreditando que Deus habitaria com o seu povo, Salomão construiu uma casa para o nome de Deus. Quando o edifício sagrado foi concluído, sacerdotes santos subiram no Monte do Templo em procissão solene.

 

Eles estavam carregando a arca da aliança, que representava o trono de Deus e significava o lugar de sua presença terrena.

 

Os sacerdotes cuidadosamente colocaram a arca no Santo dos Santos. Quando terminaram, a glória de Deus desceu em uma nuvem tão espessa que os sacerdotes não podiam sequer ficar no templo.

 

O rei Salomão reconheceu essa nuvem como manifestação do ser divino. Deus desceu para habitar com o seu povo, o que foi confirmado pela nuvem de glória no templo.

 

Em resposta, Salomão alegremente falou palavras que às vezes são representadas na forma de uma poesia: "O SENHOR disse que habitaria na escuridão. Realmente construí para ti uma casa magnífica, um lugar para nele habitares para sempre" (1Rs 8.12-13).

 

(c) A benção da imanência e da transcendência.

Aqui, o rei está expressando o duplo mistério da imanência e da transcendência de Deus. Deus é transcendente: ele é alto e exaltado. Na verdade, ele está tão distante de nós que está envolto em trevas.

 

Essa imagem aparece em outros textos nas Escrituras. Quando Moisés subiu para receber os Dez Mandamentos, por exemplo, ele "se chegou à nuvem escura onde Deus estava" (Êx 20.21. Dt 4.11; 5.22). Da mesma forma, o rei Davi disse que Deus "Das trevas fez um manto em que se ocultou" (Sl 18.11. Sl 97.2).

 

Esse é um dos grandes mistérios do ser divino. Deus está além da nossa compreensão plena; há muitas coisas sobre ele que não podemos ver ou saber.

 

"Verdadeiramente, tu és Deus", disse o profeta Isaías, "misterioso" (Is 45.15). Salomão viu isso no templo, onde Deus apareceu na densa escuridão que ele havia prometido.

 

Ao mesmo tempo, Deus também nos convida a conhecê-lo e a estar perto dele. Ele é transcendente, mas também imanente — ou seja, é um Deus que quer estar conosco.

 

Essa foi exatamente a experiência de Salomão. Ele sabia que Deus estava além do seu alcance, que ele vivia na escuridão.

 

No entanto, também sabia que Deus o havia chamado para construir uma casa na terra que permitiria a Deus uma proximidade íntima com o seu povo.

 

Salomão reuniu esses dois atributos divinos porque sabia que ambos diziam a verdade sobre Deus: a proximidade e a distância, a união e a separação, a imanência e a transcendência.

 

Comentando sobre o templo, Dale Ralph Davis escreve que a nuvem "tanto é a glória do Senhor quanto cobre a glória do Senhor; ela revela e esconde". Davis diz também que essa é uma característica do próprio Deus, que "satisfaz sua necessidade de clareza, mas não sua paixão pela curiosidade".

 

Isso se aplica também à nossa própria experiência com Deus (ou pelo menos deveria se aplicar). Em nosso relacionamento com Deus, precisamos reconhecer tanto a sua imanência quanto a sua transcendência.

 

Deus está mais perto de nós do que nunca, em Jesus Cristo, que veio ao mundo para ser o nosso Deus. Por ser divino e humano, Jesus é chamado de EMANUEL,que significa "Deus conosco" (Mt 1.23).

 

Depois de ter morrido e ressuscitado, quando subiu ao céu, Jesus prometeu estar conosco sempre, até o fim do mundo (Mt 28.20).

 

Então, para cumprir essa promessa, Jesus nos enviou a presença interior do Espírito Santo, que transforma nossas almas em um templo santo para o culto e serviço de Deus. O Deus trino está conosco — Pai, Filho e Espírito Santo.

 

No entanto, Deus permanece transcendente em sua majestade. Ele é o Deus único, infinito em poder e perfeito em glória. Seus caminhos estão acima de nossos caminhos, e os seus pensamentos são mais altos do que os nossos pensamentos.

 

Não podemos ver a plenitude de sua incrível glória ou compreender a perfeição de seus atributos eternos. O Deus trino está muito acima de nós. Conhecer Deus verdadeiramente significa conhecer tanto a sua imanência como a sua transcendência.

 

Em nossa intimidade com Deus, nos momentos em que sentimos a sua presença e falamos com ele como um amigo, não devemos nos esquecer de sua tremenda majestade. Ele é o Deus que se esconde na escuridão.

 

Não devemos querer que fosse de outra maneira, mas alegrar-nos e permanecer em temor diante da glória transcendente de seu ser divino. Ele é Deus, e nós somos apenas suas criaturas.

 

Mas quando Deus parece distante, não devemos esquecer o amor que o Pai tem para conosco, nem da promessa de que Jesus jamais nos deixaria, nem da proximidade de seu Espírito que está sempre presente. O Deus trino está conosco.

 

O rei Salomão reuniu essas duas verdades quando consagrou o templo em Jerusalém. Deus desceu em uma nuvem misteriosa, como ele disse que faria. Mas essa mesma nuvem também provou que Deus estava com eles para abençoá-los.

 

2. Bendito Seja o Senhor

 

O que Salomão disse sobre a presença de Deus na escuridão foi o prefácio do seu discurso de consagração. O coração do rei estava repleto naquele dia. Todas as suas esperanças haviam sido realizadas. Deus desceu para morar na casa que Salomão havia construído.

 

(a) Abençoando o povo.

Agora, no restante do seu discurso, o rei queria agradecer a Deus pelo que ele tinha feito, então pronunciou a DUPLA BÊNÇÃO de uma bênção dupla:

 

"Voltou, então, o rei o rosto e abençoou a toda a congregação de Israel, enquanto se mantinha toda em pé; e disse: Bendito seja o SENHOR, o Deus de Israel" (1Rs 8.14-15).

 

Salomão abençoou o povo, dirigindo palavras de bênção ao seu Deus. Esse evento famoso da história de Israel é parte do pano de fundo do culto na igreja cristã.

 

Salomão estava liderando "a assembleia de Israel" — literalmente, "a congregação", ou o que o Novo Testamento chama de igreja (e.g., Ef 3.21).

 

O rei ergueu as mãos para o alto, que é um gesto antigo e quase universal de bênção. O povo de Deus recebe o mesmo tipo de bênção hoje, quando seus pastores levantam as mãos e pronunciam uma bênção citada ou adaptada de uma bênção bíblica.

 

Salomão abençoou seu povo dirigindo palavras de bênção a Deus. Assim, seu discurso foi uma bênção dupla. O versículo 14 diz que o rei abençoou a assembleia.

 

(b) Louvando a Deus.

No entanto, a bênção que ele dá no versículo 15 não se dirige a assembleia, mas ao seu Deus: "Bendito seja o Senhor". Na verdade, Salomão estava abençoando o povo ao bendizer o seu Deus e convidando-o a fazer o mesmo.

 

Quando Deus nos abençoa, ele nos concede alguns DONS GRACIOSOS, sejam eles físicos ou espirituais.

 

Mas o que significa nós abençoarmos Deus? Não somos capazes de dar-lhe qualquer coisa que ele já não possua, "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas" (Rm 11.36).

 

A única coisa que realmente podemos oferecer a Deus é a nossa ADORAÇÃO e LOUVOR. Abençoar Deus, então, significa agradecer-lhe por todas as suas bênçãos que ele nos dá.

 

A bênção de Salomão focou na fidelidade de Deus. Uma vez que este é um dos atributos familiares de Deus, precisamos ter cuidado para dar-lhe o pleno respeito que ele merece.

 

Os outros deuses dos tempos bíblicos não eram conhecidos por sua fidelidade. "As deidades do antigo Oriente Médio não recebiam notas altas de fidelidade", escreve Dale Ralph Davis.

 

"Fato é que, mesmo quando uma divindade pagã lhe garantisse sua bênção, você não podia acreditar nessa garantia, pois alguma outra divindade pode exercer seu direito de veto e cancelar o benefício destinado a você”.

 

Esse é o resultado quando o mundo é administrado por um comitê de deuses (às vezes chamado de panteão).

 

Temos o mesmo problema com nossas próprias deidades — os pequenos deuses nos quais confiamos para que nos ajudem a dar conta da vida.

 

Adoramos o PRAZER, mas nossos apetites crescem e nunca nos satisfazemos.

 

Confiamos em DINHEIRO, mas depois descobrimos que ele não pode comprar o amor, nem mesmo segurança.

 

Dependemos de outras pessoas, mas mais cedo ou mais tarde, elas nos decepcionam.

 

Deidades terrestres são infiéis; todos os nossos deuses menores falharão. No entanto, Deus é fiel do começo ao fim. Essa foi a experiência de Salomão.

 

Então, ao abençoar o Senhor, ele agradeceu a Deus por muitos aspectos diferentes da sua fidelidade.

 

 

 

(c) Louvando pelas promessas.

Deus foi fiel e cumpriu suas promessas, especificamente para a casa de Davi. Salomão disse: "Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, que falou pessoalmente a Davi, meu pai" (1Rs 8.15).

 

Deus prometera dar a Davi um filho que se assentaria no seu trono e construiria uma casa para Deus.

 

Salomão contou a história dessa promessa com as seguintes palavras: Também Davi, meu pai, propusera em seu coração o edificar uma casa ao nome do Senhor, o Deus de Israel.

 

Porém o Senhor disse a Davi, meu pai: Já que desejaste edificar uma casa ao meu nome, bem fizeste em resolvê-lo em teu coração. “Todavia, tu não edificarás a casa, porém teu filho, que descenderá de ti, ele a edificará ao meu nome" (1Rs 8.17-19).

 

Essa promessa foi originalmente dada em 2 Samuel 7, em que Deus disse a Davi: "Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino" (2Sm 7.12-13).

 

A sequência desses eventos nos lembra das muitas vezes que precisamos esperar até que Deus cumpra as suas promessas. Muitas das promessas que Davi recebeu não foram cumpridas em sua vida.

 

Diferente do clichêmoderno que diz: quem tem promessas não morre; Davi tinha promessas e morreu. Hebreus diz que todos os homens de fé morreram na promessa.

 

Assim, o rei teve de conviver com a decepção. Seu sonho de construir um templo era louvável, a Bíblia diz que ele fez bem em ter esse desejo santo em seu coração; contudo, Deus também disse a Davi que alguém construiria o prédio.

 

Assim, Davi teve de viver pela fé na promessa de Deus, na esperança de que Deus cumpriria sua promessa depois de sua morte. Salomão reconheceu que agora a promessa se tornara realidade.

 

Pela graça de Deus e continuando seu trabalho apesar de toda a oposição e rebeliões descritas em 1Reis 1 e 2, Salomão ascendeu ao trono de Davi. Em seguida, o novo rei construiu um templo, o que também aconteceu pela graça de Deus, como descrevem os capítulos 5 a 7.

 

As promessas que Deus fez a Davi estavam se tornando realidade, como sempre acontece, porque Deus é um Deus fiel. Para nós, essas promessas assumem uma dimensão adicional em Jesus Cristo.

 

Deus ainda está construindo seu templo hoje, um templo espiritual dedicado a Deus pelo ministério de Jesus como maior Filho de Salomão. Isso também é um sinal da fidelidade de Deus, pois constrói o seu povo como casa espiritual para o louvor do seu nome.

 

3. Louvando pela fidelidade.

 

Deus também é fiel de outras formas. Ele é fiel em salvar seu povo. Salomão faz alusão a isso quando cita Deus dizendo: "Desde o dia em que tirei Israel, o meu povo, do Egito" (1Rs 8.16) — uma referência ao famoso êxodo de Israel do Egito, quando Deus conduziu seu povo pelo mar em terra seca.

 

O rei lembra esses eventos salvíficos mais uma vez ao se referir à "aliança que o Senhor fez com nossos pais, quando os tirou da terra do Egito" (1Rs 8.21).

 

Salomão estava inserindo o templo em seu contexto histórico e teológico adequado.

 

Esse projeto de construção era apenas o capítulo mais recente da longa história da salvação de Israel. Deus havia sido fiel salvando seu povo e, em seguida, dando-lhe um lar na Terra Prometida.

 

Ao cumprir suas promessas, ele estava honrando seu próprio nome. Na verdade, o "nome" de Deus realmente é a sua REPUTAÇÃO.

 

O "nome" de Deus é mencionado muitas vezes nesses versículos. O versículo 16 menciona um tempo em que Deus ainda não tinha associado o seu nome sagrado a uma casa específica em alguma cidade específica.

 

Mas o versículo 18 honra Davi por seu desejo de construir uma casa ao nome de Deus, e o versículo 19 promete que seu filho realmente construiria a casa para o nome de Deus.

 

Então Salomão construiu seu templo e disse: "Assim, cumpriu o Senhor a sua palavra que tinha dito, pois me levantei em lugar de Davi, meu pai, e me assentei no trono de Israel, como prometera o Senhor; e edifiquei a casa ao nome do Senhor, o Deus de Israel" (1Rs 8.20).

 

Salomão fez o que Deus prometeu: ele construiu uma casa ao nome de Deus, o que provou que Deus foi fiel ao construir uma reputação para si mesmo com o templo.

 

Nós cristãos reformados gostamos de citar a primeira pergunta e resposta do Breve Catecismo de Westminster. Pergunta: "QUAL É O FIM PRINCIPAL DO HOMEM?". Resposta: "O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre".

 

Mas nem todo mundo percebe que o fim principal do homem também passa a ser O FIM PRINCIPAL DE DEUS. O grande propósito do próprio Deus é glorificar a si mesmo.

 

Ao fazer isso, Deus não está sendo egoísta ou egocêntrico, mas simplesmente reconhecendo a verdade que está no epicentro do universo: Deus é o Ser Supremo, o único que é infinitamente digno de louvor.

 

Além disso, é bom que todos reconheçam essa verdade, inclusive nós, porque quando conhecemos a verdadeira glória de Deus, podemos entender o nosso lugar no universo e entrar em um relacionamento correto com nosso Criador.

 

Nos dias de Salomão, Deus ajudou as pessoas a fazerem isso, colocando seu nome glorioso no templo.

 

Dizer que o nome de Deus estava no templo era outra maneira de dizer que o próprio Deus estava no templo, e isso foi outro aspecto de sua fidelidade em cumprir suas promessas. DEUS FOI FIEL NA SUA PRESENÇA.

 

Enquanto Salomão obedecesse à lei, Deus habitaria com seu povo Israel e nunca o abandonaria (1Rs 6.11-13). Uma vez que o templo havia sido construído como um lugar de sua morada (1Rs 8.13), Deus cumpriu a sua promessa: ele se fez presente no templo em Jerusalém.

 

Para ser mais específico, ele foi entronizado entre os querubins sobre a arca que representava a sua presença terrena. Como Salomão disse:

 

"E nela constituí um lugar para a arca, em que estão as tábuas da aliança que o Senhor fez com nossos pais, quando os tirou da terra do Egito" (1Rs 8.21).

 

A lição que podemos aprender com tudo isso é que Deus é sempre fiel. Ele é fiel em cumprir suas promessas, elaborando o seu plano de salvação. Ele é fiel em estar presente com o seu povo, trazendo honra para a glória de seu nome.

 

Nunca houve uma promessa que Deus não cumpriu ou não cumprirá quando chegar o momento de sua realização.

 

Todos nós já vivenciamos a fidelidade de Deus em nossa própria vida como Salomão a vivenciou no reino de Israel?

 

Lembre-se de tudo o que Deus tem feito por você. Ele tem sido fiel ao cumprir todas as suas promessas; Ele satisfez todas as suas necessidades diárias; perdoou seus pecados. Ele está fielmente fazendo o trabalho de sua salvação.

 

Deus é fiel em nos chamar, justificar, adotar como sua família e em nos santificar.Em breve, ele será fiel em nos glorificar. Deus nos prometeu tudo isso em Cristo e ele cumprirá fielmente, "Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim" (2 Co 1.20).

 

Se às vezes somos tentados a pensar que Deus não tem sido fiel, então isso se deve à nossa falta de atenção, ou então a uma esperança nossa de que Deus fará algumas coisas que ele nunca prometeu.

 

Ele não prometeu PROSPERIDADE FINANCEIRA — prometeu apenas que satisfará as nossas necessidades diárias.

 

Ele não nos prometeu uma vida LIVRE DE SOFRIMENTO — prometeu apenas que estaria conosco em cada provação, antes de levar-nos para casa para a sua glória.

 

Ele não prometeu REVELAR-NOS O FUTURO — prometeu apenas que nos daria a orientação que precisamos para o dia de hoje.

 

Ou, talvez, o nosso problema seja que somos impacientes demais para aguardar a hora de Deus — nesse caso precisamos esperar que ele cumpra suas promessas quando for a hora certa.

 

À medida que contamos como Deus tem sido fiel em manter todas as suas promessas, devemos ter a certeza de fazer o que Salomão fez e abençoá-lo por isso.

 

O puritano Matthew Henry encontrou uma boa maneira de expressar isto. "O que nos serve como prazer, deve servir também como louvor a Deus".

 

Podemos pegar esse princípio e torná-lo pessoal: "De tudo o que me dá prazer, Senhor, quero que o louvor seja teu”. “Devolvo a ti toda a ação de graças que sua fidelidade merece".

 

Martinho Lutero gostava de dizer que toda a vida cristã é uma VIDA DE ARREPENDIMENTO.Mas a vida cristã é também uma VIDA DE BÊNÇÃO, na qual bendizemos a Deus por todas as maneiras como ele nos abençoa.

 

4. Bendito seja Salomão

 

Há um aspecto da bênção de Salomão que alguns estudiosos têm criticado bastante.

 

Eles observam que o rei fala muito sobre suas próprias realizações, a ponto de glorificar-se nelas. Salomão diz ao Senhor: "Na verdade, edifiquei uma casa para tua morada, lugar para a tua eterna habitação" (1 Rs 8.13).

 

Aqui, o rei chama a atenção para a beleza do templo, chamando-o de "uma casa magnífica" — uma expressão que também poderia ser traduzida como "uma morada excelsa" ou "uma residência principesca".

 

Ao mesmo tempo, ele também está chamando atenção ao fato de que ele foi o único que construiu essa casa.

 

Mais adiante em seu discurso, depois de bendizer a Deus por sua fidelidade em cumprir a sua promessa, Salomão enumera mais algumas de suas realizações:

 

"Assim, cumpriu o Senhor a sua palavra que tinha dito, pois me levantei em lugar de Davi, meu pai, e me assentei no trono de Israel, como prometera o Senhor; e edifiquei a casa ao nome do Senhor, o Deus de Israel. E nela constituí um lugar para a arca, em que estão as tábuas da aliança que o Senhor fez com nossos pais, quando os tirou da terra do Egito" (1 Rs 8.20-21).

 

(a) louvando por Abençoar a outros.

Salomão fala tanto de si mesmo que alguns veem todo o seu discurso como engrandecimento próprio: Parece que Salomão fala do Senhor que manteve a promessa, na verdade os versículos felicitam Salomão por sua realização.

 

Há pelo menos duas maneiras de defender Salomão da acusação de jactância pecaminosa.

 

Uma delas é insistir que ele está abençoando a Deus por tê-lo usado como bênção para os outros, e isso sempre é apropriado.

 

Salomão não está tratando o templo que ele construiu como uma conquista individual, MAS COMO ALGO QUE ELE FOI CAPAZ DE FAZER PELA GRAÇA DE DEUS.

 

Quando consagra o templo, tudo o que ele diz sobre si mesmo é inserido no contexto da fidelidade de Deus.

 

SALOMÃO ENTENDEU A DIFERENÇA ENTRE NOS ELOGIARMOS POR AQUILO QUE TEMOS FEITO E LOUVAR A DEUS POR AQUILO QUE ELE NOS PERMITIU FAZER.

 

O rei tinha acabado de concluir um projeto de construção que estabeleceria sua fama duradoura.

 

A nação inteira se reuniu para o CULTO DE CONSAGRAÇÃO. Teria sido a coisa mais natural do mundo se as pessoas tivessem dado todo o crédito a ele para essa conquista.

 

Mas Salomão queria que todos soubessem que tudo isso era obra de Deus.Então ele começou seu discurso abençoando o Senhor. Ao louvar a Deus pela casa, provou que realmente a construíra "ao nome do Senhor" (1Rs 8.20).

 

(b) Louvando pelo que fizemos.

 

Isso é um bom modelo para a nossa ação de graças. Sempre que dermos graças a Deus, devemos começar louvando-o pelas perfeições de seu próprio ser.

 

Devemos louvar a Deus da maneira como Salomão o louvou, abençoando-o pela sua fidelidade em manter todas as promessas de nossa salvação.

 

MAS, ALÉM DE LOUVAR A DEUS POR QUEM ELE É E POR AQUILO QUE ELE TEM FEITO, É TAMBÉM CONVENIENTE QUE LHE AGRADEÇAMOS POR AQUILO QUE FIZEMOS EM SEU NOME.

 

Sempre que tivermos a chance de fazer algo bom para o reino, Deus é o único que merece os nossos agradecimentos e louvores.

Como Matthew Henry disse: "Todo bem que fazemos, devemos vê-lo como realização da promessa que Deus nos deu, em vez de vê-lo como realização de nossas promessas a ele".

 

Tudo que Salomão fez ao construir o templo foi um testemunho da fidelidade do seu Deus. O mesmo acontece com as nossas próprias realizações, especialmente no ministério.

 

Quando as pessoas nos elogiam por um trabalho bem feito — no ensino, talvez, ou na realização de algum ato prático de caridade — podemos honestamente admitir que o que foi feito é realmente louvável, mas também temos de insistir que Deus é o único que realmente merece o louvor.

 

Em vez de chamarmos qualquer atenção para nós mesmos, devemos dar crédito àquele que merece todo crédito, bendizendo a Deus por nos abençoar: "Bendito seja, Senhor, por aquilo que tens feito, mesmo por meio de mim".

 

5. O Dever Real

 

Outra maneira de defender Salomão da acusação de jactância egoísta é lembrar seu chamado. Quando ouvimos Salomão mencionar suas realizações, podemos ser tentados a perguntar: "Quem esse homem pensa que é?".

 

(a) O rei do reino de Deus.

A resposta é claro, é que ele é o rei do reino de Deus, o homem escolhido por Deus para conduzir seu povo. Ele não é simplesmente uma pessoa privada, mas rei ungido do Senhor.

 

Há referências ao ofício real de Salomão em toda essa passagem. No versículo 16, Deus diz: "Desde o dia em que tirei Israel, o meu povo, do Egito, não escolhi cidade alguma de todas as tribos de Israel, para edificar uma casa a fim de ali estabelecer o meu nome; porém escolhi a Davi para chefe do meu povo de Israel" (1Rs 8.16).

 

Assim como Deus escolheu um povo para si mesmo (Israel) e um lugar para esse povo viver (Jerusalém), escolheu também um rei para governá-lo (Davi).121 Davi era o rei por vocação divina e eleição soberana.

 

Isso também fazia parte da fidelidade de Deus: deu ao seu povo o rei de sua escolha. Como Deus disse por intermédio do salmista: "Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo" (Sl 89.3. 132.11-12).

 

Agora, o rei eleito por Deus era Salomão. Deus havia prometido a Davi um filho que se assentaria no seu trono e construiria um templo sagrado. Salomão era o filho. Ele também tinha um chamado divino para o ofício real.

 

Seu reinado foi uma escolha graciosa de Deus — uma eleição soberana para uma vocação real. Salomão se alegrou com seu chamado para ser rei. Ao bendizer a Deus por abençoá-lo, ele estava comemorando suas realizações reais.

 

(b) De Deus, por Deus, e para Deus.

 

Algumas pessoas refutam esse argumento, alegando que Salomão estava usando essa ocasião para transformar o templo em seu próprio benefício. "

 

Para alguns parece que o templo é de Salomão e por Salomão e, inevitavelmente, para Salomão. Assim, o templo se torna um palco extravagante para expor, verbalizar e insistir em suas reivindicações reais.

 

Essas críticas nos ajudam a ver o que realmente está acontecendo nessa passagem e também a conectá-la à mensagem salvífica do evangelho. O templo não é de Salomão, por Salomão, nem para Salomão.

 

Pelo contrário, ele é de Deus, por Deus e para Deus — como tudo em todo o universo (Rm 11.36). O discurso de Salomão deixa isso claro quando bendiz a Deus pela bênção do templo.

 

No entanto, é absolutamente correto reconhecer um vínculo estreito entre o templo e o rei. Na verdade, esta é uma das maneiras pelas quais 1 Reis nos ajuda a compreender o evangelho de Jesus Cristo.

 

Construir uma casa para a adoração de Deus é um dever legítimo do legítimo rei de Deus.

 

Quando Salomão se alegra com o que fez — ou, melhor, quando se alegra com o que Deus lhe permitiu a fazer—, ele está comemorando o cumprimento de seu dever real. A bênção que ele pronuncia é uma bênção real do começo ao fim.

 

Nós mesmos recebemos essa bênção em Jesus Cristo, que é o Salomão maior do reino de Deus. Jesus é o verdadeiro e real Filho de Davi, escolhido para assentar-se no trono de seu pai. Ele também é o construtor real do templo eterno de Deus.

 

Na verdade, ele é o próprio templo, porque ele é o Deus encarnado. Ou seja, Jesus Cristo é totalmente humano e totalmente divino, o que significa que a sua própria pessoa é a morada de Deus. É exatamente isso que o templo pretendia ser: um lugar onde Deus habita.

 

Salomão só podia esperar que Deus habitasse em seu templo para sempre (1Rs 8.13), mas em Cristo essa esperança se tomou uma realidade.

 

Jesus disse às pessoas: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei" (Jo 2.19). Quando disse isso, Jesus "se referia ao santuário do seu corpo" (Jo 2.21).

 

O que ele disse era, na verdade, uma profecia, porque três dias depois de seu corpo ser morto na cruz, Jesus voltou à vida eterna. Então os seus discípulos se lembraram do que ele disse sobre derrubar e levantar o templo e reconheceram que ele havia se referido à crucificação e ressurreição.

 

Ao acreditarem no Cristo crucificado e ressuscitado receberam a bênção da vida eterna. Jesus é o Rei. Jesus é o templo. Jesus é aquele que nos dá todas as bênçãos do nosso Deus fiel.

 

CONCLUSÃO:Isso não deveria passar como mero clichê, mas ser uma verdade que comemoramos. Com o coração cheio de louvor, o apóstolo Paulo disse:

 

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (Ef 1.3).

 

Sim, todas as bênçãos de Deus nos pertencem por meio da fé em Jesus Cristo.

 

Jesus nos abençoa com o perdão integral de todos os nossos pecados; com a justiça que precisamos para estar diante de Deus.

 

Jesus nos abençoa com o “estatus” privilegiado de sermos filhos e filhas do Deus Altíssimo.

 

Jesus nos abençoa com a promessa fiel de sua provisão para todas as necessidades; com a presença viva do seu Espírito Santo; com a garantia total da vida eterna; e com um milhão de outras bênçãos que ele nos dá.

 

Quando recebemos essas bênçãos, devemos dizer o que Salomão disse: "Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel" (1Rs 8.15), e também o que Paulo disse: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" (Ef 1.3).

 

É bom dizermos: "Deus o abençoe!", contanto que realmente estejamos querendo dizer isso e não estejamos simplesmente repetindo um clichê cristão.

 

Mas também é bom mudarmos a ordem das palavras, para redirecionar a nossa bênção em direção a Deus e dizer: "BENDITO SEJAS, DEUS, POR TODAS AS BÊNÇÃOS QUE TENS DADO A NÓS".

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 15/01/2018
Por: Jairo Carvalho

2011 - 2018 Pregação Expositiva
Desenvolvimento: Agência Kairós
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