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1 Reis - A arca da aliança e a glória

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

 Sermão 15 -  Reis 8.1-11 

 

Introdução

 

Sem sombra de dúvida, foi o culto mais extraordinário que qualquer um deles já havia testemunhado.

 

Na verdade, pode ter sido a adoração mais arrepiante e impressionante que qualquer grupo de seres humanos jamais ofereceu ao Deus vivo.

 

Tente imaginar a cena descrita em 2 Crônicas 5. Durante uma semana inteira, toda a nação de Israel se reuniu em torno do templo de Deus no alto do Monte Sião.

 

Quando a festa se aproximou de seu clímax, o rei Salomão apareceu, em toda a sua glória, e com ele os líderes do povo.

 

Sob os olhares das pessoas, milhares de sacerdotes estavam ali para o serviço no templo.

 

Esses homens haviam se consagrado para o serviço de Deus por meio da lavagem na grande bacia de bronze que ficava perto do Lugar Santo — o mar da purificação — e todos usando um tecido branco e limpo, um linho fino.

 

Cantores do coro levítico e vários instrumentistas estavam do lado de fora do templo com suas harpas, liras e címbalos, sem falar das 120 trombetas — era a orquestra do Deus vivo.

 

Juntos, todos esses músicos iniciaram seu louvor. Com uma só voz eles ofereceram uma melodia de ação de graças a Deus. Seu texto musical era um refrão famoso do rei Davi:

 

 "porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre" (2 Cr 5.13, Sl 136).

 

À medida que as pessoas adoravam, a glória desceu para preencher o templo de Salomão com a fumaça santa.

 

No centro estava a única coisa digna de tantos louvores: a santa presença do Deus vivo.

 

A arca da aliança estava voltando para a casa de Deus. Com a arca, o templo se transformaria naquilo que Salomão pretendia ao construí-lo:

 

não apenas em um belo edifício, mas no centro de adoração de seu povo, na morada terrena do Deus vivo e verdadeiro.

 

 

 

 

 

I – DEUS MERECE O LOUVOR DE TODOS.

 

Obs: A palavra “todos” aparece nos versículos 1, 2, 3 e 5. (Ler)

 

Os mesmos eventos são descritos de forma um pouco menos dramática em 1 Reis 8, em que não lemos nada sobre o cântico de salmos ou o toque de trombetas, mas lemos sobre a arca sagrada da santa aliança de Deus e, portanto, podemos aprender algo sobre o caráter de Deus e o significado de ter um relacionamento com ele por meio da fé.

 

O capítulo 7 de 1Reis termina dizendo que "toda a obra que fez o rei Salomão para a Casa do Senhor; então, trouxe Salomão as coisas que Davi, seu pai, havia dedicado; a prata, o ouro e os utensílios, ele os pôs entre os tesouros da Casa do Senhor" (1Rs 7.51).

 

 De todos os móveis que Salomão trouxe para o templo de Deus, o mais importante — de longe — foi o baú sagrado “a Arca” que representava a presença de Deus.

 

Era chamado de arca da aliança por causa de seu conteúdo: "Nada havia na arca senão as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel, ao saírem da terra do Egito" (1Rs 8.9).

 

A mesma aliança que Moisés trouxe do monte (Êx 25.16; 40.20; Dt 10.1-5) — com todas as suas promessas e mandamentos — ainda se encontrava nessa arca.

 

Isso serviu como um lembrete constante do amor de Deus pelo seu povo, e da sua obrigação de observar sua santa lei.

 

Enquanto a arca estava em Jerusalém, a aliança de Deus estava com seu povo.

 

Antes de trazer a arca para dentro do templo, Salomão precisava primeiro buscá-la: "Congregou Salomão os anciãos de Israel, todos os cabeças das tribos, os príncipes das famílias dos israelitas, diante de si em Jerusalém, para fazerem subir a arca da Aliança do Senhor da Cidade de Davi, que é Sião, para o templo" (1Rs 8.1).

 

Entender onde a arca se encontrava, ajuda saber mais sobre a sua história.

 

A arca da aliança foi feita por Bezalel, que foi ungido pelo Espírito Santo para servir como mestre artesão de Israel nos dias de Moisés (Êx 37.1-9).

 

Durante 40 anos, os israelitas levaram a arca pelo deserto enquanto vagavam de lugar para lugar.

 

Sempre que acampavam, colocavam a arca dentro do tabernáculo, que era a morada portátil de Deus.

 

Quando os israelitas finalmente entraram na Terra Prometida, a arca da aliança foi à frente (Js 3.14-17).

 

Finalmente, montaram o tabernáculo em Siló, que por muitos anos foi o lugar onde Israel realizou suas assembleias solenes de adoração (Js 18.1).

 

Em algum momento, o tabernáculo foi transferido para Gibeão (2Cr 1.3), e, quando retornou, a arca foi colocada separadamente em Quiriate-Jearim.

 

No entanto, o rei Davi queria a arca mais perto de Jerusalém; por isso, organizou uma grande procissão para trazê-la para a cidade num carro de bois.

 

Foi uma viagem memorável, porque em determinado momento, quando os bois tropeçaram, um homem chamado Uzá estendeu a mão para tocar a arca e morreu instantaneamente.

 

Quando Davi percebeu quão santa a arca era, e quão perigosa podia ser, decidiu não levá-la para Jerusalém, mas deixá-la na casa de Obede-Edom.

 

Mas Deus abençoou Obede e, assim, o rei decidiu trazer a arca com grande alegria para Jerusalém (2Sm 6.1-15), pois tal como a arca havia abençoado a casa de Obede-Edom,

 

Quando Salomão construiu o templo, a arca da aliança já estava em Jerusalém.

 

Ela não se encontrava no Monte do Templo, mas em algum lugar mais abaixo do monte, em uma tenda que Davi havia erguido para ela (2Sm 6.17; 2Cr 1.4).

 

Na verdade, Salomão ofereceu sacrifícios diante da arca na noite em que teve seu famoso sonho e recebeu o precioso dom da sabedoria de Deus.

 

Havia chegado a hora de trazer a arca para o alto da montanha. Então o rei Salomão convocou uma assembleia nacional de adoração, e aqui aprendemos que o nosso Deus merece os louvores de todos:

 

"Todos os homens de Israel se congregaram junto ao rei Salomão na ocasião da festa, no mês de etanim, que é o sétimo.

 

Vieram todos os anciãos de Israel, e os sacerdotes tomaram a arca do Senhor e a levaram para cima, com a tenda da congregação, e também os utensílios sagrados que nela havia; os sacerdotes e levitas é que os fizeram subir" (1Rs 8.2-4).

 

Salomão terminou de construir a casa para Deus no oitavo mês (1Rs 6.38).

 

A arca foi trazida no sétimo mês, o que — presumivelmente — significa que o templo foi dedica-do pouco tempo antes de ter sido concluído, ou então (e isso parece mais provável) 11 meses depois, o que daria tempo suficiente para planejar uma celebração adequada:

 

Dado que ocorreu no sétimo mês do ano, a celebração foi programada para coincidir com a Festa dos Tabernáculos.

 

O simbolismo dessa data não teria passado despercebido por ninguém em Israel, pois, durante a Festa dos Tabernáculos, as pessoas viviam em tendas e outros abrigos temporários, como forma de lembrar a fidelidade de Deus durante os anos em que vagaram pelo deserto.

 

Mas agora que os seus dias errantes pertenciam ao passado e eles tinham um lugar mais permanente para viver, estava na hora de Deus também receber uma moradia fixa.

 

O tabernáculo havia sido adequado para o deserto; porém, era o momento de Deus voltar para casa e viver com seu povo na terra, como havia prometido (Dt 12.11).

 

Esse retorno divino exigia a presença de todos em Israel, começando pelo próprio rei.

 

 Assim Salomão reuniu todos os anciãos de Israel — os homens que forneciam a liderança espiritual para o povo de Deus.

 

Em seguida, convocou os líderes das várias tribos em Israel, assim como os pais de todas as famílias.

 

Os sacerdotes também estavam presentes, e os levitas carregaram a arca e os utensílios sagrados que eram usados para a adoração e o sacrifício, de acordo com a lei de Deus (Nm 4).

 

Aqui podemos observar um princípio importante de liderança espiritual: certos homens são chamados para liderar as pessoas na adoração a Deus.

 

Hoje, essa é uma das responsabilidades dos pastores na igreja.

 

O primeiro exercício de sua autoridade espiritual é cumprir seu próprio propósito principal na vida, que é glorificar a Deus.

 

Quando os líderes adoram a Deus, tanto em particular como em público, inspiram outras pessoas à adoração de Deus.

 

Quando as pessoas veem como os homens que elas respeitam são cativados pelo evangelho de Jesus Cristo e se alegram na presença do Espírito Santo, são atraídas para participar dessa adoração.

 

Em uma igreja onde os homens adoram a Deus, quase sempre haverá muitas mulheres e crianças. Esse sempre foi o plano de Deus para o louvor de seu povo.

 

A mesma coisa acontece na vida de uma família, em que os pais são responsáveis diante de Deus pela adoração em seus lares.

 

Quando um homem ouve a voz de Deus falando nas Escrituras e fala com Deus em oração, ele orienta seu coração pela eternidade, e, pela graça de Deus, seus filhos o seguirão.

 

Por isso que nós como pais, não podemos negociar a nossa vinda aos nossos cultos. Quantos que ainda não sabe discernir o que é primazia.

 

O lugar mais importante, o melhor lugar para estarmos com a nossa família, é na casa de Deus.

 

É aqui que Deus ordena a sua benção, é aqui que Deus de forma peculiar nos ensina, nos corrige e nos santifica por meio da sua Palavra.

É estando aqui pais, que vocês terão graça de Deus para corrigir vossos filhos quando forem rebeldes.

 

É estando aqui maridos, que vocês terão graça de Deus para orientar vossas esposas nos dias das dificuldades.

 

Quem é suficiente para essas coisas, e quem pode se dar ao luxo de negligenciá-las?

 

Mantenha também a adoração familiar fazendo o devocional. Escolha o momento em que todos estarão reunidos em casa.

 

Cante um hino com toda a família. Ore com sua família no devocional.

 

Em todas as coisas que um homem faça na vida, ele deve ser um exemplo na adoração a Deus.

 

Israel desfrutou desse tipo de liderança sob Salomão, e os resultados disso foram maravilhosos.

 

De acordo com o versículo 2, "todos os homens de Israel" se reuniram para a adoração a Deus, mas o versículo 5 inclui as mulheres e crianças: "toda a congregação de Israel".

 

E é assim que deveria ser, pois Deus merece o louvor de todos. Ele é o Criador de todo o universo e o Senhor de toda a graça.

 

Portanto, todos devem louvá-lo: homens e mulheres, nativos e estrangeiros, jovens e idosos, ricos e pobres — não há uma única pessoa que não deva dar louvores a Deus.

 

Devemos louvá-lo hoje também. Mude o seu comportamento quando estiver louvando ao Senhor. Não fique de lábios cerrados. Esteja a vontade para levantar suas mãos. Louve ao Senhor da Glória!

 

Quando nos reunimos na igreja, não podemos ficar como expectadores. Precisamos ter um coração grato e nos alegrarmos com louvores a Deus.

 

Nos dias de Salomão, Deus estava presente na arca da aliança; agora ele está presente na nossa vida na pessoa de seu Filho e pelo poder do seu Espírito.

 

Jesus disse que sempre que duas ou três pessoas se reúnem em seu nome, ele está em seu meio (Mt 18.20).

 

Por isso, toda vez que adoramos, experimentamos algo mais surpreendente do que a arca da aliança: a própria presença de Deus!

 

Essa é uma das razões pelas quais o culto público é uma das nossas grandes prioridades:

 

assim como Salomão convocou a nação de Israel no topo da montanha, nós também fomos convidados para um encontro com o Deus vivo.

 

Todo mundo deve louvá-lo, respondendo ao chamado e obedecendo a ordem dada no verso final do último salmo: "Todo ser que respira louve ao SENHOR!" (Sl 150.6).

 

 

II – DEUS EXIGE TODOS OS SACRIFÍCIOS. (V.5)

 

O Deus que merece elogios de todos também exige todos os sacrifícios.

 

Vemos isso nas inúmeras ofertas feitas quando a arca subiu ao Monte do Templo: "O rei Salomão e toda a congregação de Israel, que se reunira a ele, estavam todos diante da arca, sacrificando ovelhas e bois, que, de tão numerosos, não se podiam contar" (1Rs 8.5).

 

Isso nos lembra de algo que aconteceu quando Davi primeiro trouxe a arca a Jerusalém: "Sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros cevados" (2Sm 6.13).

 

Deve ter sido uma viagem lenta: a cada seis passos, os sacerdotes paravam, colocavam a arca no chão e faziam outro sacrifício sangrento.

 

Salomão fez algo semelhante. Se ele fez isso a cada seis passos ou não, ele e seu povo ofereceram tantos sacrifícios que as pessoas perderam a conta de todos eles.

 

Parece quase estranho que isso não tenha sido relatado justamente num livro que gosta tanto de contagens e números (por exemplo, 1 Rs 8.63); mesmo assim, a verdade é que Salomão fez mais sacrifícios do que conseguiam contar.

 

Esses sacrifícios eram oferecidos a Deus como ações de graças, e, presumivelmente, também como expiação do pecado.

 

As pessoas estavam na presença de Deus representada pela arca da aliança.

 

Para que pessoas profanas pudessem estar na presença de um Deus santo, a expiação dos seus pecados precisava ser feita.

 

Como não há perdão de pecados sem derramamento de sangue (Hb 9.22), essa expiação precisava ser paga com sangue; nesse caso, com o sangue de animais que servia como substitutos para o povo de Deus.

 

Esses animais pertenciam a Deus porque haviam sido feitos por ele, e em sua morte glorificavam seu Criador.

 

Apenas uma divindade infinitamente digna pode exigir um sacrifício tão caro, mas ela o exigiu.

 

Assim, as pessoas, com reverência e alegria, felizmente, ofereceram-lhe incontáveis sacrifícios pagos com sangue.

 

Os sacrifícios de animais eram especialmente apropriados diante da arca da aliança, que continha as tábuas da Lei de Deus e servia como lugar onde Israel fazia a sua expiação anual do pecado.

 

Embora muitas ofertas fossem feitas ao longo do ano — vários sacrifícios pelo pecado e muitos sacrifícios de ação de graças —, uma delas era a mais importante de todas:

 

o sacrifício expiatório de sangue, que era aspergido sobre a arca da aliança.

 

Todos os anos, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote fazia um sacrifício expiatório por todos os pecados do povo de Deus (Lv 16).

 

Isso acontecia durante a Festa dos Tabernáculos, que, como vimos, foi quando Salomão dedicou o templo.

 

No Dia da Expiação, o sumo sacerdote de Israel levava o sangue do sacrifício para o Santo dos Santos e o aspergia sobre o propiciatório da arca (Lv 16.15-16, Êx 25.17-22).

 

Esse ato reconhecia a culpa de seus pecados, pagava o preço por sua expiação e afastava a ira de Deus.

 

O Dia da Expiação ajudava a preparar o povo de Deus para um Salvador.

 

Os profetas sempre disseram que um dia um Salvador viria para fazer o sacrifício perfeito que Deus exigia pelo pecado, oferecendo a sua vida como uma expiação por muitos pecadores (Is 53.3-12).

 

 Em vez de fazer inúmeros sacrifícios, o Salvador pagaria por todos os nossos pecados em um único dia (Zc 3.9).

 

Jesus fez esse sacrifício salvífico na cruz. Como dizem as Escrituras: ele "se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado" (Hb 9.26).

 

Esse é o evangelho da nossa salvação, em que Deus provê o sacrifício que exige. Jesus, o Filho de Deus, ofereceu-se como a expiação pelos nossos pecados.

 

No que diz respeito à nossa salvação, não precisamos mais fazer sacrifícios.

 

Como a exigência de Deus tem sido plenamente satisfeita por meio da cruz, não há mais sacrifício que devemos ou até mesmo podemos fazer pelos nossos pecados.

 

Tudo que ainda podemos devolver a Deus é a oferta do nosso louvor. Esses sacrifícios da nossa ação de graças devem ser como aqueles que Salomão fez para a arca da aliança: mais do que toda pessoa possa contar.

 

Robert Coleman conta uma história que ilustra o tipo de sacrifício que Deus nos chama a fazer em seu serviço.

 

A irmã de um pequeno garoto precisava de uma transfusão de sangue. Ela sofria da mesma doença que o próprio menino sobrevivera dois anos antes.

 

 

O médico explicou que sua única chance de recuperação era uma transfusão de sangue de alguém que havia vencido a mesma doença.

 

Uma vez que os dois filhos compartilhavam do mesmo tipo de sangue raro, seu irmão era o doador ideal.

 

"Você daria seu sangue para a Mary?", perguntou o médico. Johnny hesitou no início, mas com seus lábios trêmulos, finalmente disse: "Claro, para a minha irmã eu dou".

 

 Logo as crianças foram levadas para a sala do hospital — Mary, pálida e magra; Johnny, robusto e saudável.

 

Nenhum dos dois falou nada, mas quando seus olhos se encontraram, Johnny sorriu.

 

Seu sorriso desapareceu quando a enfermeira inseriu a agulha em seu braço, e ele observou o sangue passando pelo tubo.

 

Quando essa provação estava acabando, a voz trêmula de Johnny quebrou o silêncio. "Doutor", ele disse, "quando vou morrer?".

 

Foi só então que o médico percebeu por que Johnny havia hesitado antes de concordar com a doação: acreditava que o médico estava pedindo todo o seu sangue! Ainda assim, por amor à sua irmã, ele estava disposto a dar-lhe tudo.

 

Algum dia, Deus pode exigir o sangue da nossa vida para seu serviço. Se ele o fizer, certamente o merece. Afinal de contas, seu Filho deu o sangue da sua vida por nós.

 

No entanto, felizmente, a maioria dos sacrifícios que Deus pede de nós é muito menor: nosso amor, adoração, tempo, dinheiro, conforto, sonhos e desejos.

 

Devemos dar a Jesus tudo isso e muito mais, até finalmente perdermos a conta dos sacrifícios que temos oferecido ao Salvador, que deu tudo por nós.

 

Talvez, então, cheguemos ao lugar na vida que David Livingstone conseguiu alcançar.

 

 Após uma vida de sacrifícios custosos para o trabalho do evangelho, o famoso missionário e explorador disse a uma plateia na Universidade de Cambridge:

 

"Nunca fiz um sacrifício. Não devemos falar de 'sacrifícios' quando nos lembramos do grande sacrifício feito por aquele que deixou o trono do Pai no alto para dar a si mesmo por nós.

 

 

III  - DEUS RESIDE EM MARAVILHOSA SANTIDADE. (V.6)

 

A arca da aliança foi projetada para mostrar que o Deus que merece louvores de todos e exige todos os sacrifícios habita em maravilhosa santidade.

 

A santidade da arca era evidente a partir de sua história. Basta considerar as mortes trágicas de Nadabe, Abiú e Uzá (Lv 10; 2 Sm 6.6-7), ou as terríveis pragas que castigaram os filisteus quando estes roubaram a arca (1 Sm 5-6), a fim de que soubessem quão perigoso era tocá-la, tão intimamente estava associada à santidade de Deus.

 

Consequentemente, a arca da aliança foi colocada em um lugar santo: "Puseram os sacerdotes a arca da Aliança do Senhor no seu lugar, no santuário mais interior do templo, no Santo dos Santos, debaixo das asas dos quembins" (1Rs 8.6).

 

Essa câmara sagrada, também conhecida como o Santo dos Santos, foi feita na forma de um cubo perfeito e revestida de ouro puro (1Rs 6.19-22).

 

O local demonstrava toda a santidade da arca: ele pertencia ao santuário interior, o lugar onde Deus estabeleceria sua presença terrena.

 

O Santo dos Santos era a sala do trono de Deus — uma cópia terrena do lugar onde Deus reina no céu (Hb 9.24).

 

Com efeito, a arca era o trono de Deus, ou então o escabelo para o trono de Deus.

 

Um estudioso a chama de "o trono portátil do Senhor".''' Nos livros de Samuel, por exemplo, a arca da aliança é descrita como o lugar onde Deus está entronizado (1Sm 4.4; 2Sm 6.2).

 

Para ser mais específico, é o lugar onde Deus "se assenta acima dos querubins" (1Cr 13.6, Sl 80.1).

 

Os querubins são anjos que estão constantemente empenhados na adoração santa e no serviço sagrado de Deus.

 

Já os encontramos várias vezes, nas descrições das esculturas do templo de Salomão (1Rs 6.23-29,35).

 

Aqui, encontramos esses anjos novamente, descansando em cima da arca da aliança: "Pois os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e, do alto, cobriam a arca e os varais.

 

Os varais sobressaíam tanto que suas pontas eram vistas do Santo Lugar, defronte do Santo dos Santos, porém de fora não se viam.

 

Ali, estão até ao dia de hoje" (1Rs 8.7-8). Não sabemos exatamente onde essas varas eram posicionadas.

 

Possivelmente tocavam a cortina do Santo dos Santos, ou talvez suas pontas fossem visíveis nas bordas da cortina.

 

Em todo caso, as varas aumentavam o mistério em torno da arca sagrada.

 

Os sacerdotes que serviam no templo nunca viam a arca da aliança; porém, podiam ver as varas usadas para carregá-la e, assim, sabiam que a arca ainda estava lá dentro, envolta pelo mistério sagrado.

 

Os querubins transmitiam uma sensação ainda maior da santidade de Deus. Já que eles serviam como sentinelas da sala do trono de Deus no céu, no templo identificavam a arca como um lugar de entronização.

 

Eles também testemunhavam da santidade divina. Anjos não caídos são absolutamente sem pecado e, portanto, são perfeitamente santos em todas as suas ações, pensamentos e palavras.

 

Os querubins dão testemunho constante da santidade de Deus. O salmista proclama que Deus "está entronizado acima dos querubins" e, em seguida, dá esta ordem: "Exaltai o Senhor, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é santo" (Sl 99.1,5).

 

Sempre que entramos na presença de Deus para a adoração, devemos honrá-lo por sua santidade. Devemos separá-lo, como Deus único.

 

Devemos reconhecer o seu ser supremamente perfeito. Devemos curvar-nos diante dele como o Deus santo, santo, santo.

 

Se entendermos que Deus está em toda parte e que Jesus está conosco aonde quer que vamos, então tudo na vida será tomado por uma sensação de santidade divina.

 

O mesmo Deus que é adorado pelos anjos e habita em tremenda majestade também está vivendo em nós pelo Espírito Santo, fazendo dos nossos corações um espaço sagrado.

 

 Portanto, todo lugar no qual um cristão se encontra é solo sagrado, mesmo os lugares de trevas e pecado.

 

Nós carregamos a glória de Deus conosco para onde quer que vamos.

 

Além disso, todas as conversas que temos é uma oportunidade que o Espírito Santo pode usar para nos ajudar a dar testemunho do evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado.

 

 É por isso que a Bíblia chama cada cristão de "santo" (Ef 1.18): estamos sempre perto da presença de um Deus santo.

 

 

IV – DEUS DESCE EM GLÓRIA INACESSÍVEL. (v.10-11)

 

Isso nos leva ao momento mais dramático da história de Salomão e da arca da aliança: o momento em que Deus desceu em glória inacessível.

 

O culto inteiro tinha sido espetacular, com dezenas de trombetas estridentes, centenas de sacerdotes cantando em uníssono e milhares de pessoas celebrando a glória da casa de Deus.

 

Mas quando os sacerdotes levaram a arca para dentro do templo, algo tremendo aconteceu:

 

 

"Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor" (1Rs 8.10-11).

 

Algo semelhante aconteceu quando Moisés entrou na tenda. No momento em que terminou de fazer uma casa para Deus, a glória desceu.

 

Como lemos no final de Êxodo: "Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo" (Êx 40.34-35).

 

O que aconteceu nos dias de Moisés, aconteceu também nos dias de Salomão: quando Deus entrou pela primeira vez na casa, sua presença era tão gloriosa que os sacerdotes não podiam sequer ficar dentro de casa o tempo suficiente para cumprir seu dever sacerdotal!

 

Aqui encontramos uma ironia misteriosa, ou talvez um mistério irônico. O templo era o único lugar na terra onde as pessoas podiam se encontrar com Deus, por meio do ministério de um sacerdote.

 

Mas quando o templo foi finalmente aberto, ninguém podia entrar porque Deus era glorioso demais!

 

O Deus vivo e verdadeiro não pode ser colocado em uma caixa, nem mesmo numa caixa tão bonita quanto o templo de Salomão.

 

O que as pessoas viram naquele dia foi uma teofania — uma manifestação visível do Deus invisível.

 

Quando Deus aparecia a seu povo no Antigo Testamento, normalmente ele o fazia na forma de uma nuvem gloriosa.

 

Tratava-se da mesma nuvem que Moisés e os filhos de Israel viram quando viajavam pelo deserto e, novamente, quando chegaram à montanha sagrada de Deus (Êx 13.21-22; 16.10; 19.9; 24.15-17).

 

Era uma nuvem escura e gloriosa da presença de Deus, uma representação física do seu ser divino.

 

 Essa nuvem era, sem dúvida, alguma coisa mais gloriosa no templo, que, apesar de todo o seu esplendor de ouro, tornou-se gloriosa apenas pela presença de Deus.

 

O puritano Matthew Henry descreveu como o templo de Salomão seria sem a presença do seu Deus:

 

"O templo, apesar de ricamente adornado, enquanto estava sem a arca era como um corpo sem alma, ou um castiçal sem vela, ou (para falar em termos mais concretos) uma casa sem habitantes.

 

Todos os custos e sofrimentos investidos nessa estrutura imponente são perdidos se Deus não os aceitar; e, a menos que lhe agrade apoderar-se dele como lugar onde gravará o seu nome, não passa de um monte de entulhos".

 

Poderíamos dizer a mesma coisa sobre a igreja de Jesus Cristo: não somos nada sem o nosso Deus. Isso vale para os edifícios da igreja.

 

Existe coisa mais trágica do que ver uma magnífica casa de adoração, onde Deus não é adorado, o evangelho não é pregado e o Espírito Santo não está mais presente em todo seu poder salvífico e santificador?

 

O mesmo princípio vale também para os ministérios da igreja.

 

Se o Senhor não está conosco, nenhum dos trabalhos que fazemos na igreja — nenhum ministério de ensino e pregação, nada do carinho e do compartilhamento, nenhum dos trabalhos de caridade ou de evangelismo missionário — fará qualquer diferença para o reino de Deus.

 

O que seria uma reunião de oração sem a presença de Deus para orientar as pessoas em suas orações?

 

O que seria uma aula de escola dominical sem a ajuda do Espírito Santo no ensino e na aplicação das Escrituras?

 

O que seria do ministério de assistência social sem a presença viva de Cristo para alimentar os necessitados?

 

Mas quando Deus está na casa, sua Palavra se propaga com poder e seu Espírito muda a vida das pessoas de dentro para fora.

 

Imagine o tamanho da bênção que Israel recebeu ao ver a glória de Deus enchendo o templo do Senhor.

 

Foi uma bênção para o rei, porque a nuvem confirmou que Deus realmente abençoou a casa que Salomão construiu em seu nome.

 

Foi uma bênção para os sacerdotes também, porque o Senhor lhes mostrou a santidade da glória do Deus a que foram chamados a servir.

 

E é uma bênção para nós, porque nós também estamos na presença do Deus de Salomão.

 

Ele se revelou a nós, especialmente em sua Palavra, para que possamos perceber a sua glória.

 

E nunca seremos capazes de manipular ou controlar Deus e nem seremos capazes de mantê-lo em um lugar e dizer que já sabemos tudo sobre ele.

 

Haverá sempre gloriosos mistérios sobre o caráter de Deus que transcendem a nossa compreensão finita.

 

Quanto mais nos encontramos com ele, mais incrível a sua glória se apresentará a nós.

 

Os primeiros discípulos experimentaram essa glória incrível quando subiram na montanha com Jesus Cristo:

 

"Foi transfigurado diante deles; as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar" (Mc 9.2-3).

 

Os discípulos estavam vendo a glória de Deus na pessoa de Jesus Cristo. Viram até uma nuvem majestosa, que os cobriu com a glória de Deus (Mc 9.7, Jo 1.14; 2Pe 1.17).

 

Isso os ajudou a reconhecer que Jesus Cristo é o Deus de toda a glória. Ao mesmo tempo, a nuvem os preencheu de santo temor.

 

Eles sabiam que estavam pisando em solo sagrado, que Jesus era infinitamente glorioso.

 

Um dia veremos a plenitude dessa glória com nossos próprios olhos (Jo 17.24).

 

Veremos Jesus Cristo, que virá para as nações, descendo na nuvem da glória de Deus (Lc 21.27).

 

Seremos levados à presença gloriosa do Senhor. Entraremos no sagrado santuário do céu que "se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder" (Ap 15.8).

 

Mas não veremos nenhum templo, pois o templo da grande cidade "é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro" (Ap 21.22).

 

Este é o Deus que adoramos e honramos: o Deus que habita em santidade incrível e glória inacessível. É também o Deus que somos chamados a servir em santidade.

 

Não! não há nada pelo qual vale a pena viver, exceto para a glória de Deus, cuja presença santa está conosco aonde quer que vamos.

 

CONCLUSÃO:

 

A Bíblia nos mostra dois tipos de santificação e, portanto, dois tipos de santidade.

 

A primeira é comum às pessoas e às coisas, consistindo em dedicação peculiar, consagração e separação delas para o serviço de Deus, por sua própria determinação e, através disto, se tornam santas.

 

Assim como fazemos quando dedicamos nossos filhos ao nascerem ao Senhor, ou quando separamos um espaço para nos reunir a fim de cultuarmos ao Senhor, ou mesmo quando os sacerdotes e levitas foram consagrados, da mesma forma a arca, o altar e o templo, tudo sendo santificado ao Senhor.

 

Porém na segunda, há um outro tipo de santificação e santidade em que essa separação para Deus é um efeito e uma consequência dessa própria santificação.

 

Essa é relatada em Hebreus 12.14 que diz:“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”

 

ou como está escrito em 1 Pedro 1.14-16 que diz: “Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”

 

Agora essa santificação trata-se de algo real e interno, que comunica as nossas naturezas um princípio de santidade, acompanhado por seu exercício sob a forma de atos e deveres de santa obediência a Deus.

 

É por essa santidade que devemos anelar, porque somente vivendo de forma separada para Deus, é que seremos cheios de Deus.

 

A santidade na vida do homem, não consiste meramente em sensações e impressões fantásticas como viveu aquele povo  no dia em que a arca foi colocada no santos dos santos e a glória de Deus encheu todo o ambiente.

 

A santidade na vida do homem também não está relacionado em emoções quando as lágrimas vem aos olhos, ou suspiros e demonstrações físicas, ou um pulso acelerado com um apego apaixonado ao pregador favorito.

 

Nem mesmo está relacionado ao grupo religioso que pertenço, ou ainda, uma prontidão para debater com qualquer pessoa nossas convicções teológicas caso alguém não concorde conosco em algum ponto.

 

A santidade agora aqui mencionada é algo que nos fala sobre sermos a “imagem de Cristo”, que pode ser visto e observado por outras pessoas em nossa vida particular, em nossos hábitos, em nosso caráter e em nossa maneira de viver.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 15/01/2018
Por: Jefferson Belisário Couto

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